O Legado Esquecido
10 O jogo das Sombras
O vento sussurrava pelas janelas da torre da Corvinal, trazendo consigo a sensação de que algo estava fora do lugar. Rose, Albus e Scorpius estavam sentados ao redor de uma pilha de livros antigos na biblioteca, enquanto Lorcan e Lysander examinavam um pergaminho com runas perto das arquibancadas da quadra de quadribol. A ameaça da figura encapuzada ainda pairava sobre eles, mas nenhum deles estava disposto a recuar.
“Ordem da Lua Negra,” Rose murmurou, virando uma página amarelada de um livro sobre sociedades secretas. “Não há menção específica sobre eles, mas parece que algumas organizações menores surgiram depois que Merlin desapareceu. Talvez essa ordem seja uma delas.”
Scorpius apoiou o queixo na mão, pensativo. “E se eles forem os guardiões de algo? Algo que Merlin escondeu? Isso explicaria o interesse em nos impedir de continuar.”
“Se for isso, eles têm motivos para temer,” acrescentou Albus, com um olhar sério. “Porque não vamos parar.”
Durante o almoço, no Grande Salão, Hugo cochichou algo para Fred enquanto passava os pratos de torta de abóbora. “Na aula de Adivinhação, o professor Firenze mencionou algo sobre um símbolo lunar em uma visão. Pode ser um começo.”
Fred rolou os olhos. “Visões de Firenze ? Você sabe como ele é enigmático. Mas, considerando nossa situação, até uma previsão confusa pode ser útil.”
“Precisamos falar com ele,” decidiu Hugo.
Naquela tarde, Rose, Hugo e Lily foram até a sala de Adivinhação. Firenze , com seus olhos focados em pergaminhos e sua presença etérea, parecia distraído, mas parou de divagar quando Rose mencionou o símbolo lunar.
“A Lua Negra,” disse ele, com um arrepio teatral. “Um símbolo de segredos e promessas quebradas. Dizem que Merlin confiou a uma sociedade o maior de seus legados, mas que a confiança foi traída.”
“O que isso significa?” perguntou Lily, ansiosa.
“Eu só sei que o símbolo lunar está gravado em um dos locais mais antigos de Hogwarts,” respondeu o professor, com um olhar distante. “Mas qual é, eu não consigo dizer.”
Naquela noite, o grupo se reuniu novamente, agora em um dos túneis subterrâneos que conectavam as masmorras ao terreno externo. A descoberta de Firenze os levava a suspeitar que a entrada para um dos segredos de Merlin pudesse estar em uma área esquecida da escola.
Fred liderava o grupo, com sua varinha iluminada, enquanto os outros seguiam de perto. O silêncio ao redor era esmagador, quebrado apenas pelo som de suas respirações e do eco de seus passos.
“Por aqui,” disse James, apontando para uma passagem estreita coberta de musgo.
No final do túnel, encontraram uma porta com runas gravadas. Lorcan e Lysander, que haviam passado horas decifrando símbolos antigos, se aproximaram.
“Isso é um feitiço de proteção,” disse Lorcan, correndo os dedos pelas runas. “Mas não parece ser apenas magia de Merlin. Há algo mais aqui... algo mais sombrio.”
Lysander apontou para um detalhe em uma das runas. “Isso é o símbolo lunar.”
“Então estamos no lugar certo,” disse Albus, com determinação.
Depois de alguns feitiços combinados, a porta se abriu com um gemido baixo, revelando uma sala circular, cheia de símbolos brilhantes e um pedestal central. Sobre o pedestal, havia um pergaminho enrolado.
Rose se aproximou com cuidado, pegando o pergaminho. Quando o abriu, as palavras começaram a brilhar na superfície:
"A luz e a escuridão coexistem, e somente aqueles que compreendem ambos poderão desvendar o legado de Merlin. A verdade está escondida nas sombras, mas cuidado: a mesma chave que abre, também destrói."
“Parece uma advertência,” disse Scorpius, enquanto os outros se aproximavam para ler.
“O que quer que seja esse legado, está protegido por mais do que apenas magia,” disse Rose, olhando ao redor.
De volta à superfície, o grupo se dispersou para seus respectivos quartos, mas o peso da descoberta permanecia com eles. Nenhum deles percebeu que, nas sombras do túnel, uma figura encapuzada observava de longe.
“O jogo começou,” murmurou a figura, apertando o anel com o símbolo lunar. “E eles estão mais perto do que imaginam.”
Enquanto o grupo tentava decifrar o significado das palavras do pergaminho, as peças do quebra-cabeça estavam se movendo em um tabuleiro maior. A Ordem da Lua Negra não estava apenas observando — estava se preparando para agir.
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