O Legado Esquecido

1 O Chamado Ancestral


Notas iniciais
Essa fanfic é o presente de natal do ISN de 2024 para o Dobby. Espero que goste dessa história

O vento soprava forte nas colinas que cercam o Vale de Godric, trazendo consigo uma sensação de inquietação que parecia pesar no ar. Na casa dos Potter, Albus Severus acordou ofegante, com a respiração entrecortada e o coração batendo tão rápido que parecia ecoar no silêncio do quarto. Ele esfregou os olhos, tentando afastar as imagens que persistem em sua mente. Não eram apenas sonhos; eram fragmentos de algo mais. Um castelo sombrio, envolto em névoa, surgia diante dele. As pedras de sua fachada pareciam sussurrar segredos antigos, palavras indecifráveis que se entrelaçam como um feitiço perdido. Ele se sentou na cama, agarrando um pergaminho à mesa de cabeceira para rabiscar as palavras que ainda pulsava em sua memória: “Quando o último laço de sangue for desfeito, o equilíbrio se romperá.”

Na Toca, Hugo Weasley despertava em um sobressalto, assim como sua irmã Rose. Apesar de estar em Lufa-Lufa, Hugo sempre acreditara que seu lugar não limitava sua coragem. Sentado na beira da cama, sentiu o peso de algo que não entendia. Suas mãos tremiam, e na penumbra do quarto, ele viu o reflexo de um sonho queimar em sua mente. Chamas subiam ao redor de um brasão, que se partia em pedaços, enquanto uma voz baixa e grave repetia um enigma que ecoava em sua cabeça: “Das cinzas erguer-se-á a verdade, mas o preço será o silêncio eterno.” Hugo tentou se acalmar, mas a sensação de que aquilo era mais do que um pesadelo permanecia. Ele olhou pela janela, imaginando se alguém mais também teria sentido aquilo.

O despertar de Rose foi igualmente inquietante. Sonserina desde o primeiro ano, Rose aprendera a valorizar a inteligência e a ambição, mas também carregava o estigma da escolha incomum para uma Weasley. A visão de símbolos, brasões e rostos fragmentados a atormentava desde a madrugada. Ela vasculhou a pilha de livros em sua escrivaninha, puxando com urgência um volume sobre a heráldica bruxa. As figuras em seus sonhos pareciam familiares, mas ao mesmo tempo distantes. Rose franziu a testa, murmurando para si mesma enquanto folheava as páginas amareladas: “São brasões... mas de quem?”

Na pequena casa de Luna Lovegood, Lorcan e Lysander Scamander acordaram ao mesmo tempo, como se um mesmo feitiço os tivesse sacudido. Apesar de estarem em quartos separados, seus sonhos haviam sido idênticos. Ambos haviam visto um grande salão de pedra iluminado por velas flutuantes, onde figuras encapuzadas murmuravam palavras em uma língua que eles não conheciam, mas que despertava algo ancestral dentro deles. “A magia antiga os chama,” disse uma voz nos sonhos. Apesar de estarem em Corvinal, com sua curiosidade natural, os irmãos sabiam que aquilo era mais do que simples enigmas a serem resolvidos. Ao trocarem olhares na manhã seguinte, não precisavam de palavras para saber que aquilo era apenas o início de algo muito maior.

Enquanto isso, Fred II Weasley e James Sirius Potter, ambos Grifinórios no quinto ano, lidavam com as sombras persistentes de seus próprios sonhos. Fred sentia uma estranha pressão no peito, como se as gárgulas de um castelo sombrio que vira em sua visão estivessem observando-o. James, que sempre zombava de histórias de visões e profecias, acordou com uma estranha inquietação. Durante a noite, ele sentiu como se mãos invisíveis estivessem puxando-o para uma porta entreaberta. Além dela, ouvira vozes, gritos abafados e uma sensação de que algo importante estava para acontecer. Ele se recusou a dar muita importância àquilo, mas o incômodo permaneceu, como uma pedra no sapato.

No dia de voltar a Hogwarts, o Expresso parecia mais silencioso do que o normal. No compartimento que compartilhavam, Albus, James, Rose, Hugo, Lily, Fred, Molly, Lorcan e Lysander começaram a compartilhar, hesitantes, suas experiências. Lily, no terceiro ano e aluna de Corvinal, ouviu as palavras de Albus e completou: “Eu também vi o castelo. Mas, na minha visão, ele parecia... vivo. Como se estivesse esperando algo ou alguém.”

Hugo falou das chamas e do brasão partido. Lorcan e Lysander descreveram o salão de pedra e as figuras encapuzadas. Rose mencionou os brasões e símbolos em seus sonhos. Albus tentou entender o significado das palavras que ouvira, enquanto Fred e James se entreolharam, menos inclinados a admitir o peso que suas visões haviam trazido.

“Parece que estamos montando um quebra-cabeça,” murmurou Rose, franzindo a testa. “Mas cada um de nós tem apenas uma peça.”

Lorcan, pensativo, completou: “E se isso não for só um quebra-cabeça? E se for um aviso?”

Antes que alguém pudesse responder, a porta do compartimento deslizou abruptamente. Scorpius Malfoy, colega de Rose e Albus na Sonserina, apareceu com os olhos arregalados. Ele hesitou, mas finalmente disse: “Vocês também ouviram? No corredor... uma voz...”

O grupo trocou olhares alarmados. Algo estava vindo à tona, e eles estavam no centro disso.