O Legado Esquecido
17 A batalha
A sala tremia como se a própria magia reagisse à tensão no ar. No centro, a Essência do Equilíbrio pairava, girando lentamente, suas luzes oscilando entre dourado e negro, uma dança de forças em eterna oposição. Os membros encapuzados da Ordem da Lua Negra avançavam, suas varinhas erguendo-se em uníssono como um único instrumento de ameaça.
Rose foi a primeira a se mover. Com um gesto decidido, conjurou um feitiço de proteção em torno do grupo. “Protejam a Essência!” gritou ela, a voz cortando o caos. “Não podemos deixar que eles a levem!”
Os membros da Ordem hesitaram por um momento, como se a barreira mágica de Rose os surpreendesse, mas logo retomaram seu avanço. Albus, Scorpius, Lorcan e Lysander se posicionaram ao redor da esfera brilhante, suas varinhas erguendo-se como uma muralha.
O líder encapuzado ergueu a voz, uma mistura de autoridade e ameaça ecoando pelo espaço. “Vocês estão brincando com forças que não compreendem! A Essência não pertence a vocês!”
“E tampouco a vocês!” rebateu Albus, disparando um feitiço que fez dois dos encapuzados tropeçarem.
Os feitiços ricocheteavam pelas paredes, criando explosões que lançavam faíscas e destroços. Lysander conjurou um escudo mágico para proteger o grupo, enquanto Scorpius lançou feitiços atordoantes, tentando diminuir o número de inimigos.
Lorcan, no entanto, estava imóvel. A conexão recém-descoberta com a Ordem pesava sobre ele como uma corrente invisível. Ele sabia que seu sangue fazia dele parte dessa história, mas também sentia que poderia ser a chave para resolvê-la.
“Lorcan!” gritou Scorpius, bloqueando um ataque com um contrafeitiço. “Precisamos de você!”
Lorcan olhou para a Essência, sentindo-a chamá-lo como se reconhecesse sua presença. Ele deu um passo hesitante à frente, a mão tremendo ao erguer a varinha. “Vocês me querem porque acham que sou um deles,” disse ele, a voz firme apesar do turbilhão de emoções. “Mas não sou. Eu escolho meu próprio caminho.”
O líder da Ordem, com o rosto oculto pelas sombras, parou, como se as palavras de Lorcan o tivessem atingido.
Enquanto isso, Rose estava absorta nos padrões mágicos que se revelavam no chão ao redor da Essência. As runas brilhavam e mudavam constantemente, pulsando em sincronia com a energia no ar. “Esses símbolos... eles são parte de um feitiço antigo,” murmurou ela. “Se eu puder decifrá-los, talvez possamos selar a Essência de volta em segurança.”
“Faça isso rápido!” gritou Albus, desviando por pouco de um feitiço que explodiu a parede atrás dele.
Rose fechou os olhos, concentrando-se nas runas. Ela começou a recitar palavras em uma língua arcaica, cada sílaba carregada de poder. A sala inteira reagiu, as luzes pulsando em resposta ao encantamento.
O líder da Ordem avançou, determinado a interrompê-la. “Chega!” gritou ele, lançando um feitiço na direção de Rose.
Lorcan se moveu antes que pudesse pensar, colocando-se entre Rose e o ataque. O feitiço o atingiu de raspão, derrubando-o no chão. “Não vou deixar vocês destruírem o que Merlin criou!” ele gritou, sua voz ecoando pela sala.
“Vocês não entendem!” gritou o líder da Ordem, sua voz carregada de desespero. “A Essência é mais do que poder. É o equilíbrio entre os mundos! Sem ela, tudo ruirá!”
“Então por que tentar roubá-la?” questionou Albus, bloqueando outro ataque.
“Porque vocês não são dignos de protegê-la,” respondeu o líder.
Antes que ele pudesse lançar outro feitiço, Lysander e Scorpius o desarmaram com um movimento coordenado. A varinha do líder caiu ao chão, e ele recuou, indefeso.
“Agora, Rose!” gritou Albus.
Rose pronunciou a última palavra do encantamento, e a Essência explodiu em uma onda de energia que varreu todos os presentes. Os membros da Ordem foram jogados contra as paredes, suas varinhas caindo de suas mãos. A luz na sala tornou-se quase cegante, e então diminuiu até restar apenas o brilho tênue da Essência, agora envolta por uma barreira invisível.
Os encapuzados estavam inconscientes, exceto pelo líder, que permanecia de joelhos, ofegante. Lorcan se aproximou dele, tirando seu capuz com um movimento rápido. O rosto por trás do capuz era de um homem marcado pelo tempo, seus olhos carregando tanto arrependimento quanto determinação.
“Vocês não percebem... isso não acabou,” murmurou ele, a voz enfraquecida. “Outros virão. O equilíbrio sempre estará ameaçado.”
O Guardião reapareceu, sua forma etérea iluminando o espaço. “Vocês provaram sua coragem e seu valor,” disse ele. “A Essência estará protegida novamente, mas lembrem-se: o equilíbrio é uma tarefa eterna. A responsabilidade agora é de vocês.”
Antes que pudessem responder, o Guardião desapareceu, e a sala começou a se dissolver, transportando-os de volta para os corredores de Hogwarts.
Tudo parecia estranhamente tranquilo. Os corredores estavam vazios, as paredes intactas, como se o confronto jamais tivesse ocorrido. Mas o grupo sabia que algo havia mudado — dentro deles e no mundo ao redor.
“O que fazemos agora?” perguntou Scorpius, quebrando o silêncio.
“Agora,” disse Albus, olhando para a Essência protegida em sua mente, “nós nos preparamos. Porque isso foi apenas o começo.”
Enquanto o grupo se afastava, carregando o peso de sua vitória e das novas perguntas que ela gerava, sabiam que o destino do legado de Merlin e do equilíbrio entre os mundos agora estava irrevogavelmente ligado a eles.
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