O Legado Escarlate
2 Capítulo 1 ☼ "Bem-vindo à América"
Notas iniciais

Capítulo 1 "Bem-vindo à América"
Dezembro de 1849, San Francisco – Califórnia.
Quando o trote do cavalo alcançou o alto da colina, os olhos azuis de Jade O'Hara contemplaram, depois de muito tempo, o que o humilde vilarejo de Yerba Buena, agora chamado de San Francisco, se tornara em tão pouco tempo.
A névoa da manhã havia se dissipado, dando lugar ao sol do meio dia, possibilitando a visão perfeita de todo o panorama à beira-mar, com colinas como plano de fundo, cercando as águas do Pacífico.
As nuvens tomavam as cores do pôr do sol, bailando no céu até o horizonte em tons rosados que contrastavam com o verde das montanhas nos limites da cidade. O vento batia nas árvores e os sons de trotes de cavalos chamavam a atenção para onde havia mais vegetação, esparramadas em um pequeno acampamento.
As inúmeras construções, casas, estradas, escolas e igrejas, estendiam-se por todos os lados, perdendo-se de vista até a baía, onde uma infinidade de barcos e navios aportavam todos os dias. Os mastros rasgavam os céus como uma floresta de velas e bandeiras, exibindo as mais longínquas nacionalidades.
Toda a sorte de homens caminhava por San Francisco desde o ano anterior, quando Samuel Brannan saiu pelas ruas gritando ter encontrado ouro no Rio Americano. Desde então, a notícia espalhou-se feito fogo de rastilho. De um vilarejo com pouco mais que algumas tendas, a cidade tornou-se a mais populosa a oeste do Rio Mississípi. Da Europa e da Ásia, de navios, cavalos e carroças, homens de todos os continentes chegavam a terra do ouro.
A brisa trouxe o aroma de maresia, bagunçando os fios curtos e loiros antes de o chapéu ser ajeitado novamente, assim como a pelagem suja do cão que o seguia fielmente no percurso.
O pistoleiro e seu cão seguiram entre os mineiros com seus instrumentos de trabalhos e suas tendas. Homens que vinham de todos os lugares para a América, buscando meios de melhorar de vida. Alguns comentavam sobre o tempo de frio ameno, sentados ao redor de fogueiras, dividindo o pão de fermento e o café, o pouco que tinham antes de retornarem aos duros trabalhos nas minas.
Muitos daqueles homens deixavam as famílias para trás, vendiam seus poucos bens levados pela febre do ouro, assim como muitos dos navios no atracadouro, perdiam suas tripulações quando a embarcação aportava e a notícia do ouro inflamava a ambição nos corações de cada marinheiro.
Os mineiros observaram a figura recém-chegada, que descia agora a Clay Street, trotando calmamente entre os moradores, forasteiros e estrangeiros da cidade.
Cavalos corriam velozes entre as pessoas que transitavam pelas ruas largas de terra, levantando uma cortina de poeira avermelhada que dissipava-se momentos após as corridas. Homens, mulheres e crianças circulavam por ali, retornando para as casas, comprando mercadorias e alguns grupos de homens saíam para algum bordel naquele fim de tarde, criando contraste com os sacerdotes e padres trajados em suas vestes negras com os rostos escondidos debaixo dos chapéus.
O cavalo desviou a tempo de um homem nas escadas de uma ostensiva varanda. Ele vinha com outros dois homens em roupas distintas e pareciam intimidar o morador da casa. A atenção do O'Hara, no entanto, estendeu-se às barracas coloridas. Embora a maior concentração delas fosse aos arredores da cidade, haviam os ousados que montavam suas tendas por entre as casas de madeira.
Uma carroça com uma família de chineses recebeu seu cumprimento enquanto subiam a rua. Cães latiam das varandas das casas e calçadas dos estabelecimentos, levando Pirata, o cão que o acompanhava, a agir de igual maneira, mas sem deixar de seguir o cavalo.
Burros carregando sacas de alimentos eram puxados por seus donos, empacando no caminho, sob as bandeiras americanas nos mastros, desfraldadas e ondulando contra a brisa. De ambos os lados, lojas, hotéis e saloons existiam aos montes. Um em especial, construído sobre o casco de um navio, o Niantic Hotel, chamou sua atenção, mas Jade passou por ele e seguiu até o fim da rua.
Um garoto de pele latina se apressou para pegar as rédeas do cavalo, oferecendo os préstimos de levá-lo até os estábulos.
— Eu cuido dele, senhor. — Um sorriso banguelo foi direcionado ao forasteiro. Ele estava sujo e descalço, talvez estivesse com fome. — Quer que eu cuide do cão também? Por uma moeda a mais eu fico com ele por meia hora.
— Meia hora? — Jade arqueou a sobrancelha, dedicando um olhar curioso ao rosto do menino e em seguida ao cão. — Pirata vem comigo. — Buscou por uma moeda dentro dos bolsos e a jogou para o garoto que a agarrou no ar.
— Nossa! Ele não tem um olho!
A atenção do pistoleiro foi novamente para o cão que começou a rodear o garoto em busca de carinho. Pirata não tinha um olho. O único ainda restante, era de um tom dourado e intenso que brilhava em contraste a pelagem castanha e suja. Ele era um cão muito agradecido, como todos os cães de rua que encontram o calor de um lar. Ele devia ser um cão de guarda, mas um carinho atrás das orelhas e ele se derretia todo.
— Sabe me dizer se um garoto de pele escura, cabelos cheios e roupas simples passou por aqui? — Jade perguntou, observando ao redor em busca de um conhecido rosto. Era somente por esse motivo que estava ali, em meio ao caos da cidade.
— Não vi ninguém assim, senhor. — O menino balançou a cabeça. Ainda estava se divertindo com o cão, quando um potencial cliente surgiu. — O senhor precisa de ajuda? Está perdido? — Os olhos infantis admiraram as roupas tão diferentes que o estrangeiro usava, mas os dedos apertaram as rédeas do cavalo quando a espada que ele carregava na cintura, entrou em seu campo de visão, assim como a expressão de poucos amigos. — Eu... Levarei o seu cavalo...
Jade observou o menino se afastar, mostrando receio sobre a figura recém-encontrada. Seus olhos desviaram do movimento ao redor e recaíram no homem de traços asiáticos e roupas que destoavam da forma como se vestiam na América.
Um samurai...
O pistoleiro relembrou os desenhos em livros de histórias, muito semelhantes ao homem de kimono e chapéu de palha. Ele estava sujo de terra, atento a todo e qualquer movimento. Provavelmente o Japão não era aquela baderna, Jade pensou.
Os olhos azuis dançaram pelo rosto do desconhecido, até que os olhos dele também encontrassem os seus.
Eram pretos como carvão, um tanto confusos, mas pareciam irritados, o que não era surpresa. Pelo visto, a estadia da figura exótica era recente, o que explicava a forma atenta de caminhar e olhar para cada um dos que passavam.
O sol terminava de se pôr e as chamas nos postes trouxeram luzes às ruas, acesas pouco a pouco, uma a uma, parecendo brilhar no negro e nos azuis das íris de ambos. O samurai observou o pistoleiro e o pistoleiro observou o samurai, como em uma espécie de reconhecimento mútuo, porém efêmero, que desapareceu junto ao vento frio que balançou tendas e ergueu poeira pelo caminho, fazendo com que o chapéu de palha do samurai, escorregasse pelos fios lisos.
Os cabelos presos em um rabo de cavalo, esvoaçaram ao redor do rosto, mechas bagunçadas escapando do penteado.
Jade desviou os olhos. E quando o procurou uma segunda vez, ele não estava mais lá.
— Bem-vindo à América. — Murmurou ao coçar o maxilar barbado. Escolheu um ponto qualquer em meio a tantos outros, um dos saloons na Kearny Street e entrou junto ao cão.
As portas duplas do Dennison's Exchange balançaram às suas costas. Os sons característicos do ambiente trouxeram a familiaridade do que se esperava de um lar. Aquele era o maior abrigo de jogos de azar, bebidas, música e belas dançarinas de que se tinha notícia. Três andares propriamente para diversão, estalagem dos clientes e a vivência dos donos da construção no primeiro andar.
Alguns cartazes sobre a Corrida do Ouro estavam pregados às paredes. A típica decoração trazia um bar, mesas redondas e bancos baixos, uma escadaria onde algumas damas pintadas observavam a clientela e os festejos sonoros de um piano em uma célere canção unida às vozes de toda a sorte de homens.
Estava lotado, como era de se esperar.
E tão logo as portas balançaram ante sua entrada, inúmeros pares de olhos o alcançaram.
Como bom forasteiro que era, foi logo procurar um lugar onde pudesse repousar, beber e buscar por informações.
Ajeitando o alforje sobre o ombro direito, ele caminhou por entre os homens que estavam em pé, observando uns que jogavam e outros que se agarravam com as dançarinas. As esporas soavam rítmicas nas botas de couro a cada novo passo.
Pirata acompanhou o dono, ressabiado pelos sons que vinham de todas as partes do salão.
— É novo na cidade? — A voz suave encantou seus ouvidos em um tom macio e agradável. Era aquele tom que o faria gastar até mesmo os dólares que não tinha, do tipo que prometia momentos calorosos em noites solitárias.
— Acabei de chegar. — E estava com certa pressa. Os olhos vagaram pelo salão. Não conhecia aqueles homens, mas tinha a esperança de que talvez encontrasse quem buscava. — Talvez a senhorita possa me ajudar. — Mudou o tom para algo mais galante, sorrindo ao caminhar com ela até o bar.
— Depende. — A mulher de cabelos vibrantes como o fogo também sorriu, pedindo whisky para dois.
— É sobre um garoto—
— Conheço muitos garotos, forasteiro. — O olhar dela era quente, prometendo muito mais que a voz macia. — Savannah. — Se apresentou. — Agora especifique, senhor...
— Jade. — Completou. Estava claro, no sorriso que ela lhe ofereceu, os pensamentos que rondavam aquela cabeça ruiva quando disse que buscava por um garoto.
— E como seria esse tal garoto?
O sabor forte do whisky desceu pela garganta seca e agradou o paladar. O pistoleiro bebeu todo o conteúdo em mais um gole, pedindo para que lhe enchessem o copo uma outra vez.
— Ele tem dezesseis anos, os cabelos cheios, veste roupas simples de inverno e é curioso como um cão. — Informou, mas nem mesmo Pirata lhe dava trabalho e dor de cabeça quanto o jovem Michael. — Tem a pele escura. — Acrescentou e a viu abrir os lábios vermelhos, como se agora chegasse a uma conclusão.
— Como aquele garoto ali? — Savannah apontou para a outra extremidade do balcão, onde um jovem com aquelas características se desentendia com o dono do estabelecimento.
Michael...
Antes que Jade deixasse o banco onde estava, o homem maior e mais velho, segurou o garoto pelo colarinho de maneira agressiva, puxando-o para cima e fazendo-o bater contra o balcão.
— Crioulo imundo! — Ele bradou, apertando os dedos nas vestes do menino. — Vai espantar meus clientes com essa sua cara feia!
Ninguém pareceu se preocupar com o que poderia acontecer. Os jogos continuaram, a música não parou e homens e mulheres se dedicaram aos risos e as discussões habituais. Pirata, no entanto, avançou em defesa de Michael, latindo furioso e sendo ignorado como a deplorável cena no balcão.
Jade simplesmente odiava aquelas situações.
Os latidos de Pirata, tão perto, eram mais altos que a animação corriqueira de um saloon. Ninguém moveu sequer um dedo, algo que não o surpreendeu.
— Parece que seu amigo está com problemas, querido. — A voz suave de Savannah havia ganhado um tom mais preocupado, mas Jade dispensou o toque gentil em seu braço.
— Ele sempre está. — Devolveu ao virar o resto do drinque e sorrir à moça como agradecimento antes de se erguer.
Poucos passos de distância separavam Michael de um punho, e apesar da promessa de um rosto quebrado, o garoto não mostrava medo, embora Jade soubesse que ele era apenas muito orgulhoso para abaixar a cabeça.
Pirata latiu mais alto em seu encalço e correu para puxar com os dentes as barras da calça do rapaz, atraindo a atenção dele para seu rosto. O pistoleiro viu ali um misto de confusão, alívio e culpa, que seriam cômicos se a situação não beirasse a trágica.
Depois de arrastá-lo pelas calças de volta para a casa, se certificaria de dobrar a atenção para evitar cenas como aquela.
— Precisa de ajuda aí, amigo? — Ergueu a voz para se fazer ouvir em meio a baderna.
Dois únicos pares de olhos se voltaram para ele. O agressor e o menino que se achava um homem e deixava a mãe preocupada.
— Não, amigo. — Quem respondeu foi o dono do estabelecimento, que ainda segurava o garoto, apertando mais os dedos no colarinho da camisa. — Já estou resolvendo aqui, mas agradeço. A gente tem que colocar esses pretos no lugar. — Um sorriso de escárnio se desenhou nos lábios.
Jade quis rir.
— Disponha. — Devolveu, tocando a aba do chapéu. — Mas eu estava falando com o pequeno encrenqueiro aí. — Indicou o garoto que tentava se livrar do agarre do agressor. — É melhor largar o menino. Claro, se não quiser problemas.
— Largar...?!
As duas pistolas no coldre, carinhosamente chamadas de Elisa e Natasha, pesavam em sua cintura, suas duas amantes inseparáveis e incondicionais. Seus tesouros, suas algozes, suas barulhentas e irritadas meninas, ambas ansiando por um pouco daquilo que há muito estavam com saudade.
Natasha foi a escolhida.
E o clique característico de um revolver sendo engatilhado, parou a música, a baderna, a cantoria, os jogos de azar e o coração de alguns. A curiosidade era incrivelmente maior a empatia. Ele devia ter sacado logo a arma.
Aqueles que eram mais inteligentes, saíram do salão, balançando as portas duplas de um jeito que Jade nem mesmo se dignou a olhar. Os curiosos ficaram e era ótimo; amava uma boa plateia.
— Eu disse: É melhor largar o garoto, amigo. — Apertou os dedos no cabo da pistola. — Ou você vai ter problemas. — Enfatizou.
O dono do saloon parecia a ponto de explodir em um ataque nervoso, os dentes apertados, o rosto vermelho e o ódio palpável que o tomou.
Quando ele sacudiu Michael uma vez mais, Jade suspirou. O dedo estava no gatilho, ele realmente não queria ver sangue, apenas devolver o garoto para a mãe em segurança.
— E o que diabos você tem a ver com isso?! É um daqueles defensores de crioulos?
— Vamos dizer que sou como um irmão. Um com uma arma muito impaciente. — Foi com gosto que viu a descrença explodir no rosto do dono do saloon.
— Jade...! — Michael quase se livrara do aperto. — Eu posso—
— Ficar bem quietinho, é isso o que você pode fazer. — Jade o cortou, estava tenso. — Conversa de gente grande, Big Mike. — Quase sorriu ao ver a expressão contrariada dele.
O mesmo barulho de antes soou novamente, mas, uma vez que a outra pistola ainda estava segura em sua cintura, a arma só podia ser de outra pessoa. Não foi surpresa nenhuma ver o homem armado e apontando a arma para a cabeça de Mike.
Covarde...
Hesitou, o dono do saloon sorriu.
— E onde está toda a valentia agora, huh? — Ele apertou o cano contra a têmpora do rapaz. — Vai continuar com essa arma levantada quando eu estourar os miolos desse preto encardido?!
O estampido de um tiro rasgou o ar no momento em que o gatilho da outra arma foi apertado. Ele a tinha puxado do coldre com uma rapidez invejável, embora muito arriscada. O homem que apontava a arma para a cabeça de Michael, caiu com um buraco de bala no peito, cambaleando para trás sem a chance de ofender ao menos uma segunda vez. Algumas mulheres gritaram e correram escada acima.
— Filho da puta desgraçado! — O dono do saloon bradou e só então soltou o garoto, buscando rápido por um rifle abaixo do balcão.
Bem, Jade jamais iria tolerar uma cena daquelas, independente se conhecesse ou não o garoto. Mas seu dedo apenas havia escorregado...
— Meu assunto era com esse preto imundo! — O homem furioso cuspiu, apontando o rifle para o pistoleiro, trêmulo a ponto de errar qualquer alvo mais próximo.
Michael estava caído no chão, impressionado uma vez mais com a rapidez do O'Hara e a boa mira que ele tinha.
Jade bufou.
— Escuta, eu só quero o menino. — Ergueu a mão livre, mostrando que agora desejava paz. — Guarde a arma e nós vamos embora agora mesmo. — Não, ele provavelmente não iria embora, racistas nojentos embrulhavam seu estômago.
O homem pareceu ponderar por tempo o bastante para que Jade jurasse que os dois únicos miolos presentes naquela cabeça, haviam parado de funcionar de vez. Os olhos irados alternaram entre o pistoleiro e o homem caído no chão.
Pirata latiu de novo.
Não mais furioso e, se Jade conhecesse bem o amigo de quatro patas, diria que era um latido de pura satisfação.
Buscou o cão com os olhos, encontrando-o a alguns metros dali, virado de barriga para cima enquanto recebia afagos gentis de uma figura abaixada ao seu lado. Ele lambia algo da mão de um desconhecido que Jade reconheceu logo que encontrou aqueles olhos pretos.
O japonês de antes.
Ele falava baixinho com o animal, afagando as orelhas erguidas com a mão livre, alheio a tudo o que acontecia ao seu redor, e quando se pegou sendo observado, ele simplesmente deu alguns tapinhas no cachorro e murmurou algo que apenas Pirata entendeu, visto que o cão foi com o rabo entre as pernas de volta para o dono.
O estranho, era que Pirata não se afeiçoava a desconhecidos.
Jade teve pouco tempo para digerir toda a cena que acabava de se passar e o que, inconfundivelmente, era o cano de uma colt, tocou sua nuca, jogando para fora seu chapéu.
Fechou os olhos e não precisou ver a expressão amedrontada de Michael para ver que o dono do saloon não os deixaria sair dali tão fácil assim. O bar ainda estava consideravelmente cheio, mas silencioso. Jade tinha certeza de que haviam apostas correndo sobre o desfecho daquela contenda desnecessária.
— Pensei que tínhamos acabado. — Rolou os olhos em estafo, mas sem fazer nenhum movimento brusco. Uma arma na cabeça, fazia qualquer homem rever as próprias prioridades.
Ouviu novamente aquela arma destravar, um som irritante de metal e que poderia abrir um buraco em seu crânio.
— Pensou errado. — O homem cantou vitória. — Se quer tanto esse preto, vai morrer com ele.
Que dia cheio aquele... Jade deixou o ar sair pela boca. Eram novamente dois contra um, mas sua preocupação era com Michael. Os olhos se ergueram para uma lamparina presa ao suporte logo acima da cabeça daquele que agora apontava o rifle para o garoto. Se ele...
Antes que fizesse o que se passava na mente, o cano da arma saiu de sua cabeça e entendeu que algo havia mudado.
O olhar de todos se prendeu ao homem asiático que tinha a espada ainda na bainha, pressionada abaixo do queixo de seu agressor.
O samurai tinha, literalmente, comprado uma briga que não era dele e agora era um alvo em potencial, o que o ajudou a decidir sobre o pensamento de antes.
A bala deixou o tambor da pistola e eclodiu contra a lamparina. O cheiro ocre da pólvora invadiu o ar e estilhaços de vidro bailaram pelos ares ao passo em que uma faísca se acendeu e foi o bastante para colocar a perder toda a estrutura de madeira do suporte.
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