O Lado Sombrio do Amor

7 Velhos Nomes. Novos Movimentos.



Narrado por Jacob Black

A sala de reuniões da Black Enterprises era ampla, com janelas envidraçadas que ofereciam uma vista privilegiada de Nova York. O som da cidade lá fora era abafado, enquanto aqui dentro o clima era silenciosamente tenso.

Eu me ajeitei na ponta da mesa de carvalho escuro, observando os dois homens à minha frente.

Meu pai, Billy Black, exalava aquela energia carismática e dominadora que sempre fazia questão de manter nas reuniões mais importantes. Ao lado dele, Logan Young — pai de Claire e dono de 10% das ações da Black Enterprises — mantinha o olhar firme, como se buscasse em cada palavra uma promessa de retorno.

— O número de vendas dos Cullen’s vem crescendo nos últimos trimestres — disse Logan, cruzando os braços. — Eles estão investindo pesado em inovação e em imagem.

— Deixem eles investirem — Billy rebateu com um sorriso enviesado. — Nós temos algo que eles não têm: solidez, legado… e agora uma futura união entre os Black e os Young. Não é, Jacob?

Olhei de relance para meu pai e depois para Logan, assentindo brevemente.

— A campanha com as novas motos está andando bem — comentei. — A linha Thunder X já dobrou as pré-vendas, e se tudo sair como o planejado, essa será nossa resposta direta à expansão dos Cullen’s.

— E essa modelo nova? — Logan perguntou. — A tal da Renesmee.

— Rachel a aprovou — respondi. — O rosto certo, na hora certa. Jovem, atlética, diferente. A mídia vai adorar.

Billy sorriu com aprovação, então se recostou na cadeira.

— A propósito — ele disse, batendo com leveza os dedos sobre a mesa — quero que estejam preparados para o jantar de domingo. Bonnie Black estará de volta.

Senti meu corpo endurecer por um breve instante.

— Bonnie? — perguntei, erguendo as sobrancelhas. — Depois de quase vinte anos no Japão?

— Exato. — Billy parecia se divertir com nossa surpresa. — Ele desembarca sábado à noite. Disse que sente falta da família… e quer participar mais ativamente da empresa.

Logan soltou uma risada curta.

— Isso vai dar assunto. Me lembro das festas que aquele homem causava nos anos noventa.

— Ele está mais calmo agora — garantiu Billy, mas havia algo de enigmático no olhar dele.

— Vamos ver — murmurei, cruzando os braços.

Bonnie Black. Um nome que não ouvia há muito tempo. Ele era o oposto do meu pai: imprevisível, encantador… e, às vezes, perigoso. Se ele estava voltando, então algo estava para acontecer.

E, pela primeira vez, tive o pressentimento de que talvez não fossemos os únicos jogando esse jogo.


Narrado por Renesmee


— Linda, segura o olhar mais para a direita… isso! Perfeito!

As luzes explodiam ao meu redor como fogos de artifício silenciosos. A cada clique da câmera, eu me sentia mais dentro do império que jurei destruir.

Vestida com a jaqueta vermelha da nova linha Thunder X, ao lado da moto reluzente no mesmo tom, eu jogava o cabelo com leveza e oferecia à lente minha versão mais doce — a garota sonhadora, encantadora, que mereceu por talento uma chance com os poderosos Black.

— Essa garota nasceu pra isso — comentou a maquiadora enquanto retocava meu blush. — E ainda por cima tem um olhar tão… sincero. Dá vontade de ser amiga dela.

— O novo rosto da marca e o novo coração da empresa — disse um dos assistentes de figurino, sorrindo de canto.

Eu ri com suavidade.

Natural. Encantadora. Impossível de resistir.

Depois de algumas trocas de roupa e closes ao lado de diferentes veículos da linha vermelha, Jared, o fotógrafo, ergueu os braços.

— Fechamos. Temos o material da campanha.

Claire correu até mim e me abraçou com entusiasmo.

— Você foi incrível, Nessie! Como eu disse, nasceu pra isso!

— Obrigada, Claire. De verdade. Você me deu uma oportunidade que eu nunca vou esquecer — disse, sorrindo com os olhos. Cada palavra calculada, como sempre.

Então Quil se aproximou.

— Se não estiver cansada, precisamos assinar seu contrato. Pode vir até minha sala?

— Claro. — Ajeitei a alça da jaqueta e olhei para Claire. — Nos vemos daqui a pouco?

— Vai lá, futura estrela.

Me despedi e caminhei pelo corredor elegante até o elevador que me levaria ao andar dos executivos. Antes mesmo de tocar o botão, a porta se abriu sozinha.

E então, o destino me presenteou.

Jacob Black.

Ele estava ali, de terno escuro impecável, com o celular na mão e o olhar cansado — até que me viu. E naquele instante, tudo parou.

— Olha só quem é — ele disse, abrindo um sorriso surpreso.

— Sr. Black — cumprimentei, baixando levemente o olhar antes de erguer os olhos para ele, com a doçura de quem ainda se sente fora de lugar ali dentro.

— Não precisa me chamar assim. Jacob tá bom. — Ele se moveu levemente para o lado, me dando espaço. — Indo pra onde?

— Assinar meu contrato com o… senhor Alteara — sorri.

Ele assentiu, me observando com mais atenção do que eu esperava.

— Você foi o assunto do dia. Todos comentando sobre o ensaio. Parece que temos uma estrela no nosso time agora.

— Espero estar à altura da confiança de vocês.

O elevador começou a se mover. O silêncio entre nós não era desconfortável… era denso, como se algo estivesse se formando ali.

Eu virei de leve, o encarando com olhos limpos e voz baixa:

— Confesso que ver meu rosto ao lado de uma moto vermelha da Black Enterprises era um sonho… mas não imaginei que fosse acontecer tão rápido.

Ele riu.

— Talvez você tenha vindo parar no lugar certo… na hora certa.

E naquele instante, Jacob Black me olhou como um homem olha para algo que ainda não entende, mas que já deseja compreender.

E eu sorri, com doçura.

Porque ele não fazia ideia do quanto isso já fazia parte do meu plano.

— Esse é meu andar. — Falei suavemente, encarando Jacob por um breve instante antes de sair do elevador sem olhar para trás.

Meus passos eram firmes, mas por dentro meu coração martelava.

Aquele olhar... aquele sorriso...

Guardei a sensação e foquei no que vinha a seguir. Bati duas vezes na porta de vidro fosco que tinha escrito em dourado: Quil Alteara – Marketing Executivo.

— Pode entrar! — ouvi a voz dele.

Abri a porta e Quil sorriu de onde estava, atrás da mesa.

— Senhor Alteara — brinquei com um tom irônico, me aproximando com leveza.

— Se for me chamar assim, vou me sentir velho. Pode me chamar de Quil — disse, se levantando e estendendo a mão para mim. — Sente-se, por favor.

A sala era ampla, moderna, com janelas grandes e detalhes em preto e vermelho, o padrão da marca. Sentei-me cruzando as pernas, o sorriso nos lábios.

— Aqui está o contrato — ele passou a pasta — E a proposta salarial. Você pode ler com calma, mas, se estiver de acordo, já podemos assinar hoje.

Abri o documento… e meus olhos quase se arregalaram de verdade.

A quantia mensal oferecida era mais do que eu poderia sonhar. Mais do que suficiente pra sair da república e ter o meu próprio espaço... o meu próprio esconderijo.

— Uau… isso é… — fechei a pasta, fingindo humildade — Muito mais do que eu esperava. De verdade.

— É o padrão para modelos exclusivas da campanha. Você vai ser o rosto da Thunder X. E, convenhamos, merece.

— Isso significa que... talvez eu possa me mudar — comentei casualmente, mordendo levemente o lábio. — Sempre quis ter meu cantinho.

— Isso é ótimo. Independência combina com você — disse, se encostando na cadeira e me observando com um brilho nos olhos.

Olhei ao redor, fingindo curiosidade. Foi aí que vi dois ingressos sobre a mesa. O logo da banda me acertou como uma flecha.

— Você gosta de Maroon 5? — perguntei, apontando para os ingressos.

Quil sorriu.

— Bastante. Ia convidar alguém pra ir comigo, mas ainda não tinha decidido quem. Agora, talvez já tenha.

— Eu amo essa banda. Nunca fui a um show deles. Seria um sonho.

Antes que Quil pudesse responder, ouvimos a porta abrir.

— Tá tudo certo aqui? — era Claire.

A voz dela carregava leveza, mas seus olhos imediatamente foram até os ingressos na mesa… e depois para mim. Eu sorri. Inofensiva. Doce.

Quil, no entanto, respondeu com naturalidade.

— Sim, estava só convidando a Renesmee pro show do Maroon 5. Achei que ela ia gostar.

O sorriso de Claire hesitou. Por um breve segundo, seu rosto se desfez — quase imperceptível. Mas eu vi.

E foi delicioso.

— Que legal… — disse ela, olhando para mim. — Você gosta mesmo?

— Muito — respondi, mantendo a voz suave. — Mas não quero atrapalhar se você já tinha planos, Claire.

Ela forçou um sorriso.

— Imagina… Vocês vão se divertir.

Quil levantou e me entregou uma cópia do contrato.

— Leva pra dar uma lida com calma. Me devolve assinado até o fim da semana?

— Pode deixar — respondi, me levantando.

Claire se afastou da porta e eu saí, sentindo os olhos dela em mim.

Cada passo meu era uma jogada. Cada sorriso, uma peça no tabuleiro.

E eu acabara de fazer Claire Young se mexer.