O Lado Sombrio do Amor
8 Legado
Narrado por Jacob Black
Caminhei pelos corredores da Black Enterprises com o nome dela martelando na minha cabeça: Renesmee.
Aquela garota tinha algo… algo perigoso, intenso. Eu sabia que era errado pensar nela. Estava noivo de Claire, e eu… eu gosto da Claire. Ela é doce, fiel, dedicada. O tipo de mulher que qualquer homem gostaria de ter ao lado.
Mas Renesmee…
Ela tinha algo nos olhos. Como se guardasse segredos e, mesmo assim, conseguisse me cativar.
Suspirei pesadamente ao empurrar a porta da sala da presidência. Para minha surpresa, meu pai estava lá, sentado na cadeira de couro diante da minha mesa, com os olhos sérios.
— Pensei que tivesse reunião — comentei, tentando aliviar o clima.
— Precisamos conversar. A sós.
Fechei a porta, franzi a testa e caminhei até minha cadeira.
— Que conversa séria é essa?
Billy não respondeu de imediato. Apenas tirou uma pasta preta da mochila de couro ao lado e a empurrou na minha direção.
— Antes disso… preciso que me responda com sinceridade, filho.
Me ajeitei na cadeira.
— Claro.
— Você realmente ama a Claire Yong?
Fiquei em silêncio por um segundo. Não porque duvidava, mas porque não esperava a pergunta. Minha mãe vinha pressionando esse noivado há tempos. Sarah queria essa união como se fosse uma aliança de reinos antigos. Os Yong eram fortes, influentes, e a união entre as famílias consolidaria ainda mais o império.
— Eu gosto da Claire — respondi. — Gosto mesmo. E a respeito muito.
— Mas não ama. — Billy cravou os olhos em mim. — E gostar não é amar, Jacob.
Engoli em seco.
— Isso é sobre a Claire… ou sobre outra coisa?
Billy respirou fundo e então empurrou a pasta para mim.
— É sobre ela.
Abri a pasta.
Meu coração parou por um segundo.
Dossiês, recortes de jornal, imagens impressas. Renesmee Newton. Ou melhor… Renesmee Swan Newton. Dados antigos, registros escolares, histórico familiar. Uma foto de Phil e Renée. E, entre os papéis… uma imagem borrada do local de um acidente de carro. O mesmo que matou os verdadeiros pais dela.
Arregalei os olhos, pegando uma folha.
— O que significa isso? — perguntei, a voz saindo mais grave do que o normal.
Billy se inclinou para frente.
— Eu pedi que alguém investigasse. O nome dela me parecia familiar. E você sabe que nessa cidade, ninguém aparece por acaso, principalmente se aproximação demais da nossa família.
Eu encarei o nome da minha mãe em uma das páginas. Anotações rabiscadas nas margens diziam: Sarah Black envolvida na investigação do acidente?.
— Por que isso estaria aqui? — questionei, girando o papel. — Isso foi há anos!
Fiquei imóvel, a pasta ainda aberta sobre a mesa, enquanto meu pai se levantava e caminhava até a janela. Ele ficou alguns segundos de costas, observando o perfil de Manhattan, antes de falar de novo—num tom baixo, mais pesado do que eu estava acostumado a ouvir nele.
O passado que nunca contaram
— Os Cullen e os Black já foram inseparáveis, Jake. Seu avô começou a primeira fábrica lado a lado com Carlisle Cullen. Mais tarde, eu e Edward crescemos juntos, e Bonnie… bom, Bonnie era praticamente um irmão para ele.
Virei-me na cadeira, tentando ligar o que eu lia naquelas páginas ao que ele estava dizendo.
— E onde os Swan entram nisso?
Billy soltou um suspiro e apoiou a mão na moldura da janela.
— Isabella Swan. Todo mundo a chamava de Bella. Linda, inteligente… aparecia e o mundo parava. Edward se apaixonou primeiro, mas Bonnie… Bonnie também. Virou um triângulo infernal.
— Nunca ouvi uma palavra disso.
— Porque ninguém queria lembrar — retrucou ele. — Quando Bella engravidou, Edward ficou apavorado. Disse que o filho só podia ser de Bonnie e desapareceu da noite pro dia. Bonnie jurou que nunca tinha se envolvido com ela, mas ninguém acreditou. As famílias romperam ali.
Senti a garganta secar.
— E Bella?
— Tentou recomeçar. Casou-se com Mike Newton, contador do pai dela. Ele assumiu a menina e deu o sobrenome. Três anos depois, Bella e Mike morreram num acidente de carro na Rota 9. Charlie Swan—o pai dela—nunca mais quis conversa com ninguém. Enterrou a filha, o genro… e o passado.
Olhei para a foto no dossiê: uma garotinha ruiva no colo de um homem que eu deduzi ser Mike Newton.
— Essa menina… — engoli em seco. — Renesmee.
Segurei firme a borda da mesa, tentando absorver o peso do que acabara de ouvir. Billy ainda estava em pé, agora andando de um lado para o outro com a energia inquieta de quem já tomou uma decisão e só espera que o resto do mundo a aceite.
— Renesmee Newton é, na verdade, Renesmee Cullen, Jacob. — A voz dele cortou o silêncio da sala como uma lâmina. — A herdeira direta do império Cullen.
Soltei um suspiro baixo e voltei a encarar a pasta aberta à minha frente. As provas estavam todas ali: registros de adoção, documentos de nascimento, recortes antigos de jornal, até uma foto de Bella com Edward Cullen ao fundo, em preto e branco, quase apagado pelas décadas.
— Isso é real… — murmurei. — Ela não sabe, pai. Ela… ela nem tem ideia de quem é.
Billy se virou para mim com os olhos duros.
— Ela sabe que está buscando algo. Não entra em um curso de moda em Nova York, consegue uma bolsa por ginástica, vira melhor amiga da noiva do CEO da Black Enterprises, vira o novo rosto da marca, e esbarra em você no elevador por acaso, Jacob. Não. Isso não é acaso.
— Pai… — sacudi a cabeça, com um gosto amargo subindo pela garganta. — Isso é doentio. Você quer que eu… o quê? Me case com ela?
Billy parou diante da janela, olhando a cidade com ar calculista.
— Neste exato momento, uma união dos Black com uma Cullen vale mais do que com um Yong falido. O pai de Claire está afundado em dívidas, e Sarah só insiste nesse casamento por orgulho de sangue. Mas isso… — ele se virou com um brilho frio nos olhos — isso pode salvar todo o legado da nossa família.
— Isso é insanidade — falei num tom mais alto. — Claire e Renesmee não são peças de xadrez, pai!
Billy deu um sorriso sarcástico.
— Então por que você vem enrrolando Claire há dois anos com promessas de casamento que nunca se concretizam?
Aquilo me acertou em cheio. Respirei fundo, a raiva esquentando meu rosto.
— Eu respeito a Claire. Ela é doce, leal, tudo que qualquer homem desejaria. E Renesmee… — hesitei — Renesmee mexe comigo, mas eu mal a conheço.
Billy se aproximou da mesa e falou baixo, incisivo:
— Exatamente. E não vai ser difícil se encantar por ela, ainda mais agora que sabe o que ela representa.
— Ela não sabe quem é, pai. E se souber a verdade… vai nos odiar.
— Por isso você tem que estar ao lado dela antes disso. Antes que ela descubra tudo e destrua a gente do jeito que os Cullen poderiam ter feito décadas atrás.
Cruzei os braços, firme, olhando nos olhos dele:
— Você quer usar uma garota perdida como arma para proteger o império Black?
Billy não hesitou:
— Eu quero que você proteja o nosso legado, Jacob. E se isso significa se casar com Renesmee Cullen, então é isso que você vai fazer.
Fiquei em silêncio, o coração batendo forte. Renesmee. Claire. Minha vida. A verdade.
Nada mais era simples.
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