Notas iniciais
Estamos chegando aos capítulos finais.


Narrado por Renesmee


O final de semana ao lado de Jacob passou rápido demais. Era como se cada instante tivesse sido tirado de um sonho que, por muito tempo, achei que nunca viveria. Mas agora era real. Estava acontecendo. E eu precisava encarar a próxima etapa com coragem.

Na manhã de domingo, já de volta ao apartamento, sentei no sofá da sala enquanto Bella me observava da cozinha, com uma xícara de chá nas mãos.

— Você parece… diferente — disse ela com um sorriso nos lábios. — Mais leve.

Suspirei, encarando minhas mãos entrelaçadas.

— Vou me mudar pro apartamento do Jacob… hoje.

Bella se aproximou e sentou ao meu lado. Tocou minha mão com carinho e sorriu com os olhos.

— Eu imaginei. E estou feliz por vocês. De verdade. — Fez uma pausa, séria por um instante. — Só não esquece do jantar com Edward amanhã. Ele quer muito conversar com você.

Suspirei mais uma vez, agora mais fundo, e assenti.

— Eu vou. Por você… eu vou.

Antes que Bella respondesse, a campainha tocou. Ela se levantou para atender e, segundos depois, a voz conhecida encheu o ambiente.

— Bom dia, sogra!

Não consegui conter a risada ao ver Jacob parado na porta com um sorriso largo e uma mão nos bolsos. Bella arqueou uma sobrancelha, mas respondeu com um leve sorriso:

— Se está chamando assim, espero que esteja mesmo à altura.

— Estou tentando — ele respondeu, com aquele charme simples que só ele tinha.

Jacob entrou e caminhou até onde estavam minhas malas preparadas. Pegou ambas com facilidade, como se pesassem nada, e me olhou com aquele brilho nos olhos que eu conhecia tão bem.

Me aproximei de Bella e a abracei forte.

— Te amo, mãe. Obrigada por tudo. Por nunca desistir de mim.

— Eu amo você, minha filha. E quero ver esse casamento sair logo. — Ela piscou para Jacob, fazendo ele sorrir ainda mais.

— Tá vendo? Tenho torcida — ele brincou.

Nos despedimos e, ao cruzar a porta ao lado de Jacob, com as malas e o coração cheio, senti que aquele passo não era só uma mudança de endereço.

Era o começo de um novo lar.

Um lar que finalmente tinha tudo o que eu sempre quis: amor, paz… e uma família inteira.



Estava agachada diante das últimas prateleiras do closet, dobrando minha última blusa, quando ouvi Jacob atrás de mim.

— Acho que vou precisar mandar ampliar esse closet — ele disse com um sorriso debochado.

Olhei por cima do ombro, rindo.

— Está reclamando do espaço que minhas roupas estão ocupando?

Ele se aproximou, me puxou pela cintura e me virou devagar para encará-lo.

— Estou comemorando. Gosto de ver suas roupas misturadas às minhas. Significa que você está aqui. De verdade.

Sorri, sentindo meu coração aquecer, e encostei minha testa na dele antes de roubarmos um beijo leve, mas cheio de significado. Aquele tipo de beijo silencioso que dizia “estou onde sempre quis estar”.

A campainha tocou e ambos nos entreolhamos.

— Aposto que é a nossa garota voltando pra casa — Jacob disse, já caminhando comigo até a sala.

Fui eu quem abriu a porta. Assim que a porta se abriu, lá estava Rachel com Sophie ao seu lado — de mochila nas costas, sorriso largo e os olhos brilhando de animação.

— Mãe! — ela exclamou, me abraçando forte. — O final de semana foi incrível!

— Que bom, meu amor — respondi, a apertando contra mim. — Estava com saudades.

Sophie soltou-se de mim e pulou nos braços de Jacob.

— Oi, pai!

— Ei, minha campeã. Sentimos sua falta aqui.

Rachel sorriu e eu a abracei.

— Obrigada por tudo. Cadê a Luna e o Paul?

— No carro. Luna está dormindo — ela disse, divertida. — E Paul está fingindo que não está.

Jacob se aproximou e apertou o ombro de Rachel com gratidão.

— Obrigado por cuidar tão bem da nossa filha.

— Sempre. Mas agora ela é toda de vocês — Rachel disse piscando pra mim antes de se despedir. — Avisa se precisarem de algo.

Fechamos a porta e, antes que qualquer um de nós dissesse algo, Sophie já estava correndo pelo corredor, empolgada.

— Vou organizar minhas coisas no quarto novo!

Jacob e eu nos entreolhamos. Um sorriso cúmplice se formou entre nós.

Sem dizer uma palavra, ele entrelaçou os dedos nos meus e apertou levemente.


O jantar estava servido e a mesa estava cheia de risadas. Sophie parecia ter voltado de uma verdadeira aventura com Paul e Rachel. Ela não parava de falar nem por um segundo, enquanto devorava a lasanha que Jacob havia esquentado no forno.

— …e aí, o tio Paul escorregou na areia e caiu sentado com o coco na mão! — ela contava rindo alto. — A Luna chorava de rir, e ele ainda ficou bravo dizendo que a areia estava armada contra ele!

Jacob e eu trocamos um olhar cúmplice, sorrindo com a espontaneidade da nossa filha. Ele levou o copo aos lábios, bebendo suco com calma.

Resolvi aproveitar o momento leve e descontraído.

— Sophie… — comecei, chamando a atenção dela com a voz baixa e carinhosa.

Ela me olhou, os olhos atentos.

— Tem uma coisa que o papai e eu queremos te contar.

— O quê? — ela perguntou, animada.

Jacob deixou o copo sobre a mesa com calma e olhou para ela com ternura.

— A mamãe vai morar aqui com a gente. Agora somos oficialmente uma família.

Sophie arregalou os olhos e abriu um sorriso tão largo que seu rosto parecia brilhar.

— SÉRIO? — ela gritou, pulando da cadeira e abraçando primeiro a mim e depois Jacob, que quase caiu para trás com o impulso.

— Isso é maravilhoso! Agora vai ser como… como nos filmes! — disse ela, animada. — Eu sempre sonhei com isso! A gente juntos, todo dia. Eu, você e o papai.

Jacob acariciou o cabelo dela e sorriu.

— A gente também sonhou com isso, minha pequena.

Sophie voltou a se sentar ainda sorrindo, e então soltou, com a maior naturalidade do mundo:

— Agora só falta um irmãozinho.

Jacob tossiu com força, se engasgando com o suco. Seus olhos se arregalaram enquanto ele batia no peito tentando se recompor.

— Jake! — exclamei, rindo, enquanto passava um guardanapo pra ele.

Sophie levou as mãos à boca, assustada e divertida ao mesmo tempo.

— Ai! Desculpa! Eu falei alto demais?

— Não… — Jacob pigarreou, ainda recuperando a fala. — Só fui pego… de surpresa.

— É que seria legal, sabe? Um bebê aqui. Eu posso ajudar a cuidar!

Olhei para Jacob, tentando conter o riso.

— A gente vai pensar nisso, Sophie. Um passo de cada vez — disse, acariciando a mão dela sobre a mesa.

Ela assentiu animada, como se aquilo já estivesse decidido.

— Ok! Mas… se for menino, quero ajudar a escolher o nome!

Jacob me olhou com aquele sorriso malandro de canto de boca.

E ali, entre risadas, suco derramado e declarações inocentes, nossa família dava mais um passo. Um daqueles momentos simples que fazem a vida ser extraordinária.


Narrado por Jacob

A água morna corria pela pia enquanto eu enxaguava os pratos. A casa estava calma, com o som da risada suave de Sophie vindo do quarto. Renesmee estava com ela, ajudando na lição de casa que, aparentemente, a pequena havia esquecido no meio da empolgação do fim de semana.

Peguei um prato com uma das mãos e a esponja com a outra quando meu celular vibrou no balcão ao lado. Sequei os dedos rapidamente e atendi ao ver o nome de Solomon na tela.

— Fala, Solomon.

— Jake… eu tenho uma notícia que não é das melhores — ele disse com aquele tom grave que sempre me deixava alerta. — Claire será solta amanhã.

Meu corpo enrijeceu.

— O quê? Como assim?

— O advogado dela encontrou uma brecha no processo. A juíza responsável entendeu que, apesar da condenação, o tempo de prisão preventiva, o bom comportamento e a alegação de fragilidade emocional na época do crime foram suficientes para que ela possa cumprir o restante da pena em liberdade condicional — explicou.

Olhei discretamente para o corredor que levava ao quarto de Sophie. Eu sabia que não podia levantar alarme. Renesmee não podia ouvir isso agora. Nem Sophie.

Falei mais baixo.

— Isso é um absurdo. Ela não pode chegar perto da minha filha, Solomon.

— Eu sei, Jake. Já entrei com um pedido preventivo junto ao juiz. Está no despacho: Claire não pode ter nenhum tipo de contato com Sophie. Nem aproximação, nem ligação, nem mensagens.

Suspirei, sentindo o peso de um passado que insistia em voltar.

— Ótimo. Eu quero tudo documentado. Se ela der um passo fora da linha…

— A gente age — ele garantiu. — Já deixei avisado também à delegacia do distrito. Claire está sendo monitorada.

— E Renesmee? Ela não pode saber disso agora. Não ainda.

— Concordo. Mas mais cedo ou mais tarde ela vai descobrir.

— Eu sei… — fechei os olhos por um segundo. — Mas eu vou dar um jeito. Sophie tá feliz, Nessie tá se adaptando. A gente tá finalmente vivendo algo em paz.

— Vou manter você informado de tudo. Qualquer movimentação, eu te ligo.

— Obrigado, irmão.

Finalizei a ligação e apoiei as mãos na beirada da pia, olhando pela janela da cozinha para o céu escuro. Claire solta…

Tirei um pano do gancho e voltei a secar os pratos. Precisava pensar. Precisava proteger minha família. A última coisa que eu permitiria era que Claire ameaçasse o que estávamos construindo.

Eu ouvi a risada de Renesmee vindo do quarto, doce, viva… e soube ali mesmo que faria o que fosse preciso para manter aquele som seguro.

Para sempre.