O Lado Sombrio do Amor
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Narrado por Renesmee
Já fazia uma semana desde a noite da festa. Uma semana desde que as imagens explodiram nas redes sociais. Uma semana desde que Claire embarcou para Londres ao lado de Quil — como eu planejei. E agora, tudo começava a se reposicionar. Inclusive eu.
Estava sentada na sala de reuniões do setor de Marketing da Black’s Enterprises, em frente ao grande telão. Rachel comandava a apresentação com a firmeza de sempre. Ao meu lado, Jared analisava os gráficos, enquanto os outros membros da equipe anotavam detalhes sobre a exposição em Manhattan.
— A linha Thunder X terá lugar de destaque — disse Rachel. — Queremos o maior impacto possível. A imagem da Renesmee será central na campanha.
Fingi surpresa e um leve constrangimento, embora por dentro eu soubesse que esse era apenas mais um passo rumo ao topo.
A porta se abriu.
E meu corpo reagiu antes mesmo da razão. Meus olhos foram direto para ele.
Jacob Black.
Entrou com sua postura confiante, terno impecável, e aquele olhar que parecia atravessar os outros e pousar direto sobre mim. Por um segundo, o mundo ao redor ficou em segundo plano. Era sempre assim quando ele aparecia.
— Bom dia — disse ele, com a voz firme. — Espero não estar atrasado.
— Chegou no momento certo — respondeu Rachel. — Estávamos revisando o material para Manhattan.
Ele assentiu e se sentou à mesa. Durante a próxima meia hora, falamos de estratégias, patrocínios, redes sociais, projeção em 3D, e dos concorrentes. Quando Rachel mencionou a presença da CC Cullen, meu coração acelerou — mas mantive o rosto inexpressivo.
— A concorrência vai estar forte — disse Rachel.
— É. Mas a Black’s também vai. — Jacob lançou um olhar rápido na minha direção. — E com a nossa nova campanha… acho que temos uma vantagem.
Rachel apertou o botão do controle remoto e o vídeo começou. Era uma prévia do comercial. O som vibrante, imagens minhas em slow motion sobre a moto vermelha, cabelo ao vento, olhar direto para a câmera. Impactante. Forte. Sedutor.
Ao final, o silêncio foi rompido por aplausos.
— Muito bom — disse Jacob, os olhos ainda na tela apagada. — Está incrível. Parabéns a todos.
Olhei discretamente para ele. E vi quando ele me olhou também.
A reunião foi encerrada pouco depois. Os executivos se levantaram, Rachel comentou sobre a entrega de novos materiais e Jared me parabenizou mais uma vez. Mas eu sabia que só uma presença ainda me interessava naquela sala.
Jacob veio em minha direção.
— Nessie — disse, em tom casual, mas com aquela profundidade que só ele conseguia colocar no meu apelido. — Está ocupada agora?
— Depende — sorri, suave. — Por quê?
— Pensei em te levar pra almoçar. Tem um lugar novo em Tribeca que você vai gostar.
Fingi hesitar por um segundo, como quem considera outras prioridades.
— Posso adiar meu compromisso das duas — respondi, com um sorriso leve. — Me dê cinco minutos e estarei pronta.
Ele assentiu com um meio sorriso.
— Te espero no térreo.
Enquanto ele saía da sala, senti meu coração pulsar mais forte. Estava funcionando. Jacob não era mais apenas o noivo da minha melhor amiga. Era o homem que agora me chamava para almoços. Que elogiava minha imagem à frente da empresa dele. E que começava, pouco a pouco, a me enxergar de um novo jeito.
A primeira parte do plano havia sido executada.
A segunda… estava apenas começando.
Narrado por Jacob
Chegamos juntos ao Le Bernardin, um dos restaurantes mais renomados de Manhattan. Eu dirigi em silêncio quase todo o trajeto, concentrado demais em manter minha mente no lugar certo. Difícil fazer isso com Renesmee ao meu lado.
Ela desceu do carro com graça, os cabelos soltos balançando ao vento leve da tarde. Vestia um conjunto elegante, discreto e ainda assim... impossível de ignorar. A hostess nos reconheceu e nos conduziu rapidamente até uma mesa reservada perto da janela.
Enquanto caminhávamos pelo salão sofisticado, senti a tensão pairando entre nós. Não era desconforto. Era outra coisa. Algo que crescia toda vez que nossos olhos se encontravam por mais de um segundo.
— Bonito lugar — ela comentou ao se sentar.
— Gosto da discrição — respondi. — E a comida ajuda a tomar decisões difíceis.
Ela sorriu, mas percebi o modo como olhou pela janela. Estava nervosa. Ou talvez apenas tentando esconder algo.
— Jacob… — ela começou, com uma voz suave. — Você tem certeza de que deveríamos estar aqui? Eu digo… juntos?
— Estamos só almoçando — respondi, tentando suavizar. — Amigos almoçam, Nessie.
Ela respirou fundo, encarando o cardápio por um instante, depois voltou os olhos para mim.
— Mas... você sabe que tem mais coisa acontecendo.
— Eu sei — disse, sem desviar o olhar. — E não quero te colocar em uma posição difícil. Mas preciso ser honesto. Desde o primeiro momento… algo em você me puxou. Eu tentei resistir. Por respeito à Claire. Por tudo. Mas cada vez que tento te afastar... só fico mais perto.
Ela não respondeu de imediato. Apenas baixou os olhos e deixou os dedos deslizarem sobre o guardanapo. A beleza dela não era só física. Era o controle. O mistério. E aquela gentileza que confundia qualquer um.
— Claire é minha amiga, Jacob. A melhor que eu tenho. Mesmo depois do que aconteceu... eu não consigo simplesmente ignorar isso. — Sua voz era firme, mas cheia de emoção contida. — Você era o noivo dela.
Me inclinei um pouco sobre a mesa e segurei sua mão com cuidado.
— Eu sei. Mas eu também sei que não posso continuar mentindo pra mim mesmo. Eu sinto algo por você, Nessie. E sei que você sente também. Mas não vou te pressionar. Não agora. Eu só… queria que soubesse.
Ela levantou os olhos, encontrou os meus e respirou fundo.
— Eu não sei o que sentir agora. É confuso. E, honestamente, assustador.
— Então vamos devagar — disse, apertando levemente seus dedos. — Eu não tenho pressa.
Ela manteve minha mão por um segundo a mais, e então a soltou delicadamente.
— Vamos só almoçar — disse, com um pequeno sorriso. — Só por hoje.
Assenti, devolvendo o sorriso. A guerra entre o certo e o inevitável já havia começado.
E naquele momento, eu sabia: esse era só o primeiro passo.
Narrado por Renesmee
Assim que fechei a porta do meu apartamento, tirei os sapatos e deixei minha bolsa sobre o sofá. Suspirei. O dia havia sido produtivo, mas desgastante. Cada passo dado ao lado de Jacob me puxava mais para o abismo da dúvida.
Olhei para o celular. Uma mensagem de Renée brilhava na tela:
“Oi, querida! Espero que esteja tudo bem por aí. Estamos em Capri agora. Phil mandou um beijo! Me escreva quando puder. Te amo!”
Sorri, mas foi um sorriso breve. Aquelas palavras doces não eram suficientes para acalmar a inquietação em meu peito. Levei os dedos até o teclado do notebook e o liguei. A tela se acendeu, revelando uma pasta nomeada com letras frias e diretas: VINGANÇA.
Cliquei.
Imagens e arquivos se abriram diante de mim como fantasmas do passado. Manchetes antigas. Laudos de perícia. Registros hospitalares.
“Casal morre em trágico acidente na estrada 27. Isabella e Mike Newton deixam filha pequena.”
“Investigação encerrada por falta de provas.”
Mas tudo ainda estava vago. Genérico. Nada era dito com todas as letras.
E então me lembrei da gravação. A conversa entre Renée e Phil. Eles não falavam nomes, apenas sobrenomes.
Black. Cullen.
Dois nomes que giravam ao meu redor como planetas em colisão. Mas... quem eram, afinal?
Levantei do sofá, inquieta.
Era óbvio que Phil sabia mais do que dizia. Renée também. Mas a única pessoa que talvez me contasse sem rodeios... era ele.
Charlie Swan.
Meu avô. O homem que sumiu da minha vida assim como todos os outros. Anos sem vê-lo. Sem saber o que se passava em sua cabeça. Mas ele era o pai de minha mãe. E se alguém poderia me dar respostas sobre Isabella... era ele.
Olhei novamente para a tela do notebook. A foto de Isabella sorrindo ao lado de Mike congelada no tempo.
— Está na hora de nos reencontrarmos, vovô — sussurrei. — Eu preciso saber quem eu sou. E quem a matou.
Fechei o notebook e peguei minha bolsa novamente.
Era hora de encarar o passado.
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