O Lado Sombrio do Amor

11 Promessas e Silêncios



Narrado por Jacob Black


O som da chave girando na porta do apartamento de Claire foi mais alto do que eu esperava. Talvez porque minha cabeça ainda estivesse a mil. Cada passo até ali foi pesado, como se eu carregasse o peso de duas decisões nos ombros.

Ela abriu antes que eu pudesse bater.

Por que você não respondeu minhas mensagens, Jacob? — ela disparou, antes mesmo de me deixar entrar. Seus olhos estavam arregalados, a voz tensa, a expressão manchada de insegurança.

Suspirei.

— Tive uma reunião prolongada com os acionistas. Depois almoço com um dos diretores de Tóquio… foi um dia cheio, Claire.

Seus olhos me analisaram como se buscassem rachaduras nas minhas palavras. Mas não encontrou. Porque era verdade. Ou, ao menos, parte dela.

Claire baixou o olhar, mordeu o lábio e se aproximou. O drama que ela carregava nos gestos tinha um quê de vulnerabilidade que sempre me desarmava.

— Eu só… — sua voz quebrou — Eu fico com medo de te perder.

Sem pensar, puxei-a para os meus braços. Ela enterrou o rosto no meu peito, e eu passei as mãos pelas suas costas.

— Isso não vai acontecer — disse baixo, mais por ela do que por mim. Porque no fundo, eu mesmo não sabia o quanto conseguiria sustentar essa promessa.

Ela ergueu o rosto, os olhos cheios de dúvidas e algo que beirava o desespero. Então me beijou. E eu retribuí. Era instintivo, era conforto. Era o certo — ou pelo menos o que me ensinaram que seria.

Claire, intensa como sempre, pulou no meu colo com as pernas ao redor da minha cintura. Segurei firme em sua cintura, e ela sussurrou contra meus lábios:

— Me leva pro quarto.

Fiquei surpreso quando ela pulou no meu colo. Me envolveu com os braços e pernas como se precisasse se agarrar a algo que estava escorregando pelos dedos.

— Claire… — murmurei, prendendo-a firme em meus braços. — Você não precisa fazer isso. Não por medo de me perder.

Ela me olhou nos olhos. Havia uma mistura de insegurança e coragem em seu olhar.

— Não é só por medo, Jake. É porque eu te amo. E estou pronta pra dar esse passo com você… antes do casamento.

Senti o chão faltar por um segundo. O coração pesou no peito.

O que eu responderia? Que estava dividido? Que as palavras do meu pai ainda ecoavam dentro de mim? Que o perfume ruivo e os olhos curiosos de Renesmee haviam me perseguido por toda a tarde?

Mas Claire estava ali. Real. Diante de mim. E me amava.

Ela me beijou novamente. Um beijo mais firme, mais intenso. Eu retribuí, puxando-a ainda mais contra meu peito. Não era o momento de pensar em mais ninguém. Pelo menos, era o que eu repetia para mim mesmo.

A levei até o quarto, em silêncio, meus passos firmes mas meu coração instável. Deitei-a com cuidado na cama, deslizando os olhos pelos traços do seu rosto.

— Tem certeza disso, Claire? — perguntei baixo, ainda com os dedos entrelaçados nos seus.

Ela assentiu, sorrindo com leveza, mas com os olhos ainda mergulhados em emoção.

— Tenho. É com você que eu quero estar, Jacob. Hoje, amanhã… e depois.

Fechei os olhos por um segundo. O mundo lá fora podia esperar. A decisão também.

Agora, só existia ela.

As roupas estavam jogadas no chão e meu corpo sobre o de Claire. Eu podia ver o nervosismo em seus olhos. Meus lábios buscaram seu pescoço inalando seu cheiro enquanto sentia seus pés macios deslizando por minhas pernas. Desci meus lábios por seus seios e enquanto acariciava o seio direito meus lábios sugava o esquerdo. Claire gemeu baixo e suave. A encarei enquanto me encaixava entre suas pernas observando sua reação e finalmente a fiz minha. Claire gemeu alto, um gemido que era música para meus ouvidos.

— Você é tão gostosa Claire, porque me fez esperar tanto? Sussurrei a fedendo devagar.

As unhas dela cravaram em minhas costas então a beijei com volúpia estocando dentro dela de forma rápida. Ouvi seus gemidos aumentarem me fazendo chegar ao ápice junto com ela.


As luzes do quarto estavam suaves. A brisa da noite entrava pela janela entreaberta, balançando levemente as cortinas brancas. Claire deitou a cabeça no meu peito, os dedos traçando caminhos lentos sobre minha pele.

O silêncio entre nós não era desconfortável — era denso. Como se carregasse as promessas não ditas, os sentimentos que nenhuma palavra conseguia traduzir.

Aquela noite não foi sobre pressa, nem sobre provar nada. Foi sobre pertencimento.

Ela era doce, atenta, e havia um carinho verdadeiro em cada toque, em cada olhar. Segurei sua mão por longos minutos depois que nossos corpos repousaram lado a lado. Sentia o ritmo da sua respiração se aquietar, o coração batendo em sintonia com o meu.

— Você está bem? — sussurrei, afastando uma mecha do cabelo que cobria seu rosto.

Ela assentiu e sorriu com os olhos semiabertos.

— Nunca estive tão certa de algo, Jake.

Aquela frase me atravessou.

Quis responder com a mesma certeza, mas havia um nó dentro de mim que ainda não desatava. A sensação estranha de que algo lá fora — ou alguém — ainda girava ao redor dos meus pensamentos.

Claire fechou os olhos, encostando mais o corpo ao meu. E eu a abracei, como quem protege, como quem deve mais do que pode oferecer.

E naquela madrugada silenciosa, prometi a mim mesmo que, ao menos por aquela noite, seria só dela.


Narrado por Renesmee


O som do despertador mal havia tocado e eu já estava desperta. Meus olhos arderam assim que se abriram — não de cansaço, mas de raiva. Peguei o celular sobre o criado-mudo e ativei a transmissão ao vivo das câmeras instaladas no apartamento de Claire.

A imagem carregou em segundos… e lá estavam eles.

Jacob e Claire.

Deitados, próximos demais. Íntimos demais. Meu estômago revirou. Não era ciúmes. Não, não podia ser isso. Era a certeza de que ela havia decidido avançar antes que eu estivesse pronta.

Me levantei de um salto e fui até minha mesa. Liguei o notebook, respirei fundo e cliquei na pasta nomeada “YOUNG | SECRETS”.

Vários arquivos estavam ali. Vídeos. Fotos. Datas. Locais.

Claire e Quil.

Beijos escondidos no corredor do prédio, discussões abafadas em sua sala, mãos entrelaçadas no banco do carro. A cada clique, mais material, mais munição. E agora, tudo isso ganhava um novo peso. Se ela havia dormido com Jacob, meu tempo estava acabando.

Eu sabia que precisava agir. Não mais insinuações. Não mais sorrisos sutis ou elogios vazios. Ela havia cruzado uma linha. E eu? Eu estava prestes a cruzar a dela.

Abri o editor de vídeo e organizei as cenas em uma sequência perfeita. Escolhi as imagens mais claras, os momentos mais reveladores. Fiz questão de destacar a expressão de Claire quando beijava Quil. O olhar cúmplice. A traição estampada com todas as cores da verdade.

Fechei o arquivo com um nome simbólico: “Parabéns, Claire 🎉”

Encostei-me à cadeira e soltei um riso frio. Peguei o celular, olhei a hora, e sussurrei:

— Hoje, a festa vai ser inesquecível… amiga.


O táxi parou diante do The Plaza Hotel, em Manhattan. Luxuoso, imponente, cheio de história e espelhos reluzentes. Perfeito para um conto de fadas. Ou para um escândalo.

Desci do carro com um vestido vermelho de cetim que abraçava minha cintura como uma promessa de guerra. Cabelos presos em um coque elegante, lábios pintados como vinho. Hoje, eu era a convidada… e a ameaça.

Claire surgiu entre os convidados no saguão principal, sorridente como uma adolescente apaixonada. Seus olhos brilharam ao me ver.

— Nessie! — ela disse animada, me abraçando com força. — O grande dia chegou!

— Chegou — respondi, retribuindo o abraço com um sorriso suave. — Você está linda, Claire.

— Eu sei! — ela disse rindo. — E tem tanta coisa pra te contar… tanta coisa aconteceu ontem!

Fiz cara de surpresa, mantendo minha máscara intacta.

— Aconteceu o quê?

Claire segurou minha mão e sussurrou, cheia de euforia:

— Eu e Jake… a gente transou.

Fiz meus olhos se arregalarem e levei a mão à boca.

— Sério?

— Sério! — ela confirmou, baixando o tom. — Foi… incrível. Depois te conto tudo nos mínimos detalhes, amiga! Agora eu tenho que recepcionar os convidados, o hotel está lotado!

Ela piscou para mim e saiu saltitante, cruzando o salão em direção à entrada, onde Jacob a aguardava de terno escuro e expressão indecifrável.

Fiquei ali, por alguns segundos, sentindo meu estômago apertar.

Nervosa? Talvez.

Ou era apenas a adrenalina de estar a poucos minutos de dar o próximo passo.

Peguei uma taça de champanhe da bandeja de um garçom que passava e bebi um gole lento, observando tudo ao meu redor. Luzes douradas, música suave, convidados sorrindo. Uma noite memorável. E ninguém fazia ideia do que estava prestes a acontecer.

Meus olhos encontraram Claire, agora ao lado de Jacob. Ela o abraçava, falava animada. Ele… olhava para o chão. Quando finalmente ergueu o rosto, me viu. Por um breve segundo, nossos olhares se cruzaram.

E então ele desviou.

Tão rápido como se tivesse tocado fogo.

Sorri por dentro. O jogo estava no auge.

E eu ainda nem tinha começado a jogar.