O Lado Sombrio do Amor
10 Olhares que Dizem demais
— Cena finalizada — disse o diretor, com um sorriso satisfeito. — Excelente trabalho, Renesmee.
Assenti, agradecendo com um leve sorriso enquanto o estúdio começava a se esvaziar. A última luz do set se apagou, e eu me direcionei para o camarim. Troquei de roupa rapidamente e saí com passos calmos, sentindo o peso do dia finalmente repousar sobre meus ombros.
Assim que cruzei a porta principal da Black's Enterprises, Jacob surgiu no corredor, parecendo estar à minha espera. Seu olhar se iluminou ao me ver, mas eu mantive minha expressão serena.
— Já terminou a gravação? — ele perguntou, se aproximando.
— Sim, agora oficialmente livre — respondi, dando um passo à frente. — Cadê a Claire?
— Emily ligou para ela. Parece que surgiu uma emergência de última hora com os detalhes da festa. Algo sobre a decoração floral.
Assenti compreensiva.
— Imagino o caos. Ela leva essas coisas muito a sério.
— Verdade — ele riu, coçando a nuca. — E agora? Vai pra casa?
— Essa era a ideia… mas fiquei sem carona. Claire ia me levar.
Jacob me olhou por um segundo, como se já soubesse disso, antes de falar:
— Posso te dar uma carona, se não se importar de me acompanhar antes a um almoço com uns sócios. Vai ser rápido.
Fiz um gesto pensativo com a cabeça, como se estivesse decidindo — embora já soubesse minha resposta. Era sempre um jogo, uma dança silenciosa entre evitar e provocar.
— Não quero atrapalhar… — falei, semicerrando os olhos, provocativa. — Não quero que pensem que você leva acompanhantes para reuniões importantes.
Ele riu e deu um passo para trás, erguendo as mãos.
— Tudo bem. Vou te esperar no estacionamento. Se mudar de ideia… — disse com um sorriso de canto antes de virar-se e seguir seu caminho.
Enquanto o via partir, balancei a cabeça devagar e um sorriso involuntário se formou nos meus lábios.
Ah, Jacob Black. Você nunca joga limpo.
Narrado por Jacob Black
Entrei no carro, jogando a chave sobre o banco do passageiro antes de afundar no banco do motorista. Meu celular vibrava com uma nova mensagem. Toquei a tela e li as palavras de Claire:
"Te vejo à noite. Amo você."
Suspirei, sentindo o peso do dia inteiro em meus ombros. As palavras de meu pai ainda ecoavam na minha mente como marteladas.
“Não será difícil se encantar por Renesmee.”
Fechei os olhos por um segundo, tentando afastar a imagem da ruiva que não saía da minha cabeça desde o momento em que a segurei nos corredores.
— Espero não estar atrasada. — a voz doce soou inesperadamente ao lado do carro.
Virei o rosto e a vi. Renesmee.
— Decidi aceitar a carona, se ainda estiver de pé. — ela disse, abrindo a porta do carona e entrando com naturalidade.
— Claro que está — respondi, apertando os lábios e engatando a marcha. — Não ia deixar você na mão.
Ela ajeitou o cinto, e o silêncio entre nós durou apenas o tempo suficiente para que eu buscasse coragem para perguntar algo.
Qualquer coisa que me fizesse desviar daquele calor que começava a crescer dentro do carro, mesmo com o ar-condicionado ligado.
— Então… — pigarreei. — Você tá gostando da experiência na empresa?
Ela assentiu, olhando pela janela.
— Muito. É um mundo novo. Mas confesso que ainda tô me adaptando.
— Rachel disse que você levou jeito. — comentei, lançando um rápido olhar em sua direção. — E Claire… fala bastante de você.
— Isso é bom? — ela virou o rosto para mim com um leve sorriso.
— Eu diria que sim.
Silêncio confortável. Depois, ela falou:
— Jake… posso te chamar assim?
Olhei para ela com uma sobrancelha arqueada.
— Claro.
Ela mordeu o lábio, um gesto sutil que me tirou o fôlego por um segundo.
— Mas aí você tem que me chamar de Nessie. Não sou muito fã de formalidades.
Sorri, mesmo lutando contra mim mesmo por dentro.
— Fechado, Nessie.
Ela riu. Um som leve, mas que me acertou em cheio.
O celular vibrou sobre o painel. Um olhar rápido.
Claire.
Agarrei o aparelho e silenciei a ligação, devolvendo-o ao console sem dizer nada.
— Não vai atender? — Nessie perguntou, curiosa.
— Nada importante. — respondi, mantendo os olhos na estrada. — Hoje eu quero uma direção tranquila.
Ela cruzou as pernas com delicadeza e deixou escapar:
— Tranquilidade às vezes é tudo que a gente precisa… até o caos decidir se apresentar.
Soltei uma risada curta. Aquela garota era diferente. E perigosa.
Porque, pela primeira vez em muito tempo, eu não sabia quem eu era quando estava com ela.
E estávamos só começando o caminho.
Quando aceitei o convite para o almoço com o senhor Ivan Costa, um dos acionistas mais antigos da empresa, imaginei que seria mais um daqueles encontros formais, repletos de cifras, projeções e sorrisos forçados.
O que eu não esperava era que, ao chegarmos ao restaurante, Ivan não conseguisse tirar os olhos de Renesmee.
— Senhorita Newton, seu nome faz jus à sua aparência. Incrivelmente marcante. — ele disse, com um sorriso encantado demais para um homem que já devia ter netas da idade dela.
Ela agradeceu com doçura e educação, desviando o olhar como quem sabia exatamente o efeito que causava — e como se controlar diante disso. Eu, por outro lado, precisei de toda minha concentração para manter a atenção na pauta da reunião, porque… o modo como ela cruzava as pernas, os pequenos sorrisos que lançava enquanto respondia perguntas que nem eram para ela… tudo em Nessie exalava algo magnético.
E pior.
Eu estava cedendo.
Pela primeira vez em muito tempo, almoçar com um acionista não foi um fardo. O almoço durou mais do que o previsto, mas Ivan saiu dali satisfeito com os resultados — e visivelmente encantado com nossa “jovem modelo”.
No caminho de volta, o silêncio entre nós foi confortável. Nessie parecia cansada, mas serena.
Estacionei diante do prédio onde ela morava, e ela soltou o cinto, mas não saiu do carro imediatamente.
— Obrigada pela carona, Jake. E… pelo almoço. Achei que ia ser entediante, mas foi leve. — ela riu baixinho.
Eu a encarei. Aquela risada. O modo como a luz atravessava seus cabelos ruivos. Era absurdo.
— A leveza foi por sua conta. — respondi, sincero. — Você tem essa… energia boa. As pessoas sentem isso quando você chega.
Ela abaixou o olhar, talvez um pouco surpresa com o elogio vindo de mim.
— Você fala isso pra todas as amigas da sua noiva?
Respirei fundo, encarando o volante por um segundo.
— Não. Só pra uma.
Ela me olhou de novo. Tão perto. Tão confusa.
Mas mesmo assim, sorrindo.
— Boa noite, Jake.
— Boa noite, Nessie.
Ela abriu a porta e desceu. Antes de fechar, inclinou-se levemente para dentro e disse:
— Foi um bom dia. Você é… melhor companhia do que eu imaginava.
Fechou a porta. Subiu os degraus do prédio e, antes de entrar, lançou um último olhar por cima do ombro.
Eu a observei desaparecer. Só então me permiti encostar a cabeça no banco e fechar os olhos.
Eu estava noivo de Claire.
Mas era Renesmee quem começava a ocupar todos os meus pensamentos.
E pior…
Ela nem fazia ideia do perigo que isso representava.
Narrado por Renesmee
Fechei a porta do meu quarto na república e encostei as costas contra ela, sentindo o riso escapar dos meus lábios.
— E mais um passo foi dado — murmurei baixinho, olhando meu reflexo no espelho ao lado da escrivaninha.
Joguei a bolsa sobre a cama, peguei o celular no bolso e vi as mensagens acumuladas.
[3 mensagens não lidas de Claire 💅]
Onde você está?
Nessie, me responde!
Preciso falar com você urgente!
Suspirei, dramatizei uma expressão preocupada por pura diversão e toquei no ícone de chamada. Ela atendeu no primeiro toque.
— Onde você se meteu?! — a voz dela veio alta e esganiçada. Claire sempre fazia drama com um certo charme natural.
— Desculpa, amiga… — fingi exaustão — Estava correndo atrás de apartamento.
— Apartamento? E eu aqui achando que tinha acontecido alguma coisa! Você podia ter me chamado! Ia com você!
— Você já está atolada até o pescoço com a festa. Achei que era melhor resolver isso sozinha — respondi suavemente, deixando a voz carregada de compreensão. — E convenhamos… você já fez tanto por mim.
Claire suspirou do outro lado da linha, mais calma.
— Estou ansiosa pra amanhã, sabia?
Sorri, me sentando na cama com as pernas cruzadas, o celular encostado no ouvido.
— Vai ser perfeito, Claire. Você pensou em cada detalhe. Tudo vai dar certo.
E eu estarei lá… do seu lado.
— Eu não teria feito metade sem você. — a voz dela baixou, sincera. — Obrigada, Nessie.
— Sempre — disse, firme.
Quando desliguei, mantive o telefone na mão por alguns segundos, encarando o teto. Então, um pensamento se formou com nitidez, como uma flecha certeira:
“Amanhã será a festa. A noite que ninguém esquecerá. Nem mesmo Jacob Black.”
Sorri, dessa vez com o gosto da antecipação queimando no peito.
Afinal, toda rainha precisa de um trono…
E eu já estava pavimentando o caminho até o meu.
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