O Lado Sombrio do Amor
22 Isso é errado
Narrado por Renesmee
A sessão de fotos havia terminado, e eu finalmente podia respirar. A exposição da Black’s Enterprises estava sendo um sucesso, e ver minha imagem entre as campanhas, banners e telões me dava uma estranha sensação de poder.
Caminhei pelo salão elegante, meus olhos brilhando com as luzes e os flashes que ainda piscavam por todo lado. A música ambiente misturava-se ao som de conversas animadas, brindes e passos apressados de garçons.
Atravessei o corredor de vidro iluminado e, guiada pela curiosidade, me aproximei do stand mais disputado: o da CC Cullen Motors. Os veículos expostos ali eram imponentes, linhas modernas, pintura espelhada e um ar de exclusividade. Um deles, em especial — um cupê vinho escuro de design agressivo — me hipnotizou.
— Esse é o Cullen RX-8 Concept. Um dos nossos modelos mais promissores — disse uma voz masculina atrás de mim.
Virei-me e dei de cara com um homem de olhos intensos, cabelos bronze e um porte elegante. Havia algo nele que me pareceu... familiar.
— É lindo — comentei, estendendo a mão para tocar a lataria com delicadeza. — Vocês estão de parabéns.
— Obrigado — ele respondeu com um sorriso contido. — Edward Cullen.
Engoli em seco. O nome ecoou nos meus pensamentos como uma nota estranha.
— Renesmee Newton — respondi, estendendo a mão para cumprimentá-lo.
Assim que toquei sua mão, o sorriso dele desapareceu. Os olhos de Edward se arregalaram, e ele cambaleou levemente para trás, como se tivesse levado um choque.
— Senhor Cullen? Está tudo bem? — perguntei, instintivamente preocupada.
— Eu... só me senti um pouco tonto — murmurou ele, com o olhar preso em mim de um jeito que me incomodou.
— Pai? — uma voz jovem surgiu ao nosso lado. Um rapaz loiro, de feições fortes e expressão preocupada. — Está tudo certo?
— Sim... sim — Edward murmurou, afastando-se um passo. Mas ainda me encarava.
Foi quando senti uma mão firme tocar minhas costas. Jacob.
— Nessie — ele disse, a voz baixa mas firme —, está tudo bem?
— O senhor Cullen parecia estar passando mal — expliquei, ainda olhando Edward, que agora desviava o olhar.
— Ele vai ficar bem — Jacob respondeu. — Mas você não precisa estar aqui, nesse stand. Vai evitar fofocas.
— Fofocas?
— Dos jornais, da mídia. Você é o rosto da Black’s agora — ele sorriu, tentando amenizar —. E isso aqui é território inimigo.
— Não achei que os Cullen fossem tão perigosos assim — brinquei, tentando esconder o desconforto.
— São concorrência. E concorrência a gente respeita, mas evita em eventos como esse — disse ele, conduzindo-me com leveza pelo cotovelo. — Vou te levar para casa.
Assenti, ainda lançando um último olhar para Edward Cullen. O homem que parecia ter congelado ao ouvir meu nome.
Algo estava acontecendo. Eu podia sentir.
E agora, mais do que nunca, eu precisava descobrir por quê.
Eu observava as luzes da cidade passando pela janela do carro de Jacob, fingindo pensar na minha viagem. Mas, na verdade, eu pensava nele. No jeito como me olhava. Na forma como meus planos estavam se encaixando com uma perfeição quase assustadora.
— Jake… — chamei, usando o apelido que ele havia me autorizado a dizer. Soava íntimo. Familiar. — Eu vou viajar por alguns dias.
Ele não disfarçou a surpresa.
— Viajar?
— Meu avô… Charlie. Ele não está bem. Quero passar um tempo com ele.
Era mentira. Claro. Mas uma mentira embalada com uma ponta de emoção sempre funcionava. Eu não precisava dizer muito, apenas o necessário para despertar cuidado e preocupação.
— Quer que eu vá com você? Posso providenciar tudo, Nessie — ele disse, sincero demais. — Médico, transporte, o que for. Você sabe que eu...
— Não é grave — o interrompi, tocando seu braço. — Só preciso vê-lo. Não somos próximos mas nunca é tarde.
Ele assentiu, o maxilar tenso, e por um instante ficou em silêncio. O resto do caminho foi silencioso. Tenso. Quente demais, mesmo com o ar-condicionado ligado.
Quando o carro parou em frente ao meu prédio, eu soltei o cinto devagar, desejando — mesmo que só um pouco — que ele me impedisse de sair.
— Obrigada pela carona — murmurei, abrindo a porta.
— Espera — ele segurou meu braço, com delicadeza. — Eu vou sentir sua falta.
Me virei devagar. O olhar dele me envolveu como um cobertor quente. Havia desejo ali. E mais do que isso… havia sentimento.
Ele se aproximou, e minha respiração prendeu no peito.
— Jacob…
— Por que você sempre se afasta, Nessie?
— Porque… — abaixei os olhos, fingindo hesitação. — Porque Claire é minha amiga. Eu não conseguiria fazer isso com ela…
Saí do carro sem dar tempo para que ele me respondesse. A verdade é que eu precisava que ele sentisse essa dúvida. Que se questionasse. Que me desejasse ainda mais por parecer inalcançável.
Eu estava a poucos passos da porta quando senti sua presença atrás de mim.
— Renesmee — chamou, e eu me virei lentamente.
Seus olhos estavam em chamas.
— Eu estou apaixonado por você.
Minhas pernas enfraqueceram — ou quase. Porque por dentro, meu coração acelerava com o sabor da vitória se aproximando. Mas meu rosto… meu rosto demonstrava confusão. Vulnerabilidade. Eu era a mocinha em dúvida. Sempre fui boa nesse papel.
— Jake, eu…
— Eu não aguento mais fingir que você não mexe comigo. Que você é só a amiga da minha ex. Você é muito mais do que isso pra mim.
Ele se aproximou. Devagar. Meus olhos nos dele, meus lábios entreabertos.
— Jacob… isso é errado…
— Então me impede — ele sussurrou.
E me beijou.
Seu beijo foi quente, confuso e urgente. Era tudo que eu precisava: a rendição dele. Sua fraqueza. O ponto de ruptura entre a dúvida e a certeza.
Por fora, hesitei. Por dentro, sorri.
Me afastei segundos depois, levemente ofegante.
— Boa noite, Jake… — sussurrei com a voz baixa, quase trêmula. Uma despedida cheia de insinuação.
Entrei no prédio sem olhar para trás, sentindo seu olhar queimando minhas costas.
Era isso.
A armadilha tinha se fechado.
E Jacob Black… estava cada vez mais dentro de mim.
Entrei no meu apartamento ofegante, encostando as costas na porta assim que ela se fechou. Eu não deveria estar assim. Não deveria sentir o coração disparado, nem o calor subindo pelo meu corpo, como se ainda sentisse os lábios dele nos meus.
Mas Jacob Black era…
Perigosamente sedutor.
E eu não era de pedra.
Respirei fundo, tentando me recompor. Caminhei até a cozinha, ainda com o gosto do beijo dele em meus lábios, quando a campainha tocou.
Meus pés travaram no chão frio.
Não.
Aquilo não estava nos meus planos.
Abri a porta devagar… e lá estava ele.
Jacob.
— Jake? — perguntei, surpresa. — O que está fazendo aqui?
Ele não respondeu de imediato. Apenas me olhou com aquele olhar intenso, denso, carregado de algo que eu ainda fingia não entender.
— Posso entrar? — sua voz estava rouca, baixa.
Assenti em silêncio, dando um passo para o lado. Ele passou por mim, e eu fechei a porta. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele se virou, me encarando com aquela firmeza que me fazia perder o chão.
— Isso é errado — sussurrei. — Você sabe disso…
Ele deu um passo à frente, depois outro. E quando percebi, meu corpo já estava pressionado contra o peito dele. As mãos grandes e quentes de Jacob pousaram em minha cintura com firmeza, como se finalmente tivesse decidido o que queria — e esse algo… era eu.
— Errado? — ele murmurou, seu rosto tão próximo que eu podia sentir sua respiração quente contra minha pele. — Então me mande embora, Nessie…
Mas eu não consegui. Não disse nada.
Porque naquele segundo ele se inclinou e selou seus lábios nos meus.
O beijo começou suave, mas havia algo contido nele. Algo preso, intenso, que logo explodiu como um fogo descontrolado. As mãos dele apertaram minha cintura, me puxando ainda mais para si. Meus dedos subiram instintivamente até seu pescoço, sentindo o calor da sua pele.
A urgência tomou conta dos nossos movimentos. Seu beijo era exigente, faminto. Como se cada segundo afastado de mim tivesse acumulado o desejo que agora transbordava sem aviso. Ele me apertava como se quisesse me marcar. Como se dissesse “você é minha” sem usar palavras.
— Jacob… — sussurrei contra os lábios dele, mas ele me silenciou com outro beijo ainda mais profundo.
Minhas costas tocaram a parede, e seu corpo se moldou ao meu, quente e firme. O mundo pareceu sumir. Ali, só havia nós dois. Respirações pesadas. Toques descontrolados. Um beijo que atravessava qualquer barreira de certo ou errado.
Naquele instante, tudo desapareceu.
Claire. O passado. O plano.
Tudo que existia…
Era a forma como Jacob me beijava.
E como eu… eu estava entregue.
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