O Lado Sombrio do Amor
23 Cruzando a linha limite
Meus dedos passeavam devagar pela pele quente do peito de Jacob, subindo até seus ombros largos. Seu corpo pressionado ao meu era tudo que eu conseguia sentir. Seus olhos encontraram os meus — e neles eu vi muito mais que o jogo que eu estava prestes a iniciar. Havia desejo… e algo mais profundo.
Isso era algo perigoso.
Ele levou uma das mãos ao meu rosto, acariciando minha bochecha com a ponta do polegar. Seu toque era gentil, mas havia fogo contido naquele gesto. Um cuidado que me fez estremecer.
E um movimento rápido Jacob me virou de costas e puxou o zíper do meu vestido, senti um arrepio ao sentir suas mãos deslizando por minhas costas até as alças do vestido as baixando, o vestido caiu e fechei os olhos sentindo meu corpo estremecer quando ele tocou meus seios.
—Você é minha? — Ele murmurou, sua voz baixa, rouca enquanto eu sentia seus lábios em minha nuca.
Meu coração disparou. As palavras vieram naturalmente, sem hesitação, vindas de um lugar que eu fingia não existir até agora.
— Sou sua — sussurrei, fechando os olhos.
Ele me virou de frente para ele e os lábios dele se curvaram num sorriso contido, como se aquilo fosse tudo que ele precisava ouvir. Se inclinou para mim, sua testa tocando a minha, e ele respirou fundo antes de falar de novo.
— E eu sou seu, Nessie. De corpo, alma… e tudo mais que vier com isso.
Meus olhos se fecharam por um segundo. Aquelas palavras atravessaram minhas defesas.
Aquilo estava diferente do que imaginei… e, eu não lutei contra isso. Jacob se aproximou outra vez, e nossos lábios se encontraram em um beijo mais calmo, mais íntimo. Diferente de antes. Agora não havia pressa. Só entrega. Minhas mãos tremiam um pouco quando se enroscaram na barra da camisa dele. Os olhos de Jacob me observavam com atenção, sempre atento a mim. E pouco a pouco as roupas foram espalhadas pelo chão do quarto.
O corpo dele sobre o meu me dividiu, minha mente era um turbilhão de sentimentos e duvidas que até então eu não sabia que sentia, fechei os olhos e o abracei forte enquanto o sentia dentro de mim — Estar dentro de você é meu lugar favorito agora! Ele gemeu colando a testa na minha e olhei em seus olhos dando m tímido sorriso ao ouvir ele dizer “gostosa pra caralho”.
— Oh, Jake...gemi sentindo que estava prestes a chegar ao ápice.
— Goza pra mim minha ruiva — Ele gemeu ofegante.
Minhas unhas cravaram as costas de Jacob e suas investidas se tornaram mais fortes e rápidas, a cama rangeu debaixo de nós — Renesmee...ele gemeu alto antes de explodir dentro de mim.
Os lençóis ainda estavam enrolados ao redor dos nossos corpos, abafando o silêncio confortável que se instalou depois. A respiração de Jacob aos poucos voltava ao ritmo calmo enquanto seus dedos deslizavam distraídos pela minha cintura, desenhando círculos preguiçosos na minha pele.
Eu me virei de lado, o encarando. Havia algo no brilho dos olhos dele que me fez engolir em seco. Era intensidade. Era entrega. Era verdade.
E, de repente, tudo pesou.
— Jake… — murmurei, com um nó se formando na garganta. — A Claire… nós…
Ele franziu o cenho, mas não soltou minha cintura. Apenas se aproximou mais, descansando a testa na minha.
— Não fala dela agora, Nessie — pediu baixinho. — Não aqui. Não entre nós.
— Mas ela é minha amiga — sussurrei, fingindo culpa. — Eu não queria que as coisas fossem assim.
Ele suspirou, e pude sentir o peso no peito dele também. Mas quando abriu a boca novamente, a firmeza de sua voz me desarmou.
— Claire fez as escolhas dela. Escolheu o próprio caminho, e mesmo que nada daquilo tivesse acontecido, mesmo que não houvesse escândalo, nem traição... eu não teria me casado com ela.
Meus olhos o buscaram, surpresos. Ele segurou meu rosto com as duas mãos e disse, com tanta convicção que me faltou o ar:
— Porque eu pertenço a você, Renesmee.
Meu coração tropeçou no peito.
— Jake… — sussurrei, sem saber como responder.
Ele não esperou. Seus lábios buscaram os meus, e nos beijamos outra vez. Foi diferente dessa vez. Mais calmo. Mais profundo. Era como se, naquele instante, ele estivesse me entregando o que restava do próprio coração — e isso me apavorou mais do que eu esperava.
Eu o abracei com força, escondendo o rosto em seu pescoço, tentando conter o turbilhão que se formava dentro de mim.
Não era mais só um plano.
Não era mais só vingança.
Algo em mim havia ultrapassado a linha do controle… e agora eu não sabia mais o que era real ou fingimento.
E se o jogo deixasse de ser apenas um jogo?
Fechei os olhos, tentando afastar os pensamentos.
Não agora.
Ainda não.
Mas eu sabia.
No fundo, eu sabia…
Eu tinha ido longe demais.
Narrado por Jacob
A luz da manhã atravessava as persianas, dourando cada canto do quarto com um brilho suave. O lençol repousava levemente sobre o corpo de Renesmee, revelando suas curvas e a tranquilidade de seu sono. Por um momento, apenas a observei, de pé ao lado da janela, com o celular na mão e o coração acelerado por algo que, pela primeira vez em muito tempo, parecia se encaixar exatamente como eu planejei.
Toquei para Rebecca.
— Alô?
— Bec, sou eu. Preciso que me faça um favor.
— Jacob? Que voz é essa de quem acabou de ganhar na loteria?
— Quase isso — sorri, de canto, os olhos ainda em Nessie. — Preciso que leve algumas roupas minhas e também femininas... para uma semana. Vou te mandar a lista e o endereço do iate em Montauk
— Montauk? Você está levando alguém pro nosso paraíso escondido?
— Tô. E é sério. Tem que ser hoje ainda.
— Entendido. Agora estou mesmo curiosa... — ela riu. — Vai me contar depois?
— Depois — garanti, encerrando a ligação.
Guardei o celular no bolso e respirei fundo. O tempo estava contra mim. Os Cullen, principalmente Edward, não demorariam a fazer algum movimento depois daquele encontro inesperado na exposição. Se Renesmee fosse mesmo tudo aquilo que Billy e Bonnie acreditavam — e que eu também começava a sentir —, então **eu precisava ser mais rápido.
Casar com Renesmee não era apenas uma jogada estratégica. Era agora uma necessidade. Um desejo. Uma certeza.
Voltei para a cama, me sentando ao lado dela. Seus cílios se moveram com leveza ao sentir meus dedos acariciarem seus cabelos. Me inclinei e beijei sua testa, depois o canto de seus lábios, até que ela abriu os olhos lentamente.
— Bom dia, dorminhoca.
— Jake… — ela murmurou sonolenta, sorrindo de leve. — Que horas são?
— Hora de se preparar — sussurrei entre beijos suaves em sua clavícula. — Temos um compromisso.
Ela franziu o cenho, tentando lembrar.
— Compromisso? Eu só lembro das fotos para a campanha…
— Você está de folga hoje — interrompi, deslizando os dedos por seu braço.
— Jake! — Ela riu. — Você não pode me dar folga assim, eu tenho… funções!
— Posso sim — provoquei, me aproximando ainda mais. — Sou seu chefe, lembra?
Ela fingiu indignação, mas sorriu.
— Isso é muito impróprio. Dormir com o chefe…
— Devia estar envergonhada — disse, me inclinando e roçando os lábios nos dela. — Mas não está, né?
— Nenhum pouco — ela sussurrou antes de se render ao beijo.
Foi suave no início, mas logo a urgência se fez presente, e a mesma conexão da noite anterior incendiou tudo novamente. Mas havia mais que desejo ali.
Havia aliança.
E, mesmo que Renesmee ainda não soubesse… ela já era minha.
O carro deslizava pela estrada costeira, o sol já alto no céu, banhando as árvores e o mar à distância com aquele brilho prateado que só a manhã em Montauk conseguia oferecer. Eu dirigia com uma mão no volante e a outra entrelaçada aos dedos de Renesmee, sentindo a tensão suave que ela tentava disfarçar com olhares curiosos pela janela.
— Você não vai me dizer pra onde estamos indo? — Ela perguntou pela terceira vez, com aquele tom desconfiado e encantador.
— Surpresa — respondi, sem tirar os olhos da estrada. — Confia em mim.
— Isso é o que os vilões dizem nos filmes antes de sequestrar a mocinha.
— É… mas você não é uma mocinha indefesa — olhei para ela, sorrindo. — E eu estou longe de ser vilão.
Ela me olhou de canto, desconfiada.
— Você tá misterioso desde que acordou.
— Talvez porque hoje seja um dia importante — murmurei.
Ela virou-se mais para mim, interessada.
— Importante como?
— Como… um início — respondi. E não disse mais nada.
Demorou alguns minutos até que o carro parasse diante do cais privado da praia de Montauk. O mar parecia pintado em tons de safira. O vento soprava calmo, e ali, ancorado, estava meu iate — Black Horizon — reluzente sob o céu azul, com seu nome pintado em dourado discreto na lateral. No deck, Rebecca já nos esperava com óculos escuros, calça jeans dobrada e um sorriso debochado no rosto.
Nessie desceu do carro olhando em volta, confusa e maravilhada.
— Jake… o que é isso? — Ela perguntou, olhando para o iate com os olhos arregalados.
— Nosso refúgio pelos próximos dias — respondi, pegando sua mala no porta-malas antes que ela pudesse sequer processar. Caminhei até ela e entrelacei seus dedos nos meus. — Vem.
— Jake, e se alguém nos vir?
— Deixe que vejam — falei sem hesitar. — Já não é mais segredo.
Subimos juntos a passarela e assim que pisamos no deck, Rebecca se aproximou.
— Enfim, cunhada! — ela disse com um sorriso provocador, olhando para Nessie.
Renesmee corou.
— O quê?
— Bem-vinda à família Black — continuou Rebecca, dando um beijo no rosto dela. — O papai Billy e a mamãe Sarah estão radiantes. Disseram que até que enfim você colocou juízo no meu irmão.
— Rebecca… — resmunguei, rindo baixo.
— Ah, não se preocupa. Não vou dar vexame — ela piscou para mim e se virou para Nessie. — Sinta-se em casa. Você já é uma de nós.
Vi o brilho de surpresa nos olhos de Renesmee. Ela ainda não sabia o que pensar. Era parte do meu plano: envolvê-la, fazer com que sentisse que ali era o seu lugar.
E pela primeira vez em muito tempo, ela ealmente parecia pertencer.
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