O Lado Sombrio do Amor
24 Em alto mar
O sol começava a mergulhar no horizonte como uma chama lenta se apagando no mar. A brisa salgada da praia de Montauk dançava entre meus cabelos soltos, e o som ritmado das ondas quebrando suavemente contra o casco do iate era quase hipnótico.
Estava sentada na proa, com uma taça de vinho branco nas mãos, observando o céu tingido em tons de laranja e dourado, como se o mundo tivesse sido pintado só para mim. Atrás de mim, o rastro da cidade parecia distante... como se tivesse ficado em outra vida.
Meus planos estavam funcionando. Um a um, os passos estavam se encaixando como peças de um quebra-cabeça que comecei a montar anos atrás. Claire estava fora do caminho, os Black me acolhiam como parte da família, e Jacob…
Jacob estava se entregando.
Mas eu precisava ser cautelosa. Aquilo que eu buscava — a verdade sobre a morte dos meus pais — estava tão perto. Eu sentia. Um dos Black sabia, talvez até tivesse participação. E estar ali, dentro da fortaleza, me dava vantagem. Só precisava continuar jogando como venho fazendo. E não deixar meu coração atrapalhar.
Foi nesse momento que senti os braços de Jacob me envolverem por trás. Quentes. Firmes. Protetores.
— No que você está pensando, Nessie? — ele murmurou contra meu pescoço, sua voz baixa e íntima.
Fechei os olhos por um instante e inclinei levemente a cabeça para o lado, dando espaço para ele. Uma parte de mim queria acreditar na paz daquele momento.
— Em como esse pôr do sol parece mentira — respondi com um sorriso suave. — É tudo tão bonito… que parece que vai desmanchar quando eu piscar.
— Tem coisas que são reais mesmo quando parecem sonhos — ele disse, e pude sentir o sorriso na voz dele.
— Talvez — murmurei, virando um pouco o rosto para encontrá-lo com o olhar. — Talvez algumas coisas sejam reais.
Ele contornou meu corpo e ficou à minha frente, pegando minha taça e deixando-a de lado. Seus olhos estavam fixos nos meus.
— Renesmee… — ele começou, mais sério do que eu esperava. — Eu não sei o que vai acontecer amanhã, nem o que a gente vai descobrir sobre o passado… mas sei o que quero agora.
Fiquei em silêncio, o coração acelerado — mas meu rosto sereno. Ele pegou minhas mãos.
— Eu quero te namorar, Nessie. Quero que a gente pare de fingir que está só se conhecendo ou se aproximando. Eu quero te chamar de minha. E quero ser seu.
Por um instante, meus planos tremeram sob meus pés. Era isso que eu queria, não era? Estar com ele. Ganhar sua confiança. Acesso. Informações. E, talvez… talvez algo mais que eu me recusei a admitir até agora.
Forcei um sorriso delicado, controlado, mas com o brilho certo nos olhos.
— Você tem certeza disso, Jacob Black?
— Nunca tive tanta certeza de algo — ele respondeu, com convicção.
Toquei o rosto dele com delicadeza.
— Então… sim. Eu aceito.
Ele sorriu e me puxou para um beijo quente e lento, cheio de promessas e armadilhas.
E naquele instante, sob o céu dourado e as ondas embalando o destino, eu soube que estava mais dentro do que jamais estive. No coração dele. E no centro da família que eu pretendia destruir.
Mas antes da vingança... eu precisava sobreviver ao próprio amor.
O vento batia em meu rosto, fresco, salgado e revigorante. Os cabelos soltos dançavam para todos os lados, e mesmo assim, eu me sentia leve. Quase livre. Jacob estava ao meu lado, de pé, as mãos firmes no controle do iate que cortava as águas tranquilas de Montauk com a elegância de um cisne real.
Ele estava concentrado, os olhos fixos no horizonte, mas vez ou outra virava o rosto para me lançar um sorriso — e sempre que fazia isso, meu coração batia mais rápido. Parte do plano, eu repetia. Mas era cada vez mais difícil separar o jogo da verdade.
— Você está sorrindo — ele comentou, mantendo o olhar na linha azul que separava o céu do mar.
— E isso é um problema? — perguntei, fingindo surpresa.
— Só significa que estou fazendo algo certo — ele respondeu, dando de ombros. — E isso me dá vontade de continuar tentando.
Soltei uma risada leve e me aproximei mais um pouco, apoiando a mão no antebraço dele. Estávamos ali, apenas nós dois, longe dos olhares e das sombras. Longe de Claire. Dos Black. Dos segredos.
— E quais são os planos do capitão Black? — perguntei, brincando, o chamando assim de propósito.
Ele riu.
— Vamos passar alguns dias no mar. Eu quero que você relaxe, que aproveite. Vamos ancorar em algumas praias, jantar sob as estrelas… sem pressa, sem pressão.
Suspirei. Ele estava se esforçando para me encantar — e a verdade era que estava conseguindo.
— Você pensa em tudo — murmurei, me encostando ao seu ombro.
Nesse instante, o celular vibrou em minha bolsa. Olhei o visor. Claire.
A realidade bateu como um tapa invisível. Eu me endireitei, segurei o aparelho por alguns segundos… e o deixei voltar à bolsa, ignorando a ligação.
— Não vai atender? — Jacob perguntou, lançando um olhar curioso.
— Não — respondi, com. naturalidade. — Nada é mais importante agora do que isso aqui. Do que você.
Ele sorriu, satisfeito com minha resposta. Eu sabia o que estava fazendo.
Ele se aproximou um pouco, uma das mãos ainda firme no controle do iate, a outra buscando a minha.
— Você fala assim e fica difícil não me apaixonar ainda mais — ele disse, com aquele olhar quente que já não me surpreendia mais… mas sempre me envolvia.
Eu apenas sorri, olhando de volta para o mar, fingindo estar completamente entregue, quando, na verdade, minha mente trabalhava em silêncio.
Claire insistiria. E a cada passo, eu estava mais perto do centro do tabuleiro.
Mas por agora… eu era só uma garota feliz, navegando ao lado do homem que todos pensavam que eu amava.
E isso era perfeito.
Narrado por Jacob
O céu estava tingido de um laranja dourado enquanto o sol se despedia no horizonte. O mar calmo refletia a luz como um espelho líquido, e o iate balançava suavemente sob meus pés. Eu ainda sentia o gosto do vinho, mas nada se comparava à sensação de tê-la ali — do outro lado da mesa, sorrindo para mim.
Renesmee usava um vestido leve, branco, que fazia contraste com sua pele e os cabelos soltos. O cenário era perfeito. Era para ser uma noite perfeita.
Mas a notificação ainda piscava no celular dentro do meu bolso.
"A fila andou para Jacob Black. O milionário foi visto aos beijos com a nova cara da marca, Renesmee Newton."
E abaixo, a maldita foto. Aquela que um dos paparazzi havia tirado quando ela me beijou na porta do apartamento.
Suspirei baixo, engoli o desconforto. Eu sabia que isso viria. Mas não agora.
— Está tudo bem? — ela perguntou, franzindo o cenho. — Você ficou distante de repente.
A voz dela me trouxe de volta. Olhei em seus olhos e forcei um sorriso.
— Está sim. Só uma mensagem da minha irmã, Rachel. Coisas da empresa, nada que valha a pena estragar essa noite.
Ela me estudou por um instante. Nessie era mais perspicaz do que deixava transparecer.
Mas não disse nada. Apenas assentiu, pegando a taça de vinho.
— Então vamos brindar — ela disse, erguendo a taça. — A essa noite.
Toquei meu copo no dela, o som leve do cristal se misturando ao murmúrio das ondas.
— Às decisões ousadas — murmurei. — E às mulheres que nos fazem cometê-las.
Ela arqueou uma sobrancelha e sorriu de canto, aquele sorriso que parecia sempre saber mais do que dizia.
O jantar seguiu tranquilo, mas minha cabeça estava um caos silencioso.
A imagem dela estampando os sites de fofoca ao meu lado… a ideia dos Cullen vendo aquilo. Principalmente Edward.
Ele não deixaria passar. Não depois de vê-la na exposição.
E era por isso que eu precisava ser mais rápido. Eu precisava garantir que ela fosse minha antes que qualquer um do passado aparecesse para bagunçar o presente.
— Sabe o que eu pensei? — falei, interrompendo o silêncio entre nós. — Amanhã, quero ver você nadando aqui, no mar. Livre, feliz... sem pensar em ninguém além de nós dois.
Ela sorriu e assentiu.
— Combinado. Mas só se você nadar comigo.
— Sempre com você, Nessie.
Ela riu, mas desviou os olhos. Por um instante, parecia preocupada. Será que ela também pressentia que algo estava por vir?
Se pressentia, escondeu bem.
E naquela noite, sob as estrelas e cercado pelo mar, eu prometi a mim mesmo: não importa o que os Cullen souberem, não importa o que o passado revele... ela será minha.
Renesmee havia se levantado para ir ao banheiro, e eu aproveitei o momento de silêncio para pegar o celular e ligar para meu pai.
A chamada foi atendida quase de imediato.
— Jake? — a voz de Billy soou animada. — Finalmente, garoto! Pensei que fosse me deixar esperando mais um mês pra ouvir alguma novidade boa.
Sorri, apesar do peso no estômago.
— Estamos juntos, pai. Mas preciso que respire fundo, porque ainda não é hora de falar em casamento.
— Você está brincando? — ele riu alto. — Aquela menina é linda, esperta e está fazendo a Black’s aparecer em todas as manchetes com charme. A imprensa adora ela! Isso é mais do que bom, é histórico.
— Eu sei, eu sei... — esfreguei a mão na nuca, tenso. — Mas eu preciso ir com calma. Ela acabou de sair de uma república estudantil, vive dizendo que tem princípios, e... ainda acredita que está sendo desleal à amiga dela.
— Claire? — Billy resmungou. — Aquela menina não tinha estrutura pra segurar um nome como o seu, Jacob. Você fez certo. Renesmee tem brilho. E se tem algo que um Black precisa ao lado é alguém com presença.
Antes que eu pudesse responder, o celular vibrou novamente em minha mão.
Claire.
De novo.
O nome piscava na tela como um aviso incômodo. Eu hesitei. O sangue ferveu por dentro, mas atendi.
— Claire? — minha voz saiu áspera, sem esforço para disfarçar.
— Você está com ela, não está? — a voz dela veio carregada de mágoa e acusação. — Com a Nessie. Como você pôde, Jake?
Fechei os olhos por um segundo. Aquilo era inevitável.
— Não te devo satisfações, Claire — disse, firme. — Você fez suas escolhas. Agora, deixe que eu faça as minhas.
— Você não era assim, Jacob. Eu... — a voz dela vacilou.
— E você não era alguém que mentia e me expunha na frente do mundo. Mas as pessoas mudam, né?
Desliguei antes que ela respondesse.
Soltei o ar devagar e deixei o celular virado para baixo sobre a mesa. Meus olhos foram para o horizonte escuro do mar. A brisa quente da noite batia em meu rosto, mas não conseguia apagar o peso da conversa.
E então, ouvi passos suaves atrás de mim. Quando me virei, Renesmee estava de volta.
Ela sorria.
E, por um momento, tudo em mim relaxou.
Ela ainda não sabia de tudo. Ainda havia peças fora do lugar.
Mas isso não importava agora.
Ela era minha.
E eu faria o impossível pra mantê-la assim.
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