A música preenchia o jardim com uma leveza que combinava com a noite. O céu, já estrelado, parecia sorrir para nós. Eu encostei em uma das colunas da pérgola, segurando um copo de uísque. O gelo tilintava, acompanhando o ritmo lento da festa.

Nessie estava deslumbrante. Conversava com alguns convidados perto da fonte, uma mão apoiada na barriga, a outra segurando uma taça de suco. Ela ria, gesticulava, e seus olhos brilhavam como nunca. Ela era o centro do meu mundo — e de toda aquela celebração.

Levei o copo aos lábios, distraído, quando uma voz feminina cortou o som da música e da minha paz.

— Bela festa, Black.

Me virei com o cenho franzido. Heidi. Usava um vestido dourado, justo e provocante demais para o tipo de evento que estávamos vivendo. E o sorriso dela… era o mesmo de sempre: carregado de segundas intenções.

— Heidi? — murmurei, surpreso.

Ela deu um passo mais perto.

— A noiva convidou o Alec. Eu sou a acompanhante dele. — Deu uma olhada rápida pelo jardim e acrescentou, como quem gosta de provocar: — Não pensei que me ver incomodaria você, Jacob.

Respirei fundo. O velho Jacob talvez teria respondido à altura, mas hoje eu era um homem diferente. Marido. Pai. Futuro pai, de novo.

— A noite é da Renesmee — respondi simplesmente. — E se ela convidou Alec, ele é bem-vindo. Você também...apenas mantenha o respeito.

Heidi soltou uma risadinha, como se meu tom tivesse divertido mais do que intimidado.

Meus olhos buscaram Nessie de novo — e a encontrei, justamente ao lado de Alec. Conversavam tranquilamente. Ela parecia confortável. E por mais que eu não gostasse da ideia, sabia que ela havia feito as pazes com o passado.

— Melhor eu me juntar a noiva — sugeri a Heidi, antes que ela resolvesse ir sozinha e criar algum desconforto.

Atravessamos o gramado sob as luzes das lanternas penduradas entre as árvores. Quando nos aproximamos, Alec foi o primeiro a notar.

— Jake — disse, com um leve aceno de cabeça. — Heidi queria conhecer o jardim. Está incrível.

— Obrigado — murmurei, lançando um olhar rápido para Nessie. Ela me observava com aquele jeito que só ela tinha, como se soubesse o que se passava dentro de mim.

— Tudo bem? — ela perguntou, tocando meu braço.

Assenti, desviando os olhos de Heidi por um instante.

— Tudo bem, só que lembrei que está na hora da dança dos noivos.

Ela sorriu e apertou minha mão discretamente. A presença de Alec ao lado dela já não me feria como antes. E isso não era apenas confiança — era certeza. Certeza de que ela era minha, e eu dela.

— Alec — eu disse, firme, mas cordial — obrigado por vir? Sua presença é importante.

Ele apenas assentiu. Heidi, no entanto, deu um sorrisinho cínico e murmurou:

— Que casal doce. Realmente inspirador.

Renesmee manteve o porte firme, mas seus olhos diziam tudo. Ela não deixaria provocações estragarem o nosso dia.

— Jake, vamos dançar — ela sugeriu, interrompendo o clima tenso.

— Vamos.

Tomei a mão dela e a levei até a pista de dança sob as luzes penduradas. Ao girá-la lentamente ao meu redor, vi o sorriso dela voltar, livre, leve...

A melodia suave preenchia o jardim iluminado por centenas de luzes penduradas entre as árvores. Dançar com Renesmee ali, no meio da noite que celebrava nosso amor, era como reviver cada promessa silenciosa que um dia fiz a ela. Uma mão em sua cintura, a outra entrelaçada à sua, e nossos olhos... eles diziam tudo.

— Nunca pensei que estaríamos aqui, assim — murmurei, minha testa roçando levemente a dela.

— Eu sempre quis isso — respondeu Nessie, sorrindo com ternura. — Só demorei para aceitar que merecia.

Ia responder quando ouvi uma voz familiar.

— Me daria a honra de dançar com a noiva?— perguntou Edward.

Ele estava ali, parado, olhando para a filha com um olhar mais brando do que eu costumava ver.

Renesmee o olhou surpresa, mas logo sorriu.

— Claro, pai — ela respondeu, soltando minha mão delicadamente.

Edward olhou para mim, como quem pedia permissão.

— Vai em frente, sogro — respondi, batendo no ombro dele com um leve sorriso.

Renesmee riu baixinho, balançando a cabeça.

Afastei-me um pouco e os observei. Ela se encaixava nos braços dele com naturalidade, os dois sorrindo em silêncio, e percebi o quanto aquilo significava para ela. Finalmente chamá-lo de “pai”, dançar com ele no dia do seu casamento... Nessie estava, enfim, costurando as partes quebradas da sua história.

— Ei! É a minha vez de dançar — gritou Sophie, puxando meu paletó com a empolgação brilhando nos olhos.

— Senhorita Black exige a presença do pai na pista? — perguntei, me abaixando um pouco até ficar na altura dela.

— Exijo — ela disse com firmeza, depois rindo. — Vamoa mostrar que somos pai e filha dançarinos.

Peguei sua mão e a levei até o centro do jardim. A música mudou para algo mais alegre e, com toda a pompa, fiz uma reverência. Sophie riu alto, girou a saia do vestido e se jogou nos meus braços.

— Você está se divertindo, mocinha?

— Muito! Mas deveríamos fazer mais festas.

— Vamos fazer um calendário — respondi, girando ela no ar, fazendo-a gargalhar. — Festa por mês. E nada de esquecer do presente da sua irmãzinha, hein?

— Eu já pensei no nome da minha banda de rock para cantar pra ela — respondeu com toda a seriedade que só uma criança de alma artista teria.

Nessie nos observava de longe com os olhos marejados. Minha esposa. Minha filha. Minha família.


Narrado por Renesmee


A música que tocava era suave, embalada pelas estrelas que pareciam ter descido do céu para enfeitar o jardim da mansão Black. Estar nos braços do meu pai, dançando no dia do meu casamento, parecia surreal. A mesma mão que um dia hesitou em me proteger, agora apertava a minha com firmeza, como se finalmente soubesse seu lugar.

— Você está radiante, filha — disse Edward, com os olhos brilhando. — Sua mãe e eu estamos muito orgulhosos.

— Eu sei, pai... obrigada por estar aqui — sorri, sentindo meu coração leve.

Desviei o olhar por um instante e ri ao ver Jacob dançando desengonçadamente com Sophie, que girava com a leveza de quem tinha o mundo aos pés. Meu mundo. Meu marido. Minha filha.

— Sobre o presente... — Edward interrompeu meus pensamentos, levando a mão ao bolso interno do paletó.

— Presente?

— De casamento. Sei que já ganhou o amor, ganhou o Jake, mas... sua família vai crescer, então... — Ele retirou uma pequena chave prateada e me entregou. — Achei que uma casa seria mais apropriada para criar uma menina do que um apartamento.

Olhei para a chave na palma da minha mão, completamente surpresa.

— Pai... você... você comprou uma casa?

— Na verdade, construí. Perto do parque onde você costuma levar Sophie. Tem jardim, varanda, e até um ateliê de flores, caso queira criar em casa.

Fui tomada por uma emoção que nem sabia nomear. Abracei meu pai com força, me perdendo por um momento naquele gesto que tantas vezes desejei na infância.

— Obrigada — sussurrei.

Mas no instante seguinte, senti uma fisgada aguda na barriga. Franzi a testa, soltando Edward devagar.

— Está tudo bem? — ele perguntou, preocupado ao notar meu semblante.

Outra pontada. Mais forte.

— Eu... ai... acho que... — minha respiração falhou por um segundo.

E então o som inconfundível. Um estalo leve, seguido da sensação morna escorrendo por entre minhas pernas.

— Jacob! — Edward gritou, segurando meus braços para me apoiar. — A bolsa dela estourou!

A música parou. As pessoas olharam para nós. E eu... só conseguia pensar em uma coisa:

Julie está chegando.