Narrado por Jacob


Eu tentava me concentrar em uma série de relatórios sobre os lucros após a exposição em Manhattan, mas meu pensamento insistia em se desviar… Renesmee. Desde o desmaio, algo dentro de mim não conseguia relaxar. Ela dizia estar bem, mas meu instinto gritava outra coisa.

Antes que eu pudesse terminar a leitura, a porta se abriu.

— Senhor Logan Yong está aqui. Disse que é urgente — anunciou minha secretária com a voz contida.

— Mande entrar — respondi, fechando a pasta diante de mim.

Logan Yong atravessou a porta com seu terno perfeitamente alinhado, os olhos frios como sempre. Mas havia algo diferente em seu semblante — uma tensão oculta por trás daquela expressão calculada. Ele se sentou diante de mim sem esperar convite.

— Yong — comecei, direto. — Veio reconsiderar a oferta? Está pronto para vender sua parte da Y-Tech?

Ele soltou um riso baixo.

— Confesso que considerei... mas ainda tenho obrigações com minha família. Preciso garantir o futuro do meu neto.

Franzi o cenho. — Net... neto?

Ele assentiu lentamente.

— Isso mesmo, Jacob. Claire está grávida.

O impacto daquelas palavras fez meu corpo se projetar um pouco para frente, inconscientemente.

— Grávida?

— Sim. — Ele cruzou os braços, firme. — E apesar de todos os erros da minha filha, há uma possibilidade real de que essa criança seja sua.

— Claire disse isso? — perguntei, sem esconder a incredulidade. — Ela tem certeza?

— Ela fará o exame de DNA assim que a criança nascer. Mas ela garante que, entre você e aquele idiota do Quil, a chance maior é sua.

Revirei os olhos.

— Ela também estava “certa” de que eu era o amor da vida dela. Isso não quer dizer muita coisa.

— Jacob — disse Logan com firmeza —, você sabe que há uma chance. E eu vou proteger o futuro dessa criança como não pude proteger minha filha da humilhação pública. Estou afastando Claire da mídia até o nascimento. Mas quando a criança nascer, você será visitado pelos meus advogados.

Fiquei em silêncio por alguns segundos. Olhei para ele como se buscasse entender se aquilo era mais uma jogada, mais uma das artimanhas dos Yong para me desestabilizar.

— Isso muda alguma coisa pra você? — perguntei, direto.

— Se for seu filho, muda tudo — ele respondeu. — Herdeiros precisam de estabilidade, de um nome limpo. De pais que assumam suas responsabilidades.

— Não me venha com discursos morais, Logan. Você nunca se importou com o caráter — rebati, ríspido. — Mas se for meu filho, assumirei. Isso não significa que você pode usar isso para me manipular.

Ele se levantou com calma.

— Eu não preciso te manipular, Jacob. A vida vai te obrigar a fazer escolhas. Uma hora ou outra.

E saiu da sala sem olhar para trás.

Fiquei ali, imóvel por longos segundos. A respiração pesada.

Claire. Grávida.

E agora, talvez... pai?

Olhei para a tela do celular. Uma mensagem de Renesmee me esperava:

"Passo aí depois da aula? Esrou com saudades."

Meu coração apertou.

A vida ia mesmo me obrigar a fazer escolhas.

E eu não sabia o que viria a seguir.


Narrado por Renesmee


O fim da aula parecia não chegar nunca. A cabeça latejava entre os prazos da faculdade, o mal-estar constante e a avalanche de pensamentos que ocupava meu coração. Quando o sinal tocou, peguei minha bolsa e saí sem falar com ninguém. Precisava de silêncio… e talvez de alguns minutos sozinha no meu apartamento antes de encarar mais um jantar com Jacob — e o peso do que eu precisava contar.

O prédio estava calmo. A portaria quase vazia. Apertei o botão do elevador e, quando as portas se abriram, entrei, encostando na parede espelhada, massageando as têmporas.

— Boa tarde — disse uma voz suave, masculina.

Ergui o olhar. Um rapaz alto, de traços marcantes e olhos escuros entrou no elevador ao meu lado. Seu cabelo levemente ondulado caía na testa de forma quase proposital. Ele parecia jovem, talvez um pouco mais velho do que eu.

— Boa tarde — respondi com um leve sorriso.

— Sou novo no prédio. Me chamo Nahuel... Nahuel Matarazzo — disse estendendo a mão, com um sotaque leve que não consegui identificar de imediato.

Apertei sua mão.

— Renesmee Newton. Bem-vindo ao prédio.

— Obrigado — ele disse com um sorriso tranquilo. — Ainda me acostumando com Nova York. É tudo tão… intenso por aqui.

— É, você vai se acostumar. A cidade engole a gente, mas depois a gente aprende a dançar com ela — comentei, soltando uma risada breve.

O elevador parou no 12º andar — o meu.

— É aqui que eu desço — falei.

— Também é o meu andar — ele respondeu, saindo junto comigo.

Caminhamos lado a lado até a porta do apartamento. Fiquei surpresa quando ele parou bem em frente ao meu.

— Sério? Você é meu vizinho?

— Parece que sim — ele disse com outro sorriso.

— Bem, se precisar de açúcar ou de uma xícara de café, é só bater — brinquei, tentando manter a leveza que já se perdia na ponta da minha mente.

— Pode deixar. Nos vemos por aí, Renesmee.

— Até mais, Nahuel.

Entrei no apartamento e fechei a porta com cuidado. Aquele breve encontro com o novo vizinho havia me distraído por alguns segundos, mas o peso da realidade me atingiu de novo assim que me vi sozinha.

Larguei a bolsa no sofá e caminhei direto para o quarto.

Abri a gaveta da penteadeira com dedos trêmulos e puxei de lá o envelope amassado. O teste de gravidez. Confirmado. Reconfirmado. Irrefutável.

Sentei na beira da cama e encarei o papel. Meus olhos se enchiam de lágrimas — não por medo, mas por tudo que isso significava.

Jacob.

Ele tinha o direito de saber.

E eu... precisava de coragem para contar.

Respirei fundo e sussurrei:

— É hora, Nessie. Hora de encarar a verdade.


Cheguei à Black Enterprises com o coração acelerado. A carta com o resultado do teste de gravidez estava guardada na bolsa, e apesar de tentar manter a calma, meus dedos a seguravam como se minha vida dependesse disso — talvez dependesse mesmo.

O prédio era sempre impecável, moderno e com aquela aura de poder que parecia dançar pelo ar. Caminhei pelos corredores e encontrei Rachel sorrindo ao dobrar o corredor oposto.

— Olha quem chegou! — ela disse animada. — Estava te procurando.

— Bom dia, Rachel — sorri de volta, tentando parecer natural.

— Não esquece da sessão de fotos de quinta-feira, tá? É importante. O marketing tá empolgado com os novos cliques.

— Quinta-feira. Está anotado — respondi com um sorriso gentil.

— E ah — ela diminuiu o tom, mais casual —, só pra te avisar... eu e o Paul vamos tirar alguns dias. Lua de mel oficial, sabe? Então talvez seja bom você começar a marcar presença nos comunicados internos. Mesmo sendo a futura esposa do CEO, não vai escapar das obrigações — ela piscou, brincando.

— Pode deixar. Eu cuido de tudo — respondi com uma leve risada.

— Sabia que podia contar com você — disse ela, apertando meu braço carinhosamente. — Agora vai lá, ele está te esperando, acho que desde ontem.

Nos despedimos e segui pelo corredor principal até a recepção do andar de Jacob. A secretária me cumprimentou com um aceno simpático.

— Bom dia, senhorita Newton. Pode entrar, o senhor Black está sozinho.

Assenti, agradecendo, e abri a porta do escritório.

Jacob estava de costas para mim, observando a cidade pela imensa janela envidraçada. A luz da manhã desenhava sua silhueta de forma quase cinematográfica, e, por um instante, fiquei ali apenas o admirando.

— A vista é bonita... mas ainda não supera a que tenho agora — falei, sorrindo ao me anunciar.

Ele se virou devagar, e aquele sorriso que sempre mexia comigo apareceu.

— Achei que não viria — disse ele, vindo até mim. — Tava começando a achar que você estava me evitando.

— Nunca. Só... precisava de um pouco de coragem pra algumas coisas.

Ele arqueou uma sobrancelha, curioso, e estendeu a mão para mim.

— Quer me contar agora ou precisa de um café primeiro?

Apertei sua mão com força, sentindo o coração acelerar. Estava na hora.


Narrado por Jacob


Observei Renesmee com aquele jeito leve e doce que me desmontava por dentro. Ela parecia nervosa, mas determinada. Seus olhos procuravam os meus como se quisessem encontrar abrigo — ou coragem. Eu a puxei para perto, selando nossos lábios com um beijo calmo, e sussurrei contra sua boca:

— O que você quer me dizer, amor?

Ela hesitou por um segundo, depois respirou fundo e soltou, com a voz um pouco trêmula:

— O que você faria se descobrisse que vai ser pai?

Meu corpo enrijeceu no mesmo instante. A tensão subiu como uma maré inesperada. Por um momento, o chão pareceu inclinar. Ela já sabia. Claire já havia contado. Era só questão de tempo.

Soltei suas mãos devagar, dando um passo para trás. O olhar dela se estreitou, confuso.

— Jake? — ela murmurou. — O que foi?

Passei uma mão pelo rosto, tentando manter a calma.

— Então... você sabe? — perguntei, num tom mais baixo do que pretendia.

Renesmee franziu a testa, surpresa. — Sei? Do quê?

— Que Claire está grávida. — soltei de uma vez. — Logan esteve aqui. Disse que assim que a criança nascer, vai pedir o exame de DNA. Ela está certa de que eu sou o pai.

A expressão de Nessie se desfez num misto de choque e incredulidade.

— O quê? — ela balbuciou. — Claire está... grávida?

Assenti devagar. — Sim. E antes que você pense qualquer coisa, isso aconteceu antes de nós. Antes de tudo.

Ela se virou, dando um passo para longe, e eu podia ver que a informação a atingiu como uma avalanche. Mas o que me deixou ainda mais inquieto foi o olhar que ela lançou por cima do ombro. Não havia raiva — havia algo mais profundo. Decepção? Dor?

— Renesmee...

— Eu achei que... — sua voz falhou, e ela desviou o olhar. — Não importa.

Dei um passo em sua direção, mas ela ergueu a mão como se pedisse espaço. E ali, naquele silêncio, eu soube: não importava o que eu sentia. Aquela notícia tinha o poder de colocar tudo à prova. E talvez o tempo, mais uma vez, fosse nosso pior inimigo.



Narrado por Renesmee


Senti minhas pernas falharem por um breve instante. Precisei me apoiar na lateral da poltrona de Jacob para não cair — não fisicamente, mas emocionalmente. A notícia me atingiu como um soco no estômago. Claire estava grávida. De Jacob.

De repente, tudo o que eu havia planejado, todo o caminho que construí com tanto cuidado... parecia desmoronar.

Engoli em seco, mantendo a calma. Não podia vacilar. Não agora. Eu também estava grávida, mas... aquele momento havia sido destruído. Não era a hora certa de contar. E eu odiava não estar no controle.

Jacob me observava com atenção, os olhos preocupados.

— Você parece tensa — ele disse com suavidade, se aproximando. — Ness, eu sinto muito. Eu queria que isso tivesse vindo de outro jeito. Mas... isso não muda nada, ok?

Ele segurou minhas mãos entre as dele e apertou com firmeza, como se me ancorasse.

— Nós vamos nos casar em duas semanas — ele continuou, com uma convicção que eu quase invejei. — Isso não muda o que eu sinto por você. Nada muda isso.

Pisquei algumas vezes, lutando contra o turbilhão dentro de mim. Então, forcei um sorriso. Um daqueles que eu aprendi a dar quando tudo precisava parecer perfeito, mesmo que não estivesse.

Aproximei meu rosto do dele, roçando minha bochecha na dele com delicadeza, e sussurrei:

— Eu acredito em você.

Nossos lábios se encontraram num beijo calmo, quase cúmplice. Um beijo cheio de silêncios.

Mas por dentro, meu coração apertava. As coisas estavam fugindo do meu controle. E isso me assustava mais do que qualquer segredo.