Narrado por Renesmee


O silêncio no carro era confortável. Eliot não tentou forçar palavras, apenas dirigia pelas ruas de Manhattan com aquela tranquilidade quase terapêutica.

Eu olhava pela janela, mas os pensamentos pesavam mais que qualquer paisagem.

— Eu me sinto uma péssima pessoa, sabia? — soltei, depois de alguns minutos, virando o rosto em sua direção.

Ele me lançou um olhar rápido, sem perder o foco na estrada.

— Por quê?

— Porque… eu estou aliviada — confessei, quase em um sussurro. — Aliviada pelo fim. Pelo fim do noivado, de toda essa história com Alec. Eu deveria estar arrasada. Mas não estou. Estou leve… e ao mesmo tempo, cheia de culpa.

Eliot não disse nada de imediato. Esperou mais um pouco antes de falar, o que eu agradeci.

— Às vezes o fim de uma história é a libertação que a gente precisava — ele disse com firmeza, mas sem julgamento. — E sentir alívio não faz de você alguém ruim. Faz de você alguém honesta consigo mesma.

Assenti, engolindo em seco.

— Eu só... não sou ninguém pra julgar o Alec. O que ele fez foi errado, sim. Mas... eu também usei ele, no início. Me aproximei pra esquece Jacob. Joguei o jogo. E depois, fiquei. Porque ele era tudo que eu achava que precisava. Doze anos ao meu lado. E mesmo assim, nunca foi completo. Nunca foi inteiro.

— Mas ele te amou, não foi? — Eliot perguntou com delicadeza.

— Amou. Do jeito dele. E eu tentei amar também… mas nunca foi como deveria. Não por falta de esforço. Só... não acontecia — murmurei, encarando a palma da minha mão. — Acho que nunca o deixei ocupar todo o espaço porque o coração já tinha dono antes mesmo de saber.

Eliot suspirou. — E esse alguém... é o Jacob?

Olhei para ele, sem hesitar.

— Sempre foi.

Eliot assentiu, um pequeno sorriso no canto dos lábios.

— Então, talvez... hoje seja o começo certo. E não o fim errado.

Sorri, sentindo as lágrimas ameaçarem.

— Obrigada, irmão.

Ele parou o carro na frente do prédio. Desceu para abrir a porta pra mim.

— Vai descansar. E cuida do seu coração, Nessie. Mas não se esquece de cuidar do dele também.

— Boa noite, Eliot.

— Boa noite, maninha.

Subi as escadas em silêncio. Ao abrir a porta do apartamento, fui recebida pela penumbra aconchegante da sala.

A TV estava ligada em volume baixo, passando algum desenho animado antigo.

Na mesa de centro, caixas abertas de pizza, dois copos plásticos de refrigerante — e dois corações exaustos.

Sophie dormia encolhida no sofá, coberta até o queixo com uma manta. E ali, sentado no chão, encostado à lateral do sofá, estava Jacob.

Adormecido. Os braços cruzados, a cabeça tombada levemente para o lado, como se tivesse lutado contra o sono até o último segundo.

Sorri.

— Jake… — chamei suavemente, ajoelhando ao lado dele no chão.

Ele abriu os olhos devagar, ainda sonolento, e esboçou um sorriso ao me ver.

— Eu dormi aqui? — murmurou, passando a mão no rosto.

Assenti com um sorriso cúmplice.

— Você e Sophie fizeram a festa.

Ele olhou para o sofá, onde nossa filha dormia tranquila.

— Eu levo ela — disse, erguendo-se com cuidado.

Fiquei observando enquanto ele a pegava no colo com toda delicadeza do mundo. Sophie resmungou baixinho, mas se aconchegou no peito dele como se aquele fosse o lugar mais seguro do mundo — e talvez fosse mesmo.

Esperei no nosso quarto, sentada na beira da cama, desabotoando o vestido lentamente. Quando ouvi seus passos voltando pelo corredor, entrei no banheiro.

Liguei o chuveiro e deixei a água quente escorrer sobre minha pele. Precisava daquele silêncio, daquele calor, daquela limpeza simbólica da alma. Fechei os olhos, respirando fundo, até sentir braços fortes me envolvendo por trás.

— Também preciso de um banho— Jacob murmurou contra minha nuca, sua voz baixa e rouca.

Sorri, sentindo a pele arrepiar com o toque dele.

Ele deslizou as mãos pela minha cintura, colando o corpo ao meu, e depositei minha cabeça em seu ombro. Nossos corpos molhados se encontraram em um abraço intenso, sem pressa.

Virei o rosto para ele, nossos lábios se buscaram no mesmo instante. O beijo foi lento, cheio de promessas e de saudade, como se disséssemos tudo o que as palavras não conseguiam mais conter.


Narrado por Jacob


Os lábios de Nessie deslizaram entre os meus e eu pressionei sua cintura a empurrando lentamente contra a parede do banheiro, minhas mãos deslizaram de sua cintura até sua bunda a encaixando em mim.

— Jake... ela gemeu com os lábios contra os meus enquanto eu a fodia a pressionando contra a parede.

— Diz que essa boceta é minha!

— É sua Jake, eu sou sua...

Nessie apoiou as mãos em meus ombros e seu corpo subiu e desceu enquanto sua costa escorregava na parede fria. Nossas testas colaram uma na outra e meus olhos encontraram os dela. Seu corpo subia e descia de forma prazerosa. Nessie jogou a cabeça para trás gemendo alto e contorcendo seu corpo . Eu sorri satisfeito antes de chegar ao orgasmo segundo depois.


Ela estava ali, deitada ao meu lado, com a pele ainda úmida e os cabelos colados aos ombros depois do banho. Enrolada nos lençóis, com o corpo colado ao meu, os olhos fechados, o rosto calmo… como se, pela primeira vez em muito tempo, estivesse em paz.

E talvez estivesse.

Eu a observava em silêncio. Cada detalhe. Cada traço que me assombrava em sonhos e lembranças por anos. Renesmee. Minha Renesmee.

Passei a ponta dos dedos suavemente por sua bochecha, e ela abriu os olhos devagar. Sorriu. Aquele sorriso de quem me conhecia por dentro, que só ela tinha.

— Você está me encarando — ela disse, com um tom sonolento e divertido.

— Estou apenas tentando entender se isso é real — respondi, minha voz quase falhando. — Você. Aqui. Nós dois.

Ela não disse nada, apenas aproximou-se e me beijou devagar. Longamente. Como se quisesse eternizar o momento. E, de certa forma, eu queria mesmo.

Quando nos afastamos, respirei fundo. Sabia que não havia momento mais certo que aquele. Pela primeira vez, não havia dor, ressentimentos ou dúvidas. Só nós.

Me apoiei no cotovelo e olhei bem nos olhos dela.

— Renesmee… — comecei, sentindo o coração acelerar —... eu esperei tanto tempo por você. Por isso. Por nós três.

Ela franziu a testa, como se desconfiasse do que vinha a seguir, mas não disse nada. Continuei:

— Eu sei que erramos muito. Que o passado nos machucou dos dois lados. Mas agora… tudo mudou. A vida nos deu uma nova chance.

Segurei sua mão entre as minhas.

— Casa comigo?

Os olhos dela brilharam. Ela não desviou o olhar nem por um segundo. Parecia processar o que eu tinha dito. E quando seus lábios se curvaram em um sorriso emocionado, o meu coração disparou.

— Sim — ela respondeu, com a voz embargada. — Sim, Jacob.

Abracei-a imediatamente, enterrando o rosto no pescoço dela. Um riso escapou dos meus lábios, meio alívio, meio felicidade.

— Eu te amo — sussurrei contra sua pele. — Com tudo o que sou. E prometo fazer valer cada segundo daqui pra frente.

Nos beijamos outra vez. E, dessa vez, foi diferente. Foi um beijo da certeza.. Do amor. Amor verdadeiro. Amor maduro. Amor escolhido.


Ajeitei a gravata pela terceira vez em frente ao espelho. Era engraçado — usei ternos e gravatas a vida toda, mas hoje tudo parecia diferente. Mais leve. Como se carregar o peso do mundo tivesse finalmente deixado de ser necessário.

Terminei de me vestir, passei a mão nos cabelos e saí do quarto, já ouvindo vozes suaves vindo da cozinha.

— Bom dia, meu mundo — murmurei ao me aproximar.

Sophie estava sentada à mesa, de uniforme escolar, devorando um pão com geleia como se fosse a melhor refeição da vida. Me inclinei e beijei o topo da cabeça dela, fazendo com que seus olhos curiosos se voltassem para mim.

— Bom dia, pai — ela resmungou com a boca cheia, mas sorriu em seguida.

Nessie estava encostada no balcão, com uma caneca de café nas mãos, os cabelos soltos e ainda com a expressão calma de quem tinha acordado feliz. Me aproximei, a puxei pela cintura e a beijei como quem não pretendia mais sair de casa.

— Pai! — Sophie se engasgou teatralmente. — Eu tô aqui!

Nessie riu contra meus lábios e se afastou com um olhar divertido.

— E você jura que não está gostando do espetáculo? — provoquei Sophie, piscando para ela.

Ela revirou os olhos, mas não conseguiu esconder o sorriso.

— Eu tô tentando tomar café, mas vocês agem como se eu não estivesse aqui!

— Você está só treinando para quando for adolescente — retruquei, sentando ao lado dela e pegando uma fatia de maçã do prato dela.

— E você está treinando para ser um marido bobo? — Sophie rebateu, levantando uma sobrancelha.

— Não preciso treinar. Já sou excelente nisso — pisquei.

Nessie se aproximou com sua caneca e olhou para Sophie com carinho.

— Falando nisso… temos uma novidade.

Sophie parou de mastigar e olhou de um para o outro. Me inclinei, apoiando os cotovelos na mesa.

— Sua mãe e eu vamos nos casar.

Ela arregalou os olhos por um segundo antes de soltar um grito e pular da cadeira, vindo correndo nos abraçar.

— Eu sabia! Eu sabia! Eu sou muito boa em prever essas coisas!

— Vai virar vidente agora, é? — provoquei, abraçando-a forte.

— Isso significa que posso usar vestido de dama e jogar pétalas? — ela perguntou, já animada.

— Você pode escolher até o sabor do bolo, se quiser — disse Nessie, rindo.

Sophie voltou para seu lugar, ainda sorrindo de orelha a orelha.

— Pai… — ela disse, com a boca cheia de novo — você vai me dar carona?

— Não, minha filha, hoje você vai de helicóptero! — respondi sério, e ela me lançou um olhar de descrença.

— Pai!

— Tá bom, tá bom. Claro que vou te levar. Mas só se prometer não reclamar do meu gosto musical.

— Isso é tortura — murmurou ela, rindo.

Nessie voltou para o balcão e olhou o celular.

— Que bom que vai deixar a Sophie, vou visitar aquele ponto comercial no Upper West Side. Se for bom, pode ser perfeito para abrir minha floricultura.

— A ideia das flores volta com força, hein? — comentei, indo até ela e passando o braço pela sua cintura.

— Sim… acho que estou pronta para isso agora.

Olhei para as duas mulheres da minha vida e senti o peito se encher de orgulho e gratidão.