Narrado por Renesmee


Três meses. Já se passaram três meses desde que me mudei para o apartamento de Jacob e a nossa vida a três encontrou um ritmo doce, familiar. Entre os preparativos do casamento e os detalhes da minha floricultura no Upper West Side, os dias passavam voando. Mas eu estava feliz — mais do que jamais estive.

Estava no sofá, com uma pasta de amostras de tecidos abertos no colo e o celular preso entre o ombro e a orelha, rindo da empolgação de Sarah do outro lado da linha.

— As roseiras estão florindo como nunca — ela dizia com entusiasmo. — O jardim vai estar perfeito no dia do casamento, minha querida.

— Não tenho dúvida, Sarah. E você sabe o quanto significa para mim casar ai. É como... uma bênção — murmurei, tocando o anel que Jacob me deu há algumas semanas.

— Então que seja inesquecível — disse ela, emocionada. — Agora, me mande fotos daqueles buquês de margaridas que você mencionou, sim?

— Vou fazer isso ainda hoje. Beijo, Sarah.

Desliguei com um sorriso no rosto, e antes que eu pudesse levantar do sofá, Jacob apareceu atrás de mim e me beijou a nuca, fazendo meu corpo inteiro arrepiar.

— Almoço hoje é comigo e com nossa mocinha. Já decidi — disse ele, a voz baixa e suave.

Me virei para encará-lo.

— Você sabe que não precisa disputar tempo comigo com a Sophie, né?

Ele riu.

— Com vocês duas, o que eu quero mesmo é tempo de sobra.

Antes que eu pudesse responder, ouvimos a voz animada de Sophie vindo do corredor.

— Pai, vamos! Eu que vou escolher o restaurante hoje, mas se eu perder a prova de matemática, a culpa vai ser sua! — Ela entrou na sala arrumando a mochila nas costas e parou na frente da gente, cheia de atitude.

— Ela herdou seu gênio, só pode — Jacob sussurrou em meu ouvido, e eu ri.

— Ou o seu charme exagerado.

Sophie se aproximou, me deu um beijo estalado na bochecha e já ia saindo quando virou com um sorriso:

— Mãe, você tá linda hoje. Mas olha... não me façam um irmãozinho agora, tá? Esperem eu chegar da escola. — E piscou travessa antes de sair pela porta.

Jacob riu alto, passando a mão no rosto.

— Essa menina...

— É esperta demais — completei, ainda rindo.

Ele me puxou pela cintura para um último beijo antes de sair.

— Eu te amo — sussurrou.

— Eu também te amo.

— Te vejo no almoço — ele disse, já indo atrás de Sophie.

Fechei a porta devagar quando eles saíram e encostei ali por um segundo, sorrindo sozinha e coloquei as mãos em minha barriga sem volume algum. Havia confirmado a gravidez a alguns dias mas esperava o momento certo de dar a noticia que a familia ia aumentar.


Tranquei a porta do apartamento e conferi se estava com tudo: celular, amostras dos arranjos da semana, a pequena pasta com as últimas atualizações do projeto. Suspirei, ajeitando a bolsa no ombro, enquanto ligava para Bella.

Estou a caminho, mãe. Te vejo lá?

Já estou saindo, querida. Nos encontramos na floricultura — respondeu com sua voz sempre serena. — E vê se não para para comprar mais flores pelo caminho. Você já tem uma loja!

— Sem promessas — brinquei, encerrando a ligação.

No elevador, aproveitei para responder algumas mensagens. Sarah havia enviado mais fotos do jardim e Rachel queria saber se Sophie poderia dormir lá no sábado. A última notificação era de Eloise, de Annecy.

Estamos bem. Lina e eu vimos algumas fotos do seu novo espaço. Ficou lindo, Nessie. Sophie vai adorar. Venha nos visitar logo.”

Sorri com carinho. Digitei uma resposta rápida, prometendo uma visita em breve, enquanto saía do prédio.

Logo que pisei na calçada, vi um táxi parado perto da entrada. Sem pensar muito, ergui a mão. O motorista me viu e sinalizou com a cabeça. Caminhei até o carro e entrei.

— 257 West 87th Street, por favor — pedi, referindo-me ao endereço da floricultura no Upper West Side.

Fechei a porta e coloquei o cinto, ajeitando a bolsa no colo. Mas logo senti um cheiro estranho. Era sutil, mas definitivamente não era o típico aroma de carro de táxi em Nova York. Havia algo... doce, forte. Enjoativo.

Virei o rosto devagar, desconfiada.

O motorista sorriu pelo espelho retrovisor.

Um sorriso frio.

Meu coração disparou.

— Que perfume é esse? — perguntei, tentando manter a voz firme.

— Um que você não vai esquecer, Renesmee — ele respondeu com uma calma assustadora. — Infelizmente, seu destino será modificado.

E então eu reconheci.

Logan Young.

Tentei abrir a porta desesperadamente, mas nada. Estava travada. Apertei o botão do vidro. Nada. Procurei algo na bolsa, qualquer coisa, mas antes que eu pudesse gritar, senti que começava a ficar sonolenta.

— Não... — sussurrei, sufocada, tentando usar o celular mas o mundo girou subitamente.

A luz fa manhã se apagou diante dos meus olhos, as vozes ao longe ficaram abafadas. Tentei lutar contra o torpor que invadia meu corpo, mas era inútil.

A última coisa que ouvi antes de apagar foi a risada baixa de Logan.

E então, o silêncio.


Narrado por Jacob


A manhã tinha começado tranquila — ou pelo menos, dentro do possível quando se administra uma empresa com o nome da própria família. Estava em minha sala na Black Enterprises com meu pai, discutindo os detalhes da campanha de lançamento da nova linha de veículos elétricos, quando o celular tocou.

Atendi sem pensar, ainda anotando um número.

— Alô?

— Senhor Black? Aqui é da coordenação pedagógica da escola da Sophie. Estamos ligando para saber o motivo da ausência dela na prova de hoje. Está tudo bem?

Franzi o cenho, largando a caneta.

— Como assim ausência? Eu a deixei na escola hoje cedo. Vi com os meus próprios olhos ela atravessar o portão!

Um silêncio breve do outro lado. Depois:

— Infelizmente, senhor, ela não foi vista pelos professores nem pelos colegas. E a chamada foi feita logo após o horário de entrada.

Meu estômago afundou.

Levantei de repente da cadeira, fazendo meu pai me encarar em alerta.

— Isso... não faz sentido. Eu deixei ela lá! — falei, mais para mim do que para a atendente.

Desliguei antes mesmo de qualquer resposta e comecei a andar de um lado para o outro, o coração acelerado. Billy se levantou devagar, a preocupação nítida nos olhos.

— Jake? O que houve?

— A Sophie... ela sumiu. A escola disse que ela não entrou. Mas eu vi! Ela passou pelo portão... como isso é possível? — minha voz saiu rouca, tomada pelo pânico que começava a me engolir.

— Calma, filho. Deve ter alguma explicação. Às vezes a criança escapa pra lanchonete, ou vai até a biblioteca sem avisar... — tentou amenizar.

— Não, pai! Isso não é normal. Sophie é responsável. Ela tinha uma prova hoje. Ela não faltaria. — peguei o celular e disquei para Renesmee, enquanto já caminhava em direção à porta.

Chamada sem resposta.

Tentei de novo. Nada.

— Droga, Nessie. Atende! — murmurei entre os dentes, saindo apressado do prédio, Billy atrás de mim.

O celular vibrou. Era Bella.

— Jacob, o que está acontecendo? — ela falou, aflita. — A Nessie não apareceu na floricultura e não atende as minhas ligações.

Parei no meio da calçada. O sangue pareceu gelar nas veias.

— Como assim ela não apareceu? Quando sai de casa ela estava pronta, confirmou pouco antes de eu sair com a Sophie que ela ia direto pra loja!

Do outro lado da linha, o silêncio de Bella foi cortado por uma única frase:

— Tem algo muito errado acontecendo, Jacob.


O celular vibrou no painel do carro. Olhei para o visor e vi o nome que me fez quase parar o coração.

Sophie.

Atendi imediatamente.

— Alô? Sophie? Onde você está? — minha voz saiu tensa, ansiosa.

— Pai... eu tô bem — a voz dela saiu baixa, um pouco confusa. — Tô com a mamãe Claire.

Senti um calor subir até o rosto.

— O quê? Onde exatamente você está, filha?

— Na casa da vovó Sarah...

Nem esperei ela terminar. Virei o volante com força, fazendo o carro derrapar um pouco na curva e acelerei em direção à mansão da minha mãe.

O sangue martelava nos meus ouvidos. Claire. Ela tinha sido solta. E havia levado minha filha — sem minha permissão. Sem avisar ninguém. Era inacreditável.

Quando cheguei, mal estacionei o carro. Saí praticamente correndo, o portão ainda abrindo quando atravessei o jardim a passos largos.

Empurrei a porta da frente com força.

— Sophie?! — gritei.

— Jacob! — ouvi minha mãe dizer, surpresa, mas minha visão já estava fixada em Claire, de pé na sala, com Sophie segurando a mão dela.

Sophie correu até mim. A abracei com força, cheirando seus cabelos.

— Graças a Deus, meu amor... — murmurei. — Você tá bem?

Ela assentiu.

Quando me levantei, avancei dois passos em direção a Claire, tomado pela raiva.

— O que você fez?! Como teve coragem de se aproximar da minha filha?! — gritei, os punhos cerrados. — Você perdeu qualquer direito sobre ela, Claire. Isso é sequestro!

Claire ergueu as mãos, a respiração acelerada.

— Eu fiz isso para protegê-la, Jacob! — disse, com firmeza.

— Proteger?! De quem?! — minha voz saiu como um trovão.

— Do meu pai! Do Logan! Ele está fora de si, enlouquecido... — os olhos dela se encheram de lágrimas. — Ele me procurou. Disse que queria as ações de volta. Que ela era dele por direito... Eu desconfiei, Jacob. Eu temi pela segurança dela. Eu fiz o que qualquer mãe faria.

Fiquei paralisado por um segundo. O nome de Logan foi como um soco.

— Onde esta Nessie? Claire? — perguntei, firme, contendo o impulso de explodir. — Me diga a verdade.

— Eu não sei. Eu cometi muitos erros mas não sou uma criminosa, fiz escolhas erradas mas não quero seguir esse caminho— seus olhos encontraram os meus e percebi que ela dizia a verdade.

— Logan levou a Nessie. — falei com a voz pesada.

Claire empalideceu.

Sophie nos observava, assustada. Me virei e a puxei para perto.

— Vai lá pra cozinha com a vovó, meu amor. Já vou ficar com você, tá?

Ela assentiu, e minha mãe, em silêncio, levou a neta pela mão.

Fiquei frente a frente com Claire. A raiva ainda pulsava, mas agora havia algo mais: medo.

— Se Logan tiver feito algo com a Nessie... — falei, a voz falhando. — Eu vou encontrá-lo. Nem que eu tenha que virar Nova Iorque de cabeça pra baixo.

Claire assentiu, trêmula.

— Eu ajudo no que for preciso.