Um homem fugia na madrugada atravessando as ruas desertas, iluminadas somente pela lua verde e as fracas tochas em seu caminho. Algumas estrelas ainda brilhavam fracas, pois uma insistente escuridão tentava se arrastar pela noite, de modo que o próprio ar parecia negro de se respirar. Ele tentava escapar de criaturas que não conseguia distinguir, pois estavam escondidas por de trás de uma neblina carregada com sons de feras abissais, choros e gemidos. Ele não entendia por que fugia e esta não era a melhor hora para descobrir, já que o bafo quente e a respiração das feras que se escondiam nas trevas estavam cada vez mais próximos.

Ele gritava por socorro, mas ninguém lhe dava ouvidos, tão somente escutava o barulho das portas e janelas sendo trancadas com estrondo e covardia. Enfim, desistiu de pedir ajuda. Afinal parecia estar em uma cidade fantasma.

Que cidade era aquela?

Por que a lua estava verde?

Por que aquilo o perseguia?

Eram perguntas que precisavam ser respondidas mais tarde, pois as criaturas que se escondiam na névoa não se cansavam de sua perseguição frenética, derrubando qualquer impedimento.

Os deuses pareciam estar ao seu lado. Mesmo em frangalhos, ele desviava das garras como podia, saltava os obstáculos e derrubava o que via pela frente, em tentativas desesperadas de impedir as criaturas. Entretanto, chegou o tempo em que as providências divinas cessaram, e se viu obrigado a parar e lutar ao deparar-se com um beco sem saída. Agora estava cara a cara com as bestas que o observavam cobertas pela neblina, com uma vontade voraz de morte desinibida.