Notas iniciais
Gente, boa leitura e POR FAVOR, não me estripem ♥ Obrigada.

A gente implora a Deus para que nos ajude a esquecer um amor quando na verdade não é esquecer que precisamos: é lembrar corretamente.

– Martha Medeiros

– Tem certeza de que está tudo bem? – um dos bombeiros perguntou, dando uma olhadela maliciosa em Sakura, que trajava uma regata branca completamente molhada e transparente devido a água dos sprinklers de teto.

– Tenho sim, obrigado – disse, fechando a porta rapidamente para que ele parasse de devorá-la com o olhar.

Quando eu me virei, deparei-me com minha ex-psicóloga e atual professora de violino com as bochechas assustadoramente rosadas, os braços cruzados e os pés descalços chutando uma poça d’água formada na cozinha. Sinceramente, eu não sabia o que dizer, aliás, nem mesmo sabia exatamente o que tinha acabado de acontecer aqui.

No momento em que eu convidei Sakura, cada célula do meu corpo sabia que eu estava fazendo a coisa certa porque eu precisava saber o motivo dela ter ido embora. Quando ela chegou, tentei ser razoável, tentei não entupir ela de perguntas assim que colocasse o primeiro pé aqui e deixei com que ela se acostumar com o ambiente, que fizesse o que eu havia proposto no casamento de Ino, e fora isso que aconteceu, mas... A cada passo que ela dava, cada palavra que ela pronunciava, cada gesto e a cada olhar eu tive a suspeita de que Sakura escondia muito mais além do motivo dela ter ido embora e isso fora comprovado no momento em que eu explodi. Quase quebrei meu forno numa fechada estrondosa e finalmente questionei-a pelos motivos de sua partida, mas as respostas não foram verdadeiras e muito menos satisfatórias. Eu soube que ela escondia os sentimentos por trás de suas razões, e, quando eu ia desmascará-la, o alarme de incêndio foi acionado e isso me deixou completamente nervoso. A água provavelmente estragaria meus móveis novos, e essa foi a deixa para a coisa rosa desviar de uma conversa cujo o assunto ela tentava evitar.

O único problema é que eu ainda queria conversar, então fiz o que fiz. Empurrei-a contra a parede num ataque de nervos e, quando dei por mim, já tinha me declarado. E, Ah, eu imaginei todos os tipos de reações possíveis depois dessa explosão. Tapas na cara, chute no saco, empurrões, vermelhidão. Só não imaginei que ela me beijaria, nem imaginei o quanto um simples beijo poderia me influenciar e fazer eu sentir coisas que há quase um ano eu não sentia.

O choque de lábios contra os meus, a perda de fôlego causada por um beijo, o corpo esquentando perante as sensações e as carícias, o aperto entre as pernas. Ela me deixou excitado em pouquíssimo tempo.

Depois que Keiko morreu, fui privado desse tipo de sensações, não por falta de oportunidade, mas porque eu não quis. Perdi as contas do quanto minhas alunas na faculdade insinuaram-se para mim, quantos convites de sexo casual disfarçados em aulas particulares, quantas mulheres casadas procurando arquitetos me convidaram para sair com a desculpa de que precisavam conversar sobre o projeto... Mas eu simplesmente as recusei, não por não sentir falta do sexo – porque senti, e muito -, mas porque lembrei-me de Sakura que, consequentemente, fazia eu me lembrar de minha falecida esposa.

Eu me sinto culpado pelos momentos que acabei de passar com Sakura? Ainda não tenho certeza, mas sei que gostei e talvez eu devesse sentir culpa por ter gostado, já que, para mim, a morte delas ainda era recente. Nem mesmo completara um ano, e eu não sabia como deveria me sentir a tudo o que havia acabado de acontecer, entretanto, eu já havia me confessado. Fui até o cemitério e conversei com Keiko e Asako, e sei que elas querem o melhor pra mim. Que elas querem a minha felicidade, mas não posso negar que ainda sinto algo por Keiko, assim sinto algo por Sakura e esse algo é além de um gostar.

– Sakura – eu a chamei, fazendo a rosada parar de chutar a água e encarar-me com certa expectativa, talvez a mesma que a minha. Certamente, depois disso tudo, talvez eu devesse dar o primeiro passo, mas era difícil. Observei o brilho em seu olhar esmeraldino diminuir, como se a expectativa tivesse sido perdida, então decidi agir – eu acho que...

– Me desculpe, Sasuke – ela me interrompeu, respirando fundo e passando as mãos pelo rosto, encostando-se contra a parede como se estivesse cansada. Sua frase acabara por me deixar confuso.

– Desculpar? Te desculpar pelo que exatamente, Sakura? – perguntei, uma das sobrancelhas arqueadas, enquanto me encostava na porta da cozinha, observando-a.

– Por... Por isso! – ela exclamou e fez um gesto com as mãos, apontando para a minha cozinha totalmente molhada. Ela abriu os lábios e ficou um tempo em silêncio, provavelmente por ter receio de dizer a próxima frase – e por tê-lo beijado de novo. Eu sinto muito, eu não deveria ter feito isso com você em nenhuma das vezes. Eu não deveria ter ido embora nem te explicar meus motivos, nem ter desligado o telefone na sua cara, nem ter sido grossa com você alguns minutos atrás, quando me perguntou sobre o Sasori. Foi errado e não vai mais se repetir.

Arregalei os olhos, meu cérebro tentando processar o que me fora dito, causando em mim uma pontada de raiva, de decepção. As palavras cortaram-me por dentro, quase doeram e minha mente repetia a frase ‘Eu sinto muito por ter beijado você. Foi errado’. Parecia até mesmo uma repetição masoquista e a única reação que eu pude ter foi rir. Rir como se o que ela tivesse dito fosse uma piada, uma frase cômica e de muito mal gosto.

– Eu estou falando sério, Sasuke – ela insistiu, sua voz aumentara uma oitava e parecia raivosa, me observando enquanto eu ria ironicamente encostado à porta, provavelmente tentando entender o motivo de meu riso – por favor, me perdoe. Isso não vai tornar a acontecer.

– Você não pode ter certeza disso, hm? Como poderia? – eu disse, também aumentando o tom de minha voz, para que ela soubesse que eu estava disposto a contra argumentar perante qualquer desculpa que ela me desse e desmentir qualquer mentira que ela me dissesse – Você me disse Adeus aquela noite como se nunca mais fosse me encontrar e, veja só: está aqui novamente.

– Aquilo foi totalmente diferente e você sabe disso, Sasuke – ela disse, olhando-me com indignação.

– Não, eu não faço a menor ideia, porque você fez questão de contar pra todo mundo daquela Maldita psiquiatria, menos pra mim! – gritei, colocando ambas as mãos sobre o peito. Encarei a rosada e vi seus olhos esmeraldinos brilharem de nervoso, assim como sabia que os meus provavelmente estariam do mesmo jeito.

– Isso já foi explicado, Sasuke! Eu já te disse o porquê de eu ter ido embora, você está agindo feito louco – sua frase acabou por fazer eu ficar com mais raiva ainda, fazendo-me voltar a rir de nervoso.

– Não, rosada, você não me explicou nada, você apenas mentiu ou ocultou os fatos, não sei, mas a questão é que você está escondendo algo de mim – falei alto novamente, andando até ela e encarando-a de cima, vendo-a me encarar de volta com mesma intensidade.

A única coisa que recebi dela foi o silêncio e, como diz dona Mikoto: quem cala, consente!

Eu não queria brigar, nem discutir, elevar o tom da voz ou coisa parecia, muito pelo contrário. Só a chamei aqui para que tudo fosse explicado porque, aparentemente, o único que não estava sabendo de nada era eu e, se até mesmo Sasori – que também era paciente dela – estava sabendo, eu também tinha esse direito. Além do mais, eu fui sincero com ela desde o início, mesmo quando minha sinceridade era algo negativo como no começo do tratamento, mas mentir estava fora de questão... tá, eu menti sobre o desejo do alpinismo, mas depois eu desmenti, então, teoricamente, eu fui verdadeiro com ela.

Observei-a fechar os olhos e suspirar sofregamente, lágrimas escorreram por seu rosto e, naquele momento, senti um aperto no peito, lembrando-me das palavras de Sasori.

“Você acha que os psicólogos sabem lidar com os próprios problemas e, bem, era para ser assim na teoria. Mas a questão é que ainda assim nós temos problemas. Temos muitos. Meus problemas me fritaram e eu enlouqueci, assim como você. Porque seria diferente comigo? Porque teria que ser diferente com ela?

Ela tem problemas tanto quanto eu, tanto quanto você. Ela também precisa dar um rumo para a vida dela.

Egoísta”

Naquele momento, estiquei o braço direito e toquei-lhe o rosto numa carícia leve, quase que inexistente. Limpei as lágrimas das bochechas lisas e naturalmente coradas com o polegar, mas estas teimavam em cair e, aparentemente, com mais intensidade do que as primeiras. Sakura levantou seu braço esquerdo e acariciou minha mão. Era incrível o quanto ela parecia delicada, o quanto suas mãos macias de unhas vermelhas esquentavam as minhas, ásperas e pálidas. Mesmo num momento assim ela conseguia me encantar em seus mínimos detalhes.

Abriu os olhos levemente avermelhados pelo choro e tirou minha mão de seu rosto, sem deixar de segurá-la.

– Sakura, por favor, pare de chorar – eu pedi, aquela cena parecia triste demais, me incomodava vê-la desta maneira tão fragilizada – Me desculpe, eu não queria que as coisas ficassem assim, eu...

– Eu que te devo desculpas, Sasuke – ela me interrompeu novamente, mordendo o lábio inferior. As lágrimas voltaram a deslizar por suas bochechas – Percebi que fui muito injusta com você, quando justiça e solidariedade sempre foram leis na minha vida. Além de injusta, eu fui mentirosa, fui hipócrita e eu não deveria ter feito isso – as lágrimas agora rolavam intensamente e eu pude ouvir um soluço da rosada – Eu não me orgulho do que fiz, Sasuke, então... Por favor – a voz abaixara e ela passou as mãos pelo rosto, tentando secá-lo – me perdoe. Eu vou recompensá-lo, eu juro, eu...

– Tudo bem – desta vez, eu a interrompi, respirando fundo – Sakura, me desculpe, eu também estava sendo egoísta e não considerei seus motivos de ter ido embora. Pensei só no meu lado e não imaginei que você também pudesse estar sofrendo também, me desculpe.

– Não, você não precisa me pedir desculpas – ela sorriu, novamente limpando o rosto, suas lágrimas cessando – Você só não considerou meus sentimentos porque eu não te dei essa chance. Se eu tivesse te contado tudo, se eu tivesse confiado em você, talvez nada disso tivesse acontecido e agora nós estaríamos saboreando um apetitoso bife a parmegiana – deu uma risada fraca e apoiou-se contra a parede novamente – eu decidi que vou ser verdadeira com você a partir de agora. Que vou ser um livro aberto e quero que você faça isso comigo, também.

– Pensei que já soubesse tudo sobre mim – eu disse, lembrando-me do quanto contei para ela durante nossas consultas.

– Na verdade não, mas isso não vem ao caso agora – ela disse, pegando um pano e dirigindo-se até a sala. Eu havia esquecido completamente de que minha casa inteira estaria molhada e que eu ficaria até tarde da noite limpando tudo, então tratei de procurar outro pano para auxiliá-la, seja lá no que ela fosse fazer – Sasuke, você não vai acreditar... – sua voz pareceu alegre, então corri até a sala.

Tudo estava seco.

– Ué – estranhei, mas logo sorri – os sprinklers de teto devem ter se ativado apenas no local do suposto incêndio.

– Sim, isso é ótimo – ela sorriu e eu também fiquei feliz. O trabalho seria mínimo pra mim, então.

– Você quer que eu te empreste alguma roupa, pra você não ficar...

– Não vai ser necessário, obrigada, já estou quase seca – ela me interrompeu e eu arqueei uma das sobrancelhas. Ô mania feia de interromper!

– Tudo bem então – eu disse, dirigindo-me ao quarto para trocar de roupa.

Como já estava sem camisa, bastou que eu tirasse a calça e colocasse uma bermuda tactel vermelha. Voltei quase que correndo para a sala, ansioso pelas respostas verdadeiras que eu sei que receberia agora. Sabia que sentiria o toque da sinceridade em cada palavra proferida pela rosada, assim como eu sei que seria sincero com ela em cada sentença.

Ela forrou o pano no sofá e sentou-se sobre ele, provavelmente para não correr o risco de molhar o sofá, mesmo que já estivesse quase seca. Me sentei no sofá de frente para ela e respirei fundo, esticando os braços e me espreguiçando. Mesmo que tivesse feito pouca coisa, eu me sentia cansado.

– Por favor, pergunte – ela disse e sorriu, sentada de pernas de índio no sofá. O assunto, que antes começara com tensão e contra a vontade dela, agora partiria dela. Isso era fantástico.

– Certo – sorri de canto, aquilo parecia até mesmo um sonho. Por 6 meses eu me fiz perguntas que nunca tiveram resposta e, por um tempo, imaginei que nunca as teria. O momento de tudo fazer sentido chegou – Porquê foi embora?

– Por muitos motivos – ela começou respirando fundo – quando eu o disse que não estava me sentindo bem como psicóloga eu não estava mentindo, assim como não menti que atualmente estou dando aulas para violinistas iniciantes.

– Mas... – eu iniciei a próxima frase e ela deu um riso nasal.

– Mas foi também porque eu queria resolver os problemas pendentes que tinha – mordeu o lábio inferior e respirou fundo novamente – eu queria reencontrar meus pais, me desculpar por ter ido embora... Me resolver, porque sei que os fiz sofrer por muito tempo e não queria deixar eles sem saber os motivos de ter feito o que fiz. Suponho que você deva entender o que eu estou sentindo, já que você tinha em mente fazer o mesmo que eu.

– É, eu entendo – disse, refletindo. Então ela também queria se entender com os pais – e foi tudo bem com eles? Você conseguiu conversar?

– Eu não fui – ela suspirou, triste – não tive coragem de ir. Tive medo deles não me receberem, de não me aceitarem de volta ou de nem se lembrarem de mim. Eu mudei tanto, Sasuke, que procurei olhar pra dentro de mim mesma e não me reconheci – seu olhar baixou e ela mordeu o lábio inferior – eu tentei seguir meus antigos sonhos, mas eu não consigo mais saber o que eu quero. Então acho que se eu resolver todos os meus problemas pendentes eu vou conseguir entender a mim mesma, e aí saberei qual é o meu próximo passo pra felicidade.

– E você não poderia se locomover ou refletir o suficiente sobre a própria vida quando tem que lidar com os problemas de outras pessoas – eu conclui, respirando fundo. Estes eram fortes motivos para ir embora, afinal, não se pode abrir mão da própria felicidade em prol da felicidade dos outros. Deve-se ajudar ao próximo, sim, mas cuidar de si mesmo antes é essencial. Sakura teve amor próprio, ela não foi egoísta quando foi embora. Eu fui, ao depositar minha felicidade nela.

– Exatamente – ela concordou comigo e sorriu – mas teve mais um motivo pra eu ter ido embora.

– Qual? – um frio desagradável apossou-se de minha barriga, e eu tive que engolir a saliva, com medo da resposta que viria.

– Eu me apaixonei por você e... – no momento que ouvi o que ela disse, engasguei com a saliva e comecei a tossir sem parar – Ah meu Deus, Sasuke! – Ela se levantou correndo e veio até mim, dando tapas em minhas costas para que eu me desengasgasse.

Ela estava falando sério?

As tosses forçavam minha garganta e impediam-me de respirar regularmente, isso fez com que meus olhos lacrimejassem pela força. Depois de alguns tapas, as tosses finalmente pararam. Puxei o ar pela boca com força, enchendo meus pulmões e sentindo um alívio gigantesco.

– Nossa – olhei para Sakura que pareceu assustada com a minha reação – você está bem?

– Ah, claro... – dei uma última tossida, ainda respirando ofegantemente – melhor impossível.

– Você quer que eu pegue um pouco de água? Posso fazer um suco também, é só me dizer onde...

– Você falou sério? – eu a interrompi, sem realmente acreditar no que ela me disse – Quer dizer que você é...

– Sim – ela me interrompeu. Eu comecei a rir, ainda não estava acreditando no que estava acontecendo – agora eu quero que me fale sobre você.

– O que? – perguntei, ainda sorrindo sobre o que havia acabado de descobrir.

Então isso significa que ela estava apaixonada por mim esse tempo todo. Isso quer dizer que tudo que aconteceu entre nós teve um significado, uma razão sentimental. Como se tudo que tivesse acontecido desde o momento em que eu a conheci fosse pra esse momento acontecer.

– Me falar sobre você, uai – ela disse, fazendo-se de desentendida, ou talvez querendo mudar de assunto.

– Você sabe tudo sobre mim – eu disse, lembrando-me das nossas consultas e do quanto eu havia contado pra ela.

– Eu sei muito pouco sobre você! Eu sei que você se chama Sasuke, que odeia Star Wars, que perdeu o irmão, a esposa e a filha recentemente, que tentou se matar, que estava longe dos pais por muito tempo, que é intrometido, que seu dedo serve de chupeta e que adora tomates – Eu a vi contando cada coisa que dizia com os dedos das mãos e dei um riso nasal ao ouvir o monte de coisas que ela falava.

– E você acha que sabe pouco? – sorri de canto. Talvez ela não tivesse mudado praticamente nada nesses últimos meses, não o tanto que ela alega que mudou.

– Sei poucas coisas boas! – ela contra argumentou e, quando analisei tudo o que ela disse, percebi que era verdade – únicas coisas que sei é que o Boruto amou seu dedo e que gosta de tomates, e isso não são coisas realmente boas, são só neutras, sei lá. Você não pode ser feito só de tragédia, pode?

– É, não posso, mas eu não sou e nem quero falar disso, Sakura – fui sincero e ela me olhou com as sobrancelhas arqueadas – eu quero falar sobre o que me disse agora, poxa! Você não pode dizer que retribui meus sentimentos e simplesmente mudar de assunto depois.

Vi ela suspirar e me olhar como se já soubesse onde eu queria chegar.

– Tudo bem. Diga o que quer, ou o que acha que vai acontecer depois disso – arqueei uma das sobrancelhas perante a reação dela e fiquei confuso.

– Você gosta de mim – afirmei, e ela assentiu com a cabeça – então vamos assumir um relacionamento. Namore comigo – eu deixei a ideia solta ao invés de me ajoelhar e pedi-la, mas vi no olhar dela um desânimo que eu nunca pensei que viria. Pelo menos não depois de tudo isso que conversamos.

– Não – ela disse e suspirou, fazendo com que eu unisse as sobrancelhas.

– Porquê não? – perguntei, confuso.

– Pelo mesmo motivo que eu me demiti, Sasuke. Eu quero resolver a minha vida e não posso começar nada novo antes disso – seus motivos eram justos.

– Tudo bem – respondi e a encarei, sentando-me do lado dela no sofá – eu posso esperar.

– Além do mais... – ela continuou, e eu uni as sobrancelhas, esperando que a bomba viesse – Sasuke, combinamos que seríamos verdadeiros um com o outro, certo?

– Sim – novamente o frio na barriga veio e eu senti no olhar dela a intensidade do que viria a seguir.

– Então, olhe nos meus olhos e diga que não sente mais nada pela sua esposa – ela foi direta, rápida como a bala de um canhão. Talvez tivesse me ferido como uma, também.

Não posso enganá-la, nem enganar a mim mesmo. Ainda não faz nem um ano que ela e minha filha faleceram e, posso alegar que não sinto mais aquele sentimento intenso por ela, mas não posso dizer que não sinto mais nada. Keiko e Asako foram minha felicidade por muitos anos e não sentir mais nada por era quase impossível.

Mordi o lábio inferior e simplesmente não consegui responde-la. E como diz minha mãe: quem cala, consente.

– Sasuke, tudo bem sentir algo por sua esposa ainda. Isso é normal – ela sorriu e acariciou meu rosto, fazendo com que eu fechasse os olhos para sentir esse gesto terno – mas não podemos começar um relacionamento com tantas coisas pendentes, você não acha? – abri os olhos e encontrei em suas esmeraldas uma compreensão que fez meu coração se aquecer.

– E então, o que devo fazer? – segurei a mão dela e arrastei, beijando-a, fazendo com que ela sorrisse – devo procura-la quando eu tiver esquecido?

– Procure-me, não quando tiver esquecido, mas quando tiver superado – olhei-a confuso e ela subiu o carinho para meus cabelos, desgrenhando-os – Eu não acho que na minha companhia você vá superar, ao contrário, você pode acabar me comparando à ela, ou procurando em mim atributos dela. Isso não seria saudável para nossa relação, apenas nos faria sentir mal. Insuficientes.

– E eu não poderia superar isso tudo ao seu lado? Com a sua ajuda? – perguntei, aproximando-me ainda mais dela, vendo-a negar com a cabeça.

– Você só trocaria de dependência, e então não teria aprendido nada durante todos esses meses – sorriu e colocou a franja rosada atrás da orelha – eu quero que você dependa apenas de si mesmo, que sua existência pertença apenas a você. E, então, quando isso acontecer, eu aceitarei namorar, até mesmo casar com você se assim desejar.

– Eu compreendo – disse, aproximando nossos rostos e beijando-a com ternura, sendo retribuído.

O encontro de lábios desta vez não fora apressado, faminto ou rápido. Ao contrário, estava sendo lento, intenso e envolvente. Segurei seu rosto com a mão direita e fechei os olhos, acariciando o lábio inferior da mesma com a língua, pedindo uma passagem que foi concedida.

Sakura deslizou sua mão por meus ombros, indo até minha nuca e acariciando-a, fazendo eu me arrepiar. Sentia a língua dela massagear a minha lentamente e lhe acariciei as bochechas, sentindo naquele toque não uma despedida, mas era como se esta fosse apenas uma prova, algo que me fizesse acreditar que ela me esperaria. Algo que me fizesse aguentar todo esse tempo longe dela enquanto a mesma resolvia a própria vida, e eu resolvia a minha.

Não demorou muito para que nos separássemos. Selamos aquele beijo com um encostar demorado de lábios, um selinho. Ela se levantou, prendeu o cabelo num rabo de cavalo alto, pegou sua bolsa e deixou um pequeno cartão em minha mesa de estudos. Sakura andou até a porta e abriu-a, mas não saiu antes de virar para mim e sorrir numa despedida alegre, pois sabíamos que nos encontraríamos em breve num dia muito especial para ambos:

O dia do nosso acerto de contas com a felicidade.

Notas finais
NÃO.ME.MATEM. Tenho certeza de que, analisando e sendo compreensivos como são, vão entender o porquê deste ~tempo~ eles (que não vai ser longo, garanto). Além do mais, eu tenho um comunicado IMPORTANTE: Vocês não sabem como eu to com dor no coração ao escrever que o próximo capítulo é também o último da fanfic ;_; Cada capítulo foi planejado com antecedência e eu sei que vocês gostariam de uma pontinha a mais de SasuSaku, mas, gente, apesar do romance estar incluso na fanfic, ele não é o foco principal. Infelizmente tudo tem que ter um fim, né? Mas não vamos sofrer por antecipação ♥ Apenas apreciem este capítulo cheeeeio de emoções e interrupções. UEHAUEHAUEH Eu espero, sinceramente, que vocês tenham gostado deste capítulo e de como as coisas se desenrolaram c: Não esqueçam de comentar, dar seu feedback do que acharam e das teorias de vocês pro próximo cap ♥ Beijos e até logo.