Notas iniciais
Como prometido, cá está o cap :3 Eu espero que gostem dele e gostaria de agradecer as meninas que me alertaram sobre a falta de travessão no capítulo! Eu corrigi o erro assim que li os comentários, Obrigada ♥ Boa leitura!

Uma brisa relaxante, um pincel, tinta vermelha e uma tela para pintura.

Se eu me deitasse ali, naquela varanda, sinto que poderia dormir o resto do dia e acordar apenas quando todo o meu sofrimento tivesse ido embora. Infelizmente, isso estava fora de cogitação, já que certa psicóloga de cabelos cor de rosa me observava tão atentamente que eu tinha medo de fazer qualquer tipo de movimentação exagerada.

Suspirei e abri o pote de tinta, achando tudo aquilo tão inútil quanto uma conversa unilateral com Kabuto. Não sei que tipo de psicologia barata ela está tentando usar comigo, mas eu já sei que não vai dar certo.

Fiquei ali parado em frente à tela pensando no que eu pintaria. Logo, mergulhei o pincel na tinta vermelha e dei algumas pinceladas tentando pensar como se eu fosse um pintor como o Picasso ou algo do tipo. Eu até fechava os olhos, procurando algum sentido real no que eu estava fazendo.

Suspirei e fazia o contorno da minha pintura, borrando ao ouvir a risada da psicóloga estranha.

– Tomates? Isso é sério? – ela disse, colocando uma das mãos sobre a boca, soltando risos moderados – Para um homem de 26 anos, você parece não ter uma imaginação muito boa não.

Fechei os olhos, ficando irritado. Abri a boca para respondê-la, quando senti a aproximação da mão dela em meu braço. Ela estava falando sério sobre beliscões, por isso eu parei e virei o rosto, evitando olhar para ela.

Afinal, em que a pintura pode me ajudar? Não existe sentido algum nesses três tomates que eu acabei de pintar. Ela poderia fazer uma dedução, mas o que ela poderia deduzir de uma pintura mal feita dessas?

Suspirei, cansado disso tudo, e então andei até a sala, colocando o pote de tinta e o pincel em cima da mesa dela.

Notei que o crachá de identificação estava em cima da mesa dela, e como eu não sabia nem mesmo o seu primeiro nome, peguei o crachá e comecei a lê-lo mentalmente.

Haruno Sakura. Psicóloga chefe. Vi... Vinte e três anos?

Virei a cabeça rapidamente, dando de cara com a coisa rosa me observando e sempre sorrindo. Kakashi perdeu totalmente o juízo.

Como pode ser que uma mulher mais nova do que eu, que mal viveu, ser psicóloga chefe? Supõe-se que esse cargo deveria ser de alguém mais experiente na área, que já conseguiu ajudar o máximo de pessoas possíveis.

Aquele segurança praticamente endeusou essa mulher, mas, pra falar a verdade, até agora eu não vi nada de extraordinário nessa consulta.

Ela só fica parada me olhando e sorrindo.

– Você fica me observando com esse sorriso falso... Suas bochechas não se cansam? – eu perguntei, pouco me importando com os beliscões que viriam.

Ela desfez o sorriso e então pressionou ambas as mãos pelas bochechas, fazendo movimentos circulares por alguns segundos.

– Na verdade, sim, elas cansam. Mas eu não diria que meu sorriso é falso – fiquei observando ela andar até o sofá, pegar um dos pincéis e um pote de tinta preta e ir andando até a sacada, começando a fazer pinturas abstratas na tela que estava ao lado da minha — E você fica com essa cara de bravo o tempo todo – eu fiquei surpreso pelo que ela dizia, e pude vê-la sorrir novamente- você não fica cansado?

Não tenho certeza se isso foi uma brincadeira ou uma provocação. Mas eu não deixarei isso barato.

– Como pode dizer isso, se você não sabe nada sobre mim? Essa é a nossa primeira consulta, você deveria se apresentar e tentar me conhecer, assim como o Kabuto fez – ela parou de pintar o que quer que seja aquilo, e se virou para me olhar – mas não, você simplesmente me mandou pintar e ficar calado. Que tipo profissional é você?

Arqueei uma das sobrancelhas quando percebi ela se virar, fazer três riscos na tela, e virar-se de volta para mim.

– Antes de eu lhe responder, me responda você. Porque acha que o Kakashi passou o seu caso pra mim assim, de última hora? – eu baixei o olhar, já que me perguntava a mesma coisa – Você acha que ele te trocaria de profissional se os métodos do Kabuto funcionassem?

Eu a encarei. Aqueles olhos verdes esmeralda me olhavam curiosos, esperando qualquer tipo de resposta que seja. O problema é que nem mesmo eu sabia o que responder pra ela, já que Kakashi não me dissera nada, e os métodos do Kabuto realmente não funcionaram nem um pouco comigo.

Ela sorriu vitoriosa ao perceber que eu não tinha nada para falar.

– Kabuto me contou por celular alguns minutos antes de você chegar, que ele falava contigo, mas você ficava quieto o tempo todo.

– E daí? – perguntei, grosso.

– Você acha que sou incompetente. Acha minha psicologia barata, mas aparentemente ela funcionou com você, não é mesmo? – ela se aproximou de mim, cruzando os braços e sorrindo daquela forma extremamente irritante.

Funcionou? Ela está falando da pintura? Não é possível que ela conseguiu concluir algo sobre mim apenas por aqueles três tomates que eu pintei.

– O que quer dizer com isso? – perguntei, esperando alguma análise idiota sobre o quanto tomates representam o meu sofrimento e a minha falta de colaboração.

– Bem, você está bem falante agora – Eu gelei, e ela sorriu, virando-se e fazendo mais dois riscos ao lado dos três primeiros que já estavam na tela de pintura – isso se chama psicologia reversa. De certa forma pode ser chamada de contradição. É uma contradição proposital e planejada, onde eu tento ter um resultado positivo através de uma sugestão negativa.

Faz sentido, se pensarmos que o Kabuto pedia para eu falar e eu ficava em silêncio para deixá-lo nervoso. Lembrei-me dela dizendo “Você não vai abrir a boca hoje”, e no fim eu acabei falando.

– Mas então, de que serviu falar que eu levaria beliscões? E a pintura? – perguntei, curioso e envolto na conversa.

– Os beliscões foram um chute meu. Pensei que, se eu te fizesse uma chantagem deste tipo, você ficaria ainda mais tentado a falar e isso realmente funcionou – bufei ao ouvir o riso abafado dela — Já a pintura serviu de isca, para que você se concentrasse em fazer qualquer tipo de desenho que não representasse nada e baixasse a guarda quando eu tirasse onda da sua cara.

– E como você sabia que eu faria tanto desdém em relação ao desenho? Como sabia que eu ia me esforçar para fazer algo que não significasse nada?

– Dedução – ela me respondeu direta – já que você agia assim com Kabuto, e até mesmo com o Kakashi, deduzi que faria isso comigo também – observei ela sentar na mesa e me encarar com um semblante realmente curioso – acho que não preciso mais explicar que tipo de profissional eu sou, certo?

Mordi o lábio inferior. O segurança tinha razão sobre seu método. Não gosto de admitir, mas ela é realmente muito boa no que faz. O problema, é que eu não gosto de ser persuadido.

– Você me conduziu e persuadiu desde o momento em que eu coloquei o pé nesta sala? – perguntei, fechando a mão e apertando com força.

– Antes mesmo disso – ela sorriu, e eu a encarei, arregalando os olhos – você deve ter percebido que esse prédio é diferente do outro, não é mesmo?

– Sim, muito diferente. Os corredores em azul claro e bolinhas brancas... E também aquele desenho na porta do consultório. Por quê? – Eu andei até o sofá e me aconcheguei ali, esperando a resposta.

– Desde o momento em que passou pela porta do prédio, você foi persuadido psicologicamente pelas cores.

Cores?

– Como assim?

– Sabe Sasuke, esse prédio foi todo decorado por mim – ela disse, e eu assenti com a cabeça – você sabia que cada cor teu seu significado? Eu organizei as cores nos lugares certos, para agirem no seu psicológico antes mesmo de chegar no meu consultório.

Ela se levantou, foi até a sacada novamente e fez 5 rabiscos pretos ao lado dos que já estavam ali. Eu havia perdido a conta, mas isso não importava agora. Observei ela voltar e sentar-se na cadeira atrás da mesa.

– Azul significa tranquilidade, compreensão. É uma cor que acalma o espírito, e é disso que você precisa no começo do caminho. Tem de compreender que precisa de ajuda, mas manter a calma, porque nós estamos aqui pra isso. Pra te ajudar. Por isso desde o início do prédio eu escolhi pintar dessa cor.

Eu a encarei, impressionado na habilidade que ela tinha de pensar em cada detalhe, e não pude deixar de me lembrar do início do sonho. Como eu estava num arranha céu e tudo que via a minha frente era o azul, tudo que estava ali me passava tranquilidade, então percebi que até mesmo as cores me influenciavam.

– Mas o interessante não é apenas isso, mas sim a ilustração ali fora.

– A árvore?

– Exatamente. Lembra-se que ela tem o tronco bege, os galhos marrons, folhas verdes e frutos laranja?

Fechei os olhos por alguns segundos, tentando me lembrar com detalhes da ilustração. Logo eu assenti com a cabeça para que ela continuasse.

– O tronco é a base, aquilo que sustenta os galhos e as folhas. A cor bege significa passividade, e pode ser associada até mesmo a melancolia. E esse é o jeito em que meus pacientes chegam aqui. Passivos, melancólicos — ela suspira e olha para mim com certa tristeza — eu trabalho para que a pessoa deixe de ser tão passiva, não com as pessoas, mas consigo mesma. É difícil, demorado, mas eu não desisto de paciente nenhum meu, já que desistir é um traço de passividade.

– Entendo — eu disse, compreensivo.

– Depois de algumas semanas, até meses, de consultas, eles deixam esses defeitos de lado e tornam-se como os galhos

– Os galhos?

– Sim, eles eram marrons, lembra-se? — eu assenti com a cabeça — Marrom significa consciência, maturidade e responsabilidade. Depois de admitir o jeito errado em que se levava a vida, um grande passo é dado. Você precisa de consciência e maturidade pra admitir isso, e de responsabilidade para continuar seguindo adiante, e então começar a produzir as folhas.

– Explique, por favor – ela sorriu, percebendo que eu realmente estava interessado na conversa.

– Certo. O verde é a cor da harmonia, do equilíbrio e da esperança. Pessoas que levam a vida com melancolia, criam um desequilíbrio intenso. Depois de se tornar responsável e maduro como os galhos, o equilíbrio começa a reconstituir-se e a esperança volta. É como recuperar algo perdido a muito tempo – ela sorriu para mim novamente – e então, com isso, podemos conseguir os frutos.

– Eles são o objetivo, certo?

– Sim. Laranja é a cor do sucesso, da prosperidade. Mas é preciso de um longo caminho para conseguir o sucesso. É preciso deixar de ser passivo, admitir erros, tornar-se maduro e recuperar a esperança em si mesmo, para então plantar a própria árvore do sucesso! Poder colher os próprios frutos. Colher sua vitória.

– Nós colhemos apenas aquilo que plantamos – eu praticamente sussurrei.

– Exatamente Sasuke! – Ela praticamente gritou, animada.

Logo, ela levantou-se novamente e foi até a tela, fazendo mais 5 rabiscos.

– E esses rabiscos, o que significam? – perguntei, curioso.

– Bom, eu lhe disse que se você falasse levaria beliscões, não é mesmo? – Eu arregalei os olhos, assustado – E com essa sua última frase, você falou 16 vezes – ela disse, fazendo um último rabisco, dando no total 16 rabiscos pretos.

Droga.

Notas finais
E então, como foi? Espero que tenham gostado e, se houver algum erro novamente, avisem-me certo? Haha *-* O próximo capítulo vai ser, de certa forma, intenso! Espero que tenham gostado deste. Comentários? ♥ Beijos, até logo!