Notas iniciais
Éee, era pra eu ter postado ontem, mas eu comecei a assistir The Walking Dead e... Gente, que seriado é esse? ♥ Bem, não me demorarei aqui, só quero agradecer pelos lindos comentários do último capítulo! Obrigada ♥ Boa leitura!

"Monstros são reais e fantasmas são reais também. Vivem dentro de nós e, às vezes, vencem"

Stephen King

O ambiente totalmente branco me fez ter dificuldade em abrir os olhos. Já na primeira tentativa, eles lacrimejaram e arderam, e então eu tive de piscar algumas vezes para me acostumar com a branquidão.

Logo, o espaço em que eu me encontrava escureceu aos poucos e, como se numa pintura, a paisagem fora aparecendo. O azul começara a aparecer em cima, preenchendo-se até metade da paisagem. Logo, um azul mais escuro fora usado para pintar da metade até embaixo, formando o mar. A cor amarela representou o por do sol, e então a cor branca surgiu para materializar nuvens e simbolizar o movimento das ondas, sempre indo e voltando. Lá longe, em meio ao mar, nas cores cinza e preto os rochedos foram aparecendo um por um e, em cima deste, formou-se um gigantesco arranha-céu. Olhei para baixo e, em meus pés, o cinza dos rochedos também foram formados, seguidos do preto para indicar profundidade. Olhei para trás e vi o agir da cor verde e marrom, formando diversas árvores, um chalé de madeira e, em frente a este, quatro grandes troncos cortados formando um quadrado em volta de uma pequena fogueira.

Arregalei os olhos ao perceber que as cores e imagens aproximavam-se de mim numa rapidez gigantesca, como se eu realmente estivesse entrando num quadro, mas eu não estava assustado, muito menos com medo.

Eu sentia que já estivera nesse lugar antes.

Aos poucos, as cores e imagens que tinham um aspecto de pintura foram tornando-se cada vez mais nítidas e parecidas com o real. Aos poucos eu podia sentir a brisa do mar, podia ver o sol se pondo, podia ouvir o baque das ondas nos rochedos.

Logo, puxei aquele ar salgado com força e senti algo extremamente aquecedor. Acolhedor. Até eu perceber uma movimentação estranha nos rochedos ao longe, onde estava o arranha céu.

Cerrei os olhos para tentar enxergar o que acontecia sem ter muito sucesso, quando um arrepio me percorreu por toda a espinha, e uma voz sombria ecoou pela minha cabeça.

... Olhe... Você precisa olhar...

Tremi, colocando as mãos em minha cabeça. O que é isso?

Vamos... Eu sei que você quer olhar

Levantei meus olhos novamente, notando que havia um homem em cima do arranha céu, mas a imagem estava totalmente turva, e por isso eu não conseguia identificá-lo.

Após isso, uma dor de cabeça começou. Uma dor tão intensa, tão cortante, torturante, que me fez ajoelhar ali mesmo nas rochas e fechar os olhos com força. Eu comecei a gritar, implorar, suplicar para tudo parar, nada acontecia.

Eu estava praticamente deitado no chão, quando senti uma mão em meu ombro, e toda a dor que eu sentia cessou. Me levantei com dificuldade e um pouco tonto, olhando para trás para identificar o meu salvador.

Meus olhos encheram-se de lágrimas quando eu os vi.

Itachi. Keiko. Asako.

Todos eles me olhavam tristes, mas para mim era gratificante encontrá-los. Abri a boca para tentar falar algo, mas a voz não saía. Nada saía. Então, Itachi fez um sinal negativo com a cabeça, apontando novamente para o arranha céu. Agora, eu podia ver mais nitidamente.

O homem havia abraçado o próprio corpo, antes de correr e pular. Aquele homem era...

Eu

Quando olhei para trás para negar aquela cena para os três, Keiko colocou a mão em meu rosto, triste. Após isso, Asako me abraçou rapidamente, e voltou a segurar a mão da mãe, mas o que mais me surpreendeu foi Itachi, que já estava de costas para mim.

Ele pegou na outra mão de Asako, e então os três andaram em direção ao chalé. Quando a porta se abriu, nada estava lá dentro. Apenas luz.

Asako entrou, seguida de Keiko, mas, antes de Itachi entrar, ele olhou para trás. Seus olhos estavam cobertos de lágrimas e sua voz grave ecoou em minha mente.

Você esqueceu quem você é. Você se esqueceu de mim.

Tentei gritar não, mas minha voz continuava sem sair. Então, Itachi levantou uma das mãos e passou pelos olhos, parando as lágrimas.

Mas agora que você se lembrou, finalmente vai conseguir voltar a viver, e então ele sorriu, entrando aos poucos pela porta.

Coloquei uma das mãos da na garganta, tentando gritar um ensurdecedor Não vá! Não tendo resultados, eu corri em direção ao chalé, mas ao me aproximar, o fogo se alastrou em minha direção, e eu não pude mais fazer nada.

***

A vida sempre nos faz passar por diversos momentos inesperados.

Esta manhã, quando abri os olhos, o sonho havia me feito pensar no tipo de vida que eu estava levando antes de parar aqui. Me fez pensar nas palavras de Itachi, pouco antes de entrar naquele chalé.

Você vai voltar a viver

Eu não sei muito bem o que elas significam. Não sei bem como farei isso, mas sei que a minha vida nunca mais vai ser como antes. Sei que sem eles três, o Sasuke completo nunca mais vai existir, e sim apenas fragmentos daquele que um dia fora um Sasuke verdadeiramente feliz. O Sasuke que realmente viveu.

Levantei-me para fazer a primeira refeição do dia, pegando a bandeja e sentando no sofá. Observei os alimentos que nela estavam, notando a presença de poucos doces, já que eu não gosto, dois pães pequenos, requeijão e um pequeno pote de manteiga para passar, e até mesmo uma pequena porção de tomates cortados num potinho. Percebi também a ausência de objetos cortantes ou pontiagudos, e isso me fez sorrir ao pensar e ter praticamente certeza de que essas foram recomendações e ordens de meu “querido” médico e amigo, Kakashi.

Tomei meu café rapidamente, saboreando o pão tão pequeno, que mais parecia uma bisnaguinha. Mastiguei cada pedaço lentamente, apreciando o sabor do requeijão que há muito tempo eu não sentia.

Terminando minha refeição, coloquei a bandeja no criado mudo e voltei ao sofá, esticando minhas pernas. Não estava afim de ficar na cama até o segurança vir me buscar para a consulta.

Aliás, eu não estava afim de nada. O tédio estava me consumindo loucamente, então me levantei e abri a janela, pequena. Mal dava para iluminar o quarto.

Observei os dois tipos diferentes de grades, por dentro e por fora da janela, e então sorri. Eles tinham medo de que eu pulasse pra me matar, ou medo de que eu fugisse? Talvez os dois.

A vista do meu quarto era realmente ruim. Dava pra ver o jardim, mas apenas uma parte pequena dele. A maior parte era avenida, carros, indústrias. Bem, melhor do que nada.

Apoiei os cotovelos na janela, e a cabeça nas mãos, observando os carros passarem e passarem por vários minutos seguidos, quando três batidas na porta puxaram minha atenção.

– Entre – eu disse, e então uma figura esperada e uma inesperada apareceram juntas – Ah, são vocês – eu disse, desinteressado, voltando a posição que eu estava.

Naruto e Kakashi ficaram ali por alguns segundos. Enquanto o primeiro adentrou no quarto e acomodou-se no sofá, o último continuou no mesmo lugar.

– Eu não vim aqui para te fazer companhia hoje, Sasuke. Vim apenas para trazer o Naruto – eu ouvia atentamente, sem virar para olhá-los – Pedi para que suspendessem suas consultas por hoje, e abri essa exceção para a visita dele, já que ele pediu muito – ele fez uma pausa e suspirou, antes de terminar – espero que vocês tenham uma boa conversa.

O baque da porta batendo fora a ultima coisa que eu pude ouvir depois do que Kakashi havia dito. Me virei para encarar a espécie loira me olhando um pouco apreensivo, provavelmente sem saber o que dizer. Fiquei encostado na parede, apenas o olhando.

A última vez que eu e Naruto nos vimos, fora no dia em que discutimos feio. Eu não estava com raiva dele, já que ele me disse aquelas coisas para o meu próprio bem, mas... Nem mesmo eu sabia como iniciar uma conversa com essa tensão toda aqui no quarto.

– E então? – Naruto quebrou o silêncio – como está sendo ficar aqui?

– Tedioso – eu respondi – os dias são sempre os mesmos.

– Entendo.

Voltamos a ficar no silêncio absoluto.

Isso dói. Ver que eu consegui prejudicar até mesmo minha melhor amizade. Dói estar no mesmo cômodo com uma pessoa com quem você já conversou amplamente sobre diversas coisas, e agora relutar pra dizer qualquer coisa que seja.

Relutar em agradecer, em me desculpar.

– Sasuke, eu queria te contar uma coisa, bem... – ele coçou a cabeça, antes de sorrir para mim e dizer – Eu vou ser pai.

O olhei um pouco espantado, e não pude deixar de esboçar um sorriso. Pai.

– Hinata descobriu essa semana. Ela já está de quase três meses, e eu sinto como se fosse o homem mais feliz do mundo – ele disse, sorrindo como nunca.

– Eu sei como é – disse um pouco baixo. Quando Keiko me disse que estava grávida, eu fui o homem mais feliz do mundo – e fico feliz por você. Ter um filho é a maior alegria da vida de um casal.

– E é por isso que eu devo me desculpar com você – ele disse, me olhando dessa vez mais sério – quando eu vi Hinata acariciando a própria barriga, eu pensei na nossa discussão e me coloquei no seu lugar – ele abaixou a cabeça, começando a chorar – se eu perdesse a Hinata e o meu filho, eu acho que eu não aguentaria metade do que você aguentou.

Eu ouvia atentamente meu melhor amigo se abrir comigo daquela maneira, e então meus olhos também se encheram de lágrimas. Eu andei até ele e sentei ao seu lado no sofá e fiquei por um tempo ali, ouvindo-o chorar.

– Me desculpe Sasuke – ele soluçou e puxou o ar com força- Por chamá-lo de hipócrita e por fazê-lo lembrar do Itachi... Eu pensei que se você morresse eu sofreria muito, mas não pensei no tamanho da perda que você teve – ele segurou minha mão com força e virou a cabeça para me olhar – eu sinto muito.

Eu vi as lágrimas escorrerem daqueles grandes olhos azuis, e então chorei também com ele. Naruto é meu melhor amigo. Sua felicidade é minha felicidade, e sua dor é a minha dor.

– Me desculpe também – ele me olhou surpreso – por desistir da minha vida. Por esquecer minhas promessas e as vontades das pessoas que eu mais amo. Eu só... – eu solucei duas vezes, passando as mãos pelo rosto tentando limpar as lágrimas sem muito sucesso – Eu só achei que era fraco demais pra aguentar... E eu sou.

Naruto continuou me olhando, suas lágrimas cessando, enquanto apertava minha mão ainda mais forte.

– Eu... Eu só... – apertei a mão dele e então parei de lutar contra o choro, deixando- o sair e soluçando muito – eu sinto muito a falta delas. Tudo é difícil sem elas, Naruto, eu não sei mais o que fazer! Por favor, me ajuda – eu o olhei, suplicando por uma resposta, um apoio, qualquer ajuda que seja.

Então, eu senti um abraço. Quente, reconfortante.

– Está tudo bem – ele disse, e logo após isso eu apenas chorei – tudo vai ficar bem.

Quando ele me soltou do abraço, eu estava cansado, sem forças.

O choro me sugou toda a força que eu tinha para o resto do dia. A única vontade que eu tinha agora era a de deitar naquela cama e ficar ali até o dia clarear... Acho que se não fosse pelo Naruto, esses sentimentos ficariam trancafiados dentro de mim para sempre. Fico realmente feliz por ele ser meu amigo e, nada que eu disser agora poderia demonstrar o quão grande é minha gratidão por ele, então, eu apenas disse o que qualquer pessoa grata teria dito.

– Obrigado.

Notas finais
Espero que tenham gostado. É, uma reconciliação entre Naruto e Sasuke era super necessária antes de dar algum passo com Sakura. Aliás, o tratamento vai começar de verdade no próximo capítulo. *-* ♥ Comentários? Beijos e até breve!