Notas iniciais
Gente, perdoem-me por atrasar uma semana... :c Eu estava ocupadinha com algumas coisas e não me lembrei de postar. Enfim ;-; capítulo grandinho, pra compensar. Boa Leitura!

Eu vou cuidar de você.

Desde terça feira eu tenho pensado nessa frase de maneira extremamente exagerada. Cuidar de mim? De que forma? Tudo isso era muito curioso e de certa forma acabou por tocar-me de um jeito que nunca imaginaria.

Aquela consulta fora, sem dúvidas, reveladora. Principalmente pra mim, já que me fez ver que Sakura realmente era ótima no que fazia e que merecia seu cargo de psicóloga chefe aos seus 23 anos. Ela me fez chorar como uma criança que acabara de perder o doce, e também fez com que eu enxergasse algumas coisas de maneira diferente. Antes de eu ir embora, lembro-me dela dizendo algo como...

As escolhas de Itachi também contavam e eram, sem dúvidas, mais significativas que as suas. Já tentou imaginar o que se passava na cabeça de seu irmão no dia em que morreu? Pense nisso.

Devo admitir que pensei muito no assunto durante meu resto de terça feira, mas ontem, quando fui novamente para o consultório de Sakura, mudei o rumo da conversa. Sabia que ela iria me perguntar sobre, mas eu sinceramente não havia chegado a nenhuma conclusão ainda e então preferi entupi-la de perguntas sobre como seria o nosso dia na praia. E, bem, isso de certa forma fora bom, já que me lembrei que eu não tinha trajes de banho aqui e aproveitei para ligar para Naruto, que viria com Hinata até a psiquiatria trazer as coisas pra mim e – por convite de Sakura – todos iríamos até a praia juntos, no mesmo carro.

Suspirei e olhei para o relógio ao lado da cama. O mesmo indicava ser exatas 7h e 42min, e todos havíamos combinado de sair da psiquiatria às 8h, para chegar lá cedo e não voltar muito tarde. É. Ainda não estou realmente acreditando que iremos até a praia.

Levantando da cama com certa preguiça, fui até a janela do quarto para abri-la e verificar como estava o tempo. Assim que abri uma das frestas senti uma brisa fria, mas um raio solar veio direto em meus olhos e eu tive que fecha-los bruscamente por causa da ardência momentânea que o mesmo causou. Olhando para um canto escuro, pisquei diversas vezes para que a dor passasse e nem precisei espiar novamente pela janela para saber que o tempo estava ótimo para o passeio e, devo admitir que isso parecia suspeito, já que os últimos dias foram nublados. Mas tudo bem.

Fui até o banheiro e fiz rapidamente minha higiene matinal. Logo após isso, caminhei até o quarto e peguei uma remessa de roupas para troca – camiseta, bermuda, peça íntima -, óculos escuros e acabei por vestir uma bermuda vermelha e uma camiseta simples preta, além de calçar o par de chinelos. Eu estava indo para a praia, tênis não seria necessário. Soquei a roupa numa pequena mochila preta, fiquei com os óculos na mão – já que seria necessário em breve – e coloquei a alça sobre os ombros, preparado para ir até a entrada da psiquiatria, que seria o ponto de encontro.

Caminhando pelos corredores, a brisa fria fazia com que todos os pelos de meu corpo se arrepiassem. Cruzei os braços para impedir o frio e aquele arrepio incômodo e continuei a andar em direção a entrada, até ser interrompido.

– Sasuke! – Me virei para ver o dono da voz familiar e sorri ao fitar a face de um Komuro mais sorridente que de costume – me espere!

Apenas assenti com a cabeça e parei, aguardando o mesmo. Ele também trajava uma bermuda, esta preta, uma camiseta azul claro e um par de chinelos brancos que estavam pouco encardidos. Ri da criatura que corria totalmente desengonçada.

– Como está? – eu perguntei a ele que havia acabado de chegar do meu lado, respirando totalmente ofegante e apoiando as mãos nos joelhos levemente flexionados.

– Bem, e você? – ele perguntou, mas continuou sem me dar realmente tempo para responder – obrigado por me convidar pra ir até a praia! Como conseguiu que Kakashi autorizasse a saída de tantos funcionários assim? Nossa, estou animado! Nem me lembro de quando foi a última vez que visitei o mar.

– Eu estou bem – respondi e o mesmo sorriu para mim sem graça, sabendo que havia falado demais, mas isso não era problema pra mim. Era bom ver o quanto ele era animado e sabia que ele e Naruto iriam dar-se bem.

Logo, ambos voltamos a caminhar em ritmo lento até a entrada que não estava longe. Komuro tagarelava coisas sobre como tudo aquilo seria realmente um máximo e que estava maluco para conhecer os amigos que eu havia convidado.

– Ora Sasuke, tenho certeza de que seus amigos serão mais simpáticos que você de início – ele brincou e eu o encarei com uma das sobrancelhas arqueadas, fazendo com que o mesmo risse da própria piada.

– É, eu admito que sim, mas... – ele me encarou curioso e eu sorri de canto antes de completar – você deve estar muito mais animado pra conhecer de verdade a doutora Ino e Sakura, né?

O rubor nas bochechas bronzeadas do rapaz fez com que eu sorrisse alto, e o mesmo me empurrou levemente. Se eu não soubesse de seu espírito brincalhão eu acreditaria que ele poderia estar chateado de verdade.

– Não brinque com isso – ele riu e então ambos chegamos até a entrada da psiquiatria.

Passamos pela recepção sem dificuldades e posso jurar que realmente me surpreendi ao ver dois carros ali no estacionamento. O ecosport de Sakura e o Mustang conversível prateado de Kakashi. Assim que chegamos, os motoristas de ambos os carros apertaram as buzinas diversas vezes e isso fez com que eu e Komuro corrêssemos até os carros – ele em direção a Kakashi e eu em direção à Sakura.

Acenamos brevemente um para o outro e então eu entrei no carro, ocupando o espaço do passageiro.

– HEY, SASUKE! – Naruto gritou e eu tive que levar ambas as mãos até os ouvidos irritados pela voz enérgica e alta dele. Pude ouvir risadas de Sakura e Hinata, esta no banco de trás junto com meu amigo loiro.

– Não precisa gritar! – eu respondi, e logo ele sorriu – Bom dia Hinata e Sakura!

Olhei para a rosada e esta trajava um shorts jeans vermelho e uma regata preta, mas eu poderia enxergar amarrado em seu pescoço a cor roxa de seu biquíni. Antes delas me responderem, a atenção de todos do carro foram puxados pelo ronco do motor do carro de Kakashi saindo da psiquiatria. Nossa última visão fora os cabelos esvoaçantes de Ino e um aceno provocativo de Kakashi.

Pff, ele nunca muda.

– Bom dia – a coisa rosa parecia tão animada quanto Naruto, talvez por conhecer meus amigos e aceitar a provocação de meu amigo grisalho, e isso fez com que eu bufasse – Adorei os dois, como nunca me apresentou eles antes?! – ela disse, ligando o carro e dirigindo, indo logo atrás deles.

– Sinto muito por ficar preso numa psiquiatria sem ter contato com nada e ninguém fora dela – eu reclamei e isso a fez rir novamente. Parecia que me sacanear era um de seus passatempos preferidos.

– Sasuke, como você está? – Fora a vez de Hinata falar comigo. Sua voz meiga fizera com que um sorriso abrisse em meus lábios e logo eu me virei para poder olhá-la melhor.

Esta trajava um vestido branco pouco largo e pela transparência do mesmo eu poderia ver seu biquíni vermelho, mas não fora isso que acabara por chamar minha atenção, e sim a barriga volumosa da gravidez. Hinata sempre fora uma mulher muito bonita, admito, mas a gestação estava deixando-a radiante.

– Você parece bem melhor que eu – brinquei e ela sorriu para mim, já sabendo que eu me referia á gravidez. Parei um pouco para colocar o cinto de segurança e logo me voltei para eles no banco de trás novamente – de quantos meses está?

Ela olhou para Naruto e aconchegou-se em seu ombro, posando a mão sobre a barriga e então ambos olharam felizes para mim. Essa era uma felicidade que eu com certeza conhecia.

– Já está de quase 6 meses – Naruto respondeu por ela, que fechou os olhos e continuou ali com a cabeça apoiada no ombro do mesmo – esses foram os meses mais turbulentos e divertidos que eu tive.

– Por causa dos desejos da gravidez? – Sakura perguntou e eu lhe direcionei uma olhadela, constatando que seu olhar estava totalmente fixo na estrada.

Hinata e Naruto riram juntos nessa hora e isso fez com que eu arqueasse uma das sobrancelhas, confuso pelo motivo delas.

– Porque estão rindo? – Sakura perguntou novamente, já rindo e contagiada pela risada de ambos.

– Bem, Hinata sempre foi uma mulher muito, muito, muito meiga – Naruto disse, antes de começar a rir de novo e colocar uma das mãos sobre a barriga e seus olhos lacrimejarem de tanto rir.

Eu e Sakura nos demos uma rápida olhada de segundos, até ela voltar a dirigir e fazer um sinal negativo com a cabeça. Esperamos Naruto se acalmar para contar enquanto Hinata apenas sorria para ele enquanto o mesmo passava as mãos pelo rosto limpando as lágrimas. Assim que ele terminou de rir, soltou um suspiro e passou as mãos pelas bochechas.

– Já pode falar? – Perguntei pra ele, que suspirou novamente e acenou positivamente com a cabeça.

– Certo – dando o terceiro suspiro, ele massageou mais um pouco as bochechas – Você conhece a Hinata, sabe que ela sempre foi e sempre será a mulher mais meiga e calma do mundo, mas... – ele não aguentou e começou a rir de novo e eu acabei ficando irritado.

– Mas que droga Naruto, conte logo de uma vez! – eu disse irritado, Sakura e Hinata riram da situação.

Fiquei encarando o loiro com as sobrancelhas unidas. Ele continuava rindo sem parar, e a cada suspiro eu ficava ainda mais irritado pela minha curiosidade latente querer saber o motivo de tudo aquilo. Talvez rendesse risadas à mim também. Bufei e me virei para frente, cruzando os braços e colando a testa no vidro gelado da janela do carro olhando para a paisagem em volta.

– Hinata, poderia nos contar? Eu e Sasuke estamos muito curiosos – Sakura pediu, e logo Naruto se acalmou, mas sua esposa o deu um leve tapa no braço e riu um pouco antes de começar.

– Acho que não preciso repetir que sou meiga – ela disse e isso fez com que eu e Sakura ríssemos. Dei uma olhadela para trás e tive uma das melhores visões da vida quando percebi um Naruto emburrado e vermelho no canto do carro – Mas vocês devem saber, principalmente você Sasuke, que quando uma mulher fica grávida seus hormônios ficam estranhamente loucos.

Isso era realmente verdade. Não posso dizer que Keiko era uma mulher calma como Hinata, ela na verdade era uma mulher culta, inteligente e, acima de tudo, forte. Era difícil eu vê-la triste ou chorar e, quando ela estava grávida ela fazia isso por todos os cantos da casa. Os hormônios transformaram-na numa mulher exageradamente sensível que chorava muito por qualquer coisa. Sorri sozinho ao lembrar-me das situações que passei, já que eu nunca fui um homem muito atento ao que dizer – já que nunca tinha precisado. Keiko sempre entendeu e aceitou meu jeito -. Qualquer palavra que eu falasse, já era motivo pra chorar. Foi difícil, mas mesmo assim agradável. Lembro-me de um dia em que ela me acordou às 4h da manhã para cozinhar-lhe panquecas e eu fui obrigado a usar avental.

Ela tirou uma foto disso e eu fiquei muito bravo. Mas Hinata tirou-me de meus pensamentos.

– Naruto e eu conversávamos sobre os nomes do nosso filho – ela disse e acariciou o ventre, sorrindo para nós – ainda não sabíamos que era um garoto e por isso considerávamos nomes de ambos os sexos – ela explicou e logo eu e Sakura assentimos – mas os hormônios estavam me deixando extremamente agressiva e eu sempre me sentia muito nervosa sobre qualquer coisa que eu não concordasse.

Assim que ela disse isso, meu amigo loiro voltou a rir e eu revirei os olhos, tentando me concentrar apenas na voz de Hinata contando a história.

– Eu e ele sugerimos nomes lindos, caso fosse uma garota. Eu havia escolhido Himawari e ele Ayame. Até aí tudo bem – ela disse e o abraçou, aconchegando-se novamente e posando a cabeça no ombro dele – Mas quando conversamos sobre nomes de menino, eu sugeri Kentaro e estava totalmente feliz com esse nome – ela disse e eu concordei. Kentaro é um nome que representa força, integridade. Se eu tivesse um filho seu nome de certo seria esse, ou algo com o significado parecido – até que ele me disse que não aceitaria outro nome para o filho se não Boruto.

– E você ficou muito, muito brava com isso – Sakura supôs, e mesmo que eu tivesse uma boa imaginação, não conseguiria imaginar Hinata uma mulher raivosa.

– Claro! – ela disse e Naruto voltou a sorrir alto – Eu o olhei incrédula e praticamente o matei por isso. Disse que ele estava me afrontando, que não deveria falar assim comigo e que era eu quem não aceitaria outro nome se não Kentaro – ela olhou para Naruto e depositou na bochecha dele um beijo antes de completar – Meu marido é um homem muito teimoso, mas eu estava com raiva. Disse a ele coisas como “E a originalidade?!”, “Naruto e Boruto? Vocês por acaso vão ser cantores de sertanejo universitário?”.

Sakura riu muito com a última frase, e eu acabei sorrindo também. Boruto? O que Naruto estava pensando quando escolheu esse nome? Agora eu tinha certeza de que meu amigo loiro tinha alguns problemas mentais. E se a criança sofresse bullying?

– Assim que eu disse essa última frase, eu ataquei uma almofada direto na cara dele e a discussão morreu ali – agora eu tive que rir enquanto imaginava a cena. Naruto apanhava pra esposa grávida!!!! Isso é hilário – a raiva passou e eu comecei a rir muito de tudo aquilo e ele riu comigo. Fora uma discussão ridícula, sem dúvida, e eu acabei por aceitar o nome que ele escolheu – ela sorriu para nós até terminar a história – nosso Boruto chega em um pouco mais de três meses e eu estou super ansiosa com tudo isso.

– Tem razão em estar, Hina – Sakura já a chamou por um apelido e eu a olhei – crianças só trazem alegria na nossa vida, mas... – a frase dela morreu no ar quando pudemos ver o carro de Kakashi logo a nossa frente – Abram os vidros e vamos retribuir o que ele fez conosco! – ela disse animada e logo abaixei o vidro do carro, sendo seguido por Hinata e Naruto.

Coloquei os óculos de sol pra dar mais ênfase na nossa curtição e logo Sakura acelerou um pouco para ficarmos lado a lado com Kakashi. Ela deu uma buzinada longa e então Ino, que estava ao lado de Kakashi, junto a Komuro gritaram muitos Uhuls para nós, enquanto todos nós acenávamos pra eles e Naruto até mesmo mandou beijinhos. Pude ver Kakashi rir e acenar negativamente com a cabeça até que nós os ultrapassamos.

Todos riram muito daquilo e acabamos por ficar cansados de falar. Apenas deixamos os vidros abertos para sentir o vento refrescante enquanto íamos em direção à praia. Já poderíamos ver a serra e então Sakura estendeu para todos nós um chiclete e aceitamos sem perguntar o motivo.

Parecia que todo o percurso que eu e a coisa rosa fizemos para escalar estava sendo feito novamente. Nós subimos a serra com rapidez e descemos da mesma forma, e eu já poderia sentir o vento salgado do mar adentrar por minhas narinas. É quinta feira, as pessoas normalmente trabalham nesse horário então a estrada para a praia estava totalmente vazia. Os únicos carros ali eram o de Sakura e Kakashi, e eu podia sentir que a praia seria praticamente nossa.

Como tudo estava vazio, ambos aceleraram para chegar mais rápido. Já eram 9h e 10min e o tempo passara realmente muito rápido para todos nós. Suspirei fundo e encostei a cabeça novamente na janela do carro e aquilo fora estranhamente relaxante.

Meus olhos fecharam-se aos poucos e, mesmo sabendo que faltava pouco para chegarmos ao destino eu simplesmente não resisti e acabei adormecendo ali.

~

Acordei sentindo algo gelado e estranho passando pelo meu rosto, além de alguns sussurros. Poderia sentir o carro parado e a brisa do mar acabara por me deixar ainda mais preguiçoso para abrir os olhos. Foi quando ouvi uma coisa de Kakashi que me fez pular.

Naruto, pare com isso! Quando ele acordar vai te matar!

Abri os olhos bruscamente e Naruto deu um pulo para trás. Olhei para ele que segurava um batom vermelho na mão e então já sabia o que ele havia feito. Fitei o retrovisor do carro e vi escrito em minha testa à palavra Idiotae, dali, soube que poderia matá-lo com forte justificativa. Continuei olhando tudo a minha volta. O carro aberto e eu ainda sentado no banco do passageiro, enquanto Kakashi e Komuro conversavam animadamente e terminavam de arrumar o segundo guarda sol que eles haviam trazido, onde algumas cadeiras estavam abaixo dos mesmos. Ino segurava uma bola de vôlei e esta já exibia seu corpo – muito bonito, por sinal – trajando apenas seu biquíni azul claro. Hinata e Sakura ainda estavam vestidas, ambas em pé e rindo de minha cara rabiscada de batom.

Respirei fundo e abri o porta luvas do carro de Sakura, pegando um lenço que estava ali e limpando o rosto antes de encarar Naruto totalmente raivoso.

– S- Sasuke, não me olhe desse jeito – ele disse com medo, escondendo-se atrás de Hinata.

Eu realmente pensei em matá-lo ali, agora. Enterrar o corpo na areia e mandar Kakashi registrar o Boruto no nome dele, mas preferi tocar na ferida.

– Qual é Naruto, sabemos que a Hinata é quem veste as calças em casa, mas esconder-se atrás dela mesmo quando grávida já não é exagerado? – debochei, saindo do carro e fechando a porta. Isso fez com que Komuro e Ino rissem e ele ficou vermelho.

Respirei fundo e segurei o chinelo nas mãos, andando descalço pela areia macia e caminhando na direção dele lentamente.

Ele arqueou uma das sobrancelhas e percebeu que aquilo era na verdade um desafio e sorriu animado, saindo da guarda de Hinata. Nós jogaríamos na cara gafes recentes um do outro até alguém ficar sem ideias.

– Pelo menos não fui eu que beijei uma árvore esses dias enquanto corria – ele jogou na minha cara, e eu tirei segundos para encarar Sakura pensando que ela havia contado, mas a mesma negou com a cabeça. Encarei Kakashi com mais raiva ainda e o mesmo ria totalmente divertido com a situação.

– Diga isso quando seu parceiro Boruto da dupla sertaneja nascer! Vocês podem fazer uma canção sobre a almofadada que você levou na cara – Naruto uniu as sobrancelhas e eu podia ouvir Hinata e Sakura rirem ao fundo, além de um “Wow” de Komuro, que observava atento a tudo aquilo.

Tive vontade de rir quando ouvi Ino dizer “Gente, eles estão levando isso a sério?”.

Naruto ficou alguns segundos quieto e então olhou para Sakura que deu de ombros a tudo aquilo. Quando eu ia cantar vitória, ele me interrompeu.

– O que está dizendo Sasuke? Os únicos com cara de dupla sertaneja aqui são você e Sakura – não entendi bem o que ele quis dizer, até perceber que nós estávamos com roupas iguais. Shorts e bermuda vermelha. Regata e camiseta preta. Fuzilei Sakura com o olhar, eu não tinha percebido esse detalhe que me proporcionou a derrota – você e ela podem trabalhar numa canção sobre minha vitória épica.

Eu fui totalmente derrotado. Naruto começou a rir de mim e me abraçou dando aqueles tapinhas masculinos nas costas e eu fiz o mesmo nele. Tudo aquilo tinha um gosto muito parecido com o da adolescência e, posso dizer que o dia mal começou e eu já estou adorando ele.

– Já acabou o show? – Kakashi perguntou e eu bufei para ele – já são quase 10h e o sol já está ardente, acho que deveríamos dar um pulo na água – ele sugeriu, mas Sakura o cortou.

– Ninguém vai pra água sem passar protetor solar! – sua autoridade às vezes me assustava, mas ela não estava errada. Ela tirou da bolsa dois protetores e jogou um para Ino e segurou o outro – vão passando e esperem 10 minutos para aderir à pele, depois estão liberados.

– Certo – Komuro disse animado e sorriu para nós, indo até Ino e pedindo para que passasse em suas costas.

Desvencilhei-me daquilo tudo e andei até o guarda sol, sentando-me numa das cadeiras e observando o mar. As ondas pintavam o azul com espuma branca e, como minha previsão, a praia estava mesmo vazia. Havia poucos banhistas além de nós e todos mantinham uma boa distância. Parecia que estávamos todos sozinhos.

Fechei os olhos e respirei aquele ar salgado e totalmente revigorante para mim. Parecia que eu estava me renovando por dentro e realmente estava. Ir à praia as vezes fazia muito bem se aproveitado de maneira correta. E aquela água azul e limpa era cada vez mais convidativa para todos nós. Olhei para trás e vi Hinata passando protetor em Naruto, Kakashi agradecendo por Sakura ter feito isso nele e pude ver que Komuro e Ino já se divertiam jogando vôlei, mesmo sem a rede. Sorri e apreciei a ideia. Talvez jogar vôlei fosse realmente bom para dar uma aquecida antes de entrar na água.

Levantei da cadeira para me voluntariar pra jogar, até que Sakura posicionou-se na minha frente fazendo um sinal negativo com o dedo indicador.

– Não sem passar protetor – ela disse e eu bufei – vire-se pra que eu passe nas suas costas.

– Sakura, não precisa disso...

– Só faz o que eu to pedindo – ela mandou de novo, e eu tirei a camiseta preta que eu estava usando e coloquei-a sobre a cadeira onde eu estava sentado, virando e ficando de costas pra ela.

Ouvi o barulho do pote de protetor ser esmagado e logo eu pude sentir as mãos dela espalharem lentamente o produto por meus ombros e costas. Cada toque dos dedos dela em minhas costas causava um arrepio estranho e magicamente novo. Ela fazia massagens circulares para espalhar o produto com precisão e eu podia sentir meu corpo esquentar, provavelmente pelo sol. Aquilo não representava nada.

– Você é muito alto – ela comentou, e eu pude apenas sorrir sem graça, desejando que tudo aquilo e as sensações estranhas acabassem logo – prontinho, eu acabei. Em 10 minutos você já pode entrar na água se quiser – eu me virei e ela sorriu para mim – vou pedir para Hinata passar em mim.

– Certo! Obrigado – minha voz saiu trêmula e eu tive vontade de enterrar minha cabeça na areia, mas não dei importância a isso. Passei protetor pelo resto do meu corpo e corri até Ino e Komuro para jogar vôlei com eles.

Eles me aceitaram de bom grado e nós jogamos por um bom tempo em baixo daquele sol exageradamente forte. Em alguns minutos meu corpo já começou a soar e minha garganta ficou totalmente seca, mas eu não queria parar aquela partida. Nunca admitiria aquilo em voz alta, mas aqueles dois jogavam muito bem. Combinamos que quem não deixasse a bola cair ganharia água de coco e um pastel de repleto de camarão dos outros dois que o fizeram. Até agora, o único que havia deixado a bola cair era Komuro e então eu e Ino estávamos na disputa.

Ficamos jogando a bola um para o outro por longos minutos. Komuro já havia até mesmo sentado na areia e não conseguia mais torcer por nenhum de nós dois já que aquilo estava se prolongando demais.

– Sasuke – Ino me chamou enquanto jogava, respirando ofegante – Sakura está lhe chamando – ela usou uma voz sugestiva e eu ri enquanto devolvia a bola pra ela.

– Não vou cair nesse truque Ino – ela riu, mas logo eu ouvi a voz da rosada praticamente berrando meu nome e arregalei os olhos, virando o rosto para olhá-la e, não pude voltar minha atenção ao jogo depois disso.

Ela estava em baixo do guarda sol dobrando as roupas que havia acabado de tirar e eu não poderia negar que ela estava linda com aquele biquíni roxo. Vendo que eu estava a olhando, ela acenou para mim e me chamou novamente e eu apenas sorri de canto para isso. Quando me dei conta a bola de vôlei já estava no chão e Ino comemorava por ter ganhado água de coco e um suculento pastel de camarão.

– Vocês duas combinaram isso? – Komuro perguntou rindo da minha cara de paisagem enquanto Ino ria.

– Não, foi sorte minha ela ter chamado ele logo depois que eu falei! O corpão da Sakura me fez não ter que gastar pra comer hoje – ela continuava comemorando e eu tive que rir pela animação dela.

Acenei a cabeça negativamente e andei até a Sakura que me esperava com as mãos na cintura e sorrindo.

– Quer ir até a água? – ela disse e se aproximou de mim para sussurrar – Naruto e Hinata estão conversando sobre coisas que não entendo e Kakashi está lendo um livro que o avô do Naruto escreveu. Não quero ficar lá sozinha – ela explicou, e eu olhei para meu amigo de cabelos grisalhos e ri mentalmente da oportunidade que ele tinha acabado de perder por se interessar pelos livros que Jiraya escreve.

– Tudo bem – eu disse, e então eu e ela começamos a caminhar até a água lentamente.

Quanto mais eu me aproximava da água, mais ansioso eu ficava. Não sei exatamente o motivo, mas eu tinha uma ótima expectativa sobre o mergulho que eu iria fazer agora. Meus pés tocaram a água fria e um arrepio percorreu por todo o meu corpo e eu tive que fechar os olhos para me acostumar com a água, já que meu corpo estava quente e suado devido o sol.

Andamos mais um pouco, lado a lado, até os joelhos estarem submersos. Me abaixei e molhei os pulsos, pegando água e molhando também a nuca e rosto para evitar um choque térmico. Respirei fundo sentindo a água gelada escorrer por meu corpo e novamente fiquei arrepiado, mas Sakura puxou minha atenção fazendo exatamente o que eu havia feito, molhando os pulsos, nuca e rosto. Ela olhou para mim e sorriu e logo continuamos o trajeto até estarmos com metade do corpo submerso.

Sem olhar para trás, fitei aquela imensidão azul totalmente maravilhado. Se existe uma coisa de que eu me arrependo de nunca ter feito é mergulho. O mar e todo o mundo marinho são coisas extraordinárias demais para não se conhecer e estudar. Sou e sempre fui fascinado por ele, mas agora não estava gostando nada de sua temperatura.

Uma onda veio e acabou molhando toda minha barriga e de Sakura, que deu até mesmo um grito ao meu lado. Ri dela, que me olhou irritada e fazendo bico. Logo eu ouvi um grito de Naruto vindo de longe.

Vão logo! Estão esperando o que?

E isso fez com que Sakura risse.

– Você sabe que temos que mergulhar pra superar isso – ela disse e eu assenti com a cabeça, sentindo também um passo dela para o lado, ficando mais próxima de mim – vamos juntos?

– Vamos – eu respondi e a vi estender a mão para que eu segurasse.

Sorrindo de canto, demos as mãos e esperamos que a próxima onda viesse para mergulhar. Ela era grande, fria, medonha, mas nós enfrentaríamos aquilo. Juntos.

Puxei o ar com força e fechei os olhos, pulando junto a Sakura e mergulhando por baixo da onda.

Toda a água pressionava e massageava meu corpo e ponto de sentir-me totalmente relaxado. A água gelada refrescou todo o meu corpo e também minha mente e eu tive vontade de ficar ali pra sempre, já que não me lembrava de exatamente o motivo de eu me privar disso por tanto tempo. Eu segurava e até mesmo apertava um pouco a mão de Sakura, agradecendo por ela estar ali comigo e me ajudar a lembrar das sensações de coisas insubstituíveis na vida.

Com toda a força que eu tinha, peguei impulso com o pé na areia e fui em direção a superfície, respirando alto e puxando o ar pela boca. Quando senti a brisa tocar novamente meu corpo, era como se eu estivesse totalmente limpo de corpo e alma. Sakura me observava sorrindo, seu cabelo molhado e alguns fios grudados na bochecha e na testa me fizeram sorrir. Era interessante o modo como o sol deixava aqueles olhos verdes. Totalmente brilhantes.

– Como se sente? – ela perguntou.

– Renovado – eu respondi. Percebi que ainda estávamos de mãos dadas e soltei a dela rapidamente, envergonhado – obrigado por isso.

– De nada – ela sorriu e nós ficamos um tempo por lá, mergulhando e conversando sobre coisas triviais.

A partir daí, o resto do dia foi pura diversão. Quando voltamos para a praia já era hora do almoço e nós decidimos comer peixe, tomar sorvete e depois caminhar pela praia. Todos nós conversamos muito, brincamos muito, rimos muito e descobrimos coisas um do outro.

Komuro era de família originalmente rica e trabalhava na psiquiatria apenas para ocupar seu tempo livre. Ino gritou animada na praia que finalmente Sai – provavelmente seu namorado – havia a pedido em casamento e que todos seríamos convidados. Hinata e Naruto surpreenderam-se afinal sentiram Boruto mexer-se pela primeira vez e, podemos concluir que este seria um garoto tão agitado quanto o pai. Sakura pintou o cabelo assim que mudou de casa e suas madeixas eram originalmente castanhas. Ela alegou dizer que queria ser original e a primeira violinista de cabelos rosados e Kakashi disse que gostava do quanto tudo aquilo era exótico e todos concordaram.

Mesmo depois de ter a cara rabiscada de batom, perder pra Naruto, perder pra Ino no vôlei e ter que ouvir ela se vangloriando por horas, tudo aquilo foi realmente muito bom. Mesmo que não tão grandioso, aquele dia adicionara mais uma conquista em minha vida já que, depois de tudo nos sentamos na areia e observamos o por do sol.

Ele esquentava todo o meu corpo e eu sentia uma estranha quentura na mão. A mesma mão que havia segurado a de Sakura algumas horas atrás e aquilo me fez fechar os olhos para ouvir meu corpo. Não sabia o que estava acontecendo, mas ele aparentava querer me dizer alguma coisa.

Ou talvez não.

Notas finais
Espero que tenham gostado do dia na praia *-* Haha, então, uma das coisas em que eu estava ocupada era com minha nova fanfic... É uma comédia chamada Survival Guide, quem quiser dar uma conferida, visitem meu perfil :3 (prevenindo agora de que tem bastante palavrão q_q) Enfim, obrigada e nos vemos nos comentários ♥