O Lado Bom da Vida
1 Prólogo
Notas iniciais
Avisando já inicialmente que o drama exagerado é apenas nos primeiros capítulos tá? Nada de me matar q-q
Boa leitura! :D
Nuvens. Era tudo o que eu podia ver.
O céu azul e limpo era tão lindo que me trazia uma calma gigantesca. Olhei ao redor e vi que estava em cima de um arranha céu tão alto, mas tão alto que, dali, eu não poderia ver o chão.
Os pássaros voavam, e aos poucos as nuvens dançavam de acordo com o vento fraco que se passava. Fechei os olhos para sentir a leve brisa balançar meus cabelos e fiquei assim por alguns segundos.
Aquela calmaria era de certa forma, reconfortante, já que há alguns anos não sabia o que era realmente uma calmaria. Pensei em minha esposa e filha pequena, e não pude deixar de sorrir.
As duas eram como furacões que me envolviam em sua bagunça com tremenda alegria, que a calmaria tinha se tornado chata. Incômoda.
Abri os olhos, apenas observando a forma como as nuvens balançavam e dançavam conforme a brisa as empurrava. Os pássaros ainda voavam todos juntos, como se num sentido migratório.
Não pude deixar de rir de apenas um pássaro que voava desgovernadamente para longe de seu grupo, e de uma forma extremamente desengonçada. Ele voava com dificuldade para o sentido contrário da brisa, batendo as asas e se cansando, até não poder mais voar.
Parei de rir quando observei o pássaro ir caindo, lutando para sobreviver e não ter resultado depois de seus esforços. Ele morreu sozinho, sem seus amigos pássaros para testemunhar sua coragem e braveza.
Fechei os olhos em condolência, e quando os abri tudo tinha mudado.
Os pássaros que, antes estavam indo, voltavam, voando velozmente e berrando todos juntos. As nuvens tornaram-se negras, e a brisa leve aos poucos se tornou um vento tão forte, que eu mal pude me segurar na ponta daquele arranha céu.
Raios, trovões e um vendaval barulhento faziam com que eu me agarrasse naquele arranha céu como se tudo dependesse daquilo. Fechei os olhos e visualizei a imagem de minha esposa segurando minha filha e sorrindo, e aquilo me deu forças para me segurar.
Foi quando senti algo em minha testa. Havia começado a chover.
Olhei para cima e vi a chuva chegando rapidamente até onde eu estava, e, assim que eu passei a mão na testa para limpar aquela pequena gotícula que havia caído, olhei meus dedos e tremi.
Não era água.
Era sangue.
Meu corpo começou a tremer totalmente quando a chuva me alcançou. Aos poucos toda a cor em minha volta tornou-se vermelha, e todo o sinal de vida havia sumido. No fim, eu acabaria como aquele pássaro, sozinho, sem ninguém.
Pensei em minha esposa e filha novamente, e então as lágrimas caíram. Abracei meu próprio corpo por alguns segundos e então soltei aquele arranha céu.
Desesperançoso e sabendo como aquilo acabaria, apenas fechei olhos e então... Pulei.
~
Abri os olhos, assustado com o que eu tinha acabado de visualizar. Um sonho?
- Papai! Papai, acorde! Você prometeu que eu, você e a mamãe faríamos um piquenique hoje!
Olhei para minha filha, Asako, que estava emburrada.
- Vamos papai! A mamãe está te esperando – ela disse e então saiu correndo.
Foi quando minha esposa, Keiko, entrou, me encarando de forma preocupada.
- Sasuke querido, você está bem? Parece abatido – ela disse, parando ao lado da porta e colocando uma das mãos na cintura.
Balancei a cabeça, tentando espantar as imagens que aquele sonho tinham me proporcionado e sorri forçadamente.
- Estou bem, só tive um sonho turbulento – eu disse e então sorri, me levantando e abraçando Keiko com força – eu te amo.
- Haha, eu também te amo querido! O que te deu hoje? Tem certeza de que está bem? – ela disse, fazendo carinho em meu rosto.
Fechei os olhos para apreciar aqueles poucos segundos de carinho, quando Keiko se afastou e me repreendeu.
- Estamos prometendo isso para Asako tem quase um mês! Vamos, vá se trocar – ela disse, apontando para o guarda roupas e depois saindo do quarto.
Sorri com a atitude da minha esposa. Sempre mandona.
Tirei minhas vestes com cuidado, dobrando-as e colocando-as em cima da cômoda. Sou um homem extremamente organizado, e as pessoas até estranham isso.
Fui ao banheiro trajando apenas uma box vermelha, fazendo minha higiene matinal e apenas passando as mãos pelos cabelos, bagunçando-os. Quando voltei para o quarto, vesti uma calça jeans simples, tênis esportivo e uma camisa polo branca.
Iríamos a um parque, então não há motivo para se produzir.
Depois de pronto fui para a cozinha, onde minha filha Asako tomava suco de laranja num copinho de plástico da cinderela que Keiko havia comprado na semana passada.
Ela me viu e sorriu, e então eu me abaixei para receber dela um forte abraço e um beijo melecado sabor laranja.
- Você está toda suja – eu disse, pegando um lenço e passando em sua boca pra limpar, enquanto ela reclamava.
- Papai, não gosto quando faz isso – o som de sua boca saía abafado, por falar enquanto eu a limpava.
Apenas pude rir quando eu terminei, já que ela me olhou emburrada e fazendo bico.
- Ora Asako, não faça essa cara – Eu ri novamente, depositando naquela pequena bochecha um beijo, que logo a fez sorrir.
- Pra você – ela disse, dando um beijo demorado em minha bochecha.
- E então, vocês estão prontos ou não? – Keiko chegou, trajando um belo vestido verde.
Me levantei e segurei na mão da Asako, que estava super animada e corria para o carro me arrastando. Só podia ouvir a risada da minha esposa.
- Sasuke, você vai dirigir? – Keiko veio, segurando as chaves do carro em uma das mãos.
- Sim. Arrume a Asako na cadeirinha enquanto eu abro o portão.
Entrei no carro procurando o controle do portão, enquanto ouvia Asako reclamar sobre ter que sentar na cadeira de crianças. Nada podia ser feito quanto a isso, afinal era questão de segurança, e também de lei.
Sorri por encontrar o controle e apertei o botão que fez o portão abrir em poucos segundos. Depois disso, Keiko entrou e sentou-se, colocando o sinto de segurança.
Liguei o carro e então dei partida, começando a fazer o caminho para ir ao parque.
Eu dirigia em silêncio, enquanto escutava Asako reclamar novamente.
- Ah mamãe! Eu odeio essa cadeirinha! O meu bumbum fica doendooo – Asako falava, fazendo bico.
- Asako, já conversamos sobre isso, certo? – Keiko dizia, já ficando sem paciência – falta apenas alguns minutos para chegarmos ao parque, e logo você vai sair dessa cadeira.
- Ahhh! Mas eu estou muito dês... desc... – eu e Keiko nos olhamos, ouvindo Asako tentar pronunciar a palavra desconfortável sem muito sucesso.
Começamos a rir quando ela conseguiu dizer algo como “Desconvortabo”, e isso a fez ficar brava.
Eu voltei minha atenção a estrada, e comecei a sentir uma sensação um tanto estranha.
Os minutos passavam, e a única coisa que restava naquele carro era um silêncio ensurdecedor. Porque elas estavam tão quietas?
Felizmente, não demorou muito para Asako quebrar o silêncio.
- Olha papai! Um passarinho todo preto! – Asako disse animada, já que era provavelmente a primeira vez que vira um corvo na vida.
- Estranho... Corvos não ficam por aqui nessa época do ano – Keiko disse, tendo em seu rosto um semblante curioso – e também é estranho o fato de ele estar sozinho.
Tirei apenas uma fração de segundo para olhar pra cima e ver o corvo. Ele voava em círculos naquela região, e voava de maneira estranha. Ele estava...
- Parece que ele está caindo – disse Keiko, colocando uma das mãos na boca.
- Ajudem ele! – Asako gritou.
O sonho...
Eu tremi. Minhas mãos começaram a soar e eu fiquei estranhamente perturbado como nunca tinha ficado antes. Um arrepio me percorreu a espinha e eu fiquei paralisado. Estático.
Não podia ouvir nada que estava ao meu redor. As vozes de Keiko e Asako entravam em minha mente como se num sussurro onde eu não podia entender nada.
- Sasuke? Sasuke? – podia ouvir Keiko me chamar ao longe e lentamente.
Asako também gritava, mas eu não entendia. Olhei para o lado e pude apenas ver os vultos de minha esposa e pude nitidamente ver as lágrimas da minha filha caindo.
- Sasuke, Acorde! Agora! – Keiko gritava, contendo lágrimas nos olhos.
Quando olhei pra frente, um carro vinha totalmente desgovernado. Mas eu não tinha fôlego. Eu não tinha forças.
Fechei os olhos e senti as lágrimas percorrerem meu rosto. Eu ouvia minha esposa gritar. Ouvia minha filha chorar, e então percebi que eu estava desistindo.
Não posso desistir. Não posso deixá-las morrer.
Puxei o ar com toda a pouca força que ainda me restava e gritei o mais alto que eu pude, desviando o carro para o barranco ao lado.
Apenas pude sentir o carro girando, batendo, caindo. Eu não ouvia nada, e fechei os olhos para não ver nada.
Coisas me arranhavam, batiam. E eu tremia de medo, apavorado pensando no que tinha acontecido com a tarde de felicidade que havia programado com sua família.
E então o carro parou e eu continuei ali, sem posição. Prensado pelos amassados que a queda brusca proporcionou, sem poder me mover.
Quando abri os olhos, procurei sinal de Keiko ao meu lado, mas nada pude ver. Quando olhei para trás, ela tremia apavorada, abraçando Asako que estava desmaiada.
Chorei desesperadamente ao ver minha filha e esposa ensanguentadas. Ela me disse algo que eu não pude ouvir, e então tentei esticar o braço para tocá-la, mas não obtive sucesso.
Foi quando escutei um baque ao meu lado no carro. Virei o pescoço com dificuldade para olhar e então chorei ainda mais.
O corvo havia caído morto.
E então eu desmaiei.
Notas finais
As postagens serão feitas uma vez por semana, ok?
Obrigada e nos vemos nos reviews.
Beijos
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