O Lado Bom da Vida
10 I'm your father
Notas iniciais
Vamos realizar seu primeiro desejo semana que vem
Pense em algo que você sempre quis fazer na adolescência, mas nunca conseguiu.
Tornar-se astronauta
Desde que eu acordei eu não consigo parar de pensar em como a vida é realmente uma caixa de surpresas. Dois meses e meio atrás, eu nunca imaginaria que ia perder minha família, voltaria a beber, tentaria me matar e que ia parar internado numa psiquiatria esperando por uma mulher de cabelos cor de rosa totalmente louca que quer fazer com que eu me transforme num astronauta.
Havia acabado de tomar café em apenas um gole. Depois de tanto tempo, apenas aquele pãozinho francês já se tornara totalmente enjoativo para mim. É difícil admitir, mas às vezes sinto falta de alguma bebida alcoólica. Sinto falta do sofá de casa, de noites de diversão com a família. Sinto falta de um beijo, um carinho que recebia da Keiko, da risada divertida e contagiante da Asako.
Balancei a cabeça tentando espantar aqueles pensamentos depressivos que tomavam conta da minha mente sempre que eu estava sozinho. Sou humano e tenho o direito de sentir falta – ainda mais sendo um acidente tão recente -, mas eu não podia mais me deixar abater por isso sempre. A melhor forma de manter minha família por perto, é me lembrar apenas das coisas boas. Sim, apenas as coisas boas.
Bocejei, me espreguiçando para então começar a buscar algo no guarda roupas que fizesse com que eu parecesse um astronauta.
A pergunta que não quer calar é: como ela vai fazer isso?
Ela tem amigos astronautas? Vai montar um teatrinho? Uma simulação? Me mostrar um telescópio?
Bem, de qualquer forma, peguei uma calça jeans branca, uma blusa de manga comprida azul escura – já que fazia frio – e um par de tênis esportivo preto. Não sabia aonde ela iria me levar, mas mesmo assim não quis ficar muito chamativo.
Me arrepiei ao sentir o vento gelado adentrar em meu quarto enquanto eu trocava de roupas. Tirei rapidamente a vestimenta, trajando apenas uma boxer vermelha. Estava lá sozinho, então não havia a necessidade de ir até o banheiro para fazê-lo, por isso vesti com pressa a calça, para evitar constrangimentos caso alguém aparecesse. Feito isso, coloquei a blusa — que eu não usava há algum tempo -, meus cabelos se amassando intensamente durante o processo. Ajeitei-a e me sentei na cama, calçando as meias e logo após isso o tênis.
Ficando de pé, ajeitei a roupa e andei até o banheiro para poder me olhar no espelho dar umas sacudidas no cabelo, deixando-o rebelde como de costume. Logo como eu já estava pronto, voltei para o quarto e me dirigi à geladeira trocando a costumeira garrafa de água por uma garrafa com suco de laranja. Ficando equipado e olhando para o relógio, verificando já ser 9:10, decidi ir ao ponto de encontro – jardim de entrada – que havíamos combinado na última consulta.
Abrindo a porta do quarto, ao invés de ir pelo lado esquerdo como fiz da última vez – já que estava fazendo aquilo escondido e dessa vez tenho ordens médicas – fui pelo lado direito, passando pelo centro de enfermagem.
Quando passei por ali, os enfermeiros/as olharam-me como se eu fosse um fantasma. Provavelmente assustados já que eu nunca – ou quase nunca – saí e nem passei por eles. Sem vontade de dizer algo ou dar explicações, sibilei um “Bom dia” e apenas acenei com a cabeça para todos, que repetiram o ato.
No meio do caminho, encontrei o rapaz do transporte, Komuro, que parou para me cumprimentar.
– Bom dia Sr. Uchiha! Indo para o jardim? – ele perguntou animado e sorrindo. Um sorriso tão aberto quanto o de Naruto, eu diria.
– Na verdade sim, mas é para uma consulta – eu respondi, e então o sorriso animado de Komuro transformou-se num sorriso apreensivo.
Acho que ele se perguntava o motivo de eu estar internado.
– Ah sim, com a doutora Haruno? Bem, melhorar Sr. Uchiha, eu preciso ir buscar um paciente – ele disse e então andou com pressa em direção aos elevadores para buscar o tal paciente.
Sorri ao observar o jeito desengonçado do garoto, que me fazia me lembrar do Naruto em alguns aspectos. Mas não deixei que isso tomasse meu tempo, tornando a andar em direção ao jardim da entrada.
Não demorou muito para que eu chegasse à porta de vidro da psiquiatria, que se abriu automaticamente apenas com uma pequena aproximação minha. Saí de lá, dando de cara com pistas mais largas que a do jardim dos fundos que seguiam para uma decida – provavelmente para manobrar os carros até o estacionamento –, também haviam pistas menores, estas sendo acompanhadas por coqueiros muito bem cuidados. Havia poucos bancos, já que esta era apenas a entrada, mas pude perceber que as pistas mais estreitas levavam todas ao mesmo lugar e pressupus que se direcionavam ao jardim dos fundos. Suspirei cansado e sentei-me num dos bancos – desta vez de madeira – que estavam ali na entrada para poder esperar minha querida médica.
Fitei o céu parcialmente nublado e suspirei novamente, olhando as nuvens mexerem-se aos poucos seguindo o movimento do vento. Eu pensava que as únicas coisas realmente independentes no mundo fossem as nuvens, mas nem mesmo elas são, já que precisam do impulso do vento para mover-se para qualquer lado que seja. No fim, o sentido da existência origina-se de diversas e variadas dependências, e esse é – com certeza – um dos porres que a vida nos dá de presente sem que a gente beba sequer um gole de álcool.
Sorri com meu pensamento, passando a mão pelo rosto e cabelos. Olhei em volta procurando qualquer relógio que seja, mas não o encontrei.
Levantei e fui para dentro rapidamente, perguntando o horário para uma das recepcionistas e ela me disse já ser 9:37.
Ela estava atrasada.
Voltei para fora, já irritado por ter de esperar ainda mais, quando o barulho de buzinas tirou minha atenção. Um ecosport 2014 branco – modelo mais recente, devo acrescentar – estacionou de lado na pista larga. Logo, o vidro do motorista abaixou aos poucos, revelando a cabeleira rosa de face totalmente sorridente. Ela fez um gesto sugestivo com as mãos para que eu fosse até lá e entrasse no carro, e naquele mesmo segundo eu me irritei e dei graças a Deus por estarmos numa psiquiatria pouco movimentada, já que aquele momento e gesto me fizeram imaginar uma cena onde eu era a prostituta e Sakura o cara que iria querer o programa.
Balancei a cabeça novamente, espantando aqueles pensamentos esdrúxulos e totalmente sem nexo, caminhando até o carro e contornando-o, abrindo a porta e sentando-me ao lado dela no banco do passageiro.
– Bom dia! – ela praticamente gritou, sorrindo animada pra mim.
– Bom dia – eu disse desanimado, esperando encontrá-la vestindo algo chique, mas foi completamente o contrário.
Ela usava uma calça legging cinza escuro e uma blusa branca cujas mangas eram pretas e na mesma cor estava escrito a palavra Brooklin. Em seus pés havia um simples all star branco.
– Vamos, anime-se! Hoje você vai conhecer o espaço! – ela disse, olhando-me discretamente para saber qual seria a minha reação ao ouvir tal frase.
Me virei para a janela, colocando o cinto de seguranças e esperando ela dar a partida no carro. Não daria o gosto de demonstrar a ela que eu estava curioso, apesar de eu estar morrendo por dentro. Pude ouvir um pequeno riso da parte dela quando eu praticamente me encostei ao vidro do carro, olhando para a “maravilhosa vista”, seguidos do barulho do carro sendo ligado e o do acelerador.
Saímos da psiquiatria, contornando-a pelas ruas e logo eu conseguia me familiarizar com o local em que estávamos passando. Era essa a rua que podia ser vista da janela do meu quarto.
– Essa rua fica de frente ao seu... – ela ia dizer, mas eu a interrompi.
– Sim, eu sei. Da pra ver pela janela, apesar de pequena – eu disse, e então ela sorriu.
– Gostaria de por música, filme, alguma coisa? – ela perguntou do jeito mais educado possível, e eu apenas neguei com a cabeça, voltando-me para a janela e olhando pensativo para a vista lá fora.
Eu via as coisas passando, passando e passando para trás e acabava por me perguntar quando será que minhas memórias ruins serão passadas para trás. Quando eu finalmente poderei parar de sofrer pelo que já me aconteceu. Quando eu concretizarei o que Itachi disse que eu faria.
Viver de novo.
Suspirei, virando a cabeça para admirar a criatura rosada que dirigia ao meu lado de forma extremamente concentrada. Os minutos passavam, passavam. Eu olhava atento para as placas para procurar pistas do lugar onde ela me levaria para cumprir esse desejo falso que eu inventei na hora.
– Não é engraçado que, se olharmos demais para a estrada, parece que na verdade o carro está parado e o que se move é apenas a paisagem em volta? – Ela perguntou, com seriedade em sua voz.
Voltei minha atenção para a estrada, notando que tudo estava indo para trás e então percebi que aquilo fazia um pouco de sentido.
– Isso me faz lembrar uma matéria da faculdade chamada Ponto Referencial – eu disse e a encarei, observando que ela parecia atenta ao que eu dizia – você toma algo como referência para analisar se o objeto está em movimento ou não. Nesse caso, estamos tomando como referência o carro, e por isso a rua parece estar em movimento.
Ela sorriu de canto ouvindo a explicação.
– Você tem cara de quem fez faculdade na área de ciências exatas – ela sorriu, e eu apenas assenti com a cabeça.
– Sou graduado em Arquitetura e urbanismo e tenho pós graduação em física – eu disse, e pude ouvir um “oh” impressionado da criatura sentada ao meu lado – eu queria ter feito física desde o início, mas não daria pra me sustentar trabalhando como professor. Depois de me tornar arquiteto, física pra mim tornou-se mais um hobbie.
– Certo! Você tem a física como um hobbie – ela disse rindo, enquanto atravessava a ponte e entrava numa rua que estava realmente cheia de carros com pessoas estranhas andando pelas ruas – agora entendo melhor o motivo de você estar internado numa psiquiatria! Você tem sérios problemas mentais!
Ela disse rindo tanto, que isso acabou por me fazer sorrir alto. Demorou um pouco para que ela se acalmasse, mas isso aconteceu e nós tornamos a ficar em silêncio.
Respirei fundo, cansado com o fato de estarmos demorando a chegar onde quer que seja esse lugar que ela está me levando. Foi quando uma visão extremamente peculiar tomou minha atenção, apesar de termos passado rapidamente por aquela... Coisa.
– Sakura, você viu aquilo? – Eu perguntei, virando o rosto para encará-la e vendo naquela face extremamente branca um sorriso estranho.
– O que? – ela perguntou, e eu comecei a desconfiar de que coisas ruins estariam por vir.
– Era um homem vestido do cara daquele filme super famoso lá... – mordi o lábio e fechei os olhos tentando me lembrar.
– Ora, Sasuke. Você deveria estar imaginando coisas – ela disse, e seu tom extremamente divertido fez com a pulga que estava atrás de minha orelha se transformasse em vários piolhinhos que tomaram conta de minha cabeça e mente.
Dei-me por vencido, já que não me lembrei do nome do filme, muito menos o nome do personagem para poder enfim debater a respeito disso com ela.
Ficamos por mais alguns minutos na estrada, quando olhei no relógio e já eram quase 10:40. O tempo havia passado muito rápido e eu mal me dera conta disso.
Observava Sakura adentrar em ruas realmente estranhas e cheias de carros de cores e formatos esquisitos. Provavelmente modificados por seus próprios donos, não que isso fosse realmente algo interessante. Eles estavam bizarros.
– Chegamos – ela disse, e eu logo observava atento tudo a minha volta, procurando sinal do que poderia ser esse lugar onde ela me trouxe – você provavelmente nunca veio aqui.
– Sim, não estou reconhecendo nada por aqui – eu disse, e ela sorriu.
Adentramos no estacionamento, onde ela deu as chaves para um homem que entregou a ela dois ingressos para algo que não me foi permitido ver. Caminhamos por todo o estacionamento, onde eu via pessoas estranhamente fantasiadas de personagens estranhos e fictícios, fazendo cumprimentos estranhos. E logo os piolhos que estavam em minha cabeça transformaram-se em gaviões e que – com a sorte de Deus – me pegariam pela camisa e me fariam voar de volta para a psiquiatria quando eu pude observar ao longe uma grande, gigantesca, imensa cúpula que continha uma faixa onde estava escrita a seguinte frase:
“Encontro de fãs de Star Wars”
Ao ler isso, meus pés travaram ali mesmo onde eu estava, e eu pude observar Sakura continuar a dar alguns passos antes de perceber que eu havia parado. Ela virou apenas o rosto para me olhar, e então foi como se minha mente desse apenas um zoom naquele sorriso maroto contido em sua face. Assustado, olhei em volta e me lembrei do homem que eu havia visto na rua há alguns minutos atrás. Levei as mãos até a cabeça, como se aquilo fosse um pesadelo.
Eu odeio Star Wars.
– Eu vou embora – eu disse, dando meia volta para realmente fazê-lo, quando senti a mão dela segurar meu braço.
– Espera! Sasuke, eu posso explicar – ela disse, e aquele sorriso provocativo continuava ali. Ele estava funcionando perfeitamente.
– Certo, me explique como eu vou me tornar um astronauta dentro de uma cúpula que eu nem sei o que é, e num encontro de fãs de Star Wars? – eu perguntei, puxando meu braço e olhando para ela extremamente irritado – eu estou super curioso para entender os seus planos.
– Olha, isso é um planetário! – ela disse, apontando o dedo para aquela cúpula gigante – é como uma exposição sobre as estrelas, as luas e os planetas. Eles também exploram como é o trabalho dos astronautas, mostrando ônibus e estações espaciais, além de terem construído mini foguetes para algumas demonstrações.
– E porque resolveu me trazer exatamente nesse maldito dia? – eu disse ainda irritado, olhando um cara vestido de Luke Skywalker carregando um sabre de luz andando ao lado de um cara gorducho e cabeludo que parecia ser seu Chewbacca.
– Porque o planetário não está aberto sempre. Apenas para eventos especiais – ela disse, desfazendo seu sorriso e olhando para a cúpula um pouco apreensiva – nós não estamos aqui para o evento, Sasuke. Estamos aqui pra fazer de você um astronauta, para depois voltarmos para a psiquiatria – ela disse e olhou para mim, que uni as sobrancelhas e a encarei irado — E Guerra nas estrelas não é um filme ruim!
– Está brincando? – Eu quase gritei e isso a assustou. Posicionei-me ao lado dela e apontei para aquele Chewbacca que eu havia visto – aquilo é bizarro, doutora! Bizarro!
Isso a fez rir um pouco, até ela se virar para mim e dizer a frase que deu minha vitória e redenção ao mesmo tempo.
– Nós temos um trato, não é mesmo? Você disse que faria pelo menos um dos desejos e que se não gostasse, eu não insistiria mais no assunto – levantei um dedo para contestar, quando me dei conta de algo.
Era só eu cumprir esse maldito desejo falso, dizer que odiei e então ela vai parar de encher o meu saco com esse papo estranho. Sei que não deveria subestimá-la como fiz em nossa primeira consulta, com todo aquele papo de pintura e não poder falar e beliscões, mas eu não consigo enxergar de que forma isso se tornaria uma terapia pra mim.
Olhei novamente pra ela, que esperava qualquer resposta e então suspirei.
– Tudo bem, vamos lá – e então ela sorriu e bateu palminhas, realmente animada com toda aquela situação.
Voltamos a caminhar lado a lado, aproximando-se cada vez mais daquela cúpula. Quanto mais nos aproximávamos, mais aberração eu via. Logo na entrada, havia pelo menos uns 7 Chewbacca juntos fazendo poses estranhas para fotos. Respirei fundo, desviando meu olhar daquele show de aberrações para o lado e me deparando com um Luke Skywalker pegando uma garota que estava com cabelos em coques. Parecia até um headphone.
– Oh, Sasuke! – Sakura praticamente gritou meu nome e entregou-me seu celular, andando até um cartaz gigante com uma mulher que usava o mesmo tipo de cabelo headphone – tire uma foto minha no cartaz da princesa Leia!
Olhei para ela, que sorriu enquanto fazia uma pose com o sinal da paz para que eu tirasse a foto. Feito isso, ela correu até mim animada, tomando o celular da minha mão, aumentando o brilho da tela para ver como ficara a foto.
– Obrigada! Vamos entrar – ela disse e eu assenti.
Logo, abrimos a porta e adentramos naquela cúpula. Se não fosse a música tema de guerra nas estrelas tocando de fundo, eu poderia realmente ficar impressionado.
Por dentro, toda a cúpula era de um azul realmente escuro. Havia diversos pontos brilhosos para simbolizar as estrelas, satélites pendurados. No centro, pendurado, estava localizado a maior esfera amarela, o Sol. E em volta dele, cada planeta em uma posição diferente, ligadas por fios brancos que simbolizada sua órbita. Cada planeta movia-se lentamente, formando a rotação e a translação, e ao redor dos mesmos, estavam suas luas. Isso apenas no teto.
Quando olhei para o chão, não pude esconder meu desaponto ao ver um ringue no meio da cúpula, com outra faixa onde estava escrito:
“Em breve luta épica: Luke Skywalker VS Darth Vader”
Olhei para Sakura que ainda estava olhando para cima totalmente impressionada. Provavelmente era sua primeira vez num planetário também.
– Então... – eu disse, puxando a atenção dela pra mim – como eu vou ser um astronauta mesmo? – perguntei, curioso. Afinal, ver isso ainda não faz de mim um astronauta.
– Oh, é mesmo! Me segue – ela sorriu para mim e começou a andar meio apressada e eu a seguia.
Atravessamos a cúpula saindo pela porta do outro lado, que dava acesso à outra cúpula.
Aparentemente menor, aquela era uma exposição sobre o trabalho dos astronautas. Eu podia ver alguns planetas maiores que outros, via exposições de ônibus espaciais e estações. Roupas de astronauta, fotos de feijões que foram plantados na lua e vários tipos de outros vegetais estranhos. No meio dela, havia um tipo de aparelho estranho. Tinha forma de foguete, mas não estava completo, e era largo o suficiente para entrar umas quatro pessoas lá. Felizmente esse lugar não estava cheio como o anterior.
– É aqui – ela disse, apontando exatamente para o aparelho.
– O que é aquilo? – perguntei, realmente curioso.
– Aquilo é um simulador de voo ao espaço – ela me olhou e sorriu – dizem que até mesmo a pressão muda dentro desse aparelho, e você sente que está voando muito rápido. É a verdadeira experiência de ser um astronauta – ela falou um pouco pensativa, para depois completar – tiveram de comprar direitos autorais da Disney, já que em um dos parques existe um aparelho exatamente igual a esse. Deve valer a pena, né?
– Sim – eu apenas disse, olhando fixamente para aquele aparelho impressionado. Ela conseguiu pensar nisso tudo em apenas uma semana.
Logo, comecei a ouvir músicas de batalha da outra cúpula, e lembrei-me da real situação que eu estava vivendo agora. O essencial era ir logo nesse simulador para podermos ir embora e eu me desvencilhar de todos os Darth Vaders e Mestres Yoda. Um arrepio incômodo me percorreu a espinha ao ouvir um baque forte vindo de lá, e então eu me virei para a Sakura, falando apressadamente:
– Vamos logo então – eu disse, e ela levantou o dedo fazendo com ele um sinal negativo.
– Nada disso! Você ainda precisa se aprontar – ela disse, já começando a rir e eu fiquei por um tempo sem entender.
– Como assim? – Perguntei confuso, e ela nem conseguiu responder. Apenas apontou com o dedo para trás, e eu segui para o lugar em que ela estava apontando dando de cara com...
A roupa de astronauta.
– Não! Definitivamente não! – eu disse, cruzando os braços e fazendo sinais negativos com a cabeça – eu não vou vestir esse troço!
– Vai sim! Você me disse que quer ser astronauta – ela disse, suplicando – meu amigo que vem nessas convenções teve um trabalho danado pra conseguir uma autorização pra usar a roupa Sasukeee! Por favor!
Respirei fundo. O dia não podia ficar melhor.
– Não, eu não vou colocar essa roupa esquisita – eu disse, decisivo.
– Vai sim, vamos! – ela me puxou e praticamente me jogou dentro do banheiro. Segundos depois, ela jogou a roupa de astronauta por cima da porta – boa sorte.
Logo após dizer isso, pude ouvir risadas extremamente altas do lado de fora. Respirei fundo, querendo matá-la, enfiá-la dentro daquela roupa e jogá-la em algum rio. Nunca a encontrariam e eu poderia fugir para algum lugar. Talvez para o Chile. É.
Sem pressão de psicologia, psiquiatria, Naruto, Kakashi. Sem nada.
Era um bom plano. Até eu ouvir batidas bruscas na porta que faziam com que eu voltasse ao mundo real de maneira extremamente dolorosa.
– Sasuke, você precisa ir logo, tem gente querendo usar o banheiro – ela me avisou, e então eu suspirei vencido, colocando aquela roupa maldita por cima das roupas que eu já estava vestindo e repetindo mentalmente para mim mesmo que aquela era a primeira e última vez que eu faria algo assim.
Depois de vestida – sem o capacete é claro – abri a porta do banheiro e me deparei com Sakura sorrindo para mim.
– Viu só? Você é quase um astronauta! – ela me encorajou, e eu fiquei totalmente vermelho já que eu nunca pensei que na vida pagaria um mico tão gigantesco desses.
Sem falar nada, corri para a fila daquele simulador lá e fiquei por alguns minutos esperando, pensando em como seria ficar ali. Será que era realmente bom como ela dissera que seria?
Bem, chegou minha vez de descobrir.
A porta daquela geringonça foguete se abriu, e então eu, Sakura e mais duas pessoas entramos, cada um sentando-se numa poltrona estofada e exageradamente confortável. Apesar de grande por fora, o local era realmente estreito por dentro. Ficávamos de frente para uma tela quadrada e grande. Tinha uma para cada um, e então eu tomei um verdadeiro susto quando a tela se aproximou, ficando a mais ou menos 17 centímetros do meu rosto. Uma voz masculina pediu para que apertássemos o cinto e eu obedeci, ficando um pouco tenso.
Logo, a luz do local se apagou e a tela na frente de todos nós se acendeu, mostrando o céu. Fazia sentido, já que o foguete sempre se posicionava para cima, incluindo suas janelas.
Sentimos uma pressão na parte de baixo, fumaça podia ser vista na tela e então tudo começou a tremer. Eu podia sentir que estávamos subindo, e estranhamente pareceu que toda a pressão do local foi caindo. Tive de encostar a cabeça totalmente na poltrona para poder me acostumar com essa pressão que afetava principalmente o pescoço e cabeça. Meus olhos se arregalaram quando atravessamos a nuvem aos poucos atravessamos a atmosfera do planeta.
Lágrimas saíram de meus olhos quando a tela escureceu, e eu pude ver as estrelas e o planeta Terra.
A sensação era tão real, que por pouco eu quase esqueci de que aquilo tudo era uma simulação e que eu estava de verdade no espaço. Que tudo aquilo era real.
Era lindo.
Pude ouvir um suspiro totalmente encantado de Sakura ao meu lado, e então pudemos ouvir novas instruções da voz. Eu assistia pela tela o foguete virar-se e ir em direção à lua. Demorou poucos minutos para chegarmos lá, e eu sentia um frio na barriga toda fez que desviávamos de algum obstáculo imaginário.
Quando posamos na lua, apareceram imagens de estações espaciais e de pessoas nos aplaudindo, todos vestidos com a roupa que eu vestia agora. Sentindo um tranco final, a tela mostrou a vista do planeta Terra agora que estávamos na lua, e a visão continuava magnífica.
Do nada, a tela se apagou e voltou à sua posição inicial. A luz do local se acendeu, e então eu e Sakura saímos de lá, ambos realmente maravilhados com a experiência.
– E então, como foi? – ela olhou pra mim sorrindo, haviam lágrimas em seus olhos.
Sem a encarar, eu respondi ainda estático.
– Gratificante.
Até que então, eu ouvi novamente a música de guerra nas estrelas, e todo aquele encanto maravilhoso fora por água abaixo. Ela, percebendo meu desânimo, resolveu fazer o que era melhor.
– Vamos embora — ela disse, mas logo um sorriso sapeca apareceu em sua face para então completar — mas não antes de tirarmos uma foto com o Darth Vader.
– Sem chance — e então eu pude ouvir ela rir, e aquilo me fez sorrir também.
No fim, fora uma experiência realmente boa.
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