O Lado Bom Da Vida
29 Capitulo 28 - Rancho Four Winds I
Notas iniciais
Um dia antes da viagem, Taylor me procurou.
Estava sentada na mesa de jantar, descascando algumas batatas para a sopa de Chris, quando eu o vi entrando com um olhar preocupado.
– O que aconteceu, Taylor? — perguntei.
Ele me olhou e passou a mão em seus cabelos. Preparou uma xícara de chá e sentou na minha frente.
– Hã, Ana, eu preciso... — começou Taylor. E, abruptamente, desviou o olhar de mim e calou-se.
Que estranho, pensei comigo mesma.
Ficamos em silencio, ele segurando sua xícara e eu com as minhas batatas. Observei Taylor pelo canto do olho, o rosto simpático que de repente pareceu se fechar. Um olhar preocupado.
– Você sabe, não é? — perguntei para ele.
– Sei o quê?
– O que... ele pretende fazer. — eu parei de descascar a batata e olhe para ele — É por isso que você está assim.
O silêncio na cozinha é intenso.
Taylor me olhou atento, como se pensasse numa resposta.
– Eu sei o que você está sentindo — respirei fundo — É por isso que eu.. bom, pensei em fazer essa viagem, eu não, nós pensamos. — ele me olhou com os seus tristes — Por isso que eu me mudei pra cá, queria ficar de olho nele. E também todas essas saídas, eu estava tentando fazer com que ele mudasse de ideia. Eu espero que esteja conseguindo.
Taylor colocou a xícara na mesa.
– Você acha que ele não vai... mudar de ideia?
Foi a minha vez de ficar em silêncio.
– Bom, eu não sei — dei de ombros e respirei fundo — Ás vezes ele está feliz mas ás vezes quando ele está distraído olhando pela a janela de seu quarto, eu noto em seu olhar a tristeza. Eu consigo ver em seus olhos a dor que ele sente. Então, é por isso que eu estou confusa.
Bufei. Odeio me sentir assim.
– Christian gosta muito de você — comentou ele — Gosta mesmo. Sempre está feliz com você por perto...
– Você acha isso o suficiente? — cortei ele.
Taylor levou dois minutos para responder.
– Bom, dizem quando um homem fica apaixonado, ele pode fazer de tudo e mais um pouco.
– Eu sei, Taylor — olhei em seus olhos — Mas você acha que o meu amor é o suficiente para fazer ele mudar de ideia?
– Tem que ser o suficiente, Ana.
Ele pegou a xícara e deu um gole no chá.
– Eu amo ele, Taylor — comente — Amo demais. Mas não sei se vai ser o suficiente — bufei de nervosismo — Chris é tão complicado.
Ficamos em silêncio de novo.
Quera quebrar o silêncio, então eu perguntei:
– O que vamos fazer, Taylor?
Ele levou uns três minutos para responder.
– Sabe de uma coisa, Ana? — ele olhou em meus olhos — Gosto muito de Christian. Não me importo de dizer, gosto do cara. Pode parecer meio gay essa frase — soltei uma risada. — Mas isso é a verdade. gosto dele. Trabalho com ele há alguns anos. Vi-o nos piores e nos melhores momentos e, tudo o que posso dizer é que não gostaria de estar no lugar dele nem por todo o dinheiro do mundo.
Deu um gole no chá e continuou:
– Algumas vezes, ele acordava no meio da noite porque sonhava que andava e fazia coisas: nessas horas, quando você está com as defesas baixas e tudo fica insuportável, ele não consegue pensar em nada a não ser em seu ultimo desejo. Não consegue. Eu ficava com ele e mão havia o que dizer para melhorar a situação — ele baixou o olhar, imerso em suas lembranças — Christian recebeu as piores cartas do jogo. E sabe de uma coisa? Ontem a noite, quando você foi dormir em seu novo quarto, eu fui até no quarto de Christian e olhei-o, fiquei pensando na sua vida passada, em como ele era feliz. Pensei em tudo, pensei na sua vida de agora e no que vai ser... e, apesar de desejar toda a felicidade do mundo para ele e até para você... — ele parou de falar por uns segundo, respirou fundo e continuou — Eu não o condeno pelo o que quer fazer. É a escolha dele. Tem que ser.
– Então você concorda com ele? — perguntei, incrédula- Concorda em deixar ele.. morrer?
– Eu não concordo com ele. Eu só aceito aceito as suas escolhas.
Abaixei o olhar.
– Ana, você não viu o pior dele — me encarou com um olhar duro — Eu vi o seu pior e posso dizer, que sim, eu concordo com ele.
Minha respiração ficou presa na garganta.
– Mas...
– Ana, entenda, é a escolha dele — ele continuou — Você tem que aceitar.
Aceitar? Como eu deveria pensar em aceitar alguma coisa dessa? Como?
Eu não posso aceitar isso. Não posso.
– Mas.. isso foi antes. Todos vocês dizem que foi antes de eu vir. Ele mudou. Não mudou?
– Sim, mas...
– Se não acreditarmos que ele vai melhorar, então, como ele vai acreditar que vai melhorar?
Taylor olhou bem para mim.
– Ana. Ele não vai melhorar.
Não. Não. Não. Você não tem o direito de dizer isso para mim.
– Você não sabe. Você não tem como saber.
– Ana, eu convivo com ele mais tempo que você. É claro que eu sei, e é por isso que eu aceito o desejo dele. Você não consegue aceitar, porque está apaixonada por ele.
O quê? Como..? Não sabia nem o que pensar mais!!
Fechei a cara para ele.
– Ele vai melhorar. Eu tenho certeza.
Taylor soltou um suspiro longo.
Mas no fundo — bem lá no fundo-, eu sabia que Taylor tinha um pouco de razão. Eu não podia simplesmente mudar o pensamento de uma pessoa só porque eu queria? Ou podia?
Ai. Que. Droga.
Estou sendo egoísta por pensar nisso?
E se Taylor, tiver razão? Eu deveria aceitar as escolhas de Christian e aprender a conviver com elas? Ou simplesmente continuar com o meu plano?
– A menos que haja um grande avanço na pesquisa de células-tronco, Christian vai ficar mais dez vezes melhor. Ele vai ficar, pelo menos, mais quinze anos na cadeira de rodas. No mínimo. Ele sabe, mesmo que os pais dele não admitam. E essa é a metade do problema. A mãe dele quer que ele viva de qualquer maneira e não aceita as suas escolhas. O Sr. Grey achar que, à certa altura, temos que deixar Christian Grey resolver se vai continuar ou não.
– Claro que ele decide, Taylor. — ele levantou uma sobrancelha, como que se dissesse "Ele ou você decide?", eu continuei a frase — Mas ele precisa avaliar a situação. Se ele realmente me ama, vai querer mudar de opinião por mim. Eu sei que vai.
– Você tem certeza? — pergunta ele — Eu conheço Chris. Ele é inteligente. Sabe exatamente as chances que tem.
Minha voz saiu trêmula.
– Não, você está errado. — eu o encarei — Você diz que ele está igual a antes de eu chegar aqui e que não mudou nada.
– Isso é verdade.
– Você está mentindo. Você sabe que mudei a maneira de ele pensar.
– Não, eu sei que ele fez tudo isso para agradar sua mãe e você.
Olhei de cara feia para ele.
– Ah é, você acha isso? — gritei. Fiquei furiosa com Taylor, furiosa com todos que habitavam está maldita casa. — Se acha que nada disso adianta, por que concordou em viajar conosco? Por que quer ir? Só para ter boas férias?
– Não. Quero que ele viva.
Olhei incrédula para ele.
– Mas você acabou de dizer que...
– Mas eu quero que ele viva por que quer viver. Se ele não quiser, então, por mais que você ame ele ou eu goste dele, viramos só mais um bando de chatos que não respeitam a sua vontade.
As palavras de Taylor era fortes e vieram com tudo para cima de mim e não tive tempo de bloqueia-las. Meu coração ficou despedaçado. Sequei uma lágrimas solitária no rosto e tentei parecer forte. Eu tenho que ser forte. Por que, querendo ou não, Taylor tem razão. Eu deveria aceitar a vontade de Chris, mesmo que isso me machucasse profundamente. Tentei fazer com que mu coração voltasse a bater no ritmo normal. Taylor pareceu constrangido com o meu choro, olhou para o lado oposto de mim, coçou o pescoço e, sem dizer nada, um minuto depois me passou um papel-toalha, para secar minhas lágrimas.
– Eu tenho que impedir ele, Taylor.
Ele não disse nada.
– Tenho que impedir — repeti.
* * *
No dia seguinte, eu estava super nervosa. Queria que tudo fosse do meu jeito e Taylor meio que irritou um pouco. Acabei me lembrando da conversa de ontem... Não posso pensar nisso agora. Acordei cedo e já fui arrumando as ultimas coisas que faltavam para a viagem. Como o kit de primeiros socorros de Chris, seus remédios, seus canudinhos.
O carro do Sr. Grey nos deixou no aeroporto. Taylor arrastava nossa bagagem num carrinho enquanto eu checava novamente se Chris estava confortável — até que depois de várias perguntas, ele ficou irritado.
– Cuidem-se. E façam uma boa viagem — recomendou o Sr. Grey, colocando a mão no ombro de seu filho. — Não façam nada de que eu não faria — e literalmente piscou para mim ao dizer isso. Senti minhas bochechas esquentarem e dei um sorriso em resposta.
Chris soltou uma risada.
– Pode deixar, pai. — ele piscou pro Sr. Grey.
Olhe desconfiada para os dois.
– Vamos, amor — anunciou Sra. Grey — Eles tem uma longa viagem.
– Você está certeza, Grace — Sra. Grey disse.
Ambos olhou para nós.
– Cuida bem do Christian, Ana — disse Sr. Grey.
– Vou cuidar como se fosse a minha vida.
Taylor me olhou e soltou uma risadinha. Eu disse algo engraçado?
Ambos me deram um abraço, se despediram de Taylor e Christian. Depois eles seguiram o caminho oposto e foram embora.
– Alguém da companhia aérea deve nos encontrar. Eles devem vim nos encontrar — afirmei , à medida que nos aproximava do guichê do check-in, mexendo na minha papelada.
– Ana, relaxe. — disse Taylor — É pouco provável que coloquem alguém na porta.
Olhei pra ele.
– Mas a cadeira tem que ser despachada como "equipamento médico frágil". Conferi quatro vezes pelo telefone com a atendente. E temos de ver se eles não vão implicar com a cadeira.
O serviço online de paraplégicos forneceu pilas de informações, avisos, direitos, regras e listas. Conferi com a atendente que Chris não sairia de sua cadeira motorizada até que estivéssemos no portão de embarque. Taylor deveria ficar em solo, retirar o controle remoto e colocar a cadeira em funcionamento manual e, depois, cuidadosamente, deveria dobrar e fechar a cadeira, prendendo os pedais. Ele acompanharia pessoalmente o despacho da cadeira, para evitar que ele se perdesse para outro país ou qualquer semelhança.
Tudo isso estava na minha lista de "PASSO A PASSO NO AEROPORTO". Era a pagina qu vinha antes da lista "CRONOGRAMA QUANDO CHEGAR NO HOTEL", mas depois da lista "O QUE FAZER NO DECORRER NA SEMANA NO HOTEL". Mesmo com toda essa organização, eu me sentia preocupada. E se algo saísse do cronograma? E se algo desse errado? O que eu iria fazer?
– Ali está a moça da companhia aérea — falei, quando uma jovem de uniforme, com um sorriso grande estampado no rosto, veio rápido em nosso encontro.
– Stra. Steele ? — perguntou ela. Sua voz era calma.
– Sim, sou eu.
– Por favor, assina esse papel — ele me entregou a prancheta e eu assinei — Podemos ir agora.
Ela sorriu.
– Vamos lá, garotos — eu disse animada.
O voo em si foi tenso, apesar da comida e das longas dez horas de duração. A equipe de bordo foi atenta com a cadeira. E como o prometido, Chris foi o primeiro que embarcou, foi transferido sem se machucar e ficou entre mim e Taylor.
Taylor sorriu para mim orgulhoso. Tudo estava bem. Tudo estava indo como eu queria que fosse. Estava tudo ótimo. Olhei para fora janela, com os meus pensamentos perdidos como as nuvens que estava abaixo de nós. Não conseguia pensar em nada a não ser em Christian. Em como nos conhecemos, das nossas brigas e intrigas. De como eu cortei o seu cabelo e raspei a sua barba. De como eu estava apaixonada por ele. E fiquei pensando se ele sentisse o mesmo. Fiquei pensando em nossos beijos. Peguei em sua mão e a apertei. Ele olhou para mim e sorriu.
Kate tinha me mandando uma mensagem de texto quando eu estava no aeroporto.
"Eu estou orgulhosa de você, Ana. Vai dar tudo certo. Você consegue. Bjs."
Abri a mensagem de novo, só para me lembrar de suas palavras, sentindo-me emocionada. Talvez eu estivesse com medo de que isso era um sonho e com medo de acordar. Por fim, para bloquear os meus pensamentos, liguei minha pequena TV, passando em canal em canal, para ver se eu conseguia achar alguma coisa que eu gostaria de assistir.
Acordei com a aeromoça parada à nossa frente, oferecendo o café da manhã, e notei que Chris estava conversando com Taylor sobre uma série que eles acabaram de assistir juntos. Eu pedi uma xícara de chá com alguns biscoitos. Chris olhou para mim e sorriu.
Aeromoço anunciou que faltava menos de duas horas para chegarmos.
Soltei um suspiro aliviada. Até agora estava tudo dando certo.
Acho que eu não acreditei em tudo aquilo até chegarmos em solo no Aeroporto da Califórnia. Surgimos, meios grogues, no portão de Chegada, ainda enrijecidos pelo o tempo de voo. E eu quase chorei aliviada quando eu encontrei um táxi adapto para cadeirantes. Naquela manhã, eu reparei como céu estava limpo e de um azul brilhante. O Sol forte e irradiava um calor.
Chegamos no Rancho Four Winds na hora do almoço. E o lugar era lindo e aconchegante, com suas gramas verdes e bem cuidados, ás árvores lindas e flores espalhadas pelo o campo verde. Era magnifico. Estava encantada. Espera que Chris e Taylor, esteja sentindo a mesma mágia que eu estava sentindo. Pagamos o taxista e ele foi embora.
– Esta tudo bem, Ana — disse Chris — Não precisa ficar nervosa.
Baguncei seus cabelos. Ele estava certo. Tudo estava bem.
Reservei dois quartos, um só para mim e outro para Chris e Taylor. Deixei as minhas malas em meu quarto e fui para o quarto deles. Era grande e tinha duas camas de casal grandes. Vários quadros espalhados na parede e um banheiro grande, com direito uma banheira especial para deficientes e uma ducha para uma pessoa normal.
– Chris está cansado — anunciou Taylor, baixinho — Acho melhor colocar ele pra dormir.
– Tudo bem — eu disse — Eu também já vou dormir. Amanhã temos um longo dia.
Ele apertou meu ombro e foi colocar Chris em sua cama. Eu fui olhar pela a janela que dava para uma vista incrível para o mar. Notei que o mar era verde, areia tão clara, os coqueiros espalhados pela a praia. Minutos depois, eu ouvi a respiração leve de Chris e vi que ele dormiu. Taylor veio até mim e olhou pela a janela.
– É lindo, não é? — ele disse.
– É, muito bonito.
E ali estávamos nós. Eu tinha conseguido. Soltei um grande suspiro, enquanto Taylor espiava pela janela maravilhado pela a paisagem. Não sei se foi a viagem cansativa ou porque o lugar mais lindo em que eu já em toda a minha vida, mas meu olhos subitamente se encheram de lágrimas.
– Ei, está tudo bem, Ana — disse Taylor, vislumbrando minha expressão. E eu caí em lágrimas. Ele se aproximou de mim e me envolveu em seus braços num abraço de urso — Estamos aqui. Relaxa, Ana. Tudo vai dar certo, já está dando certo. Você fez tudo certo — ele se separou de mim e olhou em meus olhos cheios de lágrimas — Você conseguiu, Anastácia.
– É, eu conseguiu.
Abracei ele de novo e chorei mais um pouquinho em seu ombro, na frente daquela paisagem maravilhosa.
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