O Lado Bom Da Vida
28 Capitulo 27 - Dois Dias Para a Viagem.
Notas iniciais
P.O.V Anastácia Steele.
Eu demorei cerca de um dia pra criar coragem para contar a Sra. Grey quem era Johnson O'Brein.
Foram, exatamente, 3.500 resultados, sendo que os cincos primeiros mostravam "Johnson O'Brein, especialista em certidões e testamentos, advogado e procurações jurídicas". Fique encarando a tela do notebook por vários minutos. Porque Christian queria esse homem? O que ele estaria tramando? Por algum momento eu fique nervosa. Eu não sabia ao certo o que isso queria dizer e fiquei muito preocupada. Digitei o nome dele mais duas vezes e apareceu os mesmos resultados. Na quarta pesquisa, optei por procurar imagens e lá estava ele com o seu terno escuro e sua maleta do lado em algum tipo de conferencia.
Lá estava o mesmo homem que ficou mais de uma hora no escritório com Christian.
E eu não estava gostando de nada disso.
Depois da pesquisa, eu precisava ir embora. De algum jeito. Eu precisava pensar melhor sobre isso e pesquisar mais a fundo sobre esse assunto. Então, depois que eu fingi que estava vomitando na pia do banheiro e Taylor gritando do outro lado da porta, perguntando se eu estava bem ou se tinha acontecido algum coisa. Acabe dizendo que eu estava super mal, eu disse que era intoxicação alimentar e que precisava ir embora. Taylor concordou na hora e insistiu que me levaria para casa. Pedi desculpa para Chris (devo confessar que a sua cara de preocupação, me fez quase desistir e ir lá perguntar o que ele estava tramando) e ele disse que eu vou ficar bem. Eu tive que fingir o caminho inteiro que eu estava super mal e Taylor dirigia o mais rápido possível. Insistiu que me levaria para o hospital mas eu acabei convencendo que eu estava melhorando. Me deixou em frente do apartamento, me abraçou e sussurrou em meu ouvido que eu ficaria bem pela milésima vez. Agradeci e subi as escadas o mais rápido possível.
Abri a porta, fui para o meu quarto e me joguei na cama. Fiquei olhando o teto branco por algum tempo. Não sabia dizer quanto tempo.Eu era péssima em guardar segredo. Fiquei pensando se eu deveria contar para a mãe de Christian ou não.
Uma coisa era não contar os planos de Chris para meus pais ou Kate mas lidar com a minha própria ansiedade era uma coisa totalmente diferente.
Passei a noite inteira tentando adivinhar ou saber o que Christian pretendia fazer e o que eu poderia fazer para impedir. Eu pensava sobre isso até quando Kate iria dormir com o seu novo namorado e eu ouvia os seus gemidos altos e bastante claros que diziam "Olha, eu estou fazendo sexo, Ana!". De tanto pensar -entre gemidos de Kate-, eu acabei adormecendo.
No dia seguinte, eu criei coragem e liguei para a Sra. Grey. Convidei ela a ir no café perto de sua casa e comuniquei que eu precisava conversar com ela urgentemente. Ela fiquei preocupada e disse que me encontraria daqui a meia hora. Me arrumei o mais rápido possível, chamei um táxi e fui ao seu encontro.
Era um lugar bem bonito, todo de carvalho, com mesas e cadeira de madeira patinada. Olhei em volta e não encontrei Sra. Grey, me sentei numas das cadeiras e pedi um chá.
– Ana, me desculpa o atraso — Sra. Grey entrou de repente, vestida com um vestido azul-marinho e sentou na minha frente.
– Está tudo bem, eu acabei de chegar.
Ela ergueu as mãos, chamando a garçonete e pediu um cappuccino. A mesma, depois de alguns minutos, trouxe o meu chá e o cappuccino da Sra. Grey.
Ela tomou um gole e me olhou. O seu olhar fez com que eu me sentisse transparente.
– Christian chamou um advogado — eu disse, tentando esconder o meu nervosismo — Descobri que ele é um especialista em certidões e testamentos.
Certo, devo confessar que eu não tinha uma maneira mais delicada de inciar esse conversa. Parecia que eu tinha lhe dado um tapa na cara. Um não, vários.
– Tem certeza?
–Procurei ele na internet. Tem um escritório em Port Angeles — tomei um gole do meu chá — Ele se chama Johnson O'Brein.
Ela piscou forte, como se tentasse entender.
– O Christian... ele contou para você? — ela perguntou.
– Não. Eles conversaram no seu escritório, disse para eu deixar eles a sós — apertei a xícara — Eu... bom, eu descobri o seu nome e pesquisei por ele na internet. Escondida de Christian — acrescentei.
A garçonete chegou com um bloco de notas na mão e uma caneta.
– Mais alguma coisa?
– Não, obrigada. — eu disse.
– A sugestão do dia é um bolo de cenoura. É feito aqui mesmo com um delicioso....
– Não — Sra. Grey disse ríspida — Sai daqui. Nós dissemos não. É surda?
A moça ficou ali parada tempo o suficiente para eu notar as lágrimas se formando em seus olhos escuros. E então se retirou, balançando seu bloco visivelmente em uma das mãos.
– Me desculpe — eu disse rapidamente — Você tinha me dito para eu lhe contar tudo que fosse importante. Passei a metade da noite acordada, pensando se eu deveria te contar ou não.
O rosto dela parecia lívido.
Eu sabia como ela se sentia.
Terminamos o café em silencio, as duas perdidas em seus próprios pensamentos. Enquanto eu a observava, disfarçadamente, reparei seu cabelo bem cuidado estava agora com alguns fios brancos, os olhos tinham tantas olheiras. Percebi que não me senti melhor por ter contato a ela, por transferir a minha preocupação. Mas que escolha eu tinha? Guardar toda essa preocupação sozinha? Ela era a mãe dele, deveria saber de tudo o que acontece com o seu filho. Eu só era uma menina apaixonada tentando salvar a vida do homem que eu amo.
– Mas eu não entendo — disse ela, me olhando — Não entendo. Ele concordou em viajar com você, concordou fazer tudo isso. Eu não entendo por ele chamou esse homem. Meu filho, Ana, meu filho parecia.. feliz com a vida. Sempre sorrindo e alegre, fazendo até piadas sem graças. E tudo isso graças a você. Mas...
Ela não concluiu o seu pensamento.
Mas eu entendia ela.
Nós duas estava pensando na mesma coisa.
Sra. Grey olhou para o seu relógio em seu pulso.
– Outro dia, meu filho comentou sobre você se mudar para minha casa. Ele parecia feliz ao contar isso para mim.
Fiquei um pouco sem graça.
– E-Eu ainda estou pensando sobre esse assunto.
– Bom, eu acho que você deveria se mudar. — isso me pegou de surpresa — Vai fazer o meu filho feliz. Tenho certeza.
– Hã... Eu vou pensar sobre isso.
Ficamos em silencio de novo. Sra. Grey parecia agitada, passava a mão em seu cabelo e segurava a corrente em seu pescoço.
– Christian... — ela engoliu em seco — Acho que ele gosta de você.
Arregalei meus olhos. Ela sabia? Chris tem contado á ela? Meu Deus! Isso não era possível. Era?
– Hã... eu também gosto muito dele, Sra. Grey.
– É, vocês formam um lindo casal.
Abaixei minha cabeça envergonhada. Isso era uma coisa boa, não era? Sra. Grey aceitar eu e ele como um casal. Levantei a cabeça e sorri para ela.
– Bom, agora eu tenho que ir — se levantou Sra. Grey — Tenho uma reunião marcada daqui a uma hora — ela olhou para mim — Obrigada mais uma vez.
– Ana. Espero que você, nós, conseguimos.
– Oh, eu também espero — sorri para ela.
– Tenho que ir — ela sorriu para mim — Te vejo mais tarde.
– Até mas tarde, Sra. Grey.
Ela me olhou pela a ultima vez e saiu com passos rápidos.
E naquele mesmo instante, sorri para mim mesma .Eu estava preocupada? Sim, muito. Mas de algum jeito, eu tenho que confiar em Chris. E naquele instante eu tomei uma decisão que mudará a minha vida.
P.O.V Taylor.
Anastácia Steele se mudou para a casa no final do dia seguinte.
Ela chegou sorrindo e me contou a novidade. Fiquei surpreso e confuso no primeiro instante mas depois, confesso, que era uma ótima ideia. Disse que Christian pediu para ela morar com ele. Eu fiquei mas surpreso ainda. Christian Grey, nunca — eu digo nunca- chamou alguém para morar com ele ou viver na mesma casa. Anastácia Steele foi a primeira mulher a conseguir isso. Tenho que me lembrar a dar os parabéns para ela mais tarde.
Quando a Sra. e o Sr. Grey chegou, eu contei para eles a novidade. Ambos ficaram surpresos e depois demostraram certa tensão — eles não sabiam ao certo se isso iria funcionar ou não. Por fim, eles sorriram e disseram que isso iria funcionar, que tinha que funcionar. Eu disse que tudo ficaria bem e que Ana estava conseguindo chegar ao seu objetivo.
Christian Grey ficou super feliz ao descobrir que Ana se decidiu se mudar. Disse para mim que deveria ficar apresentável para ela — e me obrigou a dar banho nele e colocar a melhor roupa de ficar em casa. Nunca tinha visto ele assim, tão agitado e feliz ao mesmo tempo. Isso era uma novidade para mim e ao mesmo tempo estranho. Eu não estava familiarizado com esse tipo de situação, fiquei perdido na maior parte do tempo.
Pelo jeito, Christian tinha dito a Ana que podia usar o seu notebook — uma situação inovadora e de novo eu não sabia como reagir. Ela parecia agitada, estava pesquisando sobre o Rancho e ficou o dia inteiro fazendo anotações.
Christian Grey parecia um pouco mais feliz com ela por perto. Por duas vezes, eu ouvi por trás da porta do quarto dele, os dois conversando e rindo. Rindo. Fazia muito tempo que eu não ouvia a sua risada e acabe me sentando no chão do corredor e fiquei ouvindo a conversa e suas risadas.
Ana tinha conseguindo mudar Christian. Eu teria que agradecer ela por isso. Por mudar ele. Obrigado Anastácia, eu disse, sussurrando, você foi a melhor cuidadora de Christian Grey.
No manhã seguinte, Anastácia perguntou a mim, Sra. Grey, Sr. Grey e Christian Grey, se poderíamos ir ao escritório. Ela tinha espalhado folhetos sobre a mesa com horários e saídas dos aeroportos; documentos de seguro e outras coisas que imprimiu da internet. Havia uma copia para cada um de nós, em pasta com cores diferentes — o meu era transparante, o da Sr. Grey cinza claro e da Sra. Grey um cinza um pouco mais escuro do que o do Sr. Grey. Tudo incrivelmente organizado.
Ela disse que queria nos apresentar seus planos. A viagem era incrível, parecia ter todos os tipos de atividades incomuns, coisa que eu não imaginava Chris fazendo antes do acidente. Mas toda vez que ela citava alguma coisa — canoagem em águas claras, bungee jumping, paraquedismo, entre outros — , mostrava um folheto para Chris com depoimentos de jovens deficientes, e ele dizia:
– Se vou fazer tudo isso que você planejou, então você tem que fazer junto comigo.
Ela arregalou os olhos e sua bochecha corou. Ela não tinha planejado isso. Mas confesso, que eu estou muito impressionado com ela. Ana fez um ótimo trabalho.
– Okay. Mas você vai fazer tudo o que eu planejei sem ser um pé no saco.
– Combinado.
Chris leu os documentos colocados na sua frente.
– Onde conseguiu tantas informações? — perguntou ele.
Ela levantou as sobrancelhas e respondeu:
– Informação é poder, Christian Grey.
E deu um leve sorriso.
– Então... — disse Ana, depois que todas as perguntas foram respondidas — Viajamos daqui a dois dias. Está contente, Sra. Grey?
– Se isso que todos vocês querem fazer, para mim está ótimo — respondeu Grace.
– Sr. Grey, continua de pé?
– Pra mim está ótimo.
– Taylor?
– Pode apostar.
– Christian?
Todos nós olhamos para ele. Até um tempo atrás, Christian teria o prazer de dizer não só para irritar a sua mãe. Ele me olhou por um instante e olhou para Ana e sorriu.
– Porque não? — ele disse — Eu apostei com Taylor se Ana iria ser levada pela a correnteza ou não.
Ana me olhou feio mas sorriu aliviada.
Embora nenhum de nós dissesse isso em voz alta, Anastácia Steele tinha se tornado nossa única possibilidade de mantê-lo vivo.
Fale com o autor