Notas iniciais
Com os tributos selecionados, vamos ao "pré-Jogos", conhecendo melhor alguns personagens, suas mentalidades, e sendo apresentados à equipe de preparação de Annabeth e Malcolm.

Que a sorte esteja sempre a seu favor? Ela nunca está! Pelo menos, não nesse jogo.

– Parabenizem os 24 tributos que os representarão na arena! – Effie bate palmas, sempre com o enorme sorriso.

Exceto pelos filhos de Ares e Apolo, nenhum outro semideus se manifestou. Todos olhavam tristes para nós, seus irmãos e seus amigos, agora condenados à morte numa arena que a cada ano é uma nova surpresa projetada pelos deuses.

Foi então que um dos filhos de Poseidon fez um sinal que me deixou arrepiada. Ele levou os três dedos médios da mão direita até a boca e ergueu o braço para o palco. Seus irmãos o imitam. E logo o gesto se espalha por todos os chalés. Até mesmo o chalé de Ares e o de Apolo se calaram e ergueram seus três dedos.

O gesto simbolizava adeus às pessoas que amamos e, algumas décadas atrás, era uma forma camuflada de incentivar a revolução, uma forma de negar os Jogos.

Effie Trinket gagueja no microfone e olha nervosa para os lados. Então, duas dúzias de sátiros, um para cada tributo, nos escolta até um corredor na Casa Grande. Eles meio que nos empurram até o fundo do corredor. Eu queria ficar e ver o que aconteceria após a demonstração de revolução, algo que não acontecia a três décadas. Reluto em ser levada, e um dos sátiros ergue a mão para me dar um soco.

– Não! – Malcolm se põe entre mim e o sátiro. – Ela ficará quieta!

O sátiro para e da alguns passos para trás. Malcolm me segura e fala ao ouvido.

– Calma! Vai ficar tudo bem.

Percy se aproxima de nós, com sua irmã Amanda a seu lado.

– Venham comigo...

E se levanta, discretamente, se afastando do campo de visão dos sátiros, escondendo-se entre os demais tributos. Todos estavam agitados, então os sátiros não nos perceberam se afastando.

Se não estivesse com Malcolm provavelmente não teria seguido Percy. Por mais bonito, atraente e popular que ele seja, aprendi que não devemos confiar muito nas pessoas, principalmente se alguns dias mais tarde esta pessoa estiver te caçando.

Enfim, Percy abre uma porta no fim do corredor e nós quatro entramos. Dava em uma escada, que subia para não sei onde.

– Onde está nos levando? – Malcolm pergunta.

– Eu já estive aqui, não se preocupem! – ele diz, subindo os degraus. Amanda o seguindo de perto, segurando a aba de sua camisa.

Chegamos ao andar superior e havia uma janela grande de vidro na parede. Aproximamo-nos dela e noto que de lá é possível ver a cena que se desenrolava lá em baixo.

Alguns sátiros puxavam o irmão de Percy, o que ergueu os dedos inicialmente, até o centro do palco e ali batem em seu rosto com algo pesado, fazendo um corte.

– Eles odeiam a ideia de uma rebelião! – fala Percy. – Irão levar John para o Cárcere.

O Cárcere é supostamente uma prisão fora dos limites do acampamento para onde vão os semideuses desordeiros e ou que fizeram algo muito grave contra os deuses. A regra dos deuses é essa: você pode matar seus colegas de acampamento para diverti-los, mas não pode xingar um deles. Ninguém nunca voltou de lá para contar como é.

– Não podemos fazer nada para impedi-los? – eu pergunto, preocupada com John, o irmão de Percy embora também nunca tenha falado com ele.

– A não ser que queira ser morta ainda hoje e perder a chance de organizar uma verdadeira rebelião, pode tentar... – os olhos verdes dele estão fixos na cena lá embaixo e ele fala com ar sério.

– Porque nos trouxe aqui? – Malcolm já está começando a se irritar.

– Eu poderia ter chamado qualquer outro semideus, mas acho que vocês são os mais confiáveis. – Percy explica – Vamos nos unir contra os deuses e organizar uma levante contra eles!

– Como? Está maluco? – eu pergunto – Nesse momento eles estão nos observando! Zeus pode lhe fuzilar agora!

– Não vai, não! Esta sala está protegida por uma magia. Lou Ellen, a filha de Hécate, está comigo nessa. Ela ajudou a bloquear esta sala contra os deuses. Mas será por pouco tempo. Logo teremos que descer.

– Quando começar o jogo eu quero que vocês dois venham comigo, Amanda e mais alguns parceiros para longe da cornucópia... Não se preocupem com armas ou mochilas, nós ficaremos bem juntos!

– Não sei! – Malcolm fica pensativo – Isso é muito arriscado! Faz 49 anos que este jogo existe e ninguém nunca conseguiu acabar com ele... mesmo nos primeiros anos, quando tinha revolução.

– O tempo está acabando! Pensem nisso! – diz Percy se dirigindo às escadas e indo embora.

Eu e Malcolm descemos atrás.

Quando chegamos lá embaixo os tributos já estavam sendo encaminhados para outro lugar. Felizmente, nenhum dos sátiros deu por nossa falta.

Eu e Malcolm somos encaminhados por dois sátiros até uma salinha, onde conheceríamos a nossa equipe de preparação. O único vencedor do chalé 6, Damien, seria nosso mentor, treinando, orientando e dando dicas de como sobreviver na arena. E mais três ou quatro pessoas, vindas de Nova Roma, nos preparariam para as apresentações aos deuses.

Assim, com alguns minutos, quatro semideuses adultos entram em nossa sala. Eu poderia afirmar que pelo menos três deles eram filhos de Afrodite, devido suas maquiagens extravagantes e cabelos exóticos. Apenas o único homem da equipe não era. Olhei para suas pernas e vi que era um sátiro.

– Olá tributos, sou Grover Underwood. – ele se apresenta – Serei o estilista de vocês e estes são Milla, Drew e Portia, suas maquiadora, cabelereira e manicure.

Elas sorriem e dão acenos leves para nós.

– Damien virá em breve, mas antes, temos que trabalhar em vocês... – ele olha para nós, da cabeça aos pés e balança a cabeça. – Por sinal, muito trabalho!

– Qual é? – eu pergunto – Estamos tão ruim assim?

Era impossível não simpatizar com eles. Os quatro eram legais e atenciosos, e logo começaram a nos arrumar para os deuses.

Portia começa a cutucar minhas unhas. Ela passa vários minutos mexendo em minha mão, cortando, tirando a carne morta, lixando, pintando. No fim, o resultado foi maravilhoso. Ela desenhou corujas, símbolos de Atena, em minhas unhas.

Não temos muita atenção de nossos pais olimpianos, mas em períodos longe dos Jogos Vorazes alguns deuses até ficam bonzinhos. Durante eles, é que o espirito competitivo os domina e tudo o que fazem é em torcer por seus filhos.

A arena é planejada de tal forma que os deuses não podem intervir, portanto, é cada semideus por si.

Notas finais
E então? No próximo capítulo conheceremos Damien.