O Jogo dos Semideuses
5 A caminho...
Notas iniciais
Quando me olho no espelho mal me reconheço.
A pele do meu rosto está impecável. Nenhuma espinha, nenhum arranhão. Ela simplesmente está perfeita, pálida como porcelana, mas de um jeito natural. Meus lábios estão num tom cor-de-rosa claro, no melhor estilo garotinha. Meus olhos, circundados por uma maquiagem leve, mas marcante, deixando em mim uma expressão de confiança.
Meu cabelo, agora de um loiro dourado e brilhante está solto e cacheado, formando cachinhos que caem por meus ombros. O cheiro dele está maravilhoso. E está mais sedoso do que nunca. Minhas sobrancelhas de fios castanhos claros bem desenhados.
Não consegui encontrar um só pelo em meu corpo. Depilaram-me completamente e uma sensação de refresco toma todo o meu corpo.
Mas nada comparado ao vestido que Grover me trouxe. É um vestido longo, que deixa apenas a ponta de meus sapatos de salto alto de fora. A cor do vestido transita entre o cinza de meus olhos e o branco das nuvens. Quando o visto me sinto maravilhosa.
A seda do vestido amacia minha pele. Ele tem formas que lembram corujas na parte da saia. Observando-as, tenho a impressão de que estão batendo as asas e piscando os olhos. Magnífico!
– Agora você está pronta para ser apresentada aos deuses! – diz Grover com um sorriso simpático. A equipe de preparação batendo palmas atrás dele.
– Mas já! – eu pergunto surpresa. – Não tenho que ser treinada por Damien antes?
– Você o conhecerá no caminho para o Olimpo. – explica Grover.
Então Malcolm aparece. Nunca o vi tão bonito. Sua pele estava igualmente impecável, sem nenhum rastro de barba ou bigode em seu rosto, o que lhe dava a impressão de ser mais jovem. Vestia um terno luxuoso da cor do meu vestido.
– Quando vocês encontrarem os outros tributos não se intimidem! – aconselha Grover – A maioria dos outros estilistas aposta em apresentações um pouco mais... chocantes!
Não sei bem o que ele quer dizer com chocante. Os Idealizadores geralmente não transmitem na TV a apresentação dos tributos aos deuses.
Enfim, somos conduzidos a uma limusine, dirigida por Argos, o motorista oficial do acampamento. Os tributos dos chalés 1 ao 5 já foram. Agora é nossa vez.
Quando eu e Malcolm entramos, com cuidado para não amassarmos as roupas, nos deparamos com Damien lá dentro.
Ele é um cara grande! Seus músculos são grandes e parece que ele gasta horas diárias da sua vida numa boa academia. Foge do estereótipo de nerd que nós filhos de Atena temos. Tem uma espessa barba grisalha, mas ele não parece velho, apenas um homem maduro. Veste uma camisa social com manga três quartos, calça jeans e tênis.
– Ah! – ele diz com voz grave – Então vocês são os meus brinquedinhos deste ano!
Olho para Malcolm e ele sorri nervoso.
– Tô brincando com vocês! – diz Damien, nos cumprimentando. A mim com um beijo na testa e a Malcolm com um aperto de mão. – Preparados para conhecer os deuses?
– Ahn... Acho que não! – digo.
– Fiquem calmos! – ele fala – Tudo o que precisam fazer é sorrir e acenar! Eu sei que é estranho ser tratado como celebridade quando poucos dias depois você pode estar morto, mas cá para nós, os deuses são loucos!
– E depois? O que acontece? – Malcolm quer saber.
– Depois de conhecerem os deuses vocês serão levados para Nova Roma, para o Centro de Treinamento. Por três dias vocês treinarão nas oficinas e aprenderão técnicas de sobrevivência. Tudo com a minha orientação. No fim do terceiro dia os Idealizadores organizam as apresentações individuais. Vocês recebem pontuações de 0 a 12. Notas acima de oito são muito bem vistas pelos patrocinadores!
Fica a dica, eu penso!
Enquanto a limusine segue o caminho nós fizemos uma série de perguntas a Damien e descobrimos várias coisas a respeito dele.
Damien venceu a 13° edição dos Jogos Vorazes quando tinha quinze anos. Ele teve que treinar sozinho, assim como todos os tributos anteriores a ele do chalé 6, já que ainda não tínhamos mentor. Com ele, foi sorteada uma menina de doze anos que segundo Damien morreu ainda na Cornucópia.
Nove dos jogos anteriores tinha sido vencido por filhos de Ares e naquele ano eles estavam especialmente violentos. Damien nos contou que com quatorze dias de jogos só restavam ele, o tributo feminino do chalé 4 e os dois tributos de Ares. A menina de Deméter chegara tão longe com a sua ajuda.
– Como ela morreu? – quero saber.
– Chega de perguntas! – Damien se recusa a falar sobre isso, fecha os olhos e põe fones de ouvido. Consigo escutar a música. Tocava Highway to Hell da banda AC/DC no último volume.
Após mais alguns minutos, Argos para o carro de frente ao Empire State Building.
– Bem-vindos ao Olimpo. – diz ele abrindo a porta e me ajudando a descer.
Damien nos conduz até a recepção enquanto a limusine parte para buscar os tributos do chalé 7.
– Boa noite! – cumprimenta o recepcionista.
– Vamos pular essa parte! – diz Damien mostrando um crachá que tirou do bolso.
– Pois não... – o homem nos aponta o elevador e entrega a Damien um cartão.
Eu, Malcolm e Damien entramos no elevador. Nosso mentor toca um sensor com um cartão. O número 600 aparece no indicador de andares. O elevador começa a subir. Primeiro no ritmo normal, mas depois, tenho que me segurar para não cair. E para de repente.
– Chegamos! – diz Damien quando a porta abre.
A subida toda não durou dois minutos.
Estamos em uma espécie de montanha flutuante acima do Empire State, só que com quilômetros de distancia. Olhar lá para baixo, para uma incansável Nova York, me causa tontura.
À nossa frente está o Olimpo, uma cidade magnífica com torres e castelos de ouro e mármore. Construções de causarem inveja ao melhor arquiteto do mundo. Esqueci-me de citar que sonhava em ser arquiteta, mas agora que fui selecionada para os Jogos não tenho expectativas de durar até a faculdade... bem, acho que não vou durar duas semanas...
A caminho do castelo onde ficavam os tronos dos olimpianos, passamos por belíssimos jardins, com flores coloridas e perfumadas.
Estamos agora de frente para os portões. São enormes!
Calculo no mínimo doze metros de altura. Elas são adornadas com desenhos dos símbolos divinos. Localizo a coruja de minha mãe e olho para minhas unhas... pelo menos ela gostará de meu visual.
As portas se abrem... Um brilho ilumina meu rosto!
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