O Jogo dos Semideuses

10 E os Jogos começaram!


Notas iniciais
Mais um capítulo novinho para vcs seus lindos :3

Tentei dormir, mas era difícil.

Logo a temperatura caiu consideravelmente e minhas roupas ainda estavam um pouco molhadas. Preciso encontrar uma forma de me aquecer.

Pensei em acender uma fogueira, mas provavelmente o brilho do fogo e a fumaça mandaria um aviso a quem estivesse na mesma ilha que eu: “Estou aqui! Venham me matar!”.

Por falar em ilha, me ponho a pensar. Talvez gastar neurônios me distraia e me faça esquecer o frio.

Onde estamos? Em que parte do mundo esta arena foi montada?

Suponho que seja no Triangulo das Bermudas, mais conhecido entre semideuses como o Mar de Monstros. Alguns anos atrás alguns semideuses, incluindo Percy e Clarisse, participaram de uma missão nesta região.

Então uma risada me traz de volta à realidade.

– Assim que por as mãos nela vou quebrar aquele pescoço! – reconheço a voz de Clarisse.

– Tem certeza que ela veio por aqui? – era a voz de Cato.

– Sim! Vi ela vindo nessa direção... – agora era a voz de Will.

Os carreiristas estão me procurando! Esforço a visão e vejo, atravessando a vegetação espessa, Cato, Clarisse e Will. Cato ia à frente com uma tocha em chamas. Will na retaguarda com o arco.

Foram espertos em se dividir. Alguns caçam enquanto outros ficam na Cornucópia, protegendo as mochilas. Malcolm ficou junto com eles.

Sei que eles não estão me vendo aqui em cima, mas por precaução, seguro a adaga com firmeza.

De repente alguém me agarra por trás, tapando minha boca. Quase o derrubo da árvore com um golpe, mas reconheço o rosto de Travis e paro centímetros antes de enfiar a adaga em seu rosto. Travis é mais forte que eu, e mais rápido, então consegue imobilizar meu braço.

– O que você quer? – eu sussurro.

Ele faz um sinal para eu ficar em silencio e me solta. Ele pede para que o siga e corre por um galho, rápida e silenciosamente.

Tenho alguma dificuldade em acompanha-lo, ainda mais com as duas mochilas e um cobertor mal dobrado, mas logo já nos afastamos um pouco dos carreiristas de modo a poder falar sem sermos ouvidos.

– Desculpa, eu não queria te assustador, mas não vi outro modo de te tirar de lá sem sermos notados... – ele explica.

– Você está com a gente? – eu pergunto, sussurrando.

– A gente quem? Tem mais alguém com você? – ele pergunta, olhando para os lados. Entendo que ele não sabe do plano de Percy.

– Estou sozinha! Esquece... – falo.

– Não mais! – ele sorri – Armei uma armadilha para eles. Olha!

Travis aponta para o chão, como se a armadilha estivesse óbvia e visível, mas não consigo ver nada. Sinal que a armadilha era boa.

– Devo confiar em você? – ele me pergunta.

– Se prometer não tentar me matar, não vou lhe fazer mal! – eu digo.

– Combinado! – e ele estende o dedinho para mim. O cumprimento em resposta.

Então esperamos. Os três carreiristas se aproximam da árvore onde estávamos. Will toma a frente do trio e acaba pisando num fio quase transparente estirado no caminho. Nesse momento um ninho de teleguiadas cai em sua cabeça.

Teleguiadas são o pior pesadelo para quem tem medo de insetos. Elas são vespas geneticamente modificadas, obras dos Idealizadores mais nerds, cujo veneno pode causar alucinações, inchaços enormes ou até mesmo a morte. Isso depende da pessoa ou da quantidade de picadas.

Prefiro não ver a cena, mas posso escutar os gritos de Will enquanto as teleguiadas perfuram seu corpo. Cato e Clarisse a essa altura já estavam longe, fugindo às pressas, mas ainda assim acho que haviam sido picados.

Suponho que Will estará morto em pouco tempo. Ele é pequeno e a maioria das teleguiadas o picou. Então, antes do esperado, um canhão dispara. Mais um morto.

Olho para Travis e o garoto está com um sorriso enlouquecido no rosto. Sinto um leve sentimento de medo... no mínimo de cuidado.

Então escuto um som típico de algo viajando no vento, e de repente uma faca passa raspando em meu rosto, cortando minha bochecha. Viro-me para procurar de onde viera.

De repente um novo tiro de canhão. É quando Travis desaba da árvore, sem vida, com uma faca enfiada no peito.

– Ah não! – eu deixo escapar, antes de pular para um galho mais baixo e depois para o chão.

Passo correndo pelo corpo disforme, irreconhecível e cheio de pus de Will. Sinto pena do menino, mas não paro para pensar em algum modo de prestar meus sentimentos por ele.

Dou uma rápida olhada para trás e percebo Silena Beauregard, a filha de Afrodite, já tirando a faca do corpo de Travis e preparando para atira-la em mim.

Corro rapidamente, tentando enxergar na escuridão. Tropeço em uma raiz protuberante e caio.

Silena se aproxima tanto rápido que não tenho tempo de me levantar. Ela segura a faca nervosamente com as duas mãos e golpeia minha perna, enfiando metade da lamina em minha coxa.

Sinto uma dor horrível, mas consigo chuta-la com a perna boa. Fico me contorcendo de dor, tentando arrancar a faca de minha perna. Silena olha para mim, os olhos um misto de raiva e medo.

– Eu sei que você não quer fazer isso! – eu digo.

– Você não sabe nada sobre mim! – ela diz – Enfim o chalé 10 terá uma representante que irá lutar nestes Jogos!

– Ah um jeito de escaparmos com vida! – Não, não há... mas tento ganhar tempo. – Pense em Beckendorf!

O simples fato de tocar em seu nome deixou Silena com outra expressão. Tristeza.

– Não ajude a piorar as coisas! Estou tentando pensar o mínimo possível nele... Não quero me tornar fraca por causa de amor.

Este era o maior problema dos filhos de Afrodite na arena. Eles amam demais, e muitos não conseguem ferir ninguém. Bem, Silena já me feriu, então suponho que não devo ficar de conversinha sobre namorados.

Enfim consigo tirar a faca da minha perna e dou um grito agudo. Solto a arma e tento estancar o sangue com as mãos, embora o corte seja profundo e o líquido vermelha não pareça que vai parar de fluir tão fácil.

Noto um olhar feroz de Silena para a faca perto de mim. De repente ela tenta correr para apanha-la e desta vez me matar, mas algo atinge sua cabeça com força e a menina cai aos meus pés.

Prendo a respiração por um instante, até que Amanda se aproxima com um estilingue improvisado.

Notas finais
Gente, vcs não imaginam como é ter que matar personagens que vc gosta.... R.I.P. Travis e Will :/ E ai? Comentem!