Notas iniciais
Continuando com o Jogo... Para quem vai suas apostas? Algum favorito? *--*

A expressão de Amanda estava muito aquém da garotinha chorona que se apresentou na Colheita. Ela se aproxima de Silena e verifica a pulsação em seu pescoço.

– Ela vai sobreviver! – ela diz, tranquilamente – Vamos embora antes que ela acorde.

– Vai deixa-la viva? – eu pergunto, ainda chocada com a menina.

– Não estamos aqui para matar ninguém, estamos? – ela me pergunta.

– Não mesmo! – digo. E nós saímos apressadas, atravessando a mata.

Minha perna machucada logo me obrigou a parar. Estava sangrando bastante o ferimento parecia que abria mais a cada passo.

Amanda o examinou e fez uma careta.

– Você está perdendo muito sangue...

– Ah, é? Sério que nem percebi! – falo ironicamente.

Então um pequeno sino soa acima de nós e vejo um balão caindo perto de meus pés. O apanho. Pendurado ao balão havia um pequeno frasco de spray com o nome “Medicamentos Ambrosia” na embalagem.

– Você recebeu uma dádiva! – Amanda sorri – Mas claro, com uma nota daquelas...

Aplico um pouco do spray no corte. O primeiro segundo após isso é torturante, como se eu tivesse jogado ácido em minha perna. Mas no momento seguinte, a dor é substituída pelo alívio e uma sensação de prazer.

– Já podemos continuar! – diz Amanda, seguindo caminho.

Guardo a frasco em uma mochila. Amanda ia à frente e aparentemente sabia exatamente para onde ia, embora ainda estivesse muito escuro.

– Onde estamos indo? – eu quero saber.

– Percy precisa de nós... Na caverna!

Caverna? Há cavernas nessa ilha? Importante saber. Elas em geral são bons esconderijos contra os carreiristas.

Quando chegamos à caverna o sol já começara a nascer no horizonte. Tinha início o segundo dia dos Jogos e mais de um terço dos tributos já foram mortos.

A entrada da caverna estava encoberta por trepadeiras que a disfarçavam. Amanda abre caminho e entra. Sigo seus passos de perto. Logo, chegamos a uma parte iluminada da caverna.

A luz do sol entrava por uma fresta alta e iluminava um pequeno lago de águas cristalinas no funda da caverna.

Percy estava sentado com os pés na água e sem camisa. Parecia ofegante. Amanda se aproxima dele e verifica a temperatura de sua testa.

– Ainda está com febre! – ela diz.

– Eu estou bem... – diz ele virando para mim – Quer dizer que decidiu ficar conosco...

– Foi meio que um encontro de sorte. – eu falo, olhando para Amanda. – O que ele tem?

– Foi picado por uma teleguiada ontem à noite.

Olho para o pé de Percy e noto que ele estava inchado.

– Vou ficar bem! – ele fala, tentando se levantar. Mas quando apoia o peso do corpo no pé machucado, tenho que apoia-lo para ele não cair. – Droga!

Eu pego o frasco de Ambrosia em minha mochila e aplico um pouco no pé dele. Quando eu esperava no mínimo um grito de dor pelo segundo torturante, a expressão de Percy não se altera.

– Acho que não funciona com veneno de teleguiada... – então eu me lembro de uma receita que Katie me deu há quase três anos. As vantagens de ser filha de Atena e ter memória de gênio – Já sei! Há uma planta que pode curar o veneno... Espero que haja delas nesta ilha.

– Desde quando você entende de plantas, Sabidinha? – ele pergunta com um sorriso debochado.

– Entendo de tudo, Cabeça de Alga! – falo com humor.

Então dou uma olhada geral na caverna pela primeira vez. Havia uma mochila com comida no canto da parede de pedra úmida. E próximo a ela vi uma espada brilhante de bronze celestial.

– Nossa! – exclamo – Boa arma! Como conseguiram?

– Dádiva dos Idealizadores... – Percy responde.

– Você tem bons patrocinadores! – falo.

Então vou dar uma voltinha atrás das folhas que preciso. Amanda me acompanha.

– E então? – eu puxo assunto – Você mudou muito, hein?

– Só decidi que não vou ser mais uma menina fraca que morre no primeiro dia do Jogo.

– É, você já conseguiu isso. – digo.

– Viu algum dos outros aliados? – ela me pergunta – Vi ontem que Ellen está morta, mas Nyssa e Charles? Viu eles?

– Não os vi... Bem, as únicas pessoas que vi além de vocês dois e os carreiristas foram Travis e Silena.

De repente algo fica preso em meu pé. Pensando que é alguma raiz, eu puxo a perna. No instante, estou pendurada de cabeça para baixo. Era uma armadilha! Como pude ser tão lerda?

Amanda dá mais um passo, para subir na árvore e cortar a corda presa em minha perna, mas algo dispara e ela cai em um buraco no chão, com uns dois metros de profundidade. Ouça a menina gritar.

– Amanda? – a chamo – Você está bem?

– Acho que torci a perna! – ela estava gemendo de dor. – Quem armou essas armadilhas tão boas?

– Deve ter sido Travis, antes de ser morto. – suponho.

Então Glimmer e Thalia aparecem apontando flechas para nós. Elas eram as melhores arqueiras do acampamento e suponho que estaremos mortas em um segundo. Mas elas baixam os arcos. Os olhos vazios. As bocas abertas.

– O que houve com elas? – Amanda pergunta.

Não faço a menor ideia, até Nico e Bianca di Angelo saírem de dentro do mato. Nico tinha as duas mãos estendidas e resmungava em grego antigo.

Bianca sobe na árvore e me ajuda a desamarra-la de minha perna. Quando me solto, desabo no chão de costas e fico alguns segundos sem fôlego.

Quando consigo me mover observo que Nico tinha posto Thalia e Glimmer para dormir, enquanto Bianca ajudara Amanda a subir.

– Obrigada! – agradeço.

– Não agradeça... – ela fala – Não as salvamos por que somos bonzinhos...

– Há um destino que a espera Annabeth Chase... – Nico completa.

– O que? Do que estão falando?

Então noto um movimento por trás deles.

– Cuidado! – mas aviso tarde demais.

Bianca grita de dor e cai de joelhos, se apoiando em Nico. Ela tinha uma faca enfiada nas costas.

Nico faz um movimento com a mão e, por telepatia, Silena, a autora do golpe, voou alguns metros e foi jogada contra uma árvore.

– Amanda, vá buscar o spray, rápido! – eu ordeno, e a menina obedece.

Nico deixa Bianca no chão e vai enfrentar Silena.

Abaixo-me perto da menina e tento acalma-la.

– Vai ficar tudo bem! – falo, tentando ser convincente.

– Não, não vai! – ela me diz – É meu destino! Cada um tem o seu... – então ela toca o broche do tordo na minha camisa. Eu já havia me esquecido dele. – Seja forte... Você pode vencer!

Então, lentamente, a vida a abandona. Bianca fecha os olhos e fico mole nos meus braços.

Escuto um tiro de canhão.

Notas finais
O que acharam? Essa versão maluca dos di Angelo será explicada mais tarde... :)