O Jogo dos Semideuses
11 A armadilha
Notas iniciais
A expressão de Amanda estava muito aquém da garotinha chorona que se apresentou na Colheita. Ela se aproxima de Silena e verifica a pulsação em seu pescoço.
– Ela vai sobreviver! – ela diz, tranquilamente – Vamos embora antes que ela acorde.
– Vai deixa-la viva? – eu pergunto, ainda chocada com a menina.
– Não estamos aqui para matar ninguém, estamos? – ela me pergunta.
– Não mesmo! – digo. E nós saímos apressadas, atravessando a mata.
Minha perna machucada logo me obrigou a parar. Estava sangrando bastante o ferimento parecia que abria mais a cada passo.
Amanda o examinou e fez uma careta.
– Você está perdendo muito sangue...
– Ah, é? Sério que nem percebi! – falo ironicamente.
Então um pequeno sino soa acima de nós e vejo um balão caindo perto de meus pés. O apanho. Pendurado ao balão havia um pequeno frasco de spray com o nome “Medicamentos Ambrosia” na embalagem.
– Você recebeu uma dádiva! – Amanda sorri – Mas claro, com uma nota daquelas...
Aplico um pouco do spray no corte. O primeiro segundo após isso é torturante, como se eu tivesse jogado ácido em minha perna. Mas no momento seguinte, a dor é substituída pelo alívio e uma sensação de prazer.
– Já podemos continuar! – diz Amanda, seguindo caminho.
Guardo a frasco em uma mochila. Amanda ia à frente e aparentemente sabia exatamente para onde ia, embora ainda estivesse muito escuro.
– Onde estamos indo? – eu quero saber.
– Percy precisa de nós... Na caverna!
Caverna? Há cavernas nessa ilha? Importante saber. Elas em geral são bons esconderijos contra os carreiristas.
Quando chegamos à caverna o sol já começara a nascer no horizonte. Tinha início o segundo dia dos Jogos e mais de um terço dos tributos já foram mortos.
A entrada da caverna estava encoberta por trepadeiras que a disfarçavam. Amanda abre caminho e entra. Sigo seus passos de perto. Logo, chegamos a uma parte iluminada da caverna.
A luz do sol entrava por uma fresta alta e iluminava um pequeno lago de águas cristalinas no funda da caverna.
Percy estava sentado com os pés na água e sem camisa. Parecia ofegante. Amanda se aproxima dele e verifica a temperatura de sua testa.
– Ainda está com febre! – ela diz.
– Eu estou bem... – diz ele virando para mim – Quer dizer que decidiu ficar conosco...
– Foi meio que um encontro de sorte. – eu falo, olhando para Amanda. – O que ele tem?
– Foi picado por uma teleguiada ontem à noite.
Olho para o pé de Percy e noto que ele estava inchado.
– Vou ficar bem! – ele fala, tentando se levantar. Mas quando apoia o peso do corpo no pé machucado, tenho que apoia-lo para ele não cair. – Droga!
Eu pego o frasco de Ambrosia em minha mochila e aplico um pouco no pé dele. Quando eu esperava no mínimo um grito de dor pelo segundo torturante, a expressão de Percy não se altera.
– Acho que não funciona com veneno de teleguiada... – então eu me lembro de uma receita que Katie me deu há quase três anos. As vantagens de ser filha de Atena e ter memória de gênio – Já sei! Há uma planta que pode curar o veneno... Espero que haja delas nesta ilha.
– Desde quando você entende de plantas, Sabidinha? – ele pergunta com um sorriso debochado.
– Entendo de tudo, Cabeça de Alga! – falo com humor.
Então dou uma olhada geral na caverna pela primeira vez. Havia uma mochila com comida no canto da parede de pedra úmida. E próximo a ela vi uma espada brilhante de bronze celestial.
– Nossa! – exclamo – Boa arma! Como conseguiram?
– Dádiva dos Idealizadores... – Percy responde.
– Você tem bons patrocinadores! – falo.
Então vou dar uma voltinha atrás das folhas que preciso. Amanda me acompanha.
– E então? – eu puxo assunto – Você mudou muito, hein?
– Só decidi que não vou ser mais uma menina fraca que morre no primeiro dia do Jogo.
– É, você já conseguiu isso. – digo.
– Viu algum dos outros aliados? – ela me pergunta – Vi ontem que Ellen está morta, mas Nyssa e Charles? Viu eles?
– Não os vi... Bem, as únicas pessoas que vi além de vocês dois e os carreiristas foram Travis e Silena.
De repente algo fica preso em meu pé. Pensando que é alguma raiz, eu puxo a perna. No instante, estou pendurada de cabeça para baixo. Era uma armadilha! Como pude ser tão lerda?
Amanda dá mais um passo, para subir na árvore e cortar a corda presa em minha perna, mas algo dispara e ela cai em um buraco no chão, com uns dois metros de profundidade. Ouça a menina gritar.
– Amanda? – a chamo – Você está bem?
– Acho que torci a perna! – ela estava gemendo de dor. – Quem armou essas armadilhas tão boas?
– Deve ter sido Travis, antes de ser morto. – suponho.
Então Glimmer e Thalia aparecem apontando flechas para nós. Elas eram as melhores arqueiras do acampamento e suponho que estaremos mortas em um segundo. Mas elas baixam os arcos. Os olhos vazios. As bocas abertas.
– O que houve com elas? – Amanda pergunta.
Não faço a menor ideia, até Nico e Bianca di Angelo saírem de dentro do mato. Nico tinha as duas mãos estendidas e resmungava em grego antigo.
Bianca sobe na árvore e me ajuda a desamarra-la de minha perna. Quando me solto, desabo no chão de costas e fico alguns segundos sem fôlego.
Quando consigo me mover observo que Nico tinha posto Thalia e Glimmer para dormir, enquanto Bianca ajudara Amanda a subir.
– Obrigada! – agradeço.
– Não agradeça... – ela fala – Não as salvamos por que somos bonzinhos...
– Há um destino que a espera Annabeth Chase... – Nico completa.
– O que? Do que estão falando?
Então noto um movimento por trás deles.
– Cuidado! – mas aviso tarde demais.
Bianca grita de dor e cai de joelhos, se apoiando em Nico. Ela tinha uma faca enfiada nas costas.
Nico faz um movimento com a mão e, por telepatia, Silena, a autora do golpe, voou alguns metros e foi jogada contra uma árvore.
– Amanda, vá buscar o spray, rápido! – eu ordeno, e a menina obedece.
Nico deixa Bianca no chão e vai enfrentar Silena.
Abaixo-me perto da menina e tento acalma-la.
– Vai ficar tudo bem! – falo, tentando ser convincente.
– Não, não vai! – ela me diz – É meu destino! Cada um tem o seu... – então ela toca o broche do tordo na minha camisa. Eu já havia me esquecido dele. – Seja forte... Você pode vencer!
Então, lentamente, a vida a abandona. Bianca fecha os olhos e fico mole nos meus braços.
Escuto um tiro de canhão.
Fale com o autor