O Jogo dos Deuses: A Casa da Esperança

9 Kayanne: A luz no fim do túnel ou quase isso


Fiquei imaginando onde as outras garotas poderiam estar.

De alguma forma que eu ainda não entendia nós havíamos nos separado enquanto caiamos pelo mesmo abismo.

Não sei se era sorte ou não, mas a mochila com as frutas caíram conosco e eu, Ana e Yasmim comemos para nos curar dos ferimentos, uma vez que as frutas que tínhamos pegado possuíam a bênção de Deméter.

– Precisamos encontrar as outras. – disse Yasmim.

Ana não dissera uma única palavra desde que acordara de seu estado inconsciente. Seu olhar estava diferente como se ela não estivesse ali conosco.

Yasmim arrumou a mochila e a colocou nas costas enquanto eu ajudava Ana a se levantar. Agora que estávamos curadas poderíamos seguir a procura das outras meninas.

Seguimos o túnel que estava atrás de nós no qual havia uma curva a direita. Ana se recusou a ascender seu fogo para iluminar o caminho.

– Há substancias que interagem com o fogo neste lugar, mas se quiser morrer...

– Vamos às escuras então.

O comentário de Ana me assustou bastante, mesmo assim continuamos o caminho apesar de não sabermos nada sobre o lugar onde estávamos.

Cristais verdes começaram a brilhar nas paredes de ambos os lados da caverna, o que me ajudou relaxar um pouco.

O que eu não precisava era que algum deus surgisse agora nos obrigando a fazer alguma maluquice para provar que somos capazes de fazer o que Wendell nos incumbiu. Eu estava sentindo que isto iria acontecer em algum momento ali naquela caverna.

Embora eu estivesse com medo de encontrar algum deus ou um monstro, a prioridade era encontrar Jane e as meninas para sairmos o mais rápido dali. Não sei dizer o porquê, mas fiquei pensando no que poderia ter feito àquela caverna, pois fora feito de forma circular e perfeitamente.

– Estou sentindo alguma coisa. – disse Yasmim.

– É apenas fome, coma alguma coisa que passa.

Meu medo começara a transparecer. Ana e Yasmim me encararam.

– O que foi? Estou tentando ser otimista. – me defendi – Tomara que Dexter esteja bem.

– Ele está, pode ter certeza! – disse Ana.

– Não quero ser pessimista, mas como você sabe que ele esta bem? – quis saber Yasmim.

– Huracán apareceu e levou Dexter enquanto caiamos.

– Por que você viu Huracán e nós não?

Ana deus de ombros e continuou caminhando.

– Tem algo errado com ela. – Yasmim sussurrou ao meu ouvido quando Ana já estava a uma distancia razoável para que não ouvisse.

– Acredite, também não estou confortável com isso. Por que Huracán pegou Dexter em meio à queda?

Yasmim balançou a cabeça negativamente.

– Vocês virão ou não? – irritou-se Ana com a nossa demora.

Ouvimos um estrondo e poeira caiu do teto da caverna. Depois de doze longos minutos caminhando entre as pedras brilhantes a ação nos encontrara, ou talvez fosse o contrario.

A parede ao nosso lado direito explodiu, criando um novo caminho. Quatro garotas surgiram e uma delas estava com o braço direito envolto no ombro de uma de cabelos curtos, pois seu tornozelo estava roxo.

Jane parecia melhor do que quando a encontramos.

– Vamos! – gritou Emilly.

Elas saíram correndo a nossa frente, e obviamente as seguimos.

– O que está acontecendo? – eu perguntei.

– Aconteça o que acontecer não olhe para trás. – disse Jane – Um Basilisco está nos seguindo.

De fato, eu escutava algo rastejando rapidamente em nossa direção, e não era pequeno.

– Onde está Dexter? – perguntou Yasmim.

– Está nos aguardando na sala no final deste túnel. – respondeu Emilly, enquanto carregava Larissa o mais rápido que conseguia.

Eu não sei como ela sabia disso, mas era alguma coisa. Talvez ela tivesse alguma habilidade capaz de sentir os vivos.

Era possível sentir o hálito do Basilisco.

A nossa frente estava uma porta velha que parecia que iria cair a qualquer momento. A porta se abriu para que pudéssemos entrar, mas o Basilisco ainda estava atrás de nós e cada vez mais perto.

Eu estava na esperança de conseguir chegar à porta antes de ser pega pela cobra gigante. Eu não fui pega, pelo menos não pela cobra gigante.

Trepadeiras surgiram no chão de repente e ganharam vida. Eu fui amarrada por algumas, mas felizmente, Yasmim as cortou com a sua espada para me libertar.

Para nos alegrar, o Basilisco estava envolto pelas trepadeiras vivas e não conseguia se soltar. A cobra gigante se contorcia de dor, pois onde as trepadeiras estavam tocando começava a sair fumaça.

– Elas estão se alimentando. – disse Larissa, que ainda estava sendo carregada por Emilly.

Nós passamos pela porta aberta que se fechou logo em seguida.

Para a nossa surpresa e felicidade, Dexter estava deitado no canto da sala enquanto uma garota o acariciava.

A garota não era uma criança, mas agia como se fosse. Seus cabelos eram azuis-claros e sua pele era clara. Ela vestia roupas normais para uma garota, como uma camiseta branca e uma bermuda jeans que chegava até os joelhos.

A misteriosa garota se levantou quando notou a nossa presença. Seus olhos brilhavam intensamente em um tom de dourado.

– Esperávamos por vocês. – disse ela em um tom meigo.

Do outro lado da sala estava um homem com os cabelos rebeldes e cavanhaque que me lembrava de um bruxo que eu assistira no cinema. Seus olhos eram castanhos e sua pele morena. Ele tinha um chifre em cada lado da cabeça e não usava calças por causa de seus cascos e pernas peludas. Ele usava apenas um colete marrom por cima de uma camiseta verde.

– Você esperava. – retrucou o sátiro – Ares avisou que vocês chegariam. Isso significa que posso ter o castelo em minhas mãos novamente. Irei reconstruí-lo assim que eu voltar à superfície.

Com um estalar de dedos o deus sátiro desapareceu.

– Não ligue para Pã, ele anda meio irritado. – disse a garota – Eu precisava encontrá-la minha amiga. Preciso de ajuda.

– Aconteceu algo errado? – perguntou Jane.

– Atena e os seis semideuses foram capturados e não posso salvá-los sozinha.

Jane parecia chocada, e eu também, aliás, era da minha mãe que a garota falara.

A deusa olhou para cada uma e parou em mim.

– Me desculpem meninas. – disse ela – Eu sou Hebe, a deusa da juventude e guia dos escolhidos de Atena.

Eu não sabia o que sentir, se ficava feliz ou preocupada.

Jane nos olhou em busca de aprovação, e conseguiu.

– Nós iremos ajuda-la. – eu disse à Hebe – Onde eles estão exatamente?

– Hyperion os está mantendo no Monte Vulcano. Os Titãs estão usando a montanha como sede desde o desaparecimento de Hefesto.

Aquela noticia pareceu deixar Ana chocada, o que me deixou um pouco menos preocupada, pois até aquele momento ela não havia demonstrado emoção alguma. "Os deuses elementares estão em perigo", dissera Héstia, e como Hefesto tinha propriedades com fogo, ele poderia estar na mesma situação que Huracán. Tentei espantar tal pensamento.

– É apenas impressão minha ou há muitos deuses envolvidos nisso? – quis saber Larissa.

– A verdade é que todos os deuses estão envolvidos nesta guerra. É algo nunca visto antes, um inimigo nunca enfrentado. Até o momento ninguém sabe quem é ele.

– Eu soube que Hera enviou Iris para pedir ajuda aos egípcios é verdade? – perguntou Jane.

– Sim, mas eles estão com os próprios problemas. Apolo e Ártemis ainda não voltaram. Antes de Zeus sair ele enviou os dois para recrutar aliados.

Dexter bocejava no canto da sala e se espreguiçava.

– Há um boato sobre uma profecia na qual tem um prazo para esta guerra acabar. – disse Pã, que surgira na sala carregando uma revista sobre a mata Amazônica.

– O que diz a profecia? – perguntei ao deus selvagem.

– São apenas boatos, já verifiquei e não existe.

– Atena disse que alguns deuses estavam se rebelando, mas que mudaram de lado. Hipnos disse que se trata de uma magia antiga que se tornou obscura. – disse Hebe.

– Seja quem for essa coisa, nos queria como aliados. – revelou Yasmim – Clítio disse que ele estava recuperando seus poderes.

Pã fez uma careta ao ouvir o nome de Clítio.

– Bem, temos um titã para derrotar! – exclamou Emilly.

Pã bufou.

– Será uma bênção se conseguirem derrotar um deles, mas já aviso que Cronos espera por vocês e ele esta irritado por receber ordens.

– Estamos perdendo tempo! – irritou-se Hebe – Onde foram as filhas de Hefesto e Apolo?

Olhei em volta, de fato, Ana e Ysla não estavam mais ali.

– Como elas saíram? – disse Yasmim entrando em desespero pelo sumiço da irmã.

– Sigam para o Monte Vulcano. – disse Pã – Tenho certeza de que elas estão indo para lá.

– Espero que sim. – disse Yasmim num suspiro.