Eu sou Ysla Hudgens, filha de Apolo, o deus do sol e da poesia.

– O que Héstia quis dizer com "a sua busca vai chegar ao fim"? – perguntei a Jane.

Já tínhamos caminhado por quase meia hora. O que podíamos ver de Olímpia era apenas um vislumbre das colinas que cercavam a cidade.

– Eu sou a primeira filha de Huracán – começou Jane – Minha mãe era uma deusa e os dois se amavam loucamente, até que chegou um dia no qual ela desapareceu...

Jane tomou fôlego para continuar.

– Meu pai montou algumas equipes de busca, mas nunca a encontraram. Alguns séculos depois, nos mudamos para Roma e meu pai ficou conhecido como Wendell, nome que ficou até os dias de hoje. Naquela época ele estava deprimido e buscava conforto com mortais. Minha mãe nunca foi encontrada. Ele diz que eu sou exatamente como ela.

Jane deixou algumas lágrimas caírem, mas logo recuperou a postura.

– Houve uma guerra contra os semideuses filhos do fogo. Meu pai ficou envolto de raiva. Ele conheceu Héstia alguns anos depois da guerra. No dia do casamento meu pai recebeu uma profecia...

Jane parou de falar ali. Ela havia dito que os deuses estavam apreensivos. Se Hera estava assumindo o lugar de Zeus era porque algo relacionado a tal profecia estava começando, e eu sabia que seriamos parte nisso, mas até agora ninguém nos dissera o conteúdo da profecia.

– A profecia de Delfos – lembrara Jane, que tirava o pedaço de papel do bolso da calça jeans.

Ela recitou a profecia para que todas pudessem ouvir:

A filha do fogo com seis semideusas caminha

A mãe antiga, a casa ilumina.

A Casa da Esperança com um segredo a revelar,

Da morte de um deus, o caminho a queimar.

Ninguém entendera os seus versos, mas a profecia confirmava o nosso destino: a Casa da Esperança.

A noite nos perseguia lentamente, mas não demorou até dominar todo o céu. A lua brilhava intensamente. Montamos um pequeno acampamento para podermos descansar.

Ana produzira fogo com suas mãos para fazer uma fogueira. Aos poucos estávamos descobrindo nossas habilidades.

A grama do campo em que estávamos era confortável como minha cama. Ficamos contando histórias e fazendo perguntas à Jane para sabermos o que poderíamos enfrentar.

– Achei que Huracán fosse um deus maia – disse Kayanne.

Jane a olhou como se esperasse pela pergunta. Ela sentou-se de pernas cruzadas.

– Isso é verdade! Ele foi o grego que criou a civilização maia. Um dos deuses primordiais. Wendell conviveu com Caos depois de nascer, um tempo depois ele foi para a América depois que o mundo foi feito, para começar algo. Ele era o deus das tempestades, dos ventos e do fogo. Mas houve um dia em que decidiu renascer. Assim ele nasceu como filho de Zeus e Hera, usando o mesmo nome que tinha antes, Huracán. Dizem que ele era o deus do destino, o pai das musas.

Uma história estranha, confesso. Mas o que não era estranho agora? Difícil responder. A casa segundo o impossível se tornava realidade, eu ainda não estava acostumada a magia dos deuses gregos. Talvez demorasse um pouco até acostumar.

Emilly também se sentara com as pernas cruzadas.

– O que significa? – perguntou ela, apontando para o medalhão de Jane.

O objeto era retangular de cor vermelha, e emitia muito calor, que me fez pensar em como Jane conseguia suportar.

– Um presente do meu pai. Este medalhão aumenta a frequência e a potência de algumas de minhas habilidades. Ele pertenceu a minha mãe.

Aquele parecia se um assunto delicado. "Sua busca vai chegar ao fim", dissera Héstia para Jane. Séculos separadas e agora elas iriam se encontrar. A questão era como e onde?

Meu sono teria sido tranquilo se eu não tivesse em um quarto em chamas com Wendell me encarando.

– O que vocês precisam está em um castelo ao norte. Avise Jane. – disse Wendell.

Acordei com os primeiros raios de sol. As outras meninas ainda dormiam, cansadas pela caminhada do dia anterior. Fiquei me perguntando se elas também sonharam com Wendell.

Contei a Jane o que ele dissera durante o meu sonho enquanto tomávamos o café da manha recheado de frutas.

– Não se preocupe – disse Jane – isto é normal para a maioria dos semideuses.

Emilly a observava.

– O que há neste tal castelo? – perguntou Yasmim.

– Provavelmente suas armas. Que estão muito bem guardadas.

– Parece um desafio. – disse Kayanne.

Jane assentiu de forma exagerada.

Yasmim nos guiara até um pequeno riacho para que pudéssemos no lavar e seguir a viajem.

Jane invocou uma espada negra e a colocou na bainha que surgira do lado esquerdo de seu cinto.

Seguimos o riacho que Yasmim encontrara até onde a água caia em uma cachoeira. Ali do alto, era possível ver o enorme castelo onde possivelmente nossas armas estavam.

Descemos por um caminho de terra ao lado esquerdo do fim do rio. O caminho tinha diversas rochas e algumas dificultaram a nossa passagem, mas não demorou mais do que quinze minutos para estarmos em chão plano outra vez.

O castelo tinha altos muros formados por blocos de pedra. A frente, o enorme portão estava aberto, na esquerda e na direita havia altas torres.

– Precisamos nos dividir, ou seremos facilmente detectadas. – disse Jane.

Todas nós concordamos com a ideia e Jane nos dividiu. Eu, Ana e Yasmim, iríamos para o lado direito; Emilly, Larissa e Kayanne iriam para a esquerda.

– Mas e você? – perguntou Emilly.

– Eu tenho assuntos pessoais a resolver com uma feiticeira.