O Jogo dos Deuses: A Casa da Esperança
5 Emilly: A vingança de alguns fantasmas
Eu sou Emilly Graham, filha de Hades, o deus do submundo.
Ao lado da torre havia uma porta de madeira, na qual Kayanne usou um grampo de cabelo para abrir. O corredor era muito estreito e gelado, tivemos que andar uma atrás da outra já que não havia espaço suficiente para andarmos lado a lado.
Chegamos à torre circular sem problema algum. Um largo corredor se estendia a nossa frente e uma escada em espiral levava para cima a nossa esquerda.
Passos pesados ecoaram pelo largo corredor. As armaduras vazias que estavam presas à parede começaram a tremer, e no fim do corredor surgiu um grupo de homens carregando espadas e lanças.
– Lá estão elas. – gritou um deles. Aparentemente eles não queriam conversar.
Larissa apontou para a armadura mais próxima e fechou os olhos. Eu senti um arrepio extremamente forte.
A armadura ganhara vida.
– Nos proteja. – disse Larissa à lata ambulante – Acorde os outros.
A armadura correu para seus irmãos e um a um eles foram acordando e formando uma linha de frente. Alguns arriscavam lutar contra os homens.
– Vamos. Precisamos encontrar Jane e sair daqui antes que eles passem por aquelas coisas. – disse Kayanne.
– Não se esqueça das armas. – lembrou-lhe Larissa.
Nós subimos a escada em espiral. A sala que entramos era circular e muito gelada. Havia dois objetos pendurados à parede.
Uma névoa de cor roxa começou a surgir ao nosso redor. A escada em espiral desaparecera ou já estava encoberta pela névoa.
– Estava começando a achar que vocês não viriam. – disse uma voz feminina vindo da parte mais densa da névoa, por onde a névoa começou a ser sugada.
A nossa frente estava uma garota linda. Partes de seus cabelos castanhos estavam em tranças. Um de seus olhos era verde e o outro azul. Ela vestia uma calça jeans colada às pernas e uma camiseta com diferentes tons de vermelho na horizontal.
A deusa parecia feliz em nos ver e eu não sabia se sentia medo ou o contrário.
– Você é Iris, a deusa do arco Iris. Estou certa? – perguntou Kayanne.
– Certíssima. – respondeu Iris com enorme animação — Huracán disse que vocês viriam, e ai estão vocês.
Larissa a olhou.
– Ele disse?
– Sim. Huracán pediu para que eu desse as armas a vocês, mas antes precisam provar que merecem.
Nós três franzimos as testas.
– Como assim provar? – perguntei.
– Huracán deixou claro de que vocês só deverão possuir tais instrumentos se fizerem por merecer.
– O que precisamos fazer?
Iris sorriu e a sala pareceu clarear.
– Há uma feiticeira na sala do trono que está mantendo a filha do fogo e mais três semideusas em uma jaula. Basta libertá-las. Voltaremos a nos ver assim que conseguirem.
Iris desapareceu e levou as armas consigo. Teríamos que fazer por merecer para seguirmos viajem.
– Por que precisa ser estas armas? – questionou Larissa.
– Porque são presentes dos deuses – respondeu Kayanne – São armas feitas para cada uma, como se estivessem personalizadas com as nossas habilidades.
Enquanto descíamos a escada em espiral eu fiquei pensando em como resgatar as meninas, mas era uma armadilha e estávamos indo direto para ela. A feiticeira, quem quer que fosse, estava a nossa espera.
Larissa parecia preocupada, talvez o fato de encontrar uma feiticeira do mal não a agradava, mas ela poderia ser a única a derrotá-la. Magia contra magia.
O exército de armaduras que Larissa acordara estava a nossa espera quando descemos. Os homens que antes estiveram ali pareciam ter se transformado em estátuas e depois destruídas, pois o chão estava repleto de pedaços de pedra. Sem querer eu pisei em um nariz de pedra que ficou em pedacinhos.
Estávamos sem armas e seguindo para uma armadilha que eu não decidira se seria mortal ou não.
Seguimos pelo largo corredor lotado de pedras pequenas e janelas de vidro estilhaçadas.
Entramos em diversos corredores até pararmos em frente a uma enorme porta de ouro maciço.
Não sei como eu fiz, mas abri a porta apenas em pensar como abri-la. Talvez Larissa tenha feito algum feitiço para abri-la ou alguma coisa do tipo.
As portas abriram para dentro lentamente. Um trono esculpido em uma rocha ficava no fundo da enorme sala.
Uma mulher de cabelos azuis estava sentada com suas mãos em um cajado quase transparente.
Ela riu maliciosamente para nós três.
– Mais três brinquedos de Huracán. Isto está ficando cada vez mais interessante. – disse ela em tom de sarcasmo – Os deuses estão achando que doze semideuses poderão deter a nossa vingança. Querendo ou não vocês irão perecer.
Eu não fazia ideia do que ela estava falando, mas achei a hora perfeita para enrolar a feiticeira. Felizmente, Kayanne tinha pensado o mesmo que eu, e Larissa parecia apavorada.
– Nós somos apenas sete. – indagou Kayanne.
– Você parece com sua mãe, filha de Atena. Os deuses estão escondendo muitas coisas de vocês lindinhas, aliás, ela é filha do fogo não é uma semideusa, ela é filha de dois deuses antigos. Ela está guiando vocês para a morte minhas queridas.
Jane estava com as outras meninas, presa dentro de uma enorme jaula com um tigre branco, ao lado direito da feiticeira.
Jane era imortal, sabíamos disso, pois ela fora a primeira filha de Wendell, quando ele era feliz ao lado de sua esposa que desaparecera misteriosamente, fazendo com que ele desejasse renascer. Pensar na origem de Wendell (antes de ser filho de Zeus) era a mesma coisa que pensar na origem de Caos, ou quase isso.
Larissa estava ficando pálida, eu não sabia dizer se a feiticeira estava fazendo isso ou não.
O exercito de Larissa não nos seguira. Estávamos sozinhas.
– Junte-se a nova ordem minha irmã. – disse a feiticeira, voltada para Larissa.
– Não serei como você Circe! – gritou Larissa, e sua cor voltou rapidamente.
A feiticeira Circe a olhou com raiva.
– Então morra!
Homens se levantaram do chão, preparados para a luta com suas lanças e espadas.
– Plano B? – perguntou Larissa.
– Temos um plano B? – questionei.
– Vamos fazer por merecer. – respondeu Kayanne – Emilly, eu e você iremos distrair essas pedras ambulantes. Larissa, você é a filha da magia.
Larissa entendera o recado e partira para a luta contra a própria irmã.
Eu pegara uma espada de pedra inquebrável depois de ter chutado um dos homens. Não importava se os matávamos, eles se regeneravam e ficavam mais furiosos.
– Emilly, tente manter essas coisas mortas. – dissera Kayanne.
Eu quase questionei, mas lembrara de quem eu era filha. Decapitei um dos homens e me concentrei em mantê-lo morto. Funcionou.
Não demorou muito até restar apenas um, que Kayanne cortou na vertical.
Larissa estava em apuros.
Diferentemente dos homens de pedra, Circe era muito poderosa e tudo o que Larissa tinha feito até agora era ter invocado armaduras vazias. Então eu tive uma ideia.
– Kayanne, liberte as outras. Pense naquelas armaduras Larissa.
Teria sido uma ótima ideia, mas foi perfeito.
As armaduras apareceram entre as portas de outro maciço que estavam abertas.
De alguma forma eu podia sentir um pouco de raiva emanando das armaduras.
Larissa lutava com uma espada que pegara do chão e Circe com o seu cajado semitransparente.
– Em nome de Hades, eu permito que tenham sua vingança. – eu disse as armaduras.
As armaduras brilharam e um corpo surgiu dentro de cada uma.
– Muito obrigado por permitir nossa vingança filha de Hades, agora iremos partir felizes quando terminarmos com Circe. – dissera o aparente líder.
Eu assenti e o exercito caminhou até Circe, que ainda não percebera o que estava acontecendo, e quando percebeu já era tarde demais.
Circe tentou se desvencilhar, inutilmente.
– Você vai pagar quando eu voltar!
Circe foi colocada de joelhos e o líder caminhou até estar de frente para ela e agachou.
– Em nome do Lorde do Submundo, e a mando para as profundezas do Tártaro!
O líder se levantou e sacou sua espada brilhante. Ele a cravou no peito de Circe, e ela gritou até se desintegrar por completo.
O líder me olhou agradecido antes de desaparecer junto com sua armadura.
Larissa me olhou abalado. Ela conhecia Circe, e isto era assunto para mais tarde, de acordo com o olhar que ela me lançou.
Iris surgira de pé em frente ao trono. Ela carregava o cajado de Circe e uma tiara preta.
– Parabéns pequenas semideusas. Vocês fizeram por merecer. Agiram muito bem.
– Iris – disse Jane – Meu pai escolheu outros deuses para guardar as outras armas?
– Sim. Creio que o próximo desafio de vocês não seja tão simples quanto este.
– Seria pedir demais deixar o nosso caminho livre? – reclamou Jane.
– Seja como for, aqui estão às armas. O anel para a filha da sabedoria, que lhe permite ter a arma que desejar durante a batalha.
Iris tirou o anel de ouro do bolso de seu jeans e o entregou à Kayanne, que colocou o anel em seu dedo médio.
– A tiara de Perséfone para a filha de Hades, que lhe permite ter o controle de quem quiser, além de ficar invisível.
Eu me adiante para pegar a tiara da minha madrasta e o coloquei em minha cabeça.
– E por último, o cajado de Circe para a filha da magia, que possui um poder impressionante.
Iris entregou o cajado de Circe para Larissa, e o mesmo se transformou em um bracelete, que ela colocou em seu antebraço direito.
– Boa sorte em sua jornada. – desejou Iris, enquanto desaparecia.
Ysla fazia carinho no tigre branco que fora preso junto com ela.
– E este tigre? – perguntou Kayanne.
– Foi enviado pelo meu pai para nos ajudar. – respondeu Jane – É um de seus símbolos.
– Bem a cara dele. – comentou Larissa.
Jane riu.
– Dexter irá nos levar até as outras três armas e adiante.
– Achei que estariam todas aqui. – disse Yasmim.
– Todas nós achamos. – eu disse – Vamos logo, estou com fome.
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