Notas iniciais
Huehueuhue, voltei com um cap. fresquinho para vcs, cupcakes. Espero que gostem, boa leitura! Um obrigado especial aos que comentaram e favoritaram a fic. Beijo para vcs, seus lindos :3

Três dias após seu primeiro ato, o homem seguia para a casa de sua próxima vítima. Dessa vez ele possuía motivos para brincar o jogo da forca, não iria atingir a pessoa que o maltratara na infância de forma direta. Queria devolver na mesma moeda toda a pressão e medo físico e psicológico que sofrera.

Se esgueirando pelos galhos da floresta, seguindo rumo para a cidade, ele cantarolava baixinho uma das musiquinhas que inventara quando era pequeno para não se sentir tão só, mas que já tinham uma conotação psicótica.

“Pelo bosque das almas perdidas,

Ao vento enforcadas,

Escuta-se a partida

Das desgraçadas.

Não tenha medo,

Já se foram

E agora todas as dívidas

Estão pagas...”

Era medonho uma criança criar algo assim, mas ao pronunciar as palavras ele sorria e colocou a máscara, pois já estava mais perto da cidade. Sempre tão pacata aquela cidade era, tão fácil de fazer o mal. Isso porque nunca esperariam que lhes fosse feito algo ruim, não quando todos se conheciam e se davam bem e se respeitavam, à exceção dele.

– É como se, quando eu fui embora, a vida deles tivesse melhorado. Como se eu fosse a maldição que os atormentava. Mas agora eu voltei e vou terminar o trabalho que uma maldição faz.

XxX

– Papai, dorme comigo hoje? Estou com medo. – O menino dizia ao pai.

– Mas medo de quê? A mamãe e eu estamos aqui, não é? – o pai se aproximou da cama novamente e sorriu com ternura – Nós estaremos no fim do corredor, se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, é só gritar bem alto!

– E se eu não conseguir gritar? Como vai poder me ajudar?

O pai pensou por um instante e tornou a falar:

– Desde que você nasceu, o papai sabe o que vai acontecer. Eu apenas sinto e eu geralmente estou certo. Sempre vou estar aqui para te ajudar a levantar, tudo bem?

– Certo.

– Muito bem. Boa noite, homenzinho.

Mais uma vez o homem se dirigiu à porta, olhou para trás novamente e apagou a luz ao sair.

– Só acho que ele confundiu os poderes dele com os da mamãe. – o garotinho falou para si, sorriu no escuro e fechou os olhos.

***

– Ele dormiu? – a esposa perguntou.

– Quando saí de lá ele ainda estava acordado. Disse que tinha medo e pediu para eu dormir lá.

– Ele vai ficar bem.

Bianca e Theodore haviam se conhecido ainda na escola, aos dezesseis. Foram para a faculdade juntos e voltaram à Crimson Hill casados, Alex já estava no ventre dela. Bianca decidiu trabalhar na pet store da cidade enquanto ele seguia para a delegacia todas as manhãs.

– É claro que vai, ele sempre fica. – Theodore juntou-se à esposa em frente à lareira. Em todos os anos que passaram ali, aquele inverno parecia ser o mais rigoroso.

– Como vão as coisas no trabalho? – ele indagou enquanto sorvia o chocolate quente.

– Ridículas e preocupantes. Acredita que um maluco enforcou uma jovem, Giovanna Aidensen, depois de jogar uma espécie de jogo da forca da morte. Cada psicopata por aí, estamos investigando, mas temos poucas evidências de por onde começar...

XxX

Um gato alaranjado estava parado no meio do corredor. Qualquer barulho ele mexia as orelhas. Não era um cão de guarda, mas era um baita alarme pelo fato de ser calmo e dificilmente se alterar.

O Mascarado conseguira pular o muro da casa e seguir na direção do quarto da criança que já dormia profundamente. Com passos silenciosos, ele chegou à janela do quarto e, para a sua felicidade, ela estava destrancada. Raios! Nunca assistiram filmes de suspense ou terror?

Antes de passar as duas pernas para o lado de dentro do cômodo, o homem pensou que talvez uma criança daquela não soubesse jogar aquele jogo e faria muito barulho se acordasse.

Com muito cuidado para que não pisasse em qualquer tábua eventualmente solta e fizesse barulho, ele andou até o lado da cama e observou o garotinho dormindo tranquilamente. Começou a sentir um pouco de remorso por despejar sua raiva em uma pessoa inocente, mas, ao mesmo tempo, se lembrou de todas as coisas ruins e palavras humilhantes que o progenitor daquela criança dissera quando eram mais jovens.

Alex se remexeu na cama e sentiu que alguém lhe observava. Em um rápido movimento, ele se virou e arregalou os olhos. Pronto para gritar, sentiu uma mão em cada lado de sua cabeça e crack!, seu pescoço fora girado em alguns graus, deixando-o com um aspecto estranho.

Mas não havia terminado ali, não mesmo. Ainda queria fazer seu joguinho insano. Rapidamente pegou um dos lençóis do garoto e fez um laço, deixando o tanto certo de espaço para por no pescoço.

Amarrou bem firme a outra ponta em uma das hélices do ventilador de teto do quarto. Puxou o suficiente para que os pés de Alex ficassem encostando de leve no colchão e ligou o ventilador, deixando em rotação mínima.

Cuidado para não ficar tonto, rapazinho, ele pensou ao olhar o Alex girando por conta do ventilador.

Sacou sua canetinha preta do bolso e escreveu em garranchos na parede azul claro do cômodo:

“Ele não sabia como é o jogo da vida, então também não soube o jogo da forca. Nem nunca saberá.”

E com a vermelha, escreveu com a letra mais garranchada ainda, quase ininteligível:

Pensou em deixar a porta entreaberta, mas se lembrou que eles tinham o gato e este poderia ser um empecilho.

Decidiu, por fim, sair do local. Deixou a janela exatamente como estava quando chegou. Ainda bem que não havia areia ou qualquer outra coisa que indicasse rastros de seus pés. Por ter uma altura considerável, facilmente conseguiu enxergar o lado de fora da propriedade.

Tudo estava calmo, como sempre. A lua cheia iluminava bem as redondezas, ele só esperava que ninguém ao longe o observasse. Com cuidado para não deixar nada cair de seus bolsos ou fazer algum ruído, Mascarado se apoiou no muro e passou para o lado oposto.

Enquanto caminhava de volta para a fronteira entre a cidadezinha e a floresta, ele percebeu que a luz de uma casa, precisamente no quarto de um segundo andar, estava acessa e por trás das cortinas viu curvas femininas. Curvas jovens.

Instantaneamente pensou no que uma jovem queria ao mostrar seu corpo assim. Qualquer marmanjo com más intenções poderia destratá-la com palavras ao vê-la. Logo meneou a cabeça e acreditou que devia uma lição àquela moça de que não se deve mostrar o corpo ao ares. Para isso que existiam as regras de conduta.

Ao se virar, atravessou a fronteira entre o civilizado e o selvagem e se sentiu relaxado, mas atento o seu redor. Rumou para sua barraquinha no coração da floresta. Enquanto escondia seus preciosos instrumentos de trabalho, imaginou a reação de Bianca e Theodore ao encontrarem o filho na condição de assassinado e sorriu.

Um sorriso que se transformou em uma gargalhada desgovernada. Ele rolava de um para o outro com as mãos na barriga e os olhos lacrimejando. Estava sentindo aquela sensação de bem-estar novamente e foi incrível. Agora usaria todos os seus motivos de amargura contra aquelas pessoas e ai de quem cruzasse seu caminho. Tão miserável seria.

Notas finais
Gostaram? Me deixem saber o que se passa por essas cabecinhas, ok? Até o próximo cap!