Notas iniciais
Bom, estou animada com essa fic,então decidi logo postar mais um capítulo para vocês. Esse capítulo está algo mais intimista e parado, mas o próximo vai ser mais legal. Boa leitura, cupcakes!

Na manhã seguinte, Theodore se levantou e foi ao banheiro enquanto Bianca fazia o café da manhã. Tudo estava tão calmo, ninguém da delegacia ou da pet store havia ligado ainda, de vez em quando isso acontecia.

Era um dia comum, mas havia algo de estranho naquela manhã. Ao pegar dois ovos na geladeira, a mulher viu o desenho que Alex fizera dos três na nova casa com o gatinho alaranjado deles na entrada.

E ela sentiu.

Deixou tudo o que estava fazendo e correu para o quarto do filho.

Um grito estridente agravou a situação. Theodore deixou sua escova de dente cair na pia, rapidamente lavou a boca e foi ver o que se passava do outro lado do corredor e logo entendeu a exasperação da esposa.

O filho, Alex, estava pendurado pelo pescoço à hélice do ventilador que girava lentamente. Seus pezinhos roçavam no colchão. Sua primeira atitude após gritar o nome do garoto foi desligar o ventilador. Com muito cuidado, como se a criança fosse sentir dor, desamarrou-o do objeto e deitou-o na cama.

O pescoço do menino estava com uma marca roxa, mas Theodore percebeu que a região fora lesionada e não houve somente asfixia ali. Já tinha olho para definir esse tipo de coisa. Bianca se agarrou a Alex e chorou como se fosse outra criança. O esposo chorou silenciosamente. Somente lágrimas mornas escorriam por seu rosto. Quando ele sofria demais era assim que demonstrava. O silêncio pode expressar mais mensagens do que palavras.

– Eu vou destruir quem fez isso a Alex! Meu filho! Meu filho! – Bianca agora gritava e se balançava levemente para frente e para trás.

XxX

Mascarado abriu os olhos e percebeu que começara a chover. Ele gostava do barulho da chuva, mas não gostava de chuva. Ela o deixava deprimido e arrependido, não era bom. Não se importou de fechar a janelinha da cabana. Seu cachorrinho estava ali também, encolhido em uma bola de pelo. As gotas pulavam do parapeito e respingavam para dentro do local.

Sentia-se morto no momento. Com as pernas esticadas e as mãos cruzadas sobre a barriga, ele observava o tempo passar até parar de chover e quando parou ele não quis que o sol viesse à tona.

Mas o sol veio. O homem não se levantou. Viu o cãozinho sair uma centena de vezes e voltar também. Ele mal se mexia, aquela chuva não tinha feito bem mesmo. Pela tarde percebeu que seu estômago doía e soava alto. Ainda assim ele não se levantou.

O animal a que ele batizara de Pug, mesmo não sendo um pug, finalmente se aquietou ao seu lado e ganiu baixinho, sabia que as coisas não estavam bem, não recebera carinho em nenhum momento.

Uma última vez, se levantou. Ouviam-se suas pegadas no chão de madeira gasto. Dessa vez trazia algo na boca. O homem reconheceu o pedaço de papel, era uma foto de turma. Todos tinham o rosto riscado com um “X” ou desenhos que desfiguravam as faces, menos a dele, a de Mary e a do padre Giuseppe. Os únicos que não o destrataram.

– Obrigado, amiguinho. Desculpe, não estou bem. Espero que tenha comido algo hoje. Quer dormir por perto?

O animal soltou um ganido e apoiou a cabeça na barriga do homem.

Pela primeira vez no dia ele contraíra a boca e não fora para falar. Ultimamente, poucas coisas o faziam sorrir.

– Não sei quem sou, Pug. – Olhou para o teto e uma lágrima percorreu sua têmpora até molhar seus cabelos negros.

Pug ficou apoiado de maneira confortável perto do rapaz. Ao longe se ouviam os uivos de uma matilha e assim os dois adormeceram.

XxX

– Mary, o jantar está pronto! Desça logo antes que esfrie.

A ruiva revirou os olhos e continuou penteando seus cabelos sedosos. Já estava vestida com suas roupas costumeiras, um vestido floral e a roupa íntima, gostava de ficar descalça e sentir o solo em que pisava.

– Estou já descendo. – ela respondeu de volta e passou perfume.

Os pais já estavam à mesa, assim como suas irmãs mais velhas, Anna e Lisa.

– Aí está a princesa da casa! – o pai comentou sorrindo. As irmãs não tinham ciúmes de Mary, afinal fora criada em um ambiente de amor, todas elas.

Abraçou o pai e sentou-se também. Agradeceram ao Senhor pela vida que tinham, pela comida que estava posta ali e fizeram uma rápida e pequena prece aos que não tinham nada e viviam em condições ruins.

– Ficaram sabendo dos assassinatos que houve nos últimos quatro dias? – Anna comentou com a boca cheia de batata.

– Não converse, principalmente esse tipo de coisa, à mesa. Respeite nosso Senhor. – A mãe a repreendeu, ao passo que a jovem apenas remexeu os ombros e bebeu um pouco de suco.

– Coisa horrível, jamais gostaria de passar pelo que a família dessas pessoas está passando. – o homem comentou e sua esposa lhe devolveu um olhar duro de advertência – Minhas meninas são tudo para mim. – Falou para amenizar a situação e piscou para a esposa.

***

– Boa noite, meninas. – o pai disse e desligou os abajures em cada criado-mudo.

As três responderam em uníssono e se calaram por um tempo.

– Quem vocês acham que é? – Lisa perguntou.

– Quem é quem? – Mary não havia percebido ainda de quem a irmã falava.

– Ora, “quem é quem?”. A pessoa horrível que está fazendo estas atrocidades. Nunca soubemos de ninguém cometendo esse tipo de coisa por aqui. Talvez em cidades vizinhas, mas aqui, me recuso a acreditar.

– Não faço a mínima ideia. Estou assustada com isso. É algo recente. Quer dizer, pode acontecer com qualquer um de nós, nossos familiares e outras pessoas queridas! – Anna se sentou e moveu a cabeça para os lados, onde estavam suas irmãs, mas estava tudo muito escuro e não dava para ver nada.

Mary bocejou e se virou para a parede, ignorando a aflição desnecessária de Anna para o momento.

– Fique tranquila, a polícia vai conseguir encontrar o culpado, agora descanse, está tarde.

– Espero mesmo. Esses criminosos parecem estar sempre um passo a frente da polícia. – Anna deitou-se novamente e tentou dormir.

Notas finais
Então, o que acharam?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.