O Jogo Da Morte
7 Batalha De Gênios
Notas iniciais
A tarde estava nublada, como sempre, enquanto os demônios vermelhos descansavam sentados no terraço da casa de Skyne, e se alimentavam.
Desde que decidiram formar uma guilda, os três têm passado muito tempo juntos, tornando-se até amigos. Até mesmo Riley, que sempre foi antissocial, estava gostando da companhia de Lix e Skyne, apesar de várias vezes eles acabarem brigando, por causa das idiotices de Skyne, da bipolaridade de Lix e do mau-humor de Riley.
– Sabe o que a gente tinha que fazer? – disse Lix, assim que terminou de engolir o que estava mastigando – Para a guilda evoluir, a gente tinha que começar uma investigação!
– Investigação? – Riley se interessou, parando de olhar para a cidade de cima do terraço e se virando para Lix.
– É! – prosseguiu ela – Pra saber quem é o morto! Seria muito mais fácil para nós se soubéssemos quem é e pudéssemos evitar.
– Ahahaha! – riu Skyne, de uma forma implicante – E como pretende descobrir isso?
– Como eu disse, idiota! – Lix se irritou – Vamos investigar! Lembre-se que pode ser qualquer um!
– Bem, – disse Skyne relaxado, colocando as mãos atrás da cabeça – eu sei que não é nenhum de nós, pois eu posso ver a alma de vocês, e um ser morto não tem alma.
– É, você pode ver nossa alma, – disse Riley num tom frio e desconfiado – mas nós não podemos ver a sua.
O tom de Riley foi bem sugestivo, então um silêncio pesado tomou conta do local enquanto os três se entreolhavam desconfiados. Skyne então decidiu se defender:
– Tá desconfiando de mim, cara??? Justo eu? Nossa, que do mal você! – dramatizou ele enquanto se levantava
– Eu duvido muito que ele seja o morto, é burro de mais pra isso – implicou Lix, tendo como resposta do loiro, um revirar de olhos.
– Pode ser você também, sabia? – desconfiou Riley
– Eu??? – foi a vez de Lix de ficar indignada – Impossível! Até o taradão aqui disse que eu tenho alma! – apontou para Skyne
– Ele pode ser seu cúmplice, e estar mentindo quanto a você ter alma! – o moreno acusou
– Ô gente! – protestou o de olhos verdes – Dá pra paramos de desconfiar um do outro e agir como uma guilda?
Os três voltaram a se sentar no chão, bufando. Realmente, brigas seriam um grande problema para eles, mas todos não podiam negar que qualquer um poderia ser suspeito, e não desconfiar seria problemático.
Depois de outro silêncio constrangedor, Riley decidiu se pronunciar:
– Skyne, sabe se alguém sem vida pode fazer contrato para poderes?
– Bem – respondeu Skyne – Acho que não.
– Então quer dizer que quem tem poderes está vivo? – perguntou Lix
– Não disse isso – o loiro se explicou – Se uma pessoa fez o contrato enquanto viva, e virou seguidor da morte depois, ela mantém o poder. Além de que o próprio morto já tem seus poderes, então não dá pra se basear nisso.
Os três ficaram meio pensativos por um tempo, até que Skyne quebrou o silêncio:
– Sabe, eu ouvi dizer por aí, que tem um cara que sabe quem é o morto.
Lix e Riley pareceram se interessar, então, atentamente, esperaram Skyne prosseguir:
– O nome dele é Erick Smith, e dizem que ele é um gênio. Ele descobriu quem é o morto sozinho, mas não revelou para ninguém.
– Esses boatos são verdadeiros? – perguntou o de cabelos negros
– Só há um jeito de descobrir – a garota se levantou, limpando suas roupas.
– Vamos até esse cara pra arrancar informações? – Skyne quis confirmar
A de cabelos brancos e azuis apenas fez que sim com a cabeça e foi andando para fora da casa, sendo seguida por Riley, e logo depois por Skyne.
De acordo com as informações do loiro, o tal homem, cujo nome era Erick Smith, geralmente é encontrado em uma rua de Player, que normalmente é deserta.
Foram andando até lá, e por sorte, puderam observar o alvo procurado. Um homem magro de corpo flácido, pálido, cabelos cinza escuro e olhos da mesma cor e de óculos redondos que teimavam em escorregar pelo nariz.
Este, estava rodeado de outros 5 homens, desta vez mais fortes, que provavelmente eram integrantes de sua guilda: Os Leais Peões.
– Que nerdão! – cochichou Skyne ao ouvindo de Riley – Aposto que sofreu bullying quando era adolescente.
Os demônios vermelhos se aproximaram do homem, que os olhou analisando, ajeitando seus óculos e esperando que eles falassem alguma coisa.
– Você é Erick Smith? – Lix tomou a iniciativa de começar um diálogo
– Sim, sou eu – respondeu ele de uma forma convencida – E já sei por que estão aqui. Querem informações sobre o morto, não é?
Todos pareceram surpresos, então Skyne disse:
– Como sabe disso?
– Ah, eu sei de muita coisa – novamente, Erick usou um tom ganancioso.
– E então? Pode nos ajudar? – Riley decidiu ser direto como ele, mas não pode evitar usar seu tom típico e frio.
– Se eu posso? – deu uma risada esnobe – Até que posso, mas é claro que essa informação não vai sair de graça.
– Já esperava por isso – respondeu Riley normalmente.
– Façamos um acordo! – o de cabelos cinzas se animou, fazendo todos ao redor ficarem ainda mais atentos – Eu te desafio para um jogo de xadrez!
Riley não pode evitar de sorrir maliciosamente. O moreno podia ser considerado invencível no xadrez, devido a sua capacidade de raciocinar e bolar estratégias. Ele nunca perdera um jogo para ninguém, e estava confiante de que não seria dessa vez.
– Se você vencer – continuou Erick – Eu lhe dou todas as informações que sei sobre o morto. Mas se você perder – sorriu maliciosamente – Você e sua guilda terão que me entregar todas as pedras negras que coletaram.
Os três arregalaram os olhos. Eles já tinham coletado inúmeras pedras, e estavam armazenando para quando precisassem. Eles batalharam para conseguir todas aquelas, e seriam altamente prejudicados se perdessem todas de uma vez.
– Aceito – respondeu Riley sem refletir muito, fazendo Skyne e Lix ficarem meio receosos.
– Riley – cochichou Skyne ao ouvido do moreno – Tem certeza disso? O cara é um gênio invencível no xadrez.
Riley apenas sorriu maliciosamente e respondeu, de uma forma até meio convencida:
– Ótimo, finalmente um oponente à minha altura.
Dois dos integrantes da guilda oponente carregaram uma mesa com um tabuleiro de xadrez até o centro da rua, onde seria um ótimo lugar pra que todos pudessem assistir ao jogo.
“Já saquei a desse cara” Pensou Riley enquanto se aproximava da mesa, “ele não é bom em lutas, devido seu corpo flácido, por isso decidiu usar o cérebro. Além de que as pessoas precisam dele vivo para saber das informações. Tenho que admitir que é um bom plano!”
Os dois se sentaram frente a frente, enquanto se encaravam. Os dois estavam confiantes até de mais, o que chegava a assustar as pessoas que assistiam.
– As únicas regras, são aquelas que já são conhecidas do xadrez, – disse um dos homens – então... Preparar... Valendo!
E assim o jogo começou. Erick jogou primeiro, já que ele jogava com as peças brancas, movendo seu cavalo. Riley jogou logo em seguida, avançando duas casas com o peão em frente a sua torre.
“Vou usar a minha tática mais infalível!” Riley pensava confiante “Dou um jeito de abrir espaço para as peças que se locomovem com mais facilidade e armo uma barreira, encurralando o oponente, eliminando suas peças importantes e deixando o rei vulnerável.”
O de óculos, ficou um tempo olhando para o tabuleiro pensando em sua jogada. Riley precisava que ele movesse qualquer peça, exceto o peão em frente ao rei, pois senão sua armadilha não daria certo. Porém, a maioria das pessoas nunca moveria essa peça, por achar que o rei ficaria mais vulnerável assim.
Porém, Riley se surpreendeu ao ver que ele avançou uma casa com o peão em frente ao rei, destruindo seu plano. Riley cerrou os punhos, mas se conteve. “Tudo bem, para tudo tem um plano B. Vou tentar a minha segunda armadilha, para caso a primeira não dê certo”
E com isso, Riley foi movendo suas peças, na intenção de armar um bote, mas o outro fazia exatamente o que ele queria que não fizesse. “Merda! Esse cara realmente é bom!”
– Isso é tudo que sabe fazer, Steves? – provocou Erick, enquanto usava sua torre para comer o cavalo de Riley.
O moreno arregalou os olhos. “Como ele...? Eu precisava muito dessa peça, que droga!” De repente, ele se tocou de algo: “Espera, quando eu disse meu nome para ele? Bem, talvez ele me conheça por eu ser o Shinigami, mas mesmo assim isso é um pouco estranho...”
Riley chacoalhou a cabeça, tentando se concentrar, e começou a armar outro plano. E assim o jogo se seguia. Erick rebatia todos os planos de Riley e comia várias de suas peças. Riley ficava cada vez mais aflito e as pessoas assistindo ficavam ainda mais intrigadas.
“Isso não é possível! Ninguém nunca conseguiu destruir meus planos dessa forma. Ninguém nunca conseguiu me vencer! Ele deve ter alguma arma secreta” Riley quebrava a cabeça, tentando vencer o jogo e entender a situação “Ah, é isso! Ele deve ter algum poder!” De repente, tudo se esclareceu para o garoto “Telepatia! Só pode ser isso. Ele sabe de todos os meus planos porque lê meus pensamentos!”
O homem de óculos deu uma risada maliciosa e disse:
– Meus parabéns, você foi o primeiro que percebeu.
Riley rangeu os dentes e cerrou os punhos, sentindo a raiva ferver em seu corpo. As pessoas assistindo não entenderam muito bem, pois não sabiam do poder de Erick.
– Maldito! – disse bem baixo
“Dessa forma vai ser impossível vencer!” O outro começou a rir com superioridade, adorando o desespero alheio, o que só fez com que o garoto ficasse com ainda mais raiva.
De repente, Riley teve uma ideia, que ele acreditava que ia funcionar. Ele começou a pensar, como se estivesse falando mentalmente: “Ok, vamos voltar para o jogo, eu vou colocar minha torre aqui, então ele não terá saída” Mas o que Riley realmente pretendia fazer, era usar a torre como isca para poder emboscar o cavalo. Ele apenas reproduziu essas palavras em sua mente para ver se Erick acreditava nelas.
Porém, este começou a rir e disse em seu tom implicante:
– Boa tática, garoto, mas não é assim que funciona. – ele abaixou o tom de voz para que as pessoas ao redor não escutassem – Eu não posso ler apenas o que você pensa no momento. Eu posso ver tudo de seu subconsciente. Posso ver seus medos, seus sentimentos, sua história de vida, seus objetivos, tudo. Não adianta tentar fingir que pensa em uma coisa, quando na verdade pensa em outra.
Riley sentiu um calafrio percorrer seu corpo. Seu pensamento era o único local que era apenas dele e ninguém poderia invadir, por isso aquilo estava o dilacerando emocionalmente.
– Você até que tem um objetivo de vida interessante – Erick começou a provocar – Coitadinho... Um órfão querendo vingar sua família, hahaha! – debochou
Isso foi o limite para Riley. Ele se levantou, disposto a deformar o face daquele homem, mas fora impedido por um dos aliados dele.
– Não use violência! Isso é um jogo de xadrez! – repreendeu o homem que havia segurado Riley.
O garoto se sentou novamente, porém o plano de Erick de mexer com as emoções do garoto e o desconcentrar havia dado certo, então, ele conseguiu comer mais algumas peças dele.
Em uma jogada de Erick, Riley começou a pensar em 6 coisas ao mesmo tempo, para tentar confundi-lo. Porém, este apenas implicou:
– Tentando me confundir? Não conseguiu, haha!
Riley então teve a ideia de usar uma tática até meio suja, mas era algo que com certeza desconcentraria Erick. O garoto então começou a pensar em pornografias, e em mulheres fazendo várias posições eróticas.
E por incrível que pareça, Erick balançou a cabeça, tentando não se desconcentrar devido às imagens produzidas por Riley. Porém, o próprio Riley começou a se desconcentrar, além do mais, ele é um garoto.
De repente, Riley começou a pensar em coisas sem sentido, como um gordo fantasiado de zebra dançando sapateado na lua. Erick arregalou os olhos e acabou movendo sua peça para o lugar errado.
Riley começou a rir: “Deu certo! Chupa essa!” E com isso, conseguiu comer o bispo do oponente, que estava atrapalhando muito o jogo de Riley.
E o jogo continuou se seguindo. Riley tentava desconcentrar Erick, que por sua vez, tentava decifrar os pensamentos de Riley e vencer. Era uma verdadeira batalha de cérebros.
O sol começou a se por, e Lix e Skyne já estavam entediados de ficar assistindo aquele jogo que parecia eterno, além de que eles não entendiam quando os dois começavam a falar coisas sem sentido, como por exemplo: Erick respondendo coisas que Lix e Skyne não viram Riley perguntar.
Depois de tanto pensar, o de cabelos negros começou a ficar com dor de cabeça e realmente muito cansado.
– Eu quero uma pausa – disse ele se levantando
– Ei, quem disse que podia pausar o jogo? – protestou Erick
– Ele disse! – apontou para um dos homens aliados de Erick – Ele disse que as únicas regras eram as típicas do xadrez. Não disse nada sobre ser proibido pausas!
– Humf – bufou o de cabelos cinza – Tá, o jogo foi pausado.
E com isso, Riley foi adentrando em um beco, se afastando o máximo possível de todos. Ele não pretendia abandonar o jogo, apenas queria respirar um pouco. Ele deslizou suas costas por uma parede e se sentou no chão, passando a mão pelos cabelos e soltando o longo suspiro.
“Não acredito que realmente vou perder e terei que dar todas as minhas pedras para ele. Eu devia ter pensado melhor antes de aceitar tão facilmente o desafio. Será que tudo isso vale a pena para saber quem é o morto?”
De repente, Riley começou a ouvir uma voz conhecida chamando seu nome, e logo viu Skyne aparecer em sua frente, preocupado.
– O que aconteceu? Por que você veio pra cá? – perguntou o loiro
– Skyne – disse Riley se levantando – Você lembra quais eram as informações do poder de telepatia daquela lista do Phil?
– Hein? – o de olhos verdes inclinou a cabeça, confuso, mas logo se tocou – Espera! Ele tem poder de telepatia??? Meu Deus, agora tudo faz sentindo!
– Pode me dizer? – cobrou Riley
– Ok, calma – ele levantou as mãos – Bem, se me lembro bem, a penalidade era que o morto poderá ler seus pensamentos.
“Merda, não tenho como me aproveitar disso” Riley ficou um pouco aflito, mas continuou:
– Hm... E o que mais? Tinha algum detalhe? Algum limite?
– Ah sim – o loiro se lembrou – Tem um limite de até onde ele pode ler seus pensamentos. Se não me engano, são 30 metros.
“Ótimo, então aqui ele não pode ler meus pensamentos” De repente, Riley bolou um plano.
– Skyne, eu preciso de um favor seu – o moreno pediu
– Claro, o que é? – respondeu inocentemente
– Quero que volte para lá e jogue no meu lugar.
– Hein??? – Skyne se apavorou – Como assim? Eu não sou bom em xadrez, ainda mais com um telepata nerdão!
– Por favor – ele fez uma cara sofrida, o que fez Skyne ficar surpreso, pois Riley nunca demonstra emoções – Eu não posso volta lá. Seria humilhante de mais. Eu iria perder de todo jeito, não teria problema se você perdesse. Eu... Só não quero ter que ferir meu orgulho dessa forma.
Skyne pareceu meio comovido, então respondeu:
– Tudo bem então, mas to te garantindo que vou perder.
Riley agradeceu e então Skyne voltou para o local. “Ótimo! Minha atuação não foi das melhores, mas Skyne caiu. Não que eu esteja mentindo para ele, pois vou contar depois, mas se Skyne realmente acreditar que eu desisti, Erick vai ver isso em seus pensamentos, por isso não posso revelar o plano para ele agora.”
Então, Riley começou a raciocinar: “Bem, a penalidade é que o morto pode ler os pensamentos dele, então existe uma conexão de pensamentos entre os dois. Mas, se Erick sabe quem é o morto, e o morto leu isso em seus pensamentos, por que ainda não o matou? O morto não iria querer eliminar qualquer um que pudesse revelar sua identidade? As prováveis explicações para isso são: Talvez Erick seja aliado do morto, e este precise dele para um plano. Ou talvez, Erick realmente não saiba quem é o morto, e esteja apenas enganando todos, ou talvez... Erick seja o próprio morto.”
Enquanto isso, quando as pessoas viram que apenas Skyne voltou, ficaram meio intrigadas. Mas no momento em que o loiro disse que assumiria o jogo no lugar de Riley, alguns começaram a protestar, porém, como não haviam regras, foram obrigados a aceitar a participação dele.
– Por que seu amiguinho desistiu hein? – implicou Erick
– Ele não desistiu! Ele tem um plano por trás de tudo isso – disse Skyne, mas em seus pensamentos ele sabia que Riley tinha desistido.
– Hm... Sei – ironizou – Você sabe que eu posso ler seus pensamentos, porque ainda tenta mentir para mim? Se nem Steves conseguiu, você vai?
– E você? Por que está tão confiante por fora? – Skyne abriu um sorriso malicioso – Eu posso ver em sua alma, uma energia assustada, receosa, agoniada. Está com medo de quê? Acha que vai perder dessa vez?
Erick arregalou os olhos. Uma pessoa que lê pensamentos, contra uma que vê almas, é quase o mesmo nível. Skyne tinha a vantagem de poder ver os sentimentos de Erick, então decidiu usar isso ao seu favor.
Então o jogo se reiniciou. O de olhos cinza se surpreendia com o fato de Skyne falar exatamente o que pensava, e às vezes nem se quer pensava para falar. Deduziu que nem seria necessário ter poderes para entender aquele garoto pervertido e idiota.
Obviamente, Skyne não fez nem se quer uma jogada produtiva, e Erick o detonava.
Já estava começando a escurecer, e Lix estava ficando preocupada com Riley, então decidiu parar de assistir o jogo e foi procurar o amigo. O encontrou no mesmo lugar que Skyne tinha o visto.
– Riley! – Lix se aproximou – O que está fazendo aí? Skyne ta sendo massacrado no jogo!
– Do que os dois estavam falando? – Riley ignorou o que a garota acabara de dizer.
Ela pareceu meio ofendida, mas resolveu contar:
– Ah, o Skyne ta falando as idiotices de sempre e os dois estão se provocando. Ouvi Skyne dizer que Erick lê pensamentos. Por isso você quis fugir?
– Pra começar, eu não fugi – Riley se levantou – Apenas tive que fazer o Skyne acreditar nisso. Mas me diga, que tipo de provocações eles fizeram?
– Bem, Erick ficava jogando na cara os defeitos de Skyne, e Skyne ficava jogando na cara que via medo na alma dele.
“Era disso que eu precisava! Então, ele tem uma alma. Isso quer dizer que ele não pode ser o morto. Mas por que a alma dele estava com medo? Medo de perder não pode ser... E se for medo de ser descoberto? É isso, só tem uma explicação. Entendi o plano desse maníaco!”
– Lix, preciso de sua ajuda – pediu Riley – Peço que espere aqui até o meu sinal. Quando eu aparecer naquele prédio – ele apontou para um prédio pouco distante – quero que corra até lá e mate os integrantes da guilda, mas deixe Erick vivo.
– O quê? – protestou Lix – Quer que eu faça isso sozinha? Mas por quê?
– Sozinha não, – ele se explicou – quando chegar lá, mandarei Skyne te ajudar, mas você tem que ser rápida quando for se aproximar deles.
– Eu não posso esperar logo lá? Finjo que estou assistindo o jogo e quando você aparecer eu mato todos.
– Não! – explicou – Tem um limite de 30 metros até onde Erick pode ler pensamentos. Aqui estamos seguros, mas como eu acabei de te explicar o plano, se você se aproximar e ele ler seus pensamentos, nós iremos perder, entendeu?
A garota apenas concordou, então Riley disse:
– Eu estou confiando na sua habilidade, ok?
– Por favor, você sabe que eu sou melhor que você em lutas – se gabou
Riley apenas revirou os olhos e seguiu com sua missão. Ele teria que dar uma grande volta até chegar ao prédio que queria, porém, sempre afastado 30 metros daquela rua. Além de que ele tinha um tempo, antes que Erick desse o xeque-mate.
Enfim, graças a Skyne que enrolava de mais para fazer uma jogada, Riley conseguiu chegar a tempo, então apareceu no terraço do prédio. Ele acenou para Lix, que o viu e começou a correr, segurando seus dois punhais.
No momento em que a garota começou a perfurar os homens com os punhais, Erick e Skyne interromperam o jogo imediatamente, assustados e surpresos.
– Skyne! – gritou Riley de cima do prédio.
O loiro olhou para cima e pôde ver o moreno fazendo um gesto, que significava uma ordem para que ele ajudasse Lix. Assim Skyne o fez, pegando uma flecha de suas costas e atirando nos homens.
Riley pôde ver Erick se apavorar. “Bem como eu pensei, péssimo em lutas.” E com isso, Riley pulou de cima do prédio, que não era muito alto, e acabou caindo em cima de Erick.
O de cabelos cinza se contorceu de dor, devido ao peso em cima de si. Riley, por sua vez, permanecia montado em cima do outro, segurando com força seus punhos, para que este não se soltasse. Foi até bem fácil para o garoto, já que Erick era magro e fraco.
– Essa é sua desvantagem, não é? – implicou Riley – Não tem força física alguma! Todos acham que você usa a inteligência, mas na verdade, apenas lê pensamentos e trapaceia! Então, você bolou um plano para sobreviver no jogo: — Ele começou a explicar sua dedução – Fingir que sabia quem era o morto, e desafiar várias pessoas para um jogo de xadrez, onde obviamente você venceria e roubaria pedras dela, já que é fraco de mais para desafiar seguidores. Além de que as pessoas não te matariam, porque acham que precisam de você vivo para saber quem é o morto. Acertei, não é?
Erick permaneceu calado, o que comprovava tudo o que Riley acabara de dizer, enquanto se contorcia tentando fugir do garoto, mas em vão. Lix e Skyne terminaram de abater os outros homens e se aproximaram de Riley, todos sujos de sangue. O garoto então pediu para que os dois segurassem Erick e se levantou.
– Sabe – ele tirou sua katana da bainha e posicionou na barriga de Erick, que se apavorou – Eu realmente tinha ficado feliz ao ter um oponente à minha altura. Mas vi que você realmente, não está à minha altura. Você não é inteligente como todos dizem, é apenas um trapaceiro desesperado para sobreviver.
E com isso, Riley começou a rir insanamente. Lix e Skyne até se assustaram um pouco, pois nunca tinham visto o amigo daquele jeito, tomado pela loucura. De repente, ele parou de rir e disse:
– Posso não ter te vencido no xadrez, mas venci no verdadeiro jogo.
E com isso, Riley encravou sua Katana na barriga de Erick, que arregalou os olhos e cuspiu um pouco de sangue. Lix decidiu ajudar, cortando a garganta dele com seu punhal, para que ele morresse mais rápido.
O garoto então, abriu um sorriso malicioso e colocou sua espada de volta na bainha, dizendo:
– Xeque-mate!
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