O Jogo Da Morte
8 Amigos Ou Inimigos?
Notas iniciais
Passou-se uma semana desde o desafio com Erick, completando então, um mês e meio desde que o jogo fora iniciado.
A disputa estava realmente muito acirrada. Apesar de não saberem quantas pessoas ainda restavam vivas, era fácil de deduzir que o jogo estava chegando ao seu fim.
Toda vez que os demônios vermelhos lutavam contra alguém, era seguidor da morte. Eles já tinham certeza de que pelo menos 80% dos jogadores eram seguidores.
Essa última semana tinha sido muito cansativa para eles, já que, assim que foi espalhado que eles derrotaram Erick Smith, o suposto gênio, pegaram uma certa fama. Além de que, o próprio Shinigami fazia parte dessa guilda, o que só fez com que mais pessoas quisessem eliminar aquele obstáculo.
Porém, como previsto, os três juntos eram invencíveis. O poder de Skyne, a inteligência de Riley, e a habilidade de Lix. Tudo isso junto formava a mais perfeita arma de batalha. Definitivamente, invencível.
Enfim, os três jovens estavam no terraço do estabelecimento de Skyne, que acabou virando o cantinho deles, seja para reuniões da guilda, ou apenas para descansar.
– Ahhh – suspirou Lix – Isso tá sendo muito cansativo!
– Realmente, não ficamos 5 minutos sem ter que lutar – reclamou Skyne, que fazia um curativo em sua perna, devido as leves feridas da luta anterior.
– O que vocês queriam? – rebateu Riley – que no final do jogo, ficássemos parados, tirando férias?
– É! – respondeu o loiro como se fosse óbvio – Vão ficando com menos jogadores vivos, então por que as disputas só estão aumentando?
– Talvez porque os seguidores queiram eliminar os que sobraram vivos.
Os três suspiraram, então Lix decidiu comentar:
– Seria bem mais fácil se soubéssemos quem é o morto.
– Arg! – reclamou o moreno – Já tentamos isso com o Erick e não deu muito certo.
– É, – disse Skyne – os únicos que sabem quem é o morto são aqueles que o enfrentaram, mas todos que lutaram com ele morreram, então são seguidores e estão do lado dele.
– O Rei também sabe quem é – acrescentou Riley – Já que foi ele quem o criou.
– E se fizermos algum acordo com o Rei pra arrancar informações? – propôs Lix
Riley e Skyne se arrepiaram ao mesmo tempo, sentindo um nojo percorrer o corpo. Quando ela, inocentemente, usou as palavras “acordo com o Rei”, automaticamente os dois se lembraram de quando o Rei tivera lhes proposto um certo “acordo”.
– O viadão também quis fazer “acordo” com você? – perguntou Riley a Skyne
– Sim, com você também? – disse ele enojado.
Riley apenas fez que sim com a cabeça, sendo novamente tomado pela repulsa. Lix os olhou com uma cara confusa, que pedia por explicações. Então, Riley disse:
– É melhor você nem saber, Lix.
– Saber do quê? Que o Rei quis foder vocês? – ela disse sorrindo de uma forma implicante – Ah, até parece que ninguém sabe disso – riu
Os dois arregalaram os olhos. “Quer dizer que todos sabem que aquele viadão dá em cima de todo mundo?” Pensava Riley “Ah, foda-se, pelo menos a reputação dele fica suja!”
Skyne ia falar alguma coisa para rebater, mas a garota se levantou, dizendo:
– Eu vou comprar umas garrafas de água para nós, vocês fiquem aqui.
– É perigoso sair sozinha – repreendeu Riley
A de olhos azuis não respondeu, apenas continuou caminhando sem olhar para Riley e mostrando o dedo do meio. “Arg, que garota irritante!”
Skyne e Riley ficaram um tempo em silêncio, apenas observando a rua deserta vista de cima. De repente, o moreno viu algo que o surpreendeu. Uma pessoa, que ele sabia que era um seguidor devido ao sangue negro que escorria deste, arrastando um corpo manchado de sangue vermelho pelos cabelos.
– Skyne! Olha aquilo! – apontou Riley
O loiro direcionou o olhar para onde o outro apontava e também se surpreendeu, dizendo logo em seguida:
– O seguidor deve estar levando o cadáver para o morto! Vamos segui-lo!
Então, os dois saíram correndo do terraço para sair da casa. Com passos leves, foram seguindo aquelas pessoas. Não era difícil de saber por onde passavam, devido ao rastro de sangue que o cadáver deixava.
O seguidor da morte arrastava o corpo lentamente, e logo atrás, sem que este percebesse, Skyne e Riley o espreitavam. Eles tinham esperanças de serem levados até o morto, e já estavam se preparando para isso.
De repente, o seguidor entrou em um beco. Os garotos hesitaram em segui-lo, pois senão ele poderia perceber a presença dos dois, então decidiram aguardar um pouco até que ele se afastasse mais.
Porém, se assustaram ao ver o mesmo seguidor sair do beco, acompanhado de outra pessoa, que antes era o cadáver que ele arrastava.
Aquele corpo, antes completamente ferido, agora estava restaurado, e agia naturalmente, como se ainda fosse um ser humano. Os dois seguidores então se separaram, cada um seguindo para seu lado.
– Skyne – sussurrou Riley – O morto deve estar nesse beco...
– Vamos lá ver quem é – respondeu ele no mesmo tom.
Os garotos então saíram de seu esconderijo e se aproximaram do beco, em posição de ataque, esperando o pior.
Porém, assim que entraram no beco, arregalaram os olhos sentindo o coração pulsar. Eles realmente esperavam tudo, menos aquilo.
Lá estava Lix, agachada, analisando as duas tonalidades de sangue no chão, que se uniam e se tornavam vinho.
Ao vê-los, a garota reclamou:
– O que eu disse sobre vocês ficarem no terraço?
Riley não conseguiu responder, devido ao choque. “Lix... É o morto? Não... Não pode ser!”
Skyne logo se recuperou e devolveu a pergunta:
– O que você faz aqui?
– Eu? Estava só passando quando vi alguém entrando aqui. – respondeu a garota – Me pareceu suspeito, mas quando entrei não tinha ninguém, apenas essa mistura de sangue humano com de seguidor. Aliás, peguem – ela arremessou duas garrafas de água para os dois.
“Devo acreditar no que ela diz?” pensou Riley, após segurar a garrafa. “E se ela for o morto e tiver transformado aquele corpo em seguidor bem aqui? Mas, se ela é o morto, porque ainda não me matou? Chance é o que não faltou. Se ela for mesmo, então quer dizer que Skyne é seu cúmplice, já que mentiu pra mim dizendo que ela tinha alma?”
Os três então saíram do beco e voltaram para a rua. Riley estava realmente bem desconfiado, já ia começar a interrogar a garota, mas fora impedido quando viu uma faca vindo de cima quase atingir a cabeça de Skyne.
Os três se assustaram e olharam para cima ao mesmo tempo. Puderam ver um homem pálido de cabelos castanhos com uma expressão zangada, provavelmente por ter errado a mira.
– Você de novo, maldito! – Skyne bufou
“Eu já vi esse cara antes, só não me lembro de quando” O moreno tentava relembrar daquele rosto.
– Buscando vingança? – provocou Skyne, fazendo o homem rir.
O de cabelos castanhos, que estava em cima de uma casa, se levantou e disse, olhando para baixo:
– Claro! Você me prejudicou muito! Estava quase vencendo uma luta importante e você me abateu! Agora é hora de sofrer o mesmo!
E com isso, o homem ia jogar outra faca em direção ao loiro, porém Skyne rapidamente atirou uma flecha em sua direção.
O outro, por sua vez, desviou da flecha pulando. Assim que Riley o viu levitando a cima dos três, ele se lembrou de onde tinha o visto: “Claro! Aquele homem voador que vi no dia que conheci Skyne!”
– Suas flechas não são suficientes para me vencer – disse o homem convencidamente, enquanto ia se aproximando do chão lentamente – E esse seu grupinho que você chama de guilda? Não vai te ajudar? – provocou, começando a rir
Lix e Riley também se sentiram ofendidos, então sacaram suas armas na intenção de destruir aquele homem.
Assim que ele tocou seus pés ao chão, pretendia sacar uma faca e avançar nos três, mas fora impedido. Os demônios vermelhos também hesitaram em avançar, devido ao ocorrido.
O homem, cuja antes levitava, estava literalmente preso ao chão. Seus pés não se mexiam. Este tentava se soltar, mas em vão.
– N-não pode ser! – o homem pareceu desesperado
Uma gota de suor escorreu pelo rosto de Riley “Espera... A penalidade de se ter o poder de levitação era... Que quando ele estivesse diante do morto... Ficaria preso ao chão!”
Ele arregalou os olhos “Quer dizer, que um dos dois é o morto??? Ai meus Deus... Isso só comprova minhas suspeitas, o que eu faço???”
Riley já estava mais que convencido de que um dos dois era o morto, até que ele ouviu um barulho de vários passos atrás de si. Olhou e viu uma enorme multidão se aproximando.
– Vamos lá, meus súditos! – disse o Rei, que andava pelas ruas guiando a multidão – Estamos todos indo para uma reuniãozinha!
Os três garotos começaram a andar, além do mais, se desobedecerem ao Rei, poderiam ter problemas. Apenas o homem não se mexeu, pois estava preso ao chão.
Enquanto acompanhava a multidão, Riley pensava: “Bem, isso livra os dois um pouco das suspeitas. Qualquer uma dessas pessoas poderia ser o morto e ter feito aquele cara ficar preso ao chão. Mas a Lix apareceu naquele beco... Bem, tenho que investigar.”
Riley olhou para trás e viu que aquele homem, que já estava meio afastado, finalmente conseguiu mover suas pernas e decidiu acompanhar os outros.
Depois de caminhar um pouco, todos os jogadores chegaram à arena e o Rei subiu ao palco para falar ao microfone:
– Primeiramente, eu queria parabenizar os que ainda estão vivos pelo progresso no jogo! Está realmente acirrada a disputa, não é? – deu uma piscadinha
Riley revirou os olhos. “Pareceu indireta para nós”. Então o Rei continuou com seu típico jeito afeminado:
– Enfim, estou aqui por outro motivo. Realmente, fiquei muito chateado com vocês – dramatizou, fingindo enxugar lágrimas – Sabem o que aconteceu? Um dos jogadores roubou algo muito precioso de mim. Se aproveitou enquanto eu estava meio ocupado e entrou escondido na minha base. Oh, que tragédia! – colocou as costas da mão na testa
“Ocupado? Com o que? Dar o cu?” Riley só acumulava ódio daquele Rei.
– Então, meus guardas farão uma inspeção em cada um de vocês – fez um gesto teatral para apresentar os guardas – Ninguém sai daqui enquanto eu não encontrar o que preciso!
Todos ficaram agoniados, pois ter que ficar naquela arena até que todos sejam fiscalizados demoraria um pouco, apesar dos guardas serem muitos.
– O que será que ele perdeu? – cochichou Lix ao ouvido de Riley, que apenas deu de ombros.
– Só para avisar, – o Rei prosseguiu – Suas casas também serão fiscalizadas.
Isso causou um alvoroço na plateia. Uns gritavam que isso era abuso de privacidade, outros ficaram meio aflitos, pois escondiam o que não deviam em suas casas, e outros pareceram nem se importar.
– Calminha, amores – disse o Rei – Se vocês não tem o que esconder, também não tem o que temer!
Riley, Lix e Skyne permaneceram relaxados, pois como o Rei disse, não tinham que temer nada.
A fiscalização durou por um tempo. Enquanto uns guardas inspecionavam os jogadores, outros inspecionavam as casas. Estavam todos ficando entediados, até que um dos guardas apareceu segurando um jogador:
– Vossa Alteza, achamos o ladrão! – disse o guarda
– Ótimo! – o rei jogou seus cabelos loiros – Tragam-no para minha base, terei uma conversinha com ele.
Finalmente todos puderam se retirar. Riley andava pelas ruas, acompanhado dos supostos amigos, voltando para a casa de Skyne. Ele estava curioso para saber o que tinha sido roubado do Rei, mas outro pensamento não saía de sua cabeça:
“O morto pode ser a Lix ou o Skyne. Mas e se for um deles? O que eu faria? Teria que fugir deles, já que não poderia matá-los... Mas se fosse um deles, porque ainda não me mataram?”
Riley olhou para o céu nublado e suspirou.
“Eles são meus amigos ou inimigos?”
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