O Impossível é só questão de opinião
22 Porque?
P.O.V. Alec Volturi.
Uma Cullen nunca faria uma coisa dessas. Acho que subestimei a força dela e sua capacidade de odiar.
Fui até o quarto dela e ela estava dormindo. Ou eu pensei que estava.
—Sei que está ai. O que você quer?
—Porque fez aquilo?
—Vingança, justiça, Karma. Chame como quiser.
—Isso não é resposta.
—Quando um idiota fere quem eu amo, eu não deixo barato. Eu sou capaz de qualquer coisa pelas pessoas que amo, por elas sou cruel, implacável e impiedosa. Além do mais, vocês vivem dizendo... Os Volturi jamais dão uma segunda chance. Então, porque eu deveria dar tal privilégio a vocês?
Ela tinha um ponto.
—E quanto aos tatuados e o vampiro?
—Se foram.
—Bom, dá pra vocês fazerem uma coisa boa ao menos uma vez nessa vidinha miserável.
Em momento algum Bo se dignou a olhar pra mim.
—Sabe, por um... segundo, eu pensei que você ainda tivesse um pingo de bondade. Parece que estava enganada. Agora eu vejo o quanto você é feio e vazio. Está morto e não estou falando do seu corpo.
Aquelas foram as palavras mais dolorosas e sinceras que ouvi em séculos.
—Você e Jane, não são dignos de raiva, não. Não são dignos de nojo, não são dignos de nada além de pena. Eu sei que está com medo e sei que está triste e tudo bem. É melhor sentir medo e tristeza do que não ser capaz de sentir nada, de se conectar com as pessoas. Você acha que ficar aqui vivendo nesse lugar frio e decadente é bom, só porque nunca viu nada melhor.
—Os Cullen podem mesmo andar ao sol?
—Podem. Você se arrepende de alguma coisa?
Aquela pergunta me pegou de surpresa.
—Me arrependo de muitas coisas.
Ela se sentou e finalmente olhou para mim.
—Fala. Coloca tudo pra fora.
E todos os meus arrependimentos jorraram de dentro de mim como uma catarata, como uma represa que explode. Bo me ouviu, me ouviu duma maneira que ninguém havia me ouvido em toda a minha longa existência.
—Se sente melhor?
—Muito melhor. Vai me absolver dos meus pecados?
—Eu sou virgem, não freira.
—Você é virgem?
—Sou. E não tenho vergonha de admitir.
—O que fazer quanto á Marcus e Caius?
—O que quer dizer?
—Eles são humanos. Humanos que sabem demais e não podem ser transformados.
—Tá perguntando pra mim porque?
—Você parece possuir todas as respostas.
—Bem que eu queria que isso fosse verdade, mas vou te dar um conselho. Não cometa os mesmos erros daqueles que vieram antes de você, talvez seja hora de uma aproximação alternativa.
—O que quer dizer?
—O caminho do ódio e da violência nos trouxe até aqui. E esse não é um lugar agradável. Olhe bem, milhares de vidas se perderam dentro e fora desses muros, você tem inimigos a perder de vista e está nadando em sangue inocente. Porém, não tem um amigo no mundo. Ou tem?
—Eu temo que não.
—O passado não pode ser apagado ou alterado, mas o futuro... sempre pode mudar.

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