O Impossível é só questão de opinião
11 É uma menina!
Notas iniciais
P.O.V. Aro.
Acaba de chegar uma carta. A criança finalmente nasceu.
É uma menina. Eles vão trazer a criança, mas os pais vem junto.
Quando eles finalmente chegaram a criança não era nada do que eu esperava.
—O que é isso? Flores?
—São da Bo. Ela faz isso ás vezes.
—Oh! Que beleza. Olá minha criança.
—Não. Você não vai ficar com ela. Esses membros da sua guarda só estão aqui porque não tinham quem os defendesse, mas ela tem a gente.
—Ela parece ser poderosa.
—Ela é. Tudo bem, tá tudo bem garotinha.
—Vocês fizeram boa viajem?
—Sim.
—Gostaríamos que ficassem, por um tempo.
—Você tem um berço? Fraldas? Um carrinho?
—Preparamos quartos para vocês.
Eles foram instalados nos quartos, á noite eu mandei um de meus empregados para matar os pais e a prima intrometida, mas na manhã seguinte eles acordaram vivos sãos e salvos.
—Como vocês dormiram?
—Melhor que nunca.
Pelo tom da voz dela estava claro que ela sabia que eu havia tentado alguma coisa.
—Então, Hope eu fiquei sabendo que você consegue transformar lobisomens em híbridos meio vampiro, meio lobisomem.
—É. Híbridos podem andar no sol, sua mordida é letal pra vampiros.. se eu quiser eles vão tomar o seu castelo até o fim da semana. E sem os seus poderes, a sua guarda é inútil. Você não vai ser idiota de comprar essa briga, vai?
—Mas, não há híbridos aqui.
—Você é que pensa. Eles se misturam mais fácil do que os vampiros, especialmente os da sua raça.
—Ela ta certa. Olhe para nós. Parecemos com eles, andamos como eles, falamos como eles. Mas, vocês... vocês são bonitos demais, elegantes de mais, perfeitos de mais.
—Você está blefando.
—Talvez. Talvez não. Como se eu precisasse dos meus híbridos para te derrotar.
Eu fiz um aceno de cabeça e Félix avançou. Ela pronunciou uma palavra e fez um movimento de mão. Ouvimos o estralo e logo Félix estava no chão.
Dimitre avançou e novamente, um movimento da mão dela, um estralo e ele caiu estirado.
O poder de Jane não a afetou. E logo todos os membros da minha guarda estavam estatelados no chão.
—Eu... acho... que eu ganhei.
—Estou muito impressionado.
—Não se preocupe. Eles vão acordar, eventualmente.
—Eu soube que Benjamin e Tia não estão mais juntos.
—E daí?
—Vi vocês dançando juntos no casamento.
—E?
—Você e Benjamin estão...
—Não que seja da sua conta, mas não.
—Eu soube que há uma escola para treinar jovens bruxas, bruxos, vampiros, lobisomens seres sobrenaturais em geral. Isso é verdade?
—Porque quer saber?
—Apenas curiosidade.
—Eu posso não ser tão velha quanto você, mas eu não nasci ontem.
Depois de quase uma hora os membros da guarda começaram a acordar.
—Levou um tempo pra eles curarem. Mais ou menos o mesmo tempo que um vampiro da outra raça.
—O que você fez com a gente?
—Eu quebrei os pescoços de vocês. Track.
P.O.V. Hope.
Nós decidimos sair pra passear. Viemos pra Roma e encontramos lá a última pessoa que eu pensava encontrar.
—Pai?! O que está fazendo aqui?
—Eu vim porque a vidente disse que te viu aqui.
—É. Eu estou fazendo compras.
—Eu posso ver isso.
—E você veio me ver fazer compras?
—Eu vim porque estava preocupado.
—Pai, eu tenho dezessete anos. Eu posso sair pra passear sozinha.
—Mas, você não é uma adolescente normal.
—Mas, ás vezes eu queria ser. Não me entenda mal, eu te amo, mas eu sempre vou ser a filha do Klaus Mikaelson. Gente que eu nem conheço quer me matar porque você matou a filha deles, ou a sobrinha, a mãe, a tia do cunhado, o primo de terceiro grau. Quando eu era a Hope Marshall, eu tinha amigos, as pessoas gostavam de mim, agora que eu sou a Hope Mikaelson ninguém fala comigo. Eles saem correndo.
—Querida...
—Eles tem medo que a qualquer momento você vai aparecer e arrancar as cabeças deles. Ou que eu vá pirar e arrancar as cabeças deles. Eu vou ter que viver com essa sombra pra sempre! Quando eu era criança, no nosso primeiro encontro você disse: Você é a filha do Klaus Mikaelson, você vai ser a maior bruxa que o mundo já viu. Só esqueceu de mencionar que ser a filha do Klaus Mikaelson te manda direto pra Sibéria Social.
—Você vai ter amigos.
—É? E como é que você vai fazer isso? Porque eu não quero ter amigos que são compelidos a serem meus amigos!
—Hope...
—Você não tinha esse direito! Nos primeiros dias eu fiquei tão feliz, mas depois comecei a perceber que a Priscila estava agindo muito diferente do que ela era antes, estava fazendo coisas que ela normalmente não faria e eu comecei a desconfiar. Quando eu quebrei a compulsão... e ela foi embora. Mas, eu acho isso bom.
—Acha?
—Eu não quero ficar com alguém que seja forçado a ficar comigo. Não faça de novo.
Eu voltei a andar, entrei em várias lojas. Fui ao arco do triunfo, o coliseu e todos os museus de Roma.
—Eu acho que você precisa de uma namorada.
—Porque?
—Assim para de ficar andando atrás de mim.
P.O.V. Klaus.
Foi só a Hope fechar a boca que eu vi aquela figura loira entrando pela porta da loja. Ela estava com duas meninas da idade da Hope.
—Josie! Lizzie!
—Hope!
Elas se abraçaram.
—Você veio passear na Itália também?
—É. Mais ou menos isso.
—Quem é ele? Precisa de guarda costas?
—Não. Ele é... é o meu pai.
—A gente deve correr?
—Meninas! Vocês... Klaus. Oi Hope. Como vão as férias?
—Ta tudo bem.
—Vocês se conhecem?
—É. O seu pai tinha uma... quedinha por mim.
—Sério?! Você e a senhorita Forbes?
—Você ainda lembra da nossa tarde na floresta?
—Klaus! Não na frente das nossas filhas!
—Ai Caramba! A mamãe dormiu com pai da Hope!
Caroline olhou feio pra mim.
—Eu te mato.
—As nossas filhas parecem se dar bem.
—Elas são as únicas que falam com a Hope lá na escola. Estou tentando convencer as outras que a Hope não é uma maníaca assassina e que elas estão seguras, mas não está funcionando. É uma pena. A Hope é uma menina tão bondosa, tão especial.
—Sim ela é.
—Eu soube da Hayley. Eu sinto muito.
—Eu sei que não gostava da Hayley.
—É. Eu achava ela uma vadia, mas tadinha da Hope. Eu sei como é perder a mãe e ela é tão jovem. Já tem que lidar com tanta coisa.
—Você e o Alaric...
—Não! Ele é só o pai das minhas filhas. Somos amigos. Imagino que tenha sido o mesmo entre você e a Hayley.
—Não. Não éramos amigos.
—É justo. Você tem algum amigo?
—Imagino que não.
—É uma pena. Mas, tudo o que vai... um dia volta. Acho que você e os seus irmãos acabaram esquecendo isso.
—Vocês vão ficar na Itália muito tempo? Onde está o Alaric?
—O Rick decidiu ficar em casa. Ele tá meio estressado.
—E o que está estressando ele?
—Ele mora numa escola, duas filhas e a mãe delas é uma vampira. Ele já tá com quarenta anos Klaus. Ele tá ficando mais velho.
Caroline olhou para as meninas e suspirou.
—A gente acha que vai durar pra sempre. Só que não vai. Algum dia elas vão partir e nós vamos ficar. Eu não imagino a minha vida sem elas. Eu me lembro quando a minha mãe morreu, eu não aguentei, eu fui fraca. Eu desliguei. Eu pirei.
—A Hope vai bem na escola?
—Vai. Ela é uma boa aluna.
P.O.V. Caroline.
Aquelas palavras me doíam. Cortavam fundo, eu sabia que um dia as minhas filhas um dia iriam morrer.
P.O.V. Jane.
Eu não gosto dessa ideia. A mãe está no chuveiro.
—Vamos lá pestinha. O Mestre Aro quer você.
Eu tirei delicadamente o bebê do berço, me virei para sair. Mas, no segundo em que eu me virei ela estava lá. De toalha, os cabelos pingando.
—Indo á algum lugar?
—Eu...
—Fique aqui. Eu vou trocar de roupa. Se você sair, morre. Desta vez de vez.
Ela saiu. Eu ia colocar o pé pra fora, mas eu vi uma linha de sal na porta.
—Sal?
—Elemento de ligação. Coloque um dedo pra fora deste quarto com a minha filha no colo e você morre.
Ela se arrumou e estendeu os braços.
—Eu acho que você tem algo que é meu.
Tive que entregar a criança pra ela. Pouco antes de entrarmos na sala do Trono, ela me parou e me entregou a menina.
Eu entrei na sala.
—Finalmente! E o que foi feito da mãe?
Ela entrou na sala atrás de mim.
—Nunca irrite uma mãe.
Os olhos dela ficaram pretos.
—Não!
Ela começou a transformar tudo em pó. Os soldados, tudo o que se aproximava virava poeira.
—O que que é isso?
—Isso é a Força Fênix. Isso é o Poder de Destruir e o Poder de Criar.
—Pare! Pare agora!
—Me faça. Seu nome vai desaparecer, sua casa vai desaparecer, suas palavras vão desaparecer. Tudo o que você é vai desaparecer.
Ela fez o Mestre Aro levitar. Segurou ele com a força de sua mente.
—Eu não vou te matar.
Ela enfiou a mão no peito dele.
—Você mentiu. É só o que sabe fazer. Mentir. Agora, estou tocando seu coração, vou fazê-lo parar de funcionar, assim as suas veias vão secar e você vai apodrecer de dentro pra fora e o mundo vai ver você pelo o que você realmente é. Um monstro, frio, odioso e cinza.
O rosto do Mestre Aro ficou cheio de veias, começou a ficar cinza e quando ela tirou a mão de dentro do peito dele... ele caiu duro no chão.
—Você não pode ter o meu bebê.
Ela tomou a criança dos meus braços e saiu.
P.O.V. Aro.
A dor é insuportável. Não posso me mover, não posso engolir, meu corpo queima. Queima de sede. A ausência de sangue queima como o fogo do inferno.
—Aro! Aro responda.
—Acha que ele ouve alguma coisa?
—Eu não sei.
—Vamos alimentá-lo.
Senti o sangue pingando na minha boca, senti o cheiro do maravilhoso líquido escarlate, mas eu não conseguia engolir. Minha boca estava fechada.
—Não está funcionando!
—Isso é obvio Caius.
A bruxa adolescente voltou.
—O que aconteceu aqui?
—A sua amada tia. Ela fez isso ao nosso irmão. Conserte.
—Eu não conheço esse feitiço.
—Isso não é feitiço. Isso é expressão.
—O que é expressão?
—Uma magia tão negra, tão antiga e tão poderosa que não chamam de magia, chamam de expressão. Isso não é natural. Isso é pior que magia negra, isso é canalizar o poder de sacrifício humano. Só tinha um outro bruxo que sabia fazer isso. Francis Balcoin. Foi você.
—Uau! O híbrido super poderoso finalmente descobriu.
—Você fez isso comigo! Por sua causa eu vejo gente morta! Eu sinto dor!
—Sim! Mas, quantos não morreram, sangraram, sofreram por sua causa?! Em parte foi pessoal eu admito, mas eu também usei a lógica. Eu precisava de algo que pudesse durar para sempre. Algo que ninguém pudesse destruir. E você vive gritando á plenos pulmões que é o híbrido Original e que não pode ser morto. Ai, a ideia veio.
—Sua...
—A execução foi meio complicada. Eu tive que me passar pela Katherine, tive que invadir os seus aposentos reais e pegar o colar, resgatei a Amara. Bem na hora porque o Silas estava a ponto de engolir a cura. Quando ele a viu, eles se abraçaram e todas as outras duplicatas se dispuseram a me ajudar. Eu te desejo uma eternidade de miséria.
—Porque você fez isso tia Ness?
—Porque o seu pai, os seus tios e os Volturi... eles não tinham freio. Sem limites, eles iam continuar matando todo mundo sem remorso e eu tinha que pará-los. Eu queria justiça. Pra mim, para minha prima, para minhas ancestrais e para todos os outros que morreram e sofreram nas mãos deles.
—Eu sei que o papai fez coisas ruins...
—Coisas ruins?! Você não sabe de nada. Não sabe nem a metade do abuso. Porque não conta pra ela Klaus. Conta! Fala pra ela o que aconteceu! Fala sobre o que aconteceu com o seu vilarejo depois que se transformaram! Fala sobre o incêndio e o massacre das bruxas de Nova Orleans! Sobre o filho do governador! Sobre a Davina, sobre o Marcel, sobre o Tristan e a Aurora. Fala!
—Você não sabe nada.
—Sei! Eu sei sim! Esse é o meu fardo! O meu fardo é saber! Conhecimento atemporal e ilimitado!
—Me mostra.
—Hope!
—Cala a boca! Me mostra. Eu quero ver.
—Tem certeza? Você nunca vai esquecer, provavelmente terá pesadelos pelo resto da vida. Nunca mais vai se sentir segura.
—Eu não me sinto segura agora.
—Quando mostrei pra sua mãe, lembra como ela reagiu?
—Sim. Me mostra.
P.O.V. Hope.
Eu vi. Eu vi tudo. Todas as atrocidades que meu pai cometeu, tudo o que ele sofreu, tudo o que os meus tios fizeram. Todas as traições, todos os corpos que foram largados pelo caminho.
Quando finalmente parou eu senti as lágrimas no meu rosto.
—Hope...
—Monstro. Assassino. Agora sei porque todo mundo te odeia.
Eu sentia os meus pés se movendo, mas eu não conseguia ver o caminho direito. Eu só queria ir o mais longe que eu conseguisse, o mais rápido que eu pudesse. Só parei quando trombei em alguém.
—Ei! Hope? O que aconteceu?
—Eu vi. Eu vi tudo senhorita Forbes. Todas as atrocidades, todos os assassinatos. Ele tentou te matar, ele te amava e ainda assim tentou te matar.
Ela me abraçou.
—Calma. Ta tudo bem. Vamos com a gente tomar um chocolate quente tá?
Eu acenei com a cabeça.
Sentei na mesa e bebi o chocolate quente mecanicamente. Mas, me ajudou a sair do transe.
—Como você o perdoou?
—Errar é humano, perdoar é divino. Seu pai nem sempre foi assim, acho que os seus avós foram a pedra fundamental onde o seu pai foi construído. O Mikael o caçou incansavelmente, o odiava e tudo o que aquele menininho queria era que aquele pai amasse ele e o seu pai por baixo daquela couraça ainda é aquele menininho. Aquele menininho assustado, carente e sozinho.
—Eu sei que você odiava minha mãe.
—Eu não a odiava, só... não gostava dela. O nosso santo não bateu.
—Ela ajudou a massacrar os híbridos. Depois de todo aquele discurso sobre ser lobisomem, sobre honra, sobre nobreza... ela era uma hipócrita.
—Eu temo que todos sejamos um pouco hipócritas. Ninguém é perfeito. Todos fazemos coisas das quais nos arrependemos, mas a maioria das pessoas morre antes que a lista fique embaraçosa.
—Você acha que ele se arrepende?
—Eu acho que sim. Afinal, por causa dos erros dele você nasceu com um alvo tatuado na testa. Nunca é tarde pra mudar, pra ser melhor. A gente é quem a gente escolhe ser. Nunca se esqueça disso porque você vai ter que conviver com as consequências das suas escolhas. E mais cedo ou mais tarde tudo volta, o Karma encontra um caminho acredite.

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