O Horizonte de Claire
7 O Peso da Ausência
A alegria que antes iluminava os corredores do palácio de Lâfrer parecia ter evaporado junto com o sorriso de Claire. O silêncio da princesa era agora a nota mais alta do castelo.
As refeições reais tornaram-se eventos fúnebres. Onde antes havia o tilintar de talheres e a expectativa pelas histórias de Yaman, agora reinava um vácuo desconfortável.
— Claire não vem para o jantar novamente? — perguntou o Rei Richard, observando a cadeira vazia da filha com uma ruga de preocupação na testa.
— Ela disse que está com uma forte enxaqueca, Majestade — respondeu Margot, com a voz baixa e os olhos vermelhos, claramente sofrendo pela tristeza da patroa.
Yaman, sentado na ponta da mesa, sentia o sabor da comida desaparecer. Ele mal tocava em seu prato. Sem o olhar encantado de Claire, sem o brilho de seus olhos curiosos, contar suas aventuras parecia um exercício vazio e patético. O Rei pedia por histórias, mas Yaman respondia apenas com frases curtas e secas. O brilho do pirata havia se apagado; ele parecia apenas um homem cansado e amargo.
Encontros Fantasmagóricos
Pelo palácio, o destino pregava peças cruéis, fazendo com que seus caminhos se cruzassem nos momentos mais inesperados.
Uma tarde, Claire caminhava pela galeria leste, o rosto pálido e os olhos fundos. Ela viu Yaman vindo na direção oposta. Antigamente, seu coração teria disparado de alegria; agora, ele apenas se apertava de dor.
Ela baixou o rosto, focando-se nas pedras do chão, e apertou o passo. Yaman, ao vê-la, sentiu o impulso de parar, de segurar sua mão e pedir perdão, mas as palavras do Rei e a imagem daquela "flor esmagada" o mantinham rígido.
Eles passaram um pelo outro sem dizer uma palavra. O único som era o roçar do vestido de seda de Claire contra as botas de couro dele. Um perfume de flores e um cheiro de mar que se chocaram por um segundo e depois se separaram, como dois navios que se evitam no meio da névoa.
Yaman parou após alguns passos, fechando os olhos com força. Ele ouviu o soluço abafado que Claire não conseguiu conter enquanto ela dobrava o corredor.
A Melancolia do Capitão
No cais, Kaelen percebia que seu capitão não era mais o mesmo.
— As provisões estão prontas, Yaman. Podemos partir amanhã se o vento ajudar — disse o amigo, observando Yaman encarar o palácio no topo da colina.
— Ótimo — respondeu Yaman, embora sua voz não tivesse convicção. — Quanto antes sairmos deste lugar de mármore e mentiras, melhor.
— Você está mal, capitão. E aquela menina também está. Vi ela da janela hoje... parece uma sombra do que era no baile.
Yaman virou-se bruscamente.
— Ela é uma princesa, Kaelen. Ela vai ganhar uma tiara nova e esquecer que um pirata grosso passou por aqui. É o ciclo das coisas.
Mas, ao olhar para suas próprias mãos, Yaman sabia que estava mentindo. Ele tinha feito exatamente o que o Rei pedira: ele a afastara. Mas, ao protegê-la da sua realidade, ele acabara matando a luz que o fizera querer ser um homem melhor. O silêncio de Claire doía mais do que qualquer ferimento de batalha, e o palácio, que antes era uma curiosidade, agora parecia uma tortura lenta para ambos.
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