O Horizonte de Claire
8 O Adeus Silencioso
O dia da partida chegou com um céu cinzento e uma névoa densa que subia do oceano, como se o próprio clima de Lâfrer estivesse em luto. No porto, a movimentação era intensa; os homens de Yaman carregavam os últimos barris, e o navio, com suas velas negras e imponentes, balançava impaciente para ganhar o mar aberto.
No palácio, o Rei Richard e a Rainha Catarina observavam a filha de longe. Claire estava parada em uma das sacadas mais altas, o rosto pálido e as mãos agarradas ao parapeito de pedra. Ela não chorava mais; a dor havia se tornado algo silencioso e profundo, uma ausência que pesava em seu peito como chumbo.
Lá embaixo, Yaman montou em seu cavalo para a última viagem até o cais. Ele não olhou para trás. Ele sabia que, se olhasse para a sacada e visse aquela figura pequena e desolada, seus pés não o levariam para o navio. Ele forçou-se a manter os olhos no horizonte, o lugar para onde ele pertencia, mesmo que seu coração estivesse ficando para trás, enterrado nos jardins de Lâfrer.
Claire viu quando o navio começou a se afastar. As âncoras foram erguidas, e as grandes velas se abriram, capturando o vento cortante da manhã. O navio diminuía de tamanho a cada segundo, transformando-se em apenas um ponto escuro no vasto azul-cinzento.
— Ele se foi, Margot — sussurrou ela, a voz tão fraca que quase desapareceu no vento. — Ele foi embora acreditando que eu sou apenas uma criança... e eu fiquei aqui sentindo que envelheci cem anos em uma semana.
A Tentativa de Distração
O Rei e a Rainha entraram na sacada, aproximando-se com passos cautelosos. Richard colocou a mão no ombro da filha, sentindo o quanto ela estava tensa.
— Ele era um homem do mar, Claire — disse o Rei, com a voz firme, tentando instilar realidade na mente da filha. — Homens assim não têm raízes. Ele cumpriu o papel dele, nos deu histórias e seguiu o caminho dele. Você é uma princesa de Lâfrer; o seu lugar é aqui, sob o sol, não no meio de tempestades e perigos.
— Nós preparamos algo para você, querida — interveio a Rainha Catarina, tentando forçar um tom de animação. — Organizamos um passeio pelas colinas de seda. James e Elisandra já estão esperando. Vamos escolher um novo conjunto de joias, algo que combine com a sua luz.
Claire virou-se lentamente para os pais. Seus olhos, que antes brilhavam com uma ingenuidade encantadora, agora tinham uma profundidade triste e analítica.
— Vocês acham que joias podem preencher o vazio de uma alma que despertou? — perguntou ela, com uma maturidade que os pegou de surpresa. — Vocês queriam me proteger do mundo, mas acabaram me deixando sozinha em uma gaiola onde o horizonte agora parece uma tortura, não uma promessa.
— Não seja dramática, Claire — o Rei franziu a testa, a paciência começando a falhar diante da insistência da filha por um fora da lei. — Ele era um pirata. Um homem grosso, perigoso e sem honra. Em poucos meses, você mal se lembrará do nome dele.
— Eu nunca vou esquecer — ela disse, com uma calma assustadora. — Porque ele foi o único que me olhou e viu alguém além de uma "princesa meiga". Mesmo quando ele foi cruel, ele me tratou como alguém que precisava ouvir a verdade.
Claire passou pelos pais sem aceitar o convite para o passeio. Ela se recolheu aos seus aposentos, recusando a comida e a companhia. Enquanto o Rei e a Rainha faziam de tudo para que a rotina do palácio voltasse ao normal — organizando bailes menores, convidando jovens nobres e cobrindo-a de presentes — Claire permanecia na janela.
Ela observava o mar, sabendo que, em algum lugar além daquela névoa, o Capitão Yaman Olivier estava navegando. Ele a deixara com o coração partido, mas também a deixara com uma sede de liberdade que nenhuma joia ou protocolo real jamais conseguiria saciar. O plano dos pais de fazê-la esquecer estava falhando miseravelmente; quanto mais tentavam apagar a memória dele, mais a sombra do pirata crescia nos sonhos da princesa.
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