O Homem que me Tornei
1 O Homem que me Tornei
Notas iniciais
Agora o som me parece distante.
E meus dedos dormentes
Enxugam, espalham, separam
Qualquer sentido, qualquer sentimento, qualquer calor.
Que me faça lembrar o que é estar vivo.
Meus olhos distantes
Desfocam-se nas memórias.
E as perguntas
As terríveis perguntas perseguem-me.
Sufoco enquanto busco responde-las
E descubro que não há lugar para mim.
Não enquanto vivo.
Meu rosto, meu gênero, meu corpo, minha mente, meu amor.
Mesmo meu amor, está podre.
Estou doente (tome os remédios).
Apodrecido (corte o que não pode ser salvo).
E corrompido (somente Deus pode cura-la).
Estou lindo (nunca esteve mais feia).
Sinto-me bem (não lhe pari para isso).
Apaixonado (o senhor não lhe perdoará).
Eu sou um homem (não é).
Bi (não existe).
Livre (não me traga vergonha).
As pálpebras vibram pela ultima vez
E cada musculo remexe desesperadamente.
Deleito das luzes
As estrelas fascinantes.
Consomem o que me tornei
Gritos ecoam
Mãos espalmadas sobre o peito
Choro preso na garganta
Lágrimas manchando pele
Que tremem, tremem e tremem.
Estou no limbo, a dois passos do infinito e apenas um da realidade.
Não há volta, nem a mim nem a eles.
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