O Homem Que Viu O Mundo
11 Os filhos da Harpia
OS FILHOS DA HARPIA
Afinal de contas, parecia agora que Karkzan era o mais cruel dos homens. Ele tentara decapitar o homem que lhe roubara um anel, e, diante do fracasso, o incinerara e o prendera nas masmorras mais profundas durante cinquenta dias. O tipo de prisão em que Lell se fora detido era imunda e fétida, repleta de ratos e insetos, com um odor denso no ar quente e úmido, como se nadasse em urina, mas nem de longe poderia ser comparada àquela de treze anos antes. Levaram-lhe comida uma vez ao dia, e a luz do sol entrava por uma minúscula janela na parede, e tochas iluminavam os corredores à noite. No entanto, após o vigésimo quinto dia, Lell fora transferido para uma Cela Nobre, quase tão confortável quanto seus aposentos no palácio do Grande Mestre, onde comia tantas vezes quanto quisesse, e tinha dois escravos à sua disposição, sendo-lhe restringida apenas a saída da cela.
A vida era confortável, mas o ócio era torturador. A falta de prática o impedia de conseguir falar com os deuses. Terei de queimar outra árvore, refletira, os deuses já não me ouvem mais, e eu não consigo vê-los nem ouvi-los. Em nenhum momento Lell conseguia parar de pensar no que acontecera. A imagem horrenda da cabeça de Krasha lhe sendo entregue de presente, Clerion caindo ao chão com uma flecha nas costas e um bilhete que vinha preso na flecha. Lell não conseguira lê-lo naquele momento. Ficara prostrado sobre o corpo de Clerion, com o rosto enterrado em seu peito, mais uma vez amaldiçoando os deuses por não conseguir chorar. A flecha estava envenenada com o veneno da mais vil manticora, e a pele do escravo valiriano de esfumaçava, expondo a carne apodrecendo em questão de segundos. Sangue jorrava dos olhos do rapaz, e seu coração não batia mais. Em um ímpeto desesperado, invocara os poderes das sobras para dar de volta a vida àquele home, mais uma chuva de mais de mil flechas envenenadas lhe cegaram a visão, e lhe impediram de salvar Clerion.
Quando acordou, estava estatelado sobre um banco de pedra em uma cela ghiscari comum, agora sem flechas espetadas em seu corpo; exceto por uma, que ainda levava o bilhete que estivera nas costas de Clerion. Lell arrancara a ponta de sua coxa. A pele estava seca e enegrecida, mas logo se recuperou. A flecha era inteiramente feita de aço valiriano, e por dentro havia um sulco preenchido com veneno de manticora. O bilhete vinha escrito com pó de ouro sobre um pedaço de seda azul muito brilhante. Os hieróglifos ghiscaris eram claros, e traziam uma mensagem com cheiro de morte.
“Liknell, escravo do Grande Mestre. Seu escudo caiu, e seus peludos cairão também. Não admitirei estes selvagens em Ghis, tal como não aceitarei um escravo governando minha cidade.” Era fácil entender o porquê da cabeça e das flechas, embora impossível de aceitar. O medo e a dúvida pairavam constantemente dentre os pensamentos de Lell.
Os trinta dias que Lell passara na Cela Nobre foram uma tortura ainda maior que os cinquenta dias nas masmorras de Karkzan, mas agora o sofrimento pareceu diminuir, com o anúncio de uma visita.
- O Grande Mestre virá visitá-lo. – informara o escravo mais baixo. – Lhe trouxemos estas roupas para que o senhor vista para estar apresentável para ele.
O Grande Mestre. Seria Arren Accrett¿ Lell duvidava. Aquele homem não era de todo estúpido, mas não gostava de poder. Talvez um mestre, ou um nobre qualquer, ou até mesmo um revolucionário do povo tivesse tomado o cargo e intimidado todos os mestres. Mas por que mataria Krasha e Clerion¿ e teriam sido estes os únicos mortos¿ quantos mais poderiam ser, de seis mil ulthi que viviam na Colônia, e dos três milhões de pessoas que viviam em Ghis¿
As perguntas saíram da mente de Lell quando a porta foi aberta e um escravo de pele negra como o carvão entrou na cela. Vestia uma toga azul e dourada, e um chapéu bufante e ridículo pendia de sua cabeça.
- Anuncio a chegada de sua magnificência, Arkrazz Mo Yoxxagrozz, Grande Mestre de Ghis!
Um homem baixo e gordo entrou no ambiente. Sua pele era cor de leite coalhado, como da maioria dos ghiscari. Vestia as roupas mais ricas que Lell já vira, e ultrapassava os limites da nobreza, chegando ao ridículo. Era calvo, mas uma peruca com fios de prata tentava disfarçar a pele nua, ou, pelo menos, ostentar a riqueza do mestre. Seus olhos negros eram pequenos e agitados, e logo revistaram o ambiente e o prisioneiro. No geral, Lell não reconheceria o homem de lugar algum, mas a lembrança do enorme anel de ouro que pendia de seu nariz era vagamente presente em sua memória.
- Liknell, de Assenhayy. – Disse o Grande Mestre, com um leve sorriso nos lábios.
- Sim, sou eu.
- Não foi uma pergunta. Ora, parece que é o último membro do conselho de Karkzan, apesar de eu tê-lo matado mais de dez vezes. Jaemon morreu de um infarto, mas os outros eu tive de levar pela espada. Lembra-se de mim¿
- Vagamente. Lembro-me desse seu anel de vaca. — O nobre olhou para o escravo e levantou um dedo. Imediatamente ele tirou um chicote de algum lugar e atingiu Lell em cheio. Lell sentiu uma dor comum, mas as feridas que se formaram logo se fecharam, em uma rajada macabra de luz prateada. A expressão do mestre demonstrava que não estava surpreso, mas não estava conformado.
- Imortal. Eu soube de seu dom na época, Liknell. Eu era Conselheiro do Grande Mestre Karkzan. Ele me apresentara suas aflições quando o criminoso se mostrara incapaz de morrer, treze anos atrás. Lembra-se deste tempo, escravo¿
- Sim, lembro-me bem. Estava trancafiado e amarrado em uma masmorra mais profunda que os mares, sem comida nem água, como se esperassem o tempo me matar.
- Esta era a minha intenção quando aconselhei o Mestre a prendê-lo nas masmorras profundas. Mandei escravos para espioná-lo na escuridão, aqueles guardas cegos. Todos me relatavam que continuava vivo e que emanava um brilho estranhamente fosco.
- Um dom que os deuses me deram.
- Uma aberração, isso sim. Nesta época a sua sobrevivência sobre-humana se tornou uma questão de orgulho para o Grande Mestre. Não poderia existir um homem que resistisse ao poder da Harpia. Eu, pela primeira vez em quarenta anos, não sabia o que fazer. Karkzan nunca me agradecera por um conselho, mas me encarcerou em uma cela nobre na primeira vez que fui incapaz de saciar suas dúvidas.
- Nosso mestre era um homem cruel, sem dúvida.
- Sem dúvida. Em um dia qualquer, veio um carcereiro até minha porta. Não era cego, era só um escravo comum, exceto pelo fato de ser valiriano. Eu conhecia Clerion há seis anos, desde que viera para Ghis em um navio mercante. O garoto era órfão e se entregara a uma caravana que passava por Valíria, aos dez anos. A figura prateada se destacava dos demais produtos no porto, e logo o comprei. Tornara-se fiel servo do Grande Mestre, e agora obedecia a uma ordem deste. Disse-me que Karkzan já não precisava dos meus serviços, deu-me uma bolsa de ouro e me libertou. Tentei adentrar à Grande Torre Branca quase cem vezes depois desse dia, mas nunca fui autorizado. Eu nada vira, mas os murmúrios nas ruas me contaram tudo. Uma mensagem qualquer sobre dragões atraíra a atenção de Karkzan. Logo iniciaram um plano, roubar dragões de Valíria, certo¿ Ah, sim. Quando saí da prisão, o terceiro estava à solta. Doze harpias queimadas caíram sobre o teto de minha casa, e a destruíram por completo. Nunca fui capaz de pensar em outro culpado que não fosse o ladrão do anel.
- Eu também não.
- Tive de esperar treze anos até que o Grande Mestre morresse. Nunca pensei que fosse ser tão fácil encontrar um exército, até encontrar a boa vontade de Coz.
- Coz¿ O Senhor da Guerra¿
- Eu mesmo – O homem quadrado entrou pela porta sem que Lell percebesse. Vestia sua armadura lilás habitual. – Ora, Liknell. Pensou mesmo que eu apoiaria um escravo para Grande Mestre¿ — O sorriso malicioso naquela boca amarela Fez a fúria de Lell multiplicar-se.
- Eu fiz o que você é! Eu o trouxe para o conselho!
- Nada que não fosse meu plano. – Arkrazz o interrompeu. – Enviei esse general à sua presença. Ele não queria ser político, mas o que é a vontade de um homem perante uma montanha de ouro¿
- Precisávamos estar no comando quando tudo tivesse que acontecer. – disse Coz. – Os Imaculados estão agora por toda cidade. Das ilhas no Mar Ghiscari até as colinas que nos separam dos Dothraki, os domínios são de Arkrazz.
Lell se sentia como se lhe enfiassem mil facas pelas costas, e sua fúria era implacável. Fora traído. O homem em que mais confiara por sete anos era apenas um contratado de alguém que lhe guardava ressentimentos, e agora este estava no poder. No ímpeto do momento, nada mais importava. Fez um esforço enorme para concentrar os poderes que ainda lhe restavam. Olhou para as pontas dos dedos, e estavam flamejantes. Deu um salto rápido em direção a Coz. Era dele que sentia mais raiva no momento. Viu o tecido da armadura se desfazer como papiro seco ao toque do fogo, e as chamas também atingiram o tokar de Arkrazz. Mas depois do fogo veio uma espada com um brilho vermelho e fosco na sua direção, e o mundo escureceu novamente.
Acordou na cela suja e escura em que estivera há mais ou menos uma lua. A espada ainda estava atravessada na sua garganta, mas, graças ao dom dos deuses, foi fácil se recuperar. Assim que se levantou, Lell ouviu gritos histéricos de chamamento do lado de fora da cela. E em alguns minutos Arkrazz estava lá vestido em roupas grosseiras de couro seco, como se temesse desesperadamente ser queimado. Lell tinha os pés e as mãos acorrentados, o que bloqueava a maioria dos movimentos, mas não todos. Ainda poderia matar o patife. Coz chegou um pouco depois, vestindo roupas quase idênticas às do mestre, mas com o pescoço enfaixado, exatamente no lugar onde Lell o queimara. Essa visão já o fez sentir melhor. Foi Arkrazz que começou a falar.
- Eu tentei ser civilizado com você, Liknell, mas parece impossível lidar assim com um selvagem.
- É tão selvagem quanto aqueles seus escravos peludos, homem. – disse Coz, cuspindo no chão logo depois.
A fala fez Lell lembrar-se dos Ulthi. Sentiu uma profunda culpa por não ter se preocupado antes, e já as palavras já lhe vinham à boca, mas pareceu que o novo Mestre lera seus pensamentos:
- Seus Ulthi não estão a salvo, se é o que quer saber. Você bem sabe, desde sempre, que os ghiscari gostam tanto de ulthi quanto de dothraki. – Era verdade. Lell se lembrava do dia em que Karkzan decidira encaixar o povo estrangeiro nas fronteiras mais distantes, e mesmo assim despertara forte descontentamento entre os nobres. Até mesmo alguns corsários atacaram a Colônia no início, mas os ulthi eram protegidos pelo poder do Grande Mestre. – Como dizia o bilhete que lhe enviei, seu escudo caiu, e seus ulthi também. Não podem mais ficar aqui, e você também deve ir.
- Sabe que não é assim tão simples, Arkrazz. – argumentou Lell. – Eles viveram por treze anos aqui, e a maioria deles está satisfeito com a situação em que se encontra. Eu não sou mais tão influente sobre aquele povo, e eles dificilmente aceitarão mais uma mudança.
Arkrazz fitou o interlocutor com um olhar irônico.
- Quantos ulthi pensa que vivem na Colônia, Liknell¿
- Acredito que, se eram seis mil homens da última vez que contei, devem ser uns dezoito ou vinte mil hoje, se contarmos mulheres e crianças.
- Eu contei, e são trinta e oito mil. Esgotando nossas terras, enfurecendo nossos nobres e atraindo os dothraki. Apesar de tudo, Coz tem sob seu comando trezentos mil imaculados, capazes de combater qualquer povo invasor que nos incomode.
- Quer que eu mobilize todo esse povo para longe, então¿
- Sim, e também quero um indenização pelos treze anos de humilhação que passei.
- E o que seria¿
- Cem milhões de pesos de ouro, e uma vida ulthi para cada dia que demorarem a sair dos meus domínios. Aquela moça de quem cortei a cabeça, eu sabia que ela era importante, por isso teria peso no início. Mas vou matar cada homem, mulher e criança de seu povo, o que certamente vai voltá-los contra você. É melhor que seja rápido.
- Cem milhões¿ É mais do que Ghis consegue gerar em um ano.
- Ora, escravo – disse Arkrazz, quase rindo – Se pôde subir de prisioneiro das masmorras para Conselheiro, certamente é capaz de multiplicar isto. – lançou um peso de ouro perto de Lell. A moeda tinha uma face de harpia, e a outra possuía a imagem de uma cabeça atravessada por uma espada, emblema do novo Grande Mestre.
Alguns minutos depois, um escravo veio desacorrentá-lo. Entregou-lhe o tokar e os olhos de vidro que costumava usar para proteger do sol, e o encaminhou para as termas. Lell tomou um banho quente digno de um nobre. Parecia, afinal, que Arkrazz era muito gentil com seus prisioneiros. Depois de comer uma refeição gorda, Lell saiu em sua liteira, onde viajou uma noite até chegar à Colônia. A recepção que teve na casa de Mormont foi mais fria que as chamas dos deuses. O urso lhe contara que o funeral de Krasha ocorrera há duas luas, e que mais sessenta ulthi haviam morrido desde então, todos assassinados em suas camas, ou atingidos por flechas envenenadas. O medo e a tristeza pairavam sobre a Colônia, e muitos consideravam aquilo culpa de Lell.
- É importante que saiba – dissera-lhe Mormont, no primeiro dia da visita. – Os ulthi não estão prontos para fugir. A maioria prefere lutar, mas não conseguem nem sequer ver seus inimigos, então escolheram um homem para odiar. Você é o que nos liga aos ghiscari, Lell. É a você que a culpa é atribuída.
- E o que você pensa¿ — perguntara Lell, deixando transparecer uma preocupação ainda maior do que a que sentia. – Acha que eu sou o culpado por tudo isso¿
- Acho que temos muitos problemas, Lell. Não sei se há um culpado, mas as mortes estão acontecendo a cada dia, e meus homens estão com medo e em fúria.
Lell esperara até o cair da noite, como era de costume nos tempos em que falava com os deuses. Já faziam cinco anos interruptos desde a última vez que vira as chamas, e muito raramente tentara usar seus poderes mágicos. Quando viu que não conseguiria tomar a forma de um lobo, correu com passos humanos até um boque que havia em pleno deserto. O lugar era belíssimo iluminado à luz do luar. Um lago de estendia no centro de tudo como um grande espelho de prata, rodeado pelas mais diversas plantas e animais. Parecia maldade queimar uma árvore em um lugar assim, mas era necessário.
Lell escolheu a árvore mais alta, e, entoando as mesmas palavras que usara dezesseis anos antes, invocou os deuses:
- Oh, poderosos deuses, rogo que ouçam minha súplica e afastem o sofrimento de meu povo.
As chamas saíam das pontas dos seus dedos. Era o último poder que lhe restava, além da imortalidade. A árvore se incendiou, mas não ruiu. De dentro do tronco oco Lell pôde ouvir uma voz que não se assemelhava a de nenhum dos três deuses.
- Liknell, o escolhido. Tonaste-te indigno após tantos anos, mas tua súplica será atendia perante a misericórdia dos deuses. A raiva de teu povo será aplacada e eles poderão te ouvir. Salva a vida deles.
A águia pousou sobre a casa de barro de Mormont, e logo depois se transformou em Liknell. Havia se passado nove dias desde a chegada à Colônia, e ele pudera evitar a morte de três dos prometidos de Arkrazz. Entrou na casa do urso sem ser chamado, mas foi este que falou primeiro.
- Tenho falado bem de você para o povo. Não só desde que chegou, mas há duas luas. Eles não pareceram muito convencidos até que você veio. Sabem que você salvou algumas vidas, e, apesar de ainda existirem aqueles que querem sua cabeça, a maioria parece estar disposta a te seguir.
- Fico feliz e aliviado por isso. – respondeu Lell, sorrindo. – precisamos nos reunir, eu você e Kell. – pensar em Kell o fez entristecer, mas a tristeza se foi com a imagem do irmão.
- Estou aqui. – disse Kellokk, surgindo de outro cômodo. Estava muito mais envelhecido de Mormont, e seu rosto trazia uma expressão pesada. – Podemos começar.
Lell não se sentiu em condições de se reconciliar com o irmão, então simplesmente deu voz às palavras.
- Arkrazz prometeu que mataria um ulthi para cada dia que nos demorássemos aqui, então precisamos partir rapidamente. Poderíamos sair por mar, procurar terras nos domínios de Valíria e construir uma nova colônia.
- Até que levem minha cabeça de presente para você na corte¿ — perguntou Mormont, em um tom agressivo. Lell não se sentiu ofendido, mas um medo súbito veio à tona.
- Certo. Poderíamos andar por cima dos domínios de Ghis. Seria perigoso, pois estaríamos em território dothraki, mas chegaríamos a oeste mais rápido. Para lá de Valíria há um rio chamado Rhoine, onde vive um povo guerreiro. Eles são simples, mas entendem mais de armas que nós. Certamente seria uma boa oportunidade conviver com eles.
- Os valirianos falam sobre um território. – disse Kellokk, em uma voz baixa e indiferente – Ele ficaria além do Rhoine, depois de uma grande ponde de pedra. Eles passam perto desses lugares com seus navios mercantes, mas as costas são muito nebulosas para atracarem.
- As terras do poente. – lembrou-se Lell. – Já li sobre essas terras. Totalmente inexploradas por homens, mas se sabe da existência delas por causa das aves que voam próximo à costa nebulosa. Ficam a norte das Ilhas do Verão, de onde vêm muitos escravos.
- Considero uma pretensão muito alta alcançar terras longínquas e inexploradas. – comentou Mormont. – Mas não desconsideraria a possibilidade de irmos por cima e conviver com os rhoinares.
- Também não tenho nenhuma objeção a isso. – disse Kell. — Só precisamos nos mobilizar logo.
- Neste caso, chegamos ao consenso. Partiremos em uma semana. Por favor, mobilizem seus bandos. Vou procurar ao máximo defender as sete vidas que Arkrazz pretende tirar.
Os três homens se levantaram e se despediram. Lell observou seu irmão partir sem olhar para trás. A frieza com que o tratava fazia Lell estremecer. Não conseguiu ir conversar com o irmão. Suas pernas ficaram presas, e sua garganta, mais presa ainda.
Durante as seis noites que se seguiram, os bandos amarraram suas barracas e animais, suas ferramentas de aragem e suas poucas roupas, mas Lell ficou em concentração profunda com os deuses. Não conseguia vê-los, mas aquela voz que vinha de dentro da árvore ainda ecoava de dentro das fogueiras.
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