O Homem Que Viu O Mundo
16 Navegando entre homens
Notas iniciais
Os mares da costa de Sothoryos eram tão calmos quanto águas de um lago. A última tempestade que afligira o navio fora há quatro luas, cem milhas a noroeste de Naath. Curiosamente, a tempestade ocorrera um dia antes da chegada da galeota de Jaemon Lyyr. Lell se sentira realmente confuso quando recebera a carta. Certamente levara cerca de duas semanas para que o rolo chegasse às suas mãos, passando de falcão em falcão ao longo do Golfo da Mágoa.
Jaemon Lyyr estava vivo, e, aparentemente, melhor que nunca. Arkrazz o havia contado que o velho valiriano morrera de um infarto no dia do golpe, e Lell acreditara ser perfeitamente possível. Mas agora lá estava ele, em uma embarcação de Kahyr Lamminen, vindo governar o navio com a maestria que governava o dinheiro. Ele viera em uma galeota rápida, com o quinto do tamanho da galé nobre e um enorme dragão de ouro sobre um fundo azul na vela. O intendente subiu uma escada interposta entre as duas embarcações sem apoio ou ajuda alguma, mas sempre com as costas arqueadas e o olhar baixo, como se fosse um homem velho e forte ao mesmo tempo. Lell fora recebê-lo, em parte porque era sua obrigação como mensageiro, em parte porque queria ver com os próprios olhos que ele estava vivo.
É bom vê-lo novamente, Liknell disse Jaemon Soube que você adotou o nome de nosso antigo soberano.
Seu soberano, mas meu dono. respondeu Lell. Eu era escravo dele, e herdei seu nome quando ele morreu.
Sim, eu me lembro. Um escravo nobre.
Junto com Jaemon subiram na galé vinte e dois guardas valirianos, todos altos e fortes vestidos com peitorais de couro e elmos de bronze. Sobre o peitoral repousava um grande manto branco com peixes vermelhos, símbolo da Família Lyyr. Lell achou aquilo estranho à primeira vista, e achara ainda mais estranho quando lhe apontaram espadas e lhe acorrentavm as mãos e os pés.
O que significa isso¿ — perguntou Lell, irado, enquanto tentava lutar contra os guardas, mas as espadas o feriram profundamente e sua magia não estava funcionando.
Uma medida de segurança. respondeu Jaemon. As espadas e as correntes são feitas de aço valiriano, Liknell. É feito de magia, assim como você. Não acredito que isso possa matá-lo, mas certamente pode contê-lo. Por hora, é tudo o que precisa saber. Em breve conversaremos.
Encapuzaram empurraram o homem que tivera poderes mágicos pela proa. Lell conhecia aquele navio tão bem que foi capaz de identificar o caminho somente pela audição. Os guardas erraram o percurso três vezes antes de prendê-lo atrás das grades de aço valiriano, perto de onde estava preso o copeiro suspeito de envenenar Maegor. Tiraram-lhe o capuz, mas o deixaram lá, sem poder algum que não fosse a imortalidade.
Lell passou três dias dentro da cela. Todos os dias era alimentado, o que o levou a concluir que Jaemon não o conhecia tão bem quanto pensava. A cela possuía uma abertura no teto, que era coberta por uma grade que, por sua vez, integrava o chão na proa da galé. O sol iluminava o interior do recinto de maneira escaldante, o que fez Lell pensar que era metade da tarde. Jaemon Lyyr desceu por uma porta no teto do corredor que se seguia às barras de aço, torto como sempre, mas com seus olhos vermelhos observando tudo o que havia lá dentro. Vestia uma rica toga tecida em fios de ouro, e, por cima, um manto branco como pérola bordado com peixes vermelhos.
Saudações, Liknell. disse o intendente — Hoje está um dia tão quente que eu prefiro ficar aqui embaixo.
O sol também me atinge, dependendo do lugar na cela. Lell respondeu.
Ora, espero que tenha sido bem tratado. É um prisioneiro, mas não deixa de ser nobre.
Fui alimentado todos os dias, e rebebi dos deuses a luz e o calor do sol quando quisesse.
Então teve uma estadia melhor que o copeiro. O jogamos no mar, junto com os frascos de veneno que encontramos em sua cabine, nos fundos da galé. Aparentemente era um assassino contratado por algum inimigo de Maegor em Valíria, mas esperou até que estivesse em alto mar para fazer o atentado.
Tem ideia de quem possa ter sido¿ — perguntou Lell.
Temos algumas, mas, a esta distância, nenhum inimigo tem efeito. Aliás, por segurança, também prendi os gêmeos Javyr.
Acredita que possa ter sido Nuut¿
Não acredito em nada que não seja ouro, mas, no momento, estou interessado em outros tipos de tesouro. Como conseguiu seus poderes mágicos¿
Fui treinado em Asshai. mentiu Lell
Nunca vi nenhum mago de Asshai que fosse imortal, homem. Pare de mentir e me diga. Como conseguiu seus poderes¿
Não sou imortal, sou apenas mais forte que a maioria dos homens. Se não acredita, nada posso fazer, mas posso lhe garantir que meus poderes não são transferíveis.
Pois que seja. De qualquer maneira, quero sua ajuda em meu plano. Velaryon, liberte o prisioneiro.
Um guarda que acompanhava Jaemon tirou uma chave do cinturão e abriu a cela. Liknell ficou parado até que ele o puxasse pelo braço e amarrasse uma corrente nos pulsos dele.
Não desta vez, Velaryon. protestou Jaemon Lyyr Liberte-o. Deixe sem amarras ou correntes, e não precisa escoltar ninguém.
Lell sentiu o ar quente da tarde no mar se Sothoryos rasgar seus pulmões quando chegou à proa. Um bando de soldados valirianos de Kahyr Lamminen e mais alguns de Jaemon se reuniam em torno de alguma coisa. Lell andou lado a lado com o velho intendente até a aglomeração, que abriu alas para os dois nobres. No centro de tudo havia um pequeno bote para naufrágios, certamente retirado das reservas da galé nobre. Dentro dele estava o Capitão Therion Alter vestido em suas vestes de nobre, agonizando sobre uma espada feita de ouro puro. Sua boca sangrava e seus olhos pareciam não enxergar nada. Lell olhou para a cena com certa repulsa, mas muito assustado.
Traição, é esse o seu plano, Jaemon¿ — Lell perguntou ao homem, mais alto do que deveria.
Não me agrada ouvir isso de você, Liknell. respondeu Jaemon, com um tom de voz brando e os olhos se movimentando freneticamente Eu contava com o seu apoio, apesar de tudo. Afinal, posso ou não¿
Me explique tudo antes que eu possa responder alguma coisa.
Certo, venha comigo até minha cabine.
A cabine para qual eles se direcionaram foi a que anteriormente era ocupada por Therion. Uma placa de ouro continha um hieróglifo que significava Capitão em valiriano. Lell nunca tivera interesse em entrar lá, e, de fato, ela não possuía nada de especial. O chão não tinha uma área superior a trinta metros quadrados, e as paredes eram de madeira seca, recentemente pintada de branco. Na parede que apontava para leste estavam pendurados os estandartes de todos os nobres que já haviam capitaneado as missões de Kahyr Lamminen, além do dele próprio. O rosto sem olhos era o símbolo da família Alter, estava na primeira e penúltima posição. Os peixes vermelhos de Lyyr estavam em último, confirmando todas as suspeitas de Lell.
Aqui está o pergaminho. começou Jaemon Kahyr entregou-me um pouco antes de minha partida. Aqui, leia.
Os glifos estavam impressos com uma tintura escura, como os documentos que se faziam em moldes de madeira.
Eu, Lorde Kahyr Lamminen, ordeno que Therion Alter seja morto imediatamente e que seu corpo me seja enviado. Também ordeno a prisão dos gêmeos Javyr. Todos os comandos são passados a Lorde Jaemon Lyyr.
Como conseguiu enganar mil soldados¿ — perguntou Lell.
Eles não sabem ler, e nutrem um fascínio absurdo pela escrita. Com eles em minhas mãos, pude fazer todo o resto. respondeu Jaemon.
Vejo que o senhor está agora no comando, acima das vontades de Kahyr e de qualquer outro.
Não de qualquer outro. Não sei se percebeu, mas só fui enviado para cá por uma razão.
Maegor. a compreensão veio como uma pedra que cai sobre a cabeça.
Sim, Maegor.
O intendente louco entrou na sala imediatamente, tão rápido que pareceu que já estava lá. Vestia uma toga branca com o manto de Lyyr por cima. Seus cabelos já não eram negros, mas louros, quase tão brancos quanto os de Jaemon, e seus olhos eram vermelhos como os do velho.
Acredito que Liknell foi ingênuo demais nesta situação. disse Maegor, com um meio sorriso no rosto.
Como¿ — Perguntou Liknell.
Foi um jogo simples, porém, sua ajuda foi essencial em todos os aspectos. respondeu Jaemon Assim que Karkzan morreu em Ghis, o poder na cidade ficou extremamente sensível. No dia do ataque de Arkrazz eu somente precisei fingir um ataque. Os homens do novo mestre me levaram para fora me lançaram junto aos outros corpos de nobres. Ao menos nisso me respeitaram um pouco. Precisei esperar ate escurecer, quando pude fugir da Grande Harpia e me direcionar ao porto, onde meu fiel sobrinho já me aguardava.
Sou bisneto de um irmão de Jaemon. disse Maegor a Liknell.
Sim. prosseguiu o mais velho Viajamos em uma galeota simples até Valíria, onde não tive dificuldades em me instalar. Agora tudo o que me faltava era ouro.
Para quê¿ — perguntou Lell Maegor já não possuía ouro suficiente¿
Maegor tem ouro na mesma quantidade que qualquer nobre valiriano. respondeu Jaemon Eu precisava de uma quantidade realmente absurda. Talvez de uma parte da fortuna do homem mais rico do mundo.
Kahyr Lamminen, meu grande soberano. interviu Maegor.
Há quanto tempo trabalhava para Kahyr¿ — Lell perguntou.
Dois anos, quando ele começou o projeto da construção do grande templo de Vammenn. respondeu Maegor.
Ele era o homem ideal, sem dúvida. continuou Jaemon Já patrocinara dezesseis expedições marítimas, doze só para as Terras do Poente. Era uma ideia boa, essa viagem. Um caminho longo, suficiente para demorar muito e investir muito. Tudo de que eu precisava era uma nova expedição, mas as catas que Maegor me enviava só informavam que ele desistira completamente da ideia.
Fala do tempo em que eu era Conselheiro, e o senhor era Mestre das Finanças de Ghis.
Exatamente. O Grande Mestre Karkzan já estava com mais de quarenta anos, era tempo suficiente para um homem comum morrer. Depois dele, o governo de Ghis ficaria completamente desgovernado. Eu já estava por perder minhas esperanças, quando Maegor me informou que o riquíssimo Kahyr Lamminen estava novamente empolgado com as Terras do Poente. Therion Alter voltara de uma viagem a Asshai, e os gêmeos Javyr se destacavam em suas áreas, e despertaram o interesse de Kahyr.
Então o senhor matou Karkzan. concluiu Lell.
Não diria que eu o matei. respondeu Jaemon Coz e Arkrazz eram estúpidos demais para matar um homem bem protegido, então eu resolvi enchê-lo de problemas. Fiz desaparecer toneladas de ouro, o que aumentou a criminalidade e as revoltas na cidade. Espalhei boatos entre os nobres, de que o Grande Mestre já não era capaz de governar. As preocupações do soberano lhe tiraram muitas noites de sono, e, certamente, algum nobre o envenenou no fim. Era o momento de voltar a Valíria e buscar meu ouro.
Kahyr estava na dúvida lançava ou não suas galés ao mar disse Maegor Mas você, Liknell, o convenceu de que deveria tentar mais uma vez. A partir daí, tudo ficou mais simples. Luther Shy sempre quisera ter o meu cargo, e, quando o ofereci a oportunidade, ele aceitou como um cão aceita um osso. Kahyr aceitou me enviar na sua tripulação, já que era de confiança, e Luther se mostrara suficientemente competente para administrar a construção do templo de Vammenn.
O plano, a princípio, seria de Maegor simplesmente se fingir de louco. continuou Jaemon Lyyr Algum envenenador quase nos interrompeu os negócios, porém, não sei se por sorte ou por benção dos deuses, os Lyyr têm uma terrível dificuldade para morrer.
Depois que me recuperei, pude prosseguir. disse Maegor Eu já sabia que meu tio pretendia tomar o navio, então resolvi facilitar as coisas. Therion Alter sempre foi um bom Capitão, mas nunca soube tratar de conflitos na tripulação. Ele me prendeu por loucura, e agora precisava de um novo intendente.
E quem seria melhor que o grande Jaemon Lyyr¿ — disse o próprio Jaemon Eu trabalhei uma vida para ser o melhor, e realmente o sou. O Senado de Valíria me pagava a fortuna de cem milhões de dragões a cada três luas, mas nunca seria suficiente. Sangrei um pouco do ouro de Kahyr antes de aceitar sua proposta, e estes trezentos milhões é tudo o que terei dele, mas agora é o bastante.
Há quanto tempo planeja tomar o poder de Ghis, Jaemon¿ — perguntou Lell, absolutamente boquiaberto e consternado.
Há pouco mais de oitenta anos fiz minha primeira viagem a Ghis. A cidade era absolutamente magnífica, com suas ruas de pedra vermelha, seu ouro em abundância e as enormes harpias a voar no céu.
As harpias que você matou interviu Maegor Sim, sabemos que foi por magia.
Mas hoje em dia tudo o que me encanta é o ouro. prosseguiu Jaemon Eu fui intendente de navios até os trinta e dois anos, quando decidi que deveria investir na política. Eu já fizera certa fama em Valíria, então consegui ser eleito senador, mas não me agradou a situação em que me punham. Eu era o mais jovem, e minhas opiniões raramente eram ouvidas. Além disso, havia governantes demais, que falavam demais e demoravam demais a decidir qualquer coisa. Não durei mais de cinco anos, e abandonei cargo. Foi então que me lembrei de Ghis. Minha boa fama não era tão grande naquela cidade, mas eu comprei alguns passarinhos para que me colocassem no âmbito da aristocracia ghiscari. Demorei sete anos até conquistar a confiança dos mestres, mas, finalmente, fui aceito no Conselho.
Há quanto tempo foi isso¿
Certa de sessenta nos, não tenho certeza. Fui escolhido para se Mestre das Finanças, um cargo que me pareceu apropriado. Administrar um império era bem diferente de administrar um navio, afinal de contas. Em trinta anos de trabalho, consegui quintuplicar os rendimentos da cidade, e o Grande Mestre Flortzan resolveu me manter no Conselho quando tomou o poder da cidade. Alguns anos depois dele veio Karkzan, que o matou junto com todos os mestres que o apoiaram, exceto por mim.
Foi aí que decidiu que queria governar a Ghis¿ — perguntou Lell
Não, foi muito antes. respondeu o velho No tempo em que entrei para a nobreza Ghiscari, sim, foi aí. Esbocei um plano quando tinha quase cinquenta anos, idade em que a maioria dos ghiscari morre de velhice. Na época eu pretendia usar o dinheiro de um nobre absurdamente rico para comprar um exército, e com ele me tornar Grande Mestre, mas dois homens o fizeram antes de mim. Enquanto Karkzan estivesse no poder, seria impossível tomá-lo. Ele era um governante forte demais, mas era humano. Tive de esperar sua morte para começar a executar meu plano.
Então, deixe-me ver se entendi bem. disse Lell O senhor planeja há décadas tomar o poder da cidade de Ghis, e está usando o ouro de Kahyr Lamminen para ajudá-lo.
Está certo.
Mas onde eu entro neste plano¿ — perguntou Lell
Não é exatamente você, mas sua magia. Veja que a espada que usamos para matar Therion era de ouro, e não de aço valiriano. Quero que encaminhe o bote onde ele está até Valíria, para que Kahyr pense que fomos atacados por corsários ou algo do tipo. É capaz de fazer isto¿
Sim.
Do mais, você será minha garantia de vitória. Ghis tem exércitos de imaculados em número muito maior que os meus mil soldados, e talvez eu não consiga juntar os mercenários a tempo. Posso precisar de você.
Não consigo matar homens em massa.
Não para isso, mas para mudar a mente dos generais ghiscaris. Os imaculados obedecem aos seus donos, e cumprem qualquer ordem que seja dada.
Talvez eu consiga, se os elmos deles não forem de aço valiriano. Além disso, mais alguma coisa¿
Sei que você tem essa força sobrenatural, e certamente não posso ameaçá-lo de morte, como fiz com os outros nobres, mas também sei que tem um irmão e grandes amigos vivendo em Valíria, além de quarenta mil estrangeiros a quem jurou proteger.
Karkzan me ameaçou da mesma maneira, mas não creio que será necessário desta vez. respondeu Lell — Aliar-me-ei a você dois, na empreitada que quiserem fazer.
Ótimo. É bom saber disso. Quem sabe eu o nomeio Mestre para o meu Conselho.
E quando pretende começar a agir¿
Esperaremos quatro luas aqui, nos mares calmos de Sothoryos. Escolhi esse lugar porque já estive aqui antes uma dúzia de vezes, e é o único lugar seguro, distante de olhares e de tempestades. Já devem estar trocando as velas destes navios por velas simples de comerciantes. Viajaremos disfarçados até o Golfo da Mágoa, e lá hastearemos as minhas velas. Arkrazz, que mal se sustenta no poder sem ameaças, não tardará a morrer ou se render. Depois disso tudo estará concluído, e eu pretendo viver como Grande Mestre até o fim dos meus dias.
Acha mesmo que vale a pena tanto esforço nesta idade¿ Quantos anos tem¿- indagou Lell.
Meus ancestrais mais antigos viveram cem anos, em um tempo em que ninguém chegava aos trinta. Meus noventa e nove anos são como uma juventude na família Lyyr. Tenho o tempo no meu sangue, e ainda hei de viver o dobro de vida que já passou.
Depois disto, os nobres se retiraram da cabine e deixaram Jaemon trabalhar. As quatro luas que se seguiram foram marcadas por constantes idas à costa de Sothoryos par buscar mantimentos. Lell provou das frutas exóticas daquele continente, e também sentiu as mulheres de lá. Duas revoltas ocorreram, e Jaemon mandou decapitar os envolvidos nas duas ocasiões. Quando o dia finalmente chegou, alçaram as velas negras, como se fossem comerciantes comuns, e seguiram na direção do Golfo da Mágoa. Lell ficava a maior parte do tempo em sua cabine particular, já que não tinha mais uma função.
Um homem inteligente esse Jaemon Lyyr, refletiu Lell. E também muito persistente, sem dúvida merece o meu respeito. Quando tomar Ghis, e certamente o fará, vai querer mais poder, assim como sempre quer mais ouro. Quase posso ver este velho destruindo o Senado Valiriano e tomando o poder da cidade. Talvez consiga montar um dragão, e o mundo será seu. Deve viver mais trinta ou cinquenta anos, no mínimo. Todos os povos inferiores serão seus escravos, inclusive os ulthi. Talvez seus domínios cheguem a Ibben e a Assenhayy. Talvez descubra uma fonte de magia tão forte quanto a minha, talvez se torne imortal, já que tem o sangue de um povo forte. O homem construiu uma vida buscando esse objetivo, e todo o resto depende deste. Ele é egoísmo e ouro na forma humana. Não posso julgá-lo, mas também não posso permitir que destrua todo o mundo que eu conheço. Já é tempo, Jaemon.
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