O Homem Que Andava Sozinho
1 Capítulo 1
“O que aconteceria se eu morresse hoje? Quanto tempo demoraria para descobrirem meu corpo? Quanto tempo demoraria para me esquecer? Se eu cometesse suicídio, as pessoas que me fizeram mal se sentiriam culpadas? Quem se importa? Não é como se eu fosse morrer hoje, e se eu fosse, seria por um acidente e em menos de uma semana tudo voltava a sua rotina normal. Não é como se fossem chorar por mim, não é como se fossem me homenagear, não é como se fossem entrar no meu computador e ver que eu sou um grande poeta irreconhecível.
Se a sociedade é como uma grande máquina, e cada pessoa é uma peça, um parafuso. E cada parafuso a menos, a máquina trabalha pior. Mas, e eu? Sou uma peça quebrada? Acho que nem isso, pois a peça quebrada ainda faz parte da máquina. Eu sou um parafuso que ainda não foi encaixado, um prego que não foi martelado, apenas esperando me colocarem para melhorar ou até mesmo concertar essa imensa máquina, mas pra que serve um prego que não prega?
Atualmente, há mais ou menos, 7 bilhões de pessoas na terra. Todas elas vivendo suas vidas, sendo seus próprios protagonistas, pensamentos diferentes, gostos diferentes, rostos diferentes. Como se a vida fosse um grande caminho totalmente escuro, e todos tenham que passar por esse caminho, cada um carregando algo para iluminar o trajeto. Alguns usam tochas, outros lanternas, para não se perderem do caminho. Mas, alguns não são capazes de carregar algo, pois são fracos demais e do caminho se distanciam, e se eu te perguntasse, se você estivesse nessa trilha, você ainda estaria seguindo ela? Estaria perdido? Estaria com uma lanterna ou com um isqueiro para ilumina-lo? Eu estou perdido, mas, ainda vejo luzes de outras pessoas, porém, se é só um caminho por que tem em várias direções? Qual eu devo seguir? Como se o caminho que marcamos, e moldamos nossas vidas baseados a ele forem as pegadas de várias outras pessoas que passaram pelo mesmo lugar, e deixou marcado. O que me impede de sair da trilha? Seria perigoso? Pois, numa estrada, de um jeito ou de outro, eu chegarei a outro lugar, mas, se eu saio dela, para onde vou? Provavelmente, não chegarei a lugar nenhum, mas quem sabe, eu possa encontrar muitas riquezas.
Mas, o que é muitas riquezas? Se eu for sozinho, e encontrasse uma montanha de ouro, ele não teria utilidade nenhuma, pois eu estarei sozinho, mas se eu for acompanhado com outros, e encontrássemos a mesma montanha de ouro, e se dividíssemos em partes iguais para cada um, e cada parte desse monte seria o equivalente a nunca mais precisar trabalhar, ainda sim, nossa cobiça, faria nós brigarmos, nos matarmos para podermos ter mais, para que os outros nos olhassem e nos vissem como superiores, e no final de ambas as formas, eu estaria sozinho, e o ouro, de nenhuma utilidade ele serviria. Então no final, não tenho opções a não ser seguir os rastros de outros, pois quem sabe assim, eu possa dar uma utilidade ao ouro que eu teria, caso tivesse saído da trilha.”
— Isso ficou bom, um dia, esse livro vai fazer muito sucesso – Pensou Arthur, enquanto escrevia num pequeno caderno, onde colocava seus sentimentos em formas de palavras, para no final juntar tudo e fazer um livro. Dessa forma, as pessoas se interessariam e ele se tornaria um autor best-seller, mas talvez, ele apenas queria desabafar com alguém que não iria julga-lo.
Arthur acorda logo de manhã, se apronta para ir à escola. Aos 16 anos, está em seu último ano escolar. Nunca foi um cara de muitos amigos, mas, sempre foi brincalhão, o que poucos sabiam, é que através de suas piadas que ele contava de suas desgraças, era uma forma de defesa. Se ele mesmo se zoasse, o que os outros diziam, não teria tanta força, mas, ele estava errado. Não importa o quanto ele brincasse com seus defeitos, não importa o quanto ele diga, o quanto ele brinque sobre sua personalidade, ainda não deixa de ser ele. Todos julgando e rindo dele e de seus problemas, somente o machucava ainda mais, mas, orgulhoso demais para notar isso, orgulhoso demais para notar que as pessoas que ele se machucava para faze-las sorrir, não se importavam com ele, algumas até o odiavam. Num ambiente escolar, eles até se fingiam de amigos, de companheiros, mas fora dela, eram completos estranhos. Sabe, quando alguém fala que amigos de verdade não são aqueles que te chamam para festas? Então, Arthur torcia para ter alguns desses amigos, mesmo que falsos. “Deve ser legal, sair com o pessoal, curtir, beber, fazer merda, beijar, namorar, quem sabe um dia”, ele pensava, mesmo que por um curto instante, sentir um pouco de felicidade que essas pessoas sentem, sem se importar com o passado ou com o futuro, vivendo apenas o presente, vivendo apenas aquele momento. Ele tinha a noção que mesmo ainda não sendo sensações verdadeiras, eram tão reais, quanto sua própria realidade, quanto seus próprios sentimentos, que após mentir tanto sobre o que sente, não conseguia distinguir o real da farsa. De suas mentiras saiam verdades, e de suas verdades saiam mentiras, pensava muito no que ia dizer, mas dizia antes de pensar.
— Eae – Ele cumprimentava e sorria – bom dia –Ele dizia. As palavras que tinham o sentido de desejar a pessoa um dia bom, se tornou algo tão rotineiro, que seu significado se tornou uma saudação vazia, como quando você encontra um conhecido na rua e só acena com a cabeça.
— Ei Amanda, tá tudo bem? – Finge se preocupar com sua colega de sala, que se deita sobre a mesa. Mas é segunda-feira, dificilmente alguém está feliz em voltar a sua rotina entediante. Mas, Arthur não conseguia entender o porquê disso. Pois, há dois dias, num sábado, Arthur estava deitado em seu quarto, como fazia em todos seus finais de semana. Mas Amanda, estava curtindo uma boa festa, com muitas pessoas, bebendo a mistura de vários tipos de bebidas alcoólicas, tirando várias fotos e postando no instagram ou snapchat. Arthur, não sabia sequer da existência de tal festa, pois não tinha nem snapchat, nem instagram, nem twitter, pelo fato de não ter muitos amigos ou sair muito, achava que ninguém iria querer ver suas fotos no snapchat ou não iam segui-lo e curtir suas fotos no instagram, por isso, só tinha facebook, para ver o que os outros faziam, e mesmo assim, só postava uma foto a cada 6 meses e ela dava no máximo 10 curtidas.
— Só estou um pouco chateada – Ela responde com a cara sobre a mesa.
— Quer me contar? Talvez eu possa ajudar.
— Nada não, está tudo bem, deixa pra lá.
— Certo, não vou insistir — Arthur não precisava ser um especialista para saber que não estava tudo bem. Só que o que ele não sabia, era que a causa da tristeza dela, foi ver o garoto que ela gostava ficando com outra. O que era estranho, pois ela mesma havia beijado outros dois caras na mesma festa. Mas, Arthur sofria do mesmo mal que ela. Ele gostava de uma garota há uns três anos, mas pelo fato dela tê-lo machucado, decidiu suprimir com todo seu esforço essa paixão. Para os outros, ele dizia que estava tudo bem, que já tinha superado. Mas, era mentira, aquela garota fazia ele sofrer de mil modos, mesmo quando ele tentava esquece-la, quando fazia um bom tempo que ele não trocava nem um “oi” com ela, ele não conseguia tira-la da cabeça. Ele até tentou sair com outras garotas, mas era péssimo de papo, e quando conseguia marcar um encontro, levava um belo toco. Mas, ele preferia assim, se a garota não fosse, era uma chance a menos dele fazer merda. Mesmo assim, não se importava muito com esses “foras”, afinal, essas garotas não tinham nada de especial, elas despertavam nele, um verdadeiro tédio, não por causa de falarem futilidades, mas porque ele simplesmente não se importava com elas, não tinha uma perspectiva de futuro com elas, e também, porque na maioria dos casos, elas nem chegavam a conversar com ele mesmo.
Ele caminha adiante, para sentar em sua carteira. Ele senta perto do fundo da sala, mas não é como se ele fosse popular, está mais para que ele conhece o pessoal popular desde criança, então, ele senta junto, para não perceberem que está sozinho demais. Chega a ser engraçado, pois eles começam a conversar sobre as festas que foram no final de semana, sobre as besteiras que fizeram, o que viram outras pessoas a fazer, e Arthur fica lá, ouvindo e não entendendo nada.
— Eae velho – Diz Fred, amigo de Arthur, enquanto levanta a mão para dar um tapa de leve em seus ombros.
— Eae.
— Fala alto, porra!
— Vai se ferrar – Arthur senta em sua mesa, enquanto Fred se afasta e sai da sala. Era isso todo dia, porém mesmo sendo palavras de ofensa, esses xingamentos eram comumente usados, mostrava uma certa intimidade entre dois colegas, mas isso era só no ambiente escolar e em um encontro “sem querer” na rua. Para ser sincero, Fred não era como os outros, ele até tentava sair com Arthur as vezes, mas Arthur não é do tipo que sai e mesmo que saísse, ele não conhecia os amigos de Fred, e mesmo que para os outros, se enturmar é algo simples. Para Arthur é algo extremamente complicado. Ele respeitava muito Fred, pois ele não desistia diante barreiras, não deixava de tentar porque era complicado, estudava muito, tirava boas notas e com toda certeza teria um bom futuro, com uma boa parceria e um ótimo estado financeiro. Fred era o contrário de Arthur, a principal diferença era que enquanto um estava tentando ser melhor cada vez mais, o outro ficava sentado, olhando para o computador, reclamando da vida e pensando em suicídio. Arthur é o tipo de cara que nasceu com o sol sorrindo, mas, ele foi lá e fechou a janela e se trancou no quarto escuro.
Enquanto sentado, Arthur consegue ver o pátio de sua escola pela porta, e depois do pátio, há outras salas. Mas, tem uma em especial, que ele consegue ver dentro da sala e de frente com a porta, de frente para a visão de Arthur, se senta Mariana. Lembra do amor suprimido de Arthur contado antes? Então, ela era a causa de um dos maiores terrores de Arthur, ele odiava gostar dela, mas isso claro, só ele sabia, seu subconsciente fazia ele olhar pela porta sempre, para ver se ela também olhava para ele. Mas, o que ele podia fazer? Não era a primeira vez que isso acontecia, essa visão de sala a sala já vinha acontecendo por coincidência ou destino por uns 4 anos, que por coincidência ou destino de novo foi a mesma época que se conheceram.
Ao mesmo momento em que organizava seu material sobre sua mesa, mais dois colegas entram conversando, Miguel e Vinicius.
— Cala boca, tu é mó bostão – Dizia Vinicius
— Fala isso, mas não faz igual – Respondia Miguel
Eles pareciam estar conversando sobre algo interessante, mas isso não interessa a Arthur, então logo, faz um gesto com a cabeça cumprimentando eles e volta a ajeitar sua mesa. Eles juntam duas carteiras e se sentam atrás de Arthur. Fred entra logo após eles, junto com um novo estudante na escola, seu nome era Pedro, já era conhecido por Arthur e pelo grupo que participava. Pedro era um cara legal, não era um babaca e nem nada do tipo. Mas, antes no grupo havia apenas quatro garotos, então é normal conversar mais com quem tu acha mais legal. Vinicius e Miguel se entendiam bastante e sempre andavam juntos, por isso, acabava sobrando Fred e Arthur, mas agora era diferente. Era como quando três pessoas tentam andar juntas pela calçada, uma sempre acaba ficando para trás das outras duas que conversam normal. Fred já conhecia Pedro, eles já eram bastante amigos, sempre estavam saindo juntos, Arthur havia ficado para trás. Mas, tudo bem, Arthur não ligou muito para isso, ele só precisava parecer quer não estava solitário, porque sozinho ele já estava há muito tempo.
— Arthur – Disse Melissa, a garota que senta a direita de Arthur. Melissa era o tipo de garota espetacular, forte e decidida. Muito provavelmente, ela era a menina mais bonita da classe. Melissa e Arthur se conheceram logo na primeira série do fundamental, talvez por isso, Arthur não sentia atração por ela, ele via ela mais como amiga, mas mesmo sendo amigos de infância, eles sempre discutiam muito.
— Sim? – Arthur responde perguntando, enquanto volta sua cabeça em direção de Melissa.
— Chama o Vinicius ai pra mim – Ela responde. Mesmo ela conhecendo Arthur quase uma década antes de Vinicius. Estava na cara que confiava mais em Vinicius, ele gerava uma confiança nela que Arthur jamais poderia sonhar, e não era só com ela, com todas as outras pessoas. Todo mundo se sentia mais confortável a conversar com ele, quando alguém tentava puxar papo com Arthur ou ele mesmo tentava com outra pessoa, a conversa logo acabava por falta de assunto, mas com Vinicius era diferente.
— Não sou seu escravo! – Normalmente Arthur acenaria com a cabeça e chamaria Vinicius, mas hoje era diferente, ele estava de saco cheio. Arthur não tinha nenhuma intenção em pegar Melissa, e se ela não fazia o mínimo de esforço para manter a amizade deles, porque ele teria que fazer? Arthur sabia da verdade, era o último ano de escola, quando acabasse, eles nunca mais iam se ver, nunca mais iam conversar, nunca mais iam entrar em contato, para que ele deveria se importar em como ela pensava nele?
— Vai se ferrar, garoto! – Ela respondeu de forma agressiva. Mas não foi inesperado, afinal, Melissa era toda gostosinha e uma das mais ricas da escola, então ela estava acostumada a ter os caras em sua mão, até mesmo as garotas, que brigavam para serem suas amigas. Ela se levantou, passou por Arthur com a cabeça erguida e foi em direção a Vinicius que conversava sobre alguma bobagem com Miguel.
— Ei Vi – ela disse, meio que sussurrando se aproximando dele – Eu não acredito que tu fez ontem.
— O que? – Ele pergunta para ela.
— Comer o pedaço de bolo que meu pai havia guardado para comer mais tarde.
— É mesmo, nossa Melissa – Começa a pedir perdão de uma forma que mais parece que ele está brincando com ela – Eu não sabia que era de seu pai, ele ficou bravo? Você não disse que fui eu não, né?
— Ele ficou bravo sim, mas tá tudo bem – Melissa responde olhando nos olhos de Vinicius e com um leve sorriso – Eu não disse que foi você não.
— Sério? – Pergunta Miguel, enquanto gargalha – Que horas tu fez isso?
— Foi na hora que tu foi comprar sorvete com Amanda.
Arthur que até aquele ponto estava prestando atenção na conversa dos três, retorna a consciência quando a professora de espanhol entra na sala. Acompanhada com uma aluna, Beatriz, ela se senta ao lado de Melissa, atrás de Amanda, enquanto a professora prosseguia para o centro da lousa a frente de todos. Amanda, Beatriz e Melissa eram muito amigas, mas é claro, não dá para manter um papo legal com três, pois um sempre acaba ficando quieto, sendo ignorado, apenas escutando, as vezes era Beatriz e outras era Amanda, mas nunca Melissa.
Era o primeiro dia de aula, a maioria havia ido para a aula com poucas exceções. Não é necessário descreverei todos os alunos, somente os necessários para a história, mas era uma sala pequena com 23 alunos, numa escola particular de uma cidade pequena. A professora permaneceu em pé entre a mesa do professor e a lousa, organizando suas coisas enquanto todo mundo se sentava e ficava em silencio. Quando toda a sala, começou a prestar atenção na professora, ela se virou em direção a lousa, de costas para os alunos, e com um giz na mão, começou a escrever: — “Professora Lívia Dias”.
— Bom dia! – se virou para os alunos, se apresentando – como podem ver – Apontou para seu nome escrito na lousa – eu sou a professora Lívia Dias – foi para a frente de sua mesa e nela se escorou – a maioria de vocês aqui já me conhece, mas vejo que temos rostos novos aqui. – Ela apontou para o Pedro e perguntou – você é novo aqui, certo? Se apresente a sala.
Pedro se levantou, olhou para todos e disse: — Alguns aqui já me conhecem, me chamo Pedro, prazer em conhece-los – sorriu levemente e se sentou
— Muito bem – apontou para outro garoto – e você?
— Eu sou Marcelo – ele se apresentou de maneira formal, ainda sentado — prazer em conhece-los.
E por fim, uma última garota, sentada no canto da sala, sozinha, pelo que parece, vários alunos foram conversar com ela, mas ela havia rejeitado todos. Arthur olhou para ela, sentiu algo estranho, uma estranha beleza vinda dela, certamente, era uma garota muito bonita, mas não a ponto de chamar a atenção de todos. Seus olhos eram iguais ao de Arthur, eram os olhos de alguém entediado, seu cabelo era totalmente preto com uma franja que cobria levemente seu olho direito, ela não tinha um corpo avantajado, ela era um tanto quanto comum. Não era especial, pelo menos, não para os outros, pois Arthur viu algo diferente nela, um brilho especial, como se conhecessem a muito tempo.
Ela se levantou e disse: — Eu sou Alice, vim do estado de São Paulo, prazer em conhece-los.
— Alice, por que esta ai sozinha? – Questionou a professora.
— É que eu prefiro assim – meio sem jeito, ela respondeu.
— Vem sentar aqui, Alice – Disse Melissa convidando a novata.
— Vai lá, senta com eles – Insistiu a professora – não é legal se sentar sozinha.
A garota com a cabeça baixa, pegou sua carteira e colocou ao lado de Amanda, a professora para ajudar ajudou a levar suas coisas. Alice tinha uma expressão meio triste, mas quando começou a conversar com as meninas, por poucos instantes, ela sorriu, um simples e majestoso sorriso. Todo mundo na sala havia percebido a expressão de Alice, mas era normal, afinal era o primeiro dia dela numa nova escola, numa nova cidade, num novo estado. Ela se sentou em seu novo lugar, olhou para o pessoal do nosso grupo e cumprimentou todos com um simples “oi”, e com seus olhos vislumbrou todos ali, da esquerda para a direita. Mas enquanto cumprimentava e olhava cada um, ela percebeu algo estranho, um garoto ali sentado, com uma aura meio escura, com cara de que não havia dormido bem. Ela fixou bem os olhos nele, e ele nos dela, hesitou por alguns segundos e o cumprimentou:
— Oi – disse ela, sem desviar o olhar.
— Oi – ele respondeu.
Ela se virou de volta para a Amanda e se sentou enquanto a professora começava a aula. Somente os dois perceberam o que havia ocorrido. Foi breve e simples, mas muita coisa foi transmitida nesse simples “oi”. Este foi o primeiro contato entre Alice e Arthur.
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