O Homem Que Andava Sozinho
2 Capitulo 2 - O ódio sem razão
Se passou algumas aulas, até que chegou o horário do intervalo. Os garotos se separaram das garotas, pois eles queriam falar sobre coisas que fizeram nas férias e para as meninas não acharem que eles são do tipo insensíveis, elas foram fazer o mesmo, contar para as outras, as loucuras que fizeram nas férias sem quererem ser julgadas.
Alice parecia ter se entrosado bem com elas, parecia estar se divertindo. Arthur olhava em direção dela tanto quanto piscava, como se estivesse hipnotizado.
— Vai tentar pegar? – Perguntou Fred.
Arthur olhou para Alice novamente, só que dessa vez por alguns segundos a mais, e então abaixa a cabeça e diz: — Se fosse há uma semana, eu iria sem hesitar, mas agora – ele se silencia sem terminar.
— Agora o que? – Questiona Miguel.
— Bem – responde hesitante – não estou afim – termina de falar, e se vira em direção a sala, coloca as mãos no bolso e volta para a sala com a cabeça abaixada.
— O que deu nele? – Estranha Fred.
— Vai saber – Continua Vinicius – mas se liga, nesse vídeo – com o celular na mão, abre um vídeo que parece ser muito divertido para eles verem juntos.
Ao voltar para a sala, Arthur se depara com Paula que sozinha lê um livro. Caminhando para sua carteira, ela chama sua atenção.
— Aconteceu algo? – Pergunta Paula.
— Falou comigo? – Arthur responde de maneira calma e fria, transmitindo uma sensação triste para as pessoas ao seu redor.
— Claro, você parece meio triste.
— Não é nada, é só que... – Enquanto conversam, seus olhos se encontram – as coisas me parecem meio sem graça. – Desviando o olhar Arthur responde.
— Sério? – Paula, como a do tipo inocente, não consegue perceber coisas simples, como Arthur corar ao olhar direto para ela – e a garota nova? Você vai tentar algo com ela?
— Você me conhece, eu não sou bom com mulheres – Assim como Paula, Arthur também não percebe a pequena atração que rola entre os dois. Mas não deve culpa-los, ambos são inexperientes na questão do amor – E além do mais, logo, logo, os “moleques” devem estar em cima dela.
— Eu ouvi dizer que eles iam tentar arranjar ela pra você – logo após Paula dizer isso, Arthur abaixa levemente a cabeça e esboça um curto sorriso.
— Eles só falam isso para serem legais – levanta a cabeça, e pela janela, ele olha o céu – mas, a verdade é que eles vão dar em cima dela de uma forma ou de outra, mesmo sendo sutilmente, garotos não querem perder a chance de beijar alguém e poder contar para os outros – Arthur abaixa a cabeça novamente – e eu... não tenho chances contra eles.
— Por que?
— Porque eles fazem algo que é muito difícil para mim.
— E o que é?
— Mentir bem!
Paula fica sem palavras, com uma cara de surpresa, Arthur percebe isso e logo vai para a sua mesa. Ela tenta virar para falar algo, mas as palavras não saem de sua boca, e antes que perceba, Arthur está muito longe. Sentado em sua cadeira, esperando o professor chegar. Com um leve olhar para a porta, ele vê Mariana entrando na sala. Inconscientemente, esboça um curto sorriso, quando percebe o que fez, balança a cabeça de um lado para o outro, tentando tirar aquela imagem de sua mente. Mas, como um magico que transforma um em dois, ele só acaba pensando mais e mais nela.
— “Que droga” – ele pensou – “eu a odeio... eu a odeio” – ele repetia em sua cabeça tentando fixar essa ideia, com os olhos fechados, num mundo onde somente ele e suas palavras existiam. Fred o desperta:
— Mano, tu ta legal?
— Ah – Arthur volta ao mundo real – sim, por que?
— Tu saiu de repente, sei lá, foi estranho.
— Desculpa por isso, eu vim ver uma coisa – Desvia o olhar para a porta, porém Mariana já havia desaparecido de sua visão, e então abaixa a cabeça.
Fred agacha, ficando com a cabeça na altura da de Arthur sentado, e diz:
— Falando sério, agora – seus olhares se penetram – eu vou ajeitar aquela menina lá pra tu! – O coração de Arthur dispara, mesmo sabendo que era uma possível mentira, Arthur imaginava que existisse uma possibilidade de Fred ajuda-lo com a novata, já que o próprio namorava.
— Tudo bem, eu não estou afim mesmo – Arthur mentia, ele realmente queria muito, ele queria presenciar em sua memória aquilo que chamam de paixão. Mas, depois de tantas desilusões, acabamos de parar de acreditar em possibilidades inexistentes. Mesmo que ficasse feliz pela ideia de Fred ajuda-lo, Arthur era realista e sabia que ninguém colocaria esforço para ajudar o próximo sem nenhum tipo de recompensa. E também, é cansativo investir em pessoas, tentar ser o melhor para elas, tentar fascina-las, e no final não conseguir nada, uma hora te forçam a parar, te forçam a desistir, e para Arthur, essa hora já havia chego. Para que se machucar ainda mais, para que se arriscar tanto, para que ser humilhado, desprezado, jogado de lado, se quando você fecha seu coração, você fica em total segurança. Arthur sabia disso, sabia muito bem disso, porém no fundo, ele queria se jogar, se livrar dessas correntes que ele mesmo colocou, queria ser igual a todos, queria parar de atuar como um cara normal, queria fazer merda, queria ter histórias de verdade para contar, queria que as pessoas ligassem para ele confirmando se ele iria ou não em tal festa, porém era tarde demais para mudar quem ele era, quem ele havia se tornado.
— Velho, faz quanto tempo que tu não fica com alguém? – Fred faz a fatídica pergunta que atravessa o corpo de Arthur o corroendo, ele abaixou a cabeça e nada disse, mas deu para perceber que fazia muito tempo.
O intervalo se encerra, o professor entra na sala junto com o resto dos alunos. Murilo começa a falar com Fred, interrompendo a conversa entre ele e Arthur. Novamente deixado de lado, Arthur abaixou a cabeça, e se concentra em seu caderno. A aula é cansativa, ele já deixara de prestar atenção, no que o professor explicava, seus olhares se interviam entre a sala de Mariana e seu caderno. Novamente inconscientemente, com sua lapiseira em sua mão direita, ele começa a desenhar corações. Enquanto olha para Mariana, ele fica totalmente fora de si, até que uma virada de cabeça dela em direção de Arthur o desperta, ele se toca o que está fazendo. Porém, ela se mantém olhando para Arthur, isso nunca acontecera antes, sempre era uma olhada rápida, e então após uns 25 segundos, ela volta a encarar o professor. O coração de Arthur para, suas pupilas dilatam, lentamente, ele vira para a trás, e tudo vem à tona. Ele se lembra de um tempo atrás onde conversava com Amanda sobre Mariana, e ela disse: — “Olha, já faz um tempo que ela terminou com o namorado, e ela não é do tipo que fica com qualquer um... desde que ficou solteira, ela só ficou com o”
— “PEDRO!” – Arthur vê Pedro atrás dele, seu pequeno mundo de esperança criado há poucos segundos atrás, se desmorona. Não era para ele que Mariana olhava, ela provavelmente, nem percebeu ele ali, ele se tornou invisível para ela, isso explicava porque ela não o cumprimentava mais. Um imenso sentimento de ódio cresce, mas, por que? Por que ele estava com raiva? Nem ela, nem ele fez nada de errado, Arthur percebeu isso, e viu o quão infantil foi. Por sorte, ninguém percebeu o que aconteceu. Ele vê seu caderno, com alguns corações desenhados, fecha os olhos por alguns segundos, suspirando, arranca a folha, amassa, e joga no lixo. Pede para o professor então, para poder ir no banheiro. Chegando lá, ele se encontra sozinho, se tranca dentro de uma cabine, e sua expressão de calmo, se transforma rapidamente, ele soca a parede, sua mão fica vermelha e bastante machucada, mas Arthur parece não se importar com a dor.
— Que droga – ele se escora em um dos cantos da cabine do banheiro – sai da minha cabeça! – Senta no vaso, e abaixa a cabeça – por favor – a tristeza rodeia Arthur, sua visão fica embaçada, mas, antes que a primeira lagrima escorra pelo seu rosto, ele passa a mão enxugando.
— “Que porra você está fazendo?” – Ele pensa sobre si mesmo – “Você é melhor do que isso” – Ele permanece ali, no banheiro por mais uns 20 minutos, até o fim da aula. Ao tocar o sinal, ele se retira, lava o rosto e vai buscar o seu material. Antes, por morarem um tanto quanto pertos, Fred e Arthur iam sempre embora juntos, mas agora, Pedro morava na mesma direção que eles. Não há problema nisso, Pedro era um cara um tanto quanto legal, o problema é que eles iam conversando sobre assuntos que Arthur não tinha o mínimo de conhecimento.
— Ow, a Aline ta diferente, né? – Disse Fred. Aline era uma aluna que estudava na mesma sala que Arthur, Fred e Pedro.
— Pois é, fazia um tempo que eu não há via, ela ainda ta agressivona? – Continuou Pedro.
— Um pouco, mas ela só ameaça, não faz nada não – Respondeu Fred.
— Uma vez, eu estava conversando com a Mariana – Pedro disse. O coração de Arthur bate rápido, sua mão se fecha, como se estivesse segurando uma pesada sacola.
— Espera, que Mariana? – Fred pergunta interrompendo Pedro. Arthur torce para não ser quem ele está pensando, era estranho, mas o simples fato dele falar com ela, fazia Arthur sentir algo ruim.
— A Mariana, que é amiga das meninas e tals – Pedro concluiu. Arthur continuou fingindo um sorriso de leve, como se aquilo não fizesse diferença para ele, mas machucava, e muito – então, eu estava falando com ela, daí ela disse que a Aline queria bater nela – Ele termina e ri, Fred o acompanha, Arthur tenta esboçar um sorriso, mas não consegue. Ele não conseguiu fingir que estava tudo bem.
— Eu viro aqui – diz Arthur enquanto cruza a rua – falou – ele se despede, Fred e Pedro fazem o mesmo. Arthur chega em cansado, o sol estava forte naquela tarde, ele estava encharcado de suor. Ele cumprimenta seus pais e vai para o quarto trocar de roupa. Ele se tranca dentro de seu quarto, tira a camiseta e a joga com força.
— “Droga!” — Pensa Arthur, seu coração bate forte, um imenso sentimento de ódio se transmite por todo o seu corpo. Ele se joga em sua cama, e pressiona sua cara contra o travesseiro – “Droga!” – Seus olhos começam a lacrimejar – “Por que diabos você não sai da minha cabeça” – Ele se levanta, suas lagrimas ficaram marcadas no travesseiro – “Eu te odeio!” – sua fúria o força a socar a parede de seu quarto, sua mão que já estava dolorida, agora começa a inchar. Ele cai em prantos sobre o chão, mas de repente algo o surpreende, seu celular vibra, era uma mensagem. De Alice, ela dizia:
— “Oi =D”
— “Você esqueceu sua folha de exercícios de física”
— “Está comigo, tudo bem?”
O coração de Arthur se acalmou, mas começou a sentir algo estranho em sua barriga, ele estava com aquela famosa sensação de borboletas na barriga. Ele estava nervoso, sem saber o que responder, seu coração solitário criou uma expectativa enorme, entretanto Arthur, além de realista, era bastante pessimista. Ela não quer nada demais, só está falando que eu esqueci minha folha de exercícios, ele pensava.
— “Mas, e se ela tiver gostado de mim?” – Insinuou, não aguentou, aquilo era uma chance dele conhecer a nova garota que tinha o intrigado, ele não podia desperdiça-la como fizera muitas vezes antes. Ele pegou seu celular e digitou:
Continua
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