O Herói do Olimpo

30 Volto à "dimensão mortal"


Notas iniciais
Eu estava com muitas saudades de vocês. Sério, não sei como aguentei tanto tempo sem vocês, meus queridos leitores. Eu estou com outro cap. pronto para ser postado... Quem sabe não acontece uma recomendação e eu o posto? Nunca se sabe, não é mesmo?

Eu realmente não acredito que se passaram um ano desde de que comecei a treinar com Atena. Eu até começara a me sentir mal, afinal, eu estava ficando “velho” e todos os outros meios-sangues provavelmente estavam curtindo seus aniversários e festas por aí, enquanto eu tenho de treinar para outra maldita guerra. Mas, por incrível que pareça, Atena disse que era só nós que estávamos sentindo esse 1 ano, e que eu não envelheci. Enquanto o tempo passava para nós, o mundo mortal provavelmente estava parado ou andando muito devagar.

Um ano que Atena começara a me infernizar. Eu até pensei que ela começasse a gostar de mim sendo obrigada conviver diariamente comigo, mas não. A situação só piorou.

Esse último ano me fez pensar bastante no Acampamento Meio-Sangue, em meus amigos, e, principalmente, em Annabeth. Talvez eu não deveria ter aceitado o acordo de Atena, mas eu sabia que precisava daquele treino. Sabia que Gaia mataria cada ser desse mundo se não houvesse ninguém para impedi-la. Por mais que eu cogitasse a ideia de que algum deus poderia lutar contra ela, eu me lembrava da guerra contra Cronos. Ele havia achado uma maneira de distrair os deuses, porque Gaia também não encontraria?

Saí do pequeno quarto que ficava na esquerda da Arena e fui até o meio dela. Atena costumava ficar ali, me esperando para começar os treinamentos. Mas hoje ela não estava.

Franzi o cenho e retirei minha caneta do bolso. A destampei e me dirigi até os bonecos de treino que ficavam ali. Peguei algumas adagas – eu aprendi a jogá-las, e isso pode ser muito útil na hora de uma luta, acredite, precisei delas na hora de um combate com Atena -. Coloquei as adagas na minha cintura e comecei a brigar com o boneco. Meus ataques estavam com o dobro da velocidade, meus reflexos três vezes mais rápidos e minha agilidade praticamente se multiplicara por 10. Atena me havia mandado carregar uma armadura pesada por três meses, sem poder tirá-la por nada, isso aumento muito minha agilidade e reflexos.

Cortei a cabeça do primeiro boneco e me abaixei, rolei para o lado e enfiei uma adaga no tórax de outro. Olhei para outros três que estavam um pouco longe de mim. Retirei três adagas da cintura e joguei as três simultaneamente. Cada uma acertou o rosto de um dos bonecos.

Fiquei somente treinando com bonecos até Atena aparecer.

Olhei para ela. Seus olhos mostravam uma felicidade, os lábios seguravam um sorriso, mas estava claro que era queria soltá-lo. Mas, mesmo com essa pouca animação no rosto, dava para ver que ela ainda matinha sua postura séria.

– Jackson.

– Atena.

Nos fuzilamos com o olhar.

– Tenho duas notícias para você. – Disse ela. – O seu treinamento acabou. Você irá voltar para o mundo mortal, mas não irá para nenhum dos dois acampamentos e nem terá contato com eles.

– Por que? – Perguntei meio irritado. Eu tinha algo a fazer no Acampamento Júpiter, e agora ela queria me proibir de ir até lá?

– Você tem um dever a empenhar fora dos acampamentos, acredite, o seu papel ainda não será lá.

– Certo... – Sussurrei para mim mesmo.

– A segunda notícia é algo que você não irá gostar. Todos os seus amigos que foram revividos por Hades estão mortos novamente.

Olhei em choque para ela. Meus joelhos bambearam mas logo se estabilizarão.

– Mas... mas... o que...? – Gaguejei as palavras.

– Hades também não sabe o porquê.

Me virei a caminho dos bonecos de treino para ver se eu conseguia afastar essas coisas da cabeça, mas antes que eu fizesse isso, Atena dirigiu a palavra a mim.

–Uma última coisa, você terá de ficar em outro colégio, isso vai ser meio que uma missão para você.

– Por que?

– Você saberá na hora certa.

A fuzilei com o olhar uma última vez antes de ser tele transportado para uma casa.

A casa era grande. A sala de estar tinha uma TV presa a parede, três sofás ficava diante da grande televisão. A mesa de jantar era pequena, continha 6 cadeiras. Uma estante com livros ficava no canto esquerdo da sala. A parede era feita de tijolos normais, não pintados. Uma mesa de centro ficava entre os sofás, dando-me espaço para jogar os pés sobre ela.

Andei por um dos corredores da casa. Adentrei a primeira porta que vi. O quarto, idêntico ao do apartamento de Londres estava ali. Saí daquela porta e fui até a outra. Um banheiro. Fui até o fim do corredor e abri outra porta. Uma escada ficava ali, a subi e me deparei com um andar muito legal. Tinha alguns bonecos de treino em um canto, um projetor em outro, uma cama de água em frente ao projetor, mais estantes com livros, uma parede com diversas armas de bronze celestial.

Se eu não estivesse abatido por causa da notícia das mortes, eu sorriria.

Voltei até a sala e examinei a pequena mesa que ficava entre os sofás. Lá havia um mapa de Los Angeles. Droga, eu estava na cidade que ligava o mundo mortal para o mundo inferior. Certo, dava para me acostumar com aquilo. Peguei o envelope que continha o nome de uma escola, o abri e vi uma carta de aceitação.

Olhei pela janela e vi que já estava tarde. Andei de volta até meu quarto e tomei um banho. Saí do banheiro e vesti um pijama. Ajustei o despertador, me joguei na cama e fechei os olhos.

~.~

Acordei com um barulho irritante. Me lembrei que eu tinha aula em um colégio hoje. Levantei meio embriagado da cama e fui até o armário. Vesti um jeans, uma blusa xadrez, outro blusa com manga comprida por baixo e coloquei um tênis.

Desci até a sala de estar e olhei novamente para o envelope em cima da mesa. Ali tinha o endereço do colégio, o problema era que eu não conhecia Los Angeles.

Mas, de repente, uma estranha sensação tomou conta de mim. Do nada eu soube aonde estava esse colégio.

De nada, sussurrou a voz de Atena em minha cabeça.

Fui até uma porta que ficava ao lado do corredor. A abri e me deparei com uma grande garagem. Mas, para que uma garagem se não tinha nem um carro ali?

Antes que eu xingasse Atena mentalmente por ela colocar essa maldita garagem sem nenhum carro, acabei olhando fixamente para um skate que estava ali. Eu até poderia não saber andar com aquilo, mas eu não estava muito afim de andar. O peguei, subi, e comecei a pedalar.

Fiquei andando naquele skate uns trinta minutos até de ver o colégio. Ele estava lotado de alunos na entrada. Olhei para meu relógio e vi que eu chegara adiantado, eu ainda teria mais dez minutos antes das aulas começaram. Adentrei o prédio e examinei o extenso corredor. A mesma coisa dos outros colégios que frequentei. Alunos corriam de um lado para outro. Garotos e garotas se beijavam escorados nos armários. Grupo de garotas conversavam entre si. Grupo de garotos o mesmo.

Suspirei e fui até a sala em que eu teria aula – que eu sabia qual era devido a “ajudinha” que Atena me dera -. A adentrei, me sentei na última cadeira e esperei pacientemente a aula começar.

Aos poucos, todos alunos já estavam presente. A professora entrou logo após o último aluno que faltava. Se apresentou para mim e deu início à aula. Olhei para ela, certificando-me de que não era um monstro. Atena me ensinara a como detectar se uma pessoa era ou não algo do mundo grego. E acredite, isso seria muito útil.

Enquanto eu assistia a aula, olhei para um grupo de garotos. Instantaneamente lembrei-me do idiota do Robert. Eu realmente não queria ter confusões naquele colégio;

Estranhamente, todas as aulas foram na mesma sala, tendo somente pausa para o almoço. Levantei de minha cadeira, peguei alguns cadernos que eu estava usando e fui até o refeitório. Sentei em uma mesa isolada e comecei a comer.

Me sentei sozinho na mesa do refeitório e comi em silêncio. Enquanto comia, pensei no porquê de Atena me mandar até essa droga desse colégio. Eu sou um semideus, não fui feito para estudar, por mais que eu quisesse. Eu tinha um dever a cumprir, e, definitivamente, não era aqui que eu deveria ficar.

Levantei da mesa e fui até os portões do colégio. Ninguém entrou em minha frente tentando me impedir de matar as aulas. Bom, eu não estava mesmo afim de usar a névoa.

Fui até o skate que eu havia deixado ali e comecei a pedalar em direção à casa em que eu estava hospedado. O meu plano era simples, Atena dissera que eu não deveria ir para os acampamentos. Tudo bem então. Eu não iria. Mas eu não me lembro dela ter dito para que eu permanecesse no colégio.

Cheguei até a casa e fui logo até meu quarto. Peguei uma mochila, coloquei algumas mudas de roupa e fui até a cozinha. Enfiei algumas comidas dentro da mochila e fui até a garagem. Surpreendentemente, lá havia uma barraca, pequena por sinal, porém, era uma barraca. A coloquei dentro da mochila e fui até skate.

Comecei a pedalar pela cidade. Bom, o plano que eu havia deixado de lado para ir treinar com Atena estava de pé novamente. Como eu tinha tempo de sobra pelo treinamento ter sido, hum... como posso dizer isso? Por ele ter sido em uma outra “dimensão” e o tempo que passei lá não ter passado no mundo mortal, irei treinar mais. Mas dessa vez será com monstros. Será a hora de colocar em pratica o treinamento que Atena me deu.

Eu iria fazer, basicamente, o que Luke, Annabeth e Thalia fizeram. Eu iria ficar vagando pelo país até que Atena me desse autorização para ir ao Acampamento Júpiter. Por mais que eu discordasse da decisão dela de me manter fora de lá, eu sabia que provavelmente eu deveria fazer algo aqui fora. Ela é a deusa da sabedoria, não deve estar errada.

Eu iria ser meio que um caçador de monstros.

Era arriscado, eu sabia disso. Mas eu ainda não me sinto preparado para enfrentar Gaia. O sonho que eu tive esta noite mostrava isso.

Enquanto eu pedalava com meu skate pela cidade me lembrei de algo. Crios não dera sinal de vida desde de que me jogou no Tártaro. E o porquê disso? Eu não sei. Eu tentaria procurá-lo nessa minha jornada. Eu tinha que acertar contas com ele.

Entrei na primeira floresta que achei. Procurei um canto para me sentar e armar a barraca.

Já feito tudo que eu precisava fazer, acender fogueira, armar a barraca, etc, algo de estranho aconteceu. Praticamente a mesma coisa, um deus apareceu em minha frente.

– Apolo. – Resmunguei.

O deus do sol trajava sua túnica e esbanjava seus dentes brancos. Se eu fosse uma garota, suspiraria, mas, como sou homem, eu somente bufei irritado por ter mais um deus em minha frente. Apolo pelo menos era legal. Alguns eram realmente legais, Hermes por exemplo.

– Percy! – Exclamou Apolo.

– E então, o que faz aqui? – Perguntei enquanto pegava um pouco de comida de minha mochila.

– Estou precisando de um favorzinho seu.

Droga. Deuses e seus favores.

– Certo. Que favor?

– Preciso que você recupere algo para mim. – Ele disse se sentando logo em seguida.

– O que, exatamente?

Ele suspirou tristemente e voltou a falar:

– Um arco. Me roubaram um arco, Percy.

– Mas você é um deus. Não pode simplesmente aparecer aonde está o arco e pegá-lo de volta? – Perguntei.

– Não é tão fácil assim. – Afirmou ele. – Eu não tenho autorização para entrar lá.

– E porque eu teria?

– Semideuses podem se aventurar aonde quiserem. Você sabe disso. – Lembrou Apolo.

Bufei e olhei para ele.

– Aonde é que está?

O deus do sol sorriu e me entregou um mapa.

– Bom, considere isto um presente. Esse mapa mostra a localização de itens de deuses, itens mágicos e itens de semideuses. Por mais que Atena não acha conveniente lhe dar isto, eu creio que irá te ajudar em outras ocasiões. E você também tem muita lealdade, não trairia os deuses.

– É, você tem razão. – Concordei.

E então ele desfez com os últimos raios solares que restavam daquela tarde.

Olhei para o mapa. Esse arco estava...

Mundo inferior. O arco estava no mundo inferior.