O Herói do Olimpo
32 Mergulho no Estige, de novo!
Notas iniciais
Hades soltou um som estranho com a garganta. Eu recuei a passos lentos até a porta, tentando não ser visto pelo deus dos mortos. Mas isso não deu certo. Ele virou a cabeça tão rápido para mim que meu cérebro não conseguiu acompanhar.
– O que faz aqui, Jackson? – Cuspiu ele.
Engoli em seco.
– É, que eu... Apolo perdeu o arco dele. E parece que ele está por aqui. – Respondi.
– E você acha que EU o roubei?
Já vi que aquilo não iria dar em boa coisa.
– Não estou dizendo isso. Só estou insinuando que alguém daqui pode ter roubado.
– Está achando que meus súditos o roubaram? – Perguntou ele, com uma raiva aterrorizante.
Hades semicerrou os olhos e me encarou. Pude ver toda a raiva estampada em seu olhar.
Sua áurea tremeluziu. Seus olhos começaram a pegar fogo. Instantaneamente notei o que iria acontecer em aproximadamente 5 segundos. Ele iria me matar.
E então eu corri. Sério, se não fosse por Lupa, provavelmente o deus dos mortos me alcançaria, então, quando eu voltasse ao mundo mortal – se eu voltasse, é claro – eu iria agradecer à Lupa.
Eu passava ao lado de espíritos e cães infernais. Todos eles olhavam em dúvida para Hades, que, no caso, não estava preocupado com eles. Ele só queria matar alguém mesmo. E esse alguém era eu.
Eu nunca vou entender o porquê que eu atraio tanta confusão, isso me irrita.
Tropecei em uma pedra e rolei alguns centímetros.
Hades olhou para mim. Ele estava com muita raiva. Talvez essa raiva não fosse por mim, talvez fosse por causa de Bianca que morrera. Ele só queria descontá-la em alguém. E eu sou o primeiro trouxa a ir até o deus dos mortos após a filha dele ter morrido e ele não saber como.
Legal!
– E então, é esse o fim do famosos Percy Jackson! – Uma espada de ferro estigio se materializou na mão dele.
Ele cravou a espada no lugar onde antes estava meu corpo. Eu havia conseguido rolar um pouco para o lado.
Olhei para minhas costas. O rio Estige estava ali, ao meu alcance. E eu sentia que lá seria a minha única opção.
Me levantei rapidamente, deixando Hades de olhos arregalados. Pulei no rio como se fosse água dos domínios de Poseidon.
Ácido. Aquela era a pior experiência que já tive de passar em toda a minha vida. Senti meu corpo se queimando por inteiro. Cada célula existente estava explodindo. Eu não sentia meus pulmões. Meus olhos queimavam, igual corpo. Meus ossos não se moviam.
Rapidamente pensei em um ponto mortal. O mesmo da última vez.
– Parece que você caiu, de novo!
A gargalhada de Annabeth me arrancou um sorriso. Ela estava sentando no caís do acampamento. Tinha uma corda em mãos e sorria enquanto seus cabelos esvoaçavam com o vento. Entregou-me uma ponta da corda e tentou me puxar. Nada. O desespero tomou conta de mim.
E então a ficha caiu. Eu não estava no acampamento. Eu não estava com Annabeth. Eu havia mergulhado – de novo – no mais mortal rio de todo o universo. O rio Estige.
A inconsciência tomou posse de meu corpo.
~.~
Acordei olhando ao redor. Demorou cerca de cinco segundos até me lembrar o que havia acontecido. Eu não estava mais no mundo inferior. Ao meu lado estava minha mochila, um arco, e Contracorrente.
Peguei o arco e o examinei. Era coberto de ouro e brilhava intensamente. Desenhos de sol e de deuses o cobriam. Deduzi que era o arco de Apolo queria, somente não sabia como ele havia parado ao meu lado.
E eu também não sabia aonde estava.
Uma floresta estava ao meu redor. Uma lareira em minha frente. Levantei me e coloquei Contracorrente a postos. Examinei cada metro de árvores que haviam a minha frente. Nenhum movimente era visto.
Não havia aonde eu guardar aquele arco. Na mochila ele não cabia. A única opção era guardar Contracorrente e ter de usar o arco caso algo tentasse me matar.
É, eu estava praticamente morto. Arco e flecha nunca foi minha praia.
Comecei a andar entre as árvores. Meus olhos variavam a cada canto daquela floresta. Mas ela continuava em total silêncio. O único som que se ouvia era dos galhos quebrados que eu passava por cima.
E então eu saí em um lugar inesperado. No Acampamento Meio-Sangue. Eu pensei que aquilo era somente uma ilusão, mas, ao ver o chalé 3, eu tive certeza que era realmente o acampamento.
Franzi a testa e me perguntei o que eu estava fazendo ali. Eu não fui para lá intensamente, eu simplesmente apareci na floresta do acampamento. Não tenho culpa.
Olhei para a Arena. Algo grande estava acontecendo lá, já que todos os outros locais do acampamento estavam vazios. Olhei uma última vez para a floresta atrás de mim e corri até a Arena.
Adentrei-a silenciosamente. Nenhum campista me notara, porém, Sr.D e Quíron notaram que havia algo errado. Rastejei para o local mais distante dos dois e voltei o olhar até o centro da Arena.
Dois campistas – provavelmente filhos de Ares – lutavam na Arena. Ambos estavam ansiosos pela vitória. Isso era evidente somente ao olhar a expressão de ambos.
– Vitória de Peter Austin! – Exclamou Quíron, fazendo alguns vaiarem, e outros gritarem em comemoração. O centauro gesticulou com as mãos, fazendo todos se calarem. – Agora, teremos o próximo duelo. Annabeth Chase contra Jordan Smith!
Annabeth adentrou o centro da Arena acompanhada de um garoto forte. Os dois se cumprimentaram e sacaram suas armas. Annabeth sua velha adaga, e o garoto uma espada.
– Comecem! – Quíron gritou.
Annabeth tentou cortar pelo flanco direito, mas o garoto era rápido. Rolou para a esquerda e tentou desferir um arco em Annabeth. Mas ela também era rápida, pulou para trás e o encarou.
Me levantei e sentei em uma cadeira. Ninguém me percebeu. Atena também me dera um treinamento para ser mais discreto. E parece que funcionou.
O tal de Jordan pulou para frente e tentou enfiar a espada no meio da armadura de Annabeth. Ela conseguiu pular para o lado, ficando em uma posição favorável. Colocou a adaga na parte de trás do garoto, o rendendo imediatamente.
Nunca irei subestimar as habilidades de Annabeth. Sério, aquela garota ainda me dá medo. E é isso o que me faz gostar tanto dela.
Gostar tanto dela? Eu não estou ME entendendo.
Meus devaneios foram interrompidos pela grave voz de Quíron.
– Vitória de Annabeth Chase! – Ele piscou para ela. Aplausos foram ouvidos de praticamente todos os campistas. – Agora, teremos um grande duelo. – Todos os campistas se calaram. – Thalia Grace contra Nico di Ângelo!
A plateia foi à loucura. Admito, seu eu não fosse um dos filhos dos três grandes, também me ficaria animado. Na verdade, mesmo sendo, eu me animei. O duelo entre os dois não era só um duelo entre os filhos de Hades e Zeus. Todos têm essa dúvida de quem é o melhor. Inclusive eu.
Nico sorriu para Thalia já dentro da Arena. Eles cochicharam algo e sacaram suas armas. Thalia sacou sua velha lança e seu escudo – Aegis — que dá medo até em Hades. Nico sacou sua espada de ferro estigio, me fazendo ter um calafrio devido a lâmina de Hades, que era semelhante à do filho.
– Lembrem-se, todos os poderes são válidos. Estão prontos? – Quíron perguntou aos dois, ambos assentiram. – Comecem!
Logo de começo Thalia usufruiu de seus poderes. Um raio caiu exatamente ao Nico estava. Exato, notem que eu disse “estava” pois na mesma hora o filho de Hades viajou pelas sombras antes que o raio atingisse sua cabeça. Ele apareceu atrás de Thalia, já mirando sua espada nas costas da filha de Zeus. Mas ela também estava atenta. Girou o corpo, fazendo a espada de Nico ir de encontro à Aegis.
Nico abaixou e tentou dar um golpe nos pés de Thalia. Ela pulou e girou sua lança, a altura da cabeça de Nico. Ele cambaleou para trás e olhou a filha de Zeus. Ela estava sorrindo. Isso o enfureceu, empunhou sua espada e correu até ela. Quando sua espada tocaria o escudo de Thalia, ele desapareceu no chão, reaparecendo atrás da garota. Posicionou a espada atrás do pescoço dela e sussurrou algo.
Ela soltou o escudo e a lança. Bufou irritada e andou até a arquibancada.
Nico sorriu e olhou para Quíron, que somente admirava tudo com orgulho.
– Bem, parece que temos um vencedor! – O centauro exclamou, um tanto admirado pelo duelo de seus alunos.
Todos estavam perplexos demais. A luta entre filhos dos três grandes sempre gera surpresa aos espectadores. Nunca se sabe o que acontecerá. Nunca.
– Os duelos por hoje estão terminados. Amanhã pela tarde daremos continuidade aos eventos. Agora, todos vocês devem ir até seus chalés, o toque de recolher acontecerá daqui a dez minutos.
Todos resmungaram algo e foram até seus chalés lentamente. Alguns comentavam sobre as lutas, outros ainda pareciam estar perplexos pelo combate entre Thalia e Nico. Admito, eu também estou. Pensar que aquele garotinho que eu salvei há alguns anos atrás estava derrotando uma experiente filha de Zeus era um tanto chocante. Até para mim ganhar de Thalia poderia ser um problema. A garota sempre tem um plano na manga.
Balancei a cabeça retirando memórias não muito boas. Olhei para Sr.D e Quíron. Os dois estavam sentindo algo de errado. Ambos gesticulavam com as mãos e cochichavam coisas um ao outro. Olhavam constantemente para todos os cantos da Arena, provavelmente procurando algo.
Demorei alguns minutos até deduzir que esse “algo” poderia ser eu. Saí lentamente do banco em que estava e corri para o primeiro lugar que me veio à mente. O chalé três.
Pulei a janela rapidamente e me escondi debaixo do pequeno beliche. Ouvi alguns galopes vindo ao longe. Quando o silêncio preencheu o chalé de Poseidon, me levantei e olhei pelas janelas. Nem Quíron e nem Sr.D estavam à vista. Suspirei cansado e sentei na cama
Coloquei minha mochila ao meu lado e o arco debaixo do beliche. Certifiquei-me que a porta estava trancada e deitei na cama.
Minha intenção era somente descansar. Mas meu dia havia sido cansativo. Eu estava me sentindo diferente desde que mergulhei no Estige novamente. Eu merecia um bom descanso, um bom sono. Esse era o único direito que nem Quíron, nem os deuses poderiam me negar.
Fechei os olhos e apaguei.
~.~
O sol me acordara. Apolo provavelmente estava vendo o chalé três, então aproveitei para mostrar ao sol — sim, o astro – o arco que havia aparecido ao meu lado quando acordei ontem.
Muito bem, Percy. Obrigado, cara, sério, sem você eu não sei o que teria feito. Dizia a voz de Apolo em minha cabeça, para logo em seguida o arco desaparecer dê minha mão.
Dei de ombros mentalmente e examinei o mapa que Apolo me deu. Pensei no raio mestre de Zeus. Se formou a planta do Olimpo e lá estava o raio. Bem guardado com o próprio Zeus – também mostrava a localidade dos deuses, parece que Apolo esqueceu de me falar sobre isso. Agradeci ao deus do sol mentalmente pelo mapa e o garanti que não iria usá-lo para nada de ruim.
Levantei-me da cama ainda meio sonolento. Uma questão inquietante me incomodava. Eu deveria ou não deveria continuar nesse acampamento? Eu não sabia.
Fiquei cerca de 30 minutos parado naquele chalé, somente pensando em qual opção eu deveria tomar. Ir ou não ir até o refeitório. A fome tomou conta do meu corpo e me dirigiu a passos lentos até lá.
Os campistas franziam a testa para mim. Eu somente dava de ombros, não tinha tempo para eu me apresentar para todos os novatos. E sim, eram MUITOS novatos. Somente não entendi o porquê dessa quantidade.
Sentei-me na mesa de Poseidon sob o olhar dê diversos conhecidos meus. Quíron, Thalia, Nico, Annabeth eram os que mais estavam em dúvida sobre o que eu estava fazendo ali. Se eles quisessem realmente saber, teriam de vir até mim e me perguntar.
Mas, sob olhar Annabeth, me senti estranho. Minha boca ficou seca. Meu sangue pareceu ir todo até minha cabeça. Meu coração falhou uma batida. Eu não conseguia pensar o que fazer. Nos encaramos até ela desviar o olhar. Mas, devo dizer algo. Ela estava, incrivelmente, extremamente, fantasticamente, linda. E garanto-lhes que não é exagero meu.
Assim que a comida apareceu em meu prato, eu a ataquei. Estava deliciosa, como sempre, é claro. Pedi minha deliciosa diet-coke azul e me esforcei ao máximo para sentir aquele doce liquido azul descendo por minha garganta.
Terminando de comer espreguicei. Levantei e fui até Quíron, que ainda estava meio perplexo ao me ver.
– Quíron. – Cumprimentei o centauro.
– P..ercy. – Ele gaguejou a primeira parte.
Arquei uma sobrancelha para ele. Por que ele gaguejara?
– E então... – Comecei, tentando tirar a dúvida dá mal fala dele. – Eu poderia treinar de novo?
Ele balançou a cabeça e voltou-se a focar em mim.
– Sim, sim, claro. Faça seus horários e os deixe no mural. – Quíron pediu, já galopando de volta à casa grande, sem se despedir.
– Então tá... – Meio que resmunguei. Quíron nunca havia sido estranho comigo, por que ele agora estava assim?
Dei de ombros, uma hora ou outra eu acabaria descobrindo, ou ele também voltaria a agir normalmente. Fui até o mural e olhei os horários disponíveis. Agora eu teria... aula de esgrima.
Sorri involuntariamente e fui até o chalé de Poseidon. Coloquei uma camisa do acampamento e fui até a Arena. Adentrei a grande e reluzente construção grega e me sentei em uma das cadeiras, somente esperando até que o professor – seja lá quem fosse – entrasse. Certifiquei-me se ainda tinha algumas adagas na cintura, caso eu precisasse usá-las em algum treino. Ainda havia duas.
E então, pouco a pouco, os alunos entravam. Diversos novatos entravam animados com a aula. Sussurravam coisas e gesticulavam com suas espadas/lanças/adagas. Havia novatos de todas as idades, 11 até 17, se não me engano.
Alguns minutos depois, Nico, Thalia, Annabeth e Harry entraram na Arena. Olhar para aquele cara já me trouxe um gosto estranho na boca. Vir o que veio em seguida foi pior. Ele estava abraçado de lado, somente com um braço entorno do pescoço de Annabeth. Mas esse também não foi o fim. Ele virou o rosto dela e a beijou.
Estalei meu pescoço igual a Voldemort. Sério, de acordo com Atena, eu havia treinado com Nix a parte mental, ou seja, fiquei mais inteligente – sim, senhores e senhores, eu fiquei mais inteligente – e também aprendera diversas coisas que eu não era experiente. Tipo o autocontrole. Possivelmente, eu teria feito a terra tremer se eu não houvesse sido treinado por Nix. É, treinar dormindo foi realmente legal.
Logo o professor de esgrima adentrou a Arena. Era alto, tinha cabelos curtos cor de chocolate, olhos azuis como céu. Trajava uma roupa básica; camisa polo, short e um chinelo. Perguntei-me aonde estaria a armadura dele, ou se ele participaria da aula. Deduzi que ele somente ensinaria, não participaria.
Levantei da cadeira e desci até o centro da Arena. Todos olharam para mim por cerca de 5 segundos, até o professor chamar-lhes a atenção. Deu a instrução de qual seria o movimento que iria ensinar e logo montou duplas para treinarmos.
“Duplas” não, já que eu ficara com três além de mim. Três filhos de Ares iriam se juntar contra mim. Os três estavam armados até os dentes. Adagas, lanças, espadas... Eles carregavam de tudo. Saquei Contracorrente e olhei para o professor. Ele mandara eu esperar. Deu início a todas as lutas, menos a minha.
Aproveite e vesti uma armadura enquanto esperava ordens por parte do professor. Virei-me para a luta de Annabeth. Ela estava lutando com algum filho de Apolo. Ele tinha dificuldade ao manusear a espada, então, Annabeth só estava brincando com sua adaga em mãos. Usou o movimento que o professor pediu, fingiu investir pela direita e, quando o adversário pensaria que ela atacaria a direita, ela atacava a esquerda. Era simples, porém útil. Revisei várias lutas em minha cabeça que eu poderia ganhar usando esse golpe.
Annabeth terminou com seu adversário. Fixei meu olhar na luta de Thalia. Ela estava lutando contra um filho de Hermes. Ele era ágil, porém, a filha de Zeus tivera bastante experiência quando criança. Ele pulou para a esquerda e Thalia acompanhou com sua lança. O garoto caiu no chão, e, incapacitado de se levantar, Thalia acabou levando a vitória.
Ela limpou o pouco de suor que havia em sua testa e se sentou ao lado de Annabeth. Mas não sem antes mandar-me seu típico olhar assassino, eu somente o devolvi.
Olhei para o outro canto da Arena, onde se desenrolava a luta de Nico. Ele estava muito melhor do que quando lutamos contra Cronos. Sua espada cortava, defendia, atacava com perfeição. Seus movimentos eram tão precisos que ele só recebera um corte em toda a luta. Então ele colocou em prática o movimento que deveríamos aprender. Fingiu cortar pela esquerda e logo desviou o ataque para a direita. Seu adversário não tivera chance.
Todas as lutas haviam terminado. O professor olhou para mim e sorriu. Gesticulou com a mão para que eu me aproximasse e assim fiz. Ele posicionou os três filhos de Ares em um lado da Arena e me mandou ficar no outro. Sussurrou algo para os três e logo veio até mim.
– Veja bem, se você não conseguir derrotá-los ou se machucar, é só gritar, ok? – O professor chegou perguntando.
Assenti com a cabeça, animado. Seria divertido brincar um pouco com os filhos de Ares. Se fosse antigamente, talvez eu até perdesse para eles, mas nas circunstâncias atuais eu não tinha esse direito. Não poderia perder para alguns semideuses, eu não poderia dar-me o luxo disso. Eu precisava derrotar Gaia, se não derrota-se míseros semideuses eu não seria nada.
O professor gritou e os filhos de Ares se dividiram pela a Arena. Havia uma grande pilastra no meio, e isso dificultaria meu trabalho de luta, já que os três haviam se divido. Um pelo meio, outro pela esquerda e o outro pela direita.
Corri com Contracorrente empunhada até o do meio. Atônito pela minha velocidade, mau viu meu ataque chegar até seu flanco esquerdo. Ele cambaleou para trás e gritou algo para o garoto que estava a sua esquerda. O garoto correu até mim com uma lança empunhada. Ela chocou com Contracorrente, soltando faíscas. Abaixe e rolei para o lado assim que o ataque do garoto da minha esquerda apareceu.
Ok, irei nomeá-los agora. O dá minha esquerda será o garoto número 1, o dá direita o 2 e o do meio o 3.
Continuando, o garoto um veio com sua espada mirada em minhas costas. Logo desviei e pulei para trás. Os três se juntaram no meio e sussurram algo. O garoto 3 deu um berro e logo todos eles vieram até mim.
Lança, espada e espada eram o que os três utilizavam. Meu corpo estava em modo automático. Cortava, desviava, atacava, defendia, pulava, rolava. Logo eu fiz o movimento no garoto três e ele se retirou do centro da Arena.
Os dois se encararam e chegaram a um consenso em silêncio. O garoto 2 – o que estava com a lança – se aproximou lentamente de mim. Engoliu em seco e olhou para trás uma última vez.
E então, do nada, ele avançou. Impedi a lança de se chocar com minha armadura. Ele tentou girá-la em meus pés, e eu somente pulei. Rolei para trás e olhei para a plateia. Todos estavam focados na luta.
E então, quando eu iria atacar o garoto 2, senti algo se movimento em minhas costas. Rapidamente eu entendi a estratégia dos dois. Um iria me distrair para que o outro avançasse pelas costas. Percebi isso tarde demais. O garoto 1 fez sua lança perfurar minha armadura. Caí no chão.
Droga, aquela lança estava eletrificada, igual a de Clarisse.
Senti meu corpo concentrar toda a eletricidade em minha mão direita. Rapidamente lá estava se formando um raio. Os dois garotos tentaram estocar contra mim, mesmo eu estando no chão. Mas eu fui mais rápido. Levantei e dei um chute no garoto 2. Com ele caído no chão, só me restara o garoto 1. Ele olhou para minha mão.
Notei que não era só ele que estava admirando minha mão. Todos da plateia estavam. Desfiz o raio rapidamente e, no momento de distração do garoto 1, fiz o movimento do professor.
– Muito bom! – O professor exclamava se aproximando de nós.
– Só isso? – Perguntei meio desafiadoramente para o professor. – Três filhos de Ares é o melhor que você tem?
Ele sorriu. Não levou a sério meu desafio, mas também não o deixou passar.
– Você quer mais, não é mesmo? – Ele perguntou retirando sua espada da bainha. – Muito bem! Se é assim, veremos o quanto Percy Jackson é capaz.
– Mas o que você...?
Ele se posicionou de um lado da Arena e empunhou sua espada e um escudo.
Eu já sabia que aquela luta não seria fácil.
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