O Herói do Olimpo
38 Hm... A floresta têm reuniões.
Notas iniciais
Quantas vezes eu já acordei nessa mesma enfermaria? Devo dizer que perdi a conta. A mesma luz no teto, as mesmas camas. Também tenho que dizer que já me sinto seguro aqui, com todos aqueles filhos e filhas de Apolo carregando medicamentos e cantando algumas canções.
Mas dessa vez não tinha ninguém na enfermaria além de mim, algo que achei estranho, já que tínhamos acabo de ter uma batalha. Era pra essa enfermaria estar totalmente lotada, não vazia. Não havia uma alma viva se quer por ali, e isso estava começando a me assustar.
Me levantei ainda com a cabeça latejando. Me lembrei do o que tinha acontecido que me trouxera até aqui. Redemoinho, acho que eu teria mais cuidado na hora de fazer outro desse.
Andei em passos lentos até a porta. A abri lentamente, enquanto via diversos campistas andando de lá pra cá, normalmente, como se a guerra tivesse sido há dias, e não há horas.
Procurei algum rosto conhecido por ali, mas não achei nenhum. E nem deveria, eu não conhecia ninguém nessa dimensão mesmo.
Olhei para minha camisa do acampamento. Estava toda rasgada. Parece que algo havia acontecido logo depois que eu fiz aquele redemoinho. Algo que talvez não tenha sido muito bom pra mim.
É, e minha cabeça também doía. Pensei que era só um dos efeitos colaterais do meu controle sobre a água, mas estava doendo demais. Comecei a andar em direção à Casa Grande, me apoiando em coisas que via pela frente.
Logo a tontura me atingiu. E a vontade de ficar inconsciente também veio. Mas eu não me renderia tão facilmente dessa vez, eu daria um jeito de ficar levantado, até pelo menos saber o que diabos tinha acontecido na guerra. Talvez a água me ajudasse com essa tontura. Eu teria de tentar.
Cheguei aos poucos perto do lago e me joguei lá dentro. Logo como um remédio, a dor de cabeça, a tontura e a vontade imensa de ficar inconsciente foram se dissipando, dando lugar à vontade de nada de lá para cá.
Eu teria tempo para isso depois. Primeiro eu precisava achar Quíron, saber o que tinha acontecido, e depois, só depois, eu talvez poderia descansar um pouco no lago ou no mar.
Saí do lago e me apoiei alguns segundos na borda. Eu tinha a leve impressão de que minha dor de cabeça voltaria se eu demorasse muito até falar com Quíron, então eu precisava ser rápido.
Comecei a andar em direção à Casa Grande novamente, mas sem ter que me apoiar em estruturas dessa vez. Eu ia perguntando a alguns campistas sobre Quíron, enquanto eles diziam não saber onde ele estava. Estranho, geralmente todos os campistas sabiam aonde Quíron ia, ele sempre avisava.
Chequei a Casa Grande e vi que ele realmente não estava lá. O primeiro lugar que pensei que ele poderia estar depois da Casa Grande era o Olimpo, mas chegar até lá seria um tanto quanto difícil.
Como uma lâmpada que se acendera em minha cabeça, lembrei de um possível lugar que ele poderia estar. Talvez, se ele estivesse realmente em uma reunião importante e não quisesse que os campistas soubessem disso, ele poderia ir até a floresta.
Era a minha melhor chance. Mas primeiro eu precisava de trocar, não queria chegar à uma reunião da maneira que estava. Mas aonde diabos eu poderia me trocar? Então me lembrei do arsenal. Lá também tinha-se camisas do acampamento.
Comecei a andar até lá sem me preocupar com os olhares dos campistas. Eu estava sentindo algo de diferente... Meio que a sensação de lar que eu sentia na outra dimensão. Mas estava diferente. Eu também sentia que eu não estava no lugar que pensava que estava.
Eu me odiava por pensar coisas tão estranhas, mas enfim...
Cheguei ao arsenal e o adentrei. Diversas armas o cercavam, dentre elas armas de fogo, antigas espadas e adagas utilizadas pelos maiores heróis. Coisas tão estranhas mais ao mesmo tempo impressionantes.
Voltei a me focar no o que era mais importante. Procurei alguma camisa do acampamento por ali e logo achei. Arranquei os últimos fiapos dessa que eu usava e logo vesti a outra. Saí do arsenal e voltei a procurar por Quíron, porém, dessa vez eu o procuraria na floresta.
Alguns minutos de caminhada e eu já me sentia mais perto do meu objetivo. Entrei em uma pequena caverna contida na floresta, e logo vozes inundaram meus ouvidos. O centauro dizia algumas coisas, mas não me concentrei nisso até ver o seu semblante sério.
Mudei de plano e resolvi ouvir toda a conversa por de trás de uma grande pedra.
— Isso é perigoso. Sabemos que aquele garoto pode conter grandes poderes consigo, não acha arriscado mandar semideuses atrás dele? — A voz de Quíron indagou, tomando um tom um tanto quanto preocupante.
— É necessário, Quíron. Sabemos que ele está se aliando a Crios, se deixarmos eles recrutarem algumas poucas tropas, uma outra grande guerra pode acontecer. Não duvido que Crios já tenha encontrado um jeito para fazer Cronos ressurgir.
Não reconheci a voz de quem disse isso, e também não me preocupei com isso. O fato de ele já ter mencionado o titã que sonha em acabar com a minha vida já era o suficiente. Minha mão rapidamente foi até o bolso, apertando tão fortemente Contracorrente que fazia os nós de meus dedos ficarem completamente roxos.
— Mas somente Percy Jackson não será necessário para fazer isso. Por mais que ele seja bom, não seria o suficiente. — Disse Quíron, fazendo os meus pelos da nuca se eriçarem.
— Sabemos disso, Quíron. E é por isso que trouxemos essa garota conosco. Rachel disse que precisávamos dela, e não de outro filho de Poseidon. — A voz de Annabeth fez um calafrio passar pelo o meu corpo. — Bem, deixe eu os apresentar. Emma, esse é o Quíron dessa nossa dimensão, e Quíron, essa é Emma Collins, filha de Afrodite.
Ah, droga. Essa garota já estava envolvida nessa história toda.
— Muito prazer, Emma. — Cumprimentou Quíron.
— O prazer é todo meu. — Ouvindo sua voz me lembrei do episódio do meu tropeço. Logo isso já me fez levantar de trás da pedra, e tropeçar enquanto recuava de costas até a saída da caverna.
Todos sacaram suas armas rapidamente e logo já apontaram elas para mim.
— Hm... Oi? — Falei meio desorientado no chão.
— Ah, é o Percy, podem abaixar suas armas. — Disse Annabeth.
Logo que todos os rostos na sala já estavam à luz do sol, pude reconhecê-los. O professor que me fizera usar a mão em uma luta foi quem disse a Quíron sobre Cronos. Vi também Annabeth com uma expressão séria enquanto Emma olhava para mim com admiração.
Franzi a testa para o olhar dela, mas logo me virei para Annabeth.
— Quem está se aliando a Crios? — Perguntei logo.
— Não sabemos o nome dele, mas você já lutou com ele uma vez. Aquele garoto que roubou o cinto de Afrodite, lembra-se? — Ela me deu essa informação de uma maneira estranha. Gaguejou um pouco e corou quando disse “garoto”.
Me lembrei dele e da reação que Annabeth tivera ao vê-lo. Ela tinha entrado em completo choque. E até hoje eu não tinha parado para me perguntar. Por que ela entrou em choque?
Annabeth mantinha o olhar baixo e o rosto corado. Eu sinceramente estava me matando de curiosidade, e também ciúmes, devo admitir.
Mas Quíron tinha coisas importantes a me dizer.
— Bem, Percy. Temos uma missão difícil para você desta vez, e não pense que já passou por coisas mais difíceis, porque isso será bem difícil. Você, Annabeth, Ashley e Emma vão atrás desse garoto, vão tentar não matá-lo e trazê-lo até aqui, entendeu? — Eu abri a boca para perguntar de Crios quando ele logo já foi me esclarecendo. — Vocês evitaram Crios durante a viagem. Não quero saber que você saiu para caçá-lo, em hipótese alguma, estamos entendidos?
Pelo tom que ele utilizara eu sabia que havia mais alguma coisa por trás dessa história. E também sabia que procurar Crios agora não era a melhor coisa a se fazer, então eu faria o que ele disse, somente procuraria o garoto.
— Então, quem é o líder da missão? — Annabeth perguntou a Quíron.
— Desta vez, deixaremos a liderança com Emma. Ela saberá o que fazer quando encontrar o garoto. — Respondeu o professor o qual eu não sabia o nome.
— Tudo bem então...
— Vamos, na Casa Grande discutiremos sobre isso. — Quíron ia nos guiando até lá, quando uma filha de Afrodite pulou em cima de mim, me levando ao chão e gritando:
— Percy!
Logo depois, Ashley selou nossos lábios, me fazendo ouvir o som de um pigarro de Annabeth.
É, não tinha como as coisas melhorarem.
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