O Herdeiro da Ruina
22 Quando tudo fica Pior
Notas iniciais
Saímos da caverna e montamos um acampamento perto do lago para passar a noite, foi decidido que partiríamos de manha e voltaríamos o mais rápido possível.
Eu estava muito nervoso por não ter sido capaz de salvar a Piper. Eu descontava minha raiva numa arvore, socando-a sem parar. Amanda até que tentou me confortar, dizendo que não foi minha culpa.
– Foi minha culpa sim! A profecia dizia que “Uma traição será necessária para escapar, Isso acontecerá apenas se o Filho enganar” – Dei outro soco na arvore – eu pensei que eu tinha que enganar a Kate para ela nos ajudar, daí ela trairia os sequestradores e fugiríamos todos juntos. Mas não foi isso o que aconteceu! – E dei outro soco – Eu enganei a Piper dizendo que ela sairia viva e voltaria pro Jason, eu tinha me esquecido do trecho da profecia que dizia: A Pomba desaparecida aparecerá; Mas presa ela continuará. Eu dei a ela falsas esperanças. Eu trai a confiança dela! – Gritei – Eu sou um... Como vou encarar o Jason agora?
Ninguém disse nada, não tentaram negar ou dizer que eu estava errado, não havia motivos para isso. A verdade às vezes é sufocante.
– O Jason não vai culpá-lo cara, – Disse Nico finalmente – eu não senti nenhum semideus morrendo. Isso quer dizer que de algum jeito ela sobreviveu à explosão. – Ele colocou a mão no meu ombro – Ela ainda está viva.
***
O céu noturno estava lindo, com estrelas e uma lua cheia brilhante. Ela só não foi perfeita porque meus pesadelos não me deixaram dormir.
Eu sonhei que Piper estava presa com correntes no tornozelo e grilhões prendendo seus pulsos acima da cabeça. Um rapaz, de uns 18 anos estava na frente dela. Era loiro de olhos azuis escuros, tinha uma cicatriz avermelhada que ia da têmpora direita até o queixo e sorria sadicamente pra Piper. Usava uma camiseta regata branca que exibia seu corpo musculoso e esguio, uma calça jeans surrada e estava descalço.
– Piper, Piper, Piper... – Disse ele, se aproximando e ficando centímetros do rosto dela – O que eu disse pra você? Você não vai escapar daqui, principalmente escapar de mim.
Piper não disse nada, ficou apenas encarando-o, mas vi em seus olhos o medo que ela tinha desse cara. Ele se virou e pegou um par de luvas de couro numa mesinha. As luvas eram feitas de um couro escuro e tinha pontas de ferro bem na área dos nós das mãos.
– Você se lembra disso? – Ele vestiu as luvas e deu um soco no ar – A nossa primeira noite juntos, foi mágico... – Ele se aproximou dela novamente e a pegou pelos cabelos – Você quer repetir a dose sua maldita?
– Não tenho medo de você.
– É mesmo? Então vai não ser problema eu fazer isso.
Ele deu um soco forte no abdômen da Piper e outro, e outro. Ela segurava os gritos de dor mordendo os lábios. Ele se divertia, tinha um sorriso largo estampado no rosto. No quarto soco ele se afastou e ficou apreciando a cena.
– Piper, Piper, Piper... – Disse ele – Por favor, não minta pra mim de novo, pois a sinceridade é algo que eu respeito no nosso relacionamento.
– Você gosta de sinceridade? Sinceramente, você é louco. – Disse ela logo após cuspir no rosto dele.
O rapaz de um soco incrivelmente rápido no rosto dela. Um inchaço enorme logo surgiu na maçã de seu rosto e sangue começou a escorrer dos lábios dela. Ele deu outro soco e Piper não aguentou a dor e gritou.
– Finalmente! – Disse o rapaz – Parece que tive que quebrar uma das suas costelas pra você gritar, foi lindo. Faz de novo?
Ele deu outro soco, mas acordei com o impacto.
***
Nico e Amanda já tinham acordado e levantado o acampamento. Terminamos de arrumar as coisas e partimos. Chegamos ao Posto Avançado no dia seguinte, antes do inicio de uma festa. A festa era pro Harpy, estava fazendo um ano que ele chegou ao Posto Avançado e ninguém queria deixar essa data em branco então, fizeram uma festa de gala. Com roupas sociais, ternos, vestidos, ponches, coisas assim. Eu não estava animado pra ir à festa, não parava de pensar na Piper sofrendo nas mãos daquele loiro desgraçado, seria ele o Victor? Eu achava que sim.
Coloquei uma camisa social branca, blazer e calça jeans preta, sem gravata. Também fui de all-stars, eu nunca irei usar aqueles sapatos estranhos de couro.
Quando cheguei à festa. Encontrei Jason, Percy e Annabeth conversando num canto do salão. Kevin estava dando em cima das filhas de Afrodite, Mary conversava com Gabe (que ainda usava a coroa de louros na cabeça). Todos com roupas sociais. Nico e Amanda estavam fora de vista e Hazel também não estava presente, ela ficou cuidando de Frank na Enfermaria.
Fui na mesa do ponche de frutas e peguei um copo, pra tentar me divertir. Senti alguém puxar o meu braço, era o Harpy. Seus cabelos loiros estavam estranhamente penteados e usava um terno com uma rosa presa na lapela. Ele sorria que nem um palhaço.
– O que quer?
– Nada.
– Ótimo. – Dou um gole no ponche.
Ele ficou me encarando e sorrindo. Era meio assustador.
– Quer saber um segredo?
– Ahn?
– Isso é um sim ou não?
– Um sim.
– A Chloe está te procurando e ela quer conversar algo importante. Sobre o que você viu na arena, ela quer esclarecer tudo. – Dei outro gole no ponche, eu já esperava por isso – Também tem outra coisa...
– O que? – Digo terminando o ponche de frutas.
– É segredo!
Eu perdi a paciência com ele. Peguei ele pela lapela e o levantei.
– Escuta aqui seu moleque...
– Benjamin. – Chamou Chloe.
Ela estava linda. Usava um vestido dourado, quase no tom de seus cabelos. O vestido é tipo daqueles que se usa em bailes de formatura, tinha um decote em V e detalhes em cetim na borda da alça, mas nada extravagante. Eu já falei que ela estava linda?
– Ah... oi?
– Oi, eu quero falar com você depois, pode ser?
– Claro... – Eu não tirava os olhos dela (Todo homem tem uma queda por garotas bonitas, Ok?)
Ela saiu acompanhada pelo Harpy. Parece que a Chloe era o par dele na festa. “Garoto esperto...”. Vi Kevin acenando pra mim, ele estava acompanhado por duas garotas, uma filha de Afrodite chamada Lacy e a garota do Battle Royal filha de Hefesto, Jennifer.
No outro canto vi Percy, Annabeth e Jason saindo do salão devagar, como se não quisessem ser notados.
– É, a noite vai ser longa.
POV – Percy
Eu, Annabeth e Jason saímos da festa mais cedo, tínhamos assuntos a tratar na Gruta.
A Gruta era uma sala secreta que ficava em baixo do SGE. É basicamente uma caverna subterrânea secreta, onde tem um rio subterrâneo que a corta ao meio, com centenas de estalactites no teto e uma escadaria em espiral de ferro, que é a entrada. Tudo bem simples.
Na ocasião tinha mais coisa na Gruta. Uma cadeira de madeira com uma garota sentada nela, que estava mais amarrada do que sentada, na verdade. Ela foi entregue por uma garota assustadora que dizia que era uma “entrega do Mestre Benjamin para o Senhor Grace”. Muito estranho. Ela ficou sendo vigiado por Leo, Johan, Max Burns e mais dois autômatos humanóides de bronze. Apenas Max e os autômatos estavam usando armas.
– Percy Jackson e Jason Grace, os semideuses mais gatos que eu vou ter o prazer de matar. – Disse a garota num tom sexy.
– Oi pra você também. – Disse Jason, ele não estava de bom humor – Isabel Morrison, certo?
– Isso mesmo querido. – Jason não esboçou nenhuma expressão – Então, o que querem de mim? Sexo? Se for quero fazer com o Percy primeiro.
– Muito engraçado. – Disse Annabeth, ela não riu – queremos saber tudo sobre seu grupinho de sequestradores malucos. – Annabeth ficou cara-a-cara com ela – O numero de membros, nomes, pais divinos, onde estão os nossos amigos e qual é o verdadeiro objetivo de vocês. Pra começar.
Isabel sorriu.
– Ok. O numero de membros são oito se não me engano. Nomes... – Ela pensou um pouco e começou a falar – Tem uma garota chamada Kate Young, descendente de Kyktos de Troia e filha de Mercúrio; Victor Oslon, filho de Perses (deus grego da destruição); Sobre os outros só sei o primeiro nome e não me interessa os pais divinos deles.
A escadaria começou a ranger. Frank estava descendo-as.
– Frank! – Disse Leo – O que está fazendo aqui? Cadê a Hazel?
– Ela... – Frank notou a presença de Isabel, mas não teve nenhuma reação – está dormindo e eu quero vê-la.
Frank a encarou com ódio.
– Oi “Zhanguizinho”, sentiu saudades? – Perguntou Isabel, dando um piscadinha.
– Nem um pouco.
– Quer saber? Também não. – Bufou ela – Eu ganhei uma nova prisioneira depois que você fugiu. – Ela olhou pro Leo, sorrindo – Ela é bem bonita, quer dizer, era. Ela sempre chamava por você Leo, dizendo que você a tiraria da prisão como você fez antes, mas até agora nada. – Leo a olhava atônito – Você se lembra da Calipso?
A expressão de Leo mudou drasticamente depois de ouvir tais palavras. Uma mistura de fúria e descrença. Antes da Guerra dos Gigantes, Leo acabou parando em Ogigia, onde conheceu e se apaixonou por Calipso, ele saiu e voltou depois da guerra para resgatá-la. Então ela ficou livre da maldição e eles começaram a namorar. Isso até seu desaparecimento, três meses atrás.
– O que você fez com ela? – Berrou Leo.
– Eu não fiz nada. – A expressão de Leo aliviou até ela continuar a falar. – Eu não dei comida, eu não dei água, eu não dei descanso. Eu não fiz exatamente nada.
– Chega! – Digo. – Você não vai dizer mais nada, Johan amordace ela.
Johan se aproximou dela com uma mordaça nas mãos. Ela olhou pro Frank e deu uma piscada. Frank, como se estivesse hipnotizado, correu e cravou uma faca bem no peito do Johan.
Todos nós olhamos atônitos pra ele. Ele acabou de atacar um dos nossos e pra ele parecia nada. As cordas que prendiam Isabel entraram em combustão. Ela se libertou sem nenhum arranhão. “Ela é uma filha de Hefesto?!”
– Não, não somos irmãos Leo. – Disse ela pra ele. – Eu sou superior a você. Eu sou filha do deus-rio Flagetonte. O rio de fogo do Mundo Inferior.
Ninguém esperava isso. Um semideus filho de um deus-rio é raro, ainda por cima de um deus-rio do Mundo Inferior. Os olhos de Frank estavam com uma cor dourada, eu me lembrei desses olhos. Os olhos de um possuído.
– Frank está possuído por um Eidolon.
– Eidolon? Um fantasma? – Perguntou Annabeth.
– É. Seria ótimo se a Piper estivesse aqui. – Digo.
Frank desferiu um golpe com a faca em Max, mas ele já estava preparado e defendeu com a espada, ele estava prestes a revidar quando um jato de fogo avermelhado o atingiu no peito, queimando sua pele e órgãos. Isabel sorria triunfante. Leo não ficou parado, lançou labaredas de fogo em Isabel que rebateu com suas próprias chamas. Era uma batalha entre o Fogo Olimpiano contra Fogo do Mundo Inferior.
Os dois autômatos não tiveram chance contra um urso cinzento possuído. Nada parecia parar Frank, cansado de assistir, Jason jogou sua moeda de ouro pra cima e uma espada gládio de ouro imperial caiu em sua mão.
Jason atacou o urso. Frank se transformou num dragão logo em seguida, usei a água do rio subterrâneo para distrair e impedir que cuspisse fogo, enquanto Jason mandava rajadas de vento contra ele e o empurrava para o rio. Annabeth verificava se ainda tinha algum indicio de vida em Johan, e não tinha. Ele estava morto.
O dragão/Frank estava a poucos metros de distancia do rio.
– Jason mantém assim! – Gritei.
Me concentrei e pedi para o as ninfas do rio subterrâneo me desse controle total do rio, e consegui. Usei toda a força que tinha e fiz tentáculos gigantes feitos de água agarrar o dragão/Frank. Meu estomago se contraiu e minha cabeça começou a doer. Envolvi o corpo dele inteiro com água, quase igual uma prisão/bolha de água. O dragão tentava lutar contra a água, cuspia fogo, mas não era suficiente para evaporar a água. Logo ele ficou sem forças e Frank voltou a sua forma original. Quase se afogando.
Liberei o controle da água e Frank cai no chão duro da caverna, inconsciente. Mandei um sinal de “positivo” pro Jason. “Um ótimo trabalho em equipe!”, pensei. Mas não tivemos chances de triunfar a vitoria.
Quando me virei pro Leo e Isabel. Vi que eles ainda lutavam com fogo, até que Isabel parou de lançar suas chamas no Leo e disse:
– É, devo admitir que você é muito bom. – Disse ela. – Mas... será que ela também é?
Isabel lançou um segundo jato em Annabeth. Ela não estava atenta e não estava vendo as chamas chegando. Entrei em desespero, não havia tempo pra nada, pra gritar, pra correr, pra usar a água.
– Annabeth! – Gritou Leo.
Ele já estava em seu lado quando as chamas chegaram. Ele a empurrou e as chamas acertaram seu braço em cheio. Uma sensação de alivio percorreu o meu corpo, Annabeth estava bem e Leo era à prova de fogo. Até que Leo gritou de dor.
Eu não entendi a razão. Corri até ele e vi com meus próprios olhos. O fogo consumindo o braço direito dele por inteiro.
O Fogo do Mundo Inferior ganhou do Fogo Olimpiano.
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